Verborragia sem concessões

April 11, 2008

OS RATOS

Filed under: comportamento - Carlos @ 5:32 am

Quando eu era pequeno, nunca funcionou. Mas eu gostava dos desenhos do papa-léguas com o coiote e aquelas armadilhas fantásticas da ACME, coisas mirabolantes que eu sempre tentei fazer em casa mas nunca deu certo. A mais clássica, utilizada em vários desenhos, e sem tanta engenhoca assim, é aquela em que a gente coloca uma caixa de sapatos, numa posição de 45 graus, sustentada por um pedaço de pau, amarrado a uma corda. Embaixo da caixa, um pedaço de queijo para atiçar o rato. O bicho vai atrás do perfumado pedaço de queijo suíço. Quando ele está sobre a caixa, puxamos a corda e ele fica preso. Uma isca. Uma artimanha feita para pegar o rato no seu deslize, na sua falha. No seu ponto fraco.

As grandes armadilhas são aquelas onde a gente pega o rato nos pequenos detalhes. Tu tá o primeiro passo, quase um ato falho, mas proposital. Uma leve entregada, mas consciente, racional. É aí que o rato cai.

Com o passar do tempo, passei a utilizar esta artimanha na vida real. Como saber se o rato cai ou não na tua pista falsa? Imagine o rato como se fosse um grande círculo, um bolo redondo, fatiado em diferentes pedaços. Se você quer saber como pegar o rato, jamais entregue a ele a fatia recheada, o melhor pedaço, o mais gordo e saboroso. Num pequeno ato de distração, deixe aquele pedacinho mais humilde, aquele que você acha que ele nunca vai querer. É ali que o rato vai. Ele vai fustigar o bolo, mas jamais vai querer os melhores pedaços. Ratos não vão na boa. Ratos não têm olho gordo. Ratos querem te enganar e como enganar colocando o carro na frente dos bois? Então, o pedaço da sobra, aquele que ninguém quer, pode ter certeza que vai ser a melhor refeição para um rato.

É assim nas relações pessoais. Ainda dentro da minha crise de confiança, ando pegando uns ratos por aí bem nessa manha. Um pequeno passo em falso meu, proposital, é o suficiente para o rato achar que está tudo bem. E aí, eu entrego de bandeja o meu deslize, para que ele se delicie em cima da minha suposta distração. Pronto. Peguei o rato.

Se por um lado este exercício de paciência é necessário para diferenciar ratos de homens, por outro lado não consigo simplesmente rotular um rato sem que ele sofra na armadilha que ele caiu. Sou impaciente quanto a traições. Vem da minha dificuldade extrema em perdoar. Não perdôo mais.

É simples. Eu pedi um 2008 leve, de tolerar mais, de ser mais paciente, de ser mais tranqüilo. Acabei como o rato nessa história. Fui levemente induzido a acreditar que eu poderia violentar anos de impaciência, de incoerência e de intensidade em troca de uma calmaria que eu teimo em precisar. Fiquei calmo, abri as pregas e 2008 entrou como um foguete no meu rabo, justamente no meu deslize. Na minha apatia. Entrei na caixa de sapatos, mas não morri. Como seqüelas, a desconfiança. E se eu fui o rato, hoje é dia de caçar ratos. Eles estão aí. Muitos nem sabem, mas já caíram na minha armadilha. Como ratos se proliferam facilmente, o que eu ando fazendo com eles é o trivial: pego pelo rabo e jogo na lata de lixo. O problema é que eles cagam e andam. Ratos, geralmente, adoram uma lata de lixo.

É paranóia, talvez. Mas sempre quando eu fui frouxo, leve, solto, alguma merda aconteceu comigo. É meu ponto fraco. A raiva é um dom, lembra? Ser inquieto é meu escudo. O desapego é o meu calcanhar de aquiles. Gostam de dizer que tudo na vida é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranqüilo. O meu combustível é a mente fervilhando, a espinha torta de tanta tensão e o coração pulsando o tempo todo. E o pau duríssimo. Como diria Humberto Gessinger, é preciso fé cega e pé atrás. Sempre de olho.

Ah, a propósito: este post também é uma isca.

April 4, 2008

SEDE NÃO É NADA. IMAGEM É TUDO.

Filed under: comportamento - Carlos @ 3:50 am

O que a gente faz quando não há NADA MAIS a fazer? Faz um blog.
E o que a gente escreve quando não há NADA MAIS pra escrever? Insiste.
E pra que a gente publica quando NINGUÉM MAIS lê? Não sei a resposta.

Eu não conheço as pessoas que comentam no meu blog, por incrível que pareça. As que mais comentam, eu nunca vi. Falo com elas por msn e tal, são legais, eu tento ser gentil, dou uma dica musical volta e meia, bato um papo esperto, outros toques sobre vida pessoal, faço questão de atualizá-las a respeito da minha vida, enfim, sou bacana. Adoto esta política de boa vizinhança com quem me prestigia. No blog do futebol, por exemplo, resolvi aceitar a maioria dos comentários. Até os que me xingam. Só deletei aqueles que me ameaçam com um pouco mais de força. É uma característica minha.

No entanto, as pessoas que me conhecem não estão lá muito interessadas em saber como eu estou. Ou pior, não estão interessadas em saber o que eu penso, nas minhas idéias, nos meus pontos de vista.

Confesso que ando com uma grave crise de confiança. Depois que eu fui DEMITIDO eu passei a ficar espiado com todo mundo. Justamente porque eu sou legal. É, legal. Eu nunca fui chamado de mau caráter, nunca tive dívidas, eu devolvo o que me emprestam, eu tento, dentro do possível, ajudar todo mundo que pede alguma coisa. E por isso, as pessoas acabam se preocupando e querendo saber como eu estou. Mas ultimamente nem isso tem acontecido.

No episódio DEMISSÃO, me decepcionei com várias pessoas. Quando tá tudo legal, eu faço uma graça do caralho quando tenho umas quatro cevas na moringa. Quando tem uma festinha, a galera se diverte à beça quando eu começo a ficar mamado. E eu nunca tinha caído. Eu caí e a reação de MUITAS pessoas que eu conheço foi simplesmente a chamada FORÇA MORAL PARA ACARICIAR A CONSCIÊNCIA. Do tipo, se eu disser pra ele que “VAI EM FRENTE, TU É BOM PRA CARALHO” já vai ter sido um incentivo à altura pra eu dormir bem sem “perder um amigo”. É mais ou menos como dar parabéns no aniversário, uma forma branda de boa educação sem muito esforço. E eu deixo bem claro que algumas pessoas me ajudaram nisso tudo. Umas que eu nem esperava. Pra não generalizar, claro.

As pessoas que eu conheço não lêem o meu blog. Ninguém está muito interessado em saber o que eu penso. Mas acho que é um reflexo da vida adulta contemporânea. A nossa geração cresceu num hiato de idéias, de identidade, de valores, num vazio de tanta coisa que simplesmente não se interessa. Somos a geração do desinteresse.

Quer um exemplo? Se houvesse mobilização e engajamento, com tudo que o presidente Lula fez, ele poderia ter saído do poder. Como uma geração acima da minha fez com Collor. Mas até eu virei alienado. Vide o post abaixo. Estou desacreditado e desinteressado com a política. E com qualquer tipo de prestação de solidariedade global, pra ser bem sincero. Um dia coloco pra vocês minha posição sobre as ONGs.

Mas ó, não se choquem não. Vocês também são alienados. Hoje em dia, não precisa ser informado pra se sentir informado. Basta ler as manchetes. Sem aprofundamento. E quem é informado, na maioria das vezes é pra aparecer que é informado. Mais ou menos quando volta e meia algum babaca entra aqui dizendo que meus textos são sem fundamento/embasamento/informação. Pura imagem. É como o cidadão que nunca viu um filme do Godard mas usa um óculos com armação grossa dentro do Guion e todo mundo acha que ele entende de cinema francês. Ou como aquela mina que trai o marido, conta com orgulho pras amigas, mas lava sua alma rezando ao acordar e antes de dormir. A IMAGEM é o que fica. Como descartar alguém pela postura da pessoa, pelo jeito com que ela reage às coisas, nunca pelo conteúdo e importância dela no contexto. Foi assim, não? Faltou postura, faltou imagem. Foda-se o conteúdo.

É por isso que ninguém que me conhece bem lê meu blog. Porque ninguém está interessado em saber o que eu penso. Talvez sobre futebol e um pouco sobre música. Mas minhas idéias, estas não valem rigorosamente nada. Tudo bem, eu sei que eu sou uma boa companhia pra tomar uma cerveja ou que eu divirto a galera quando lembro a escalação do time do Atlético Mineiro de 1977. Esta é a minha imagem. E imagem é tudo. Conteúdo? Melhor deixar só uma manchete porque ninguém tem tempo pra se aprofundar. Ou se interessar.

March 26, 2008

CAMPANHA POLÍTICA PARA 2008

Filed under: política - Carlos @ 3:06 am

Assisti a uns quarenta segundos do depoimento do glorioso Flávio Vaz Neto à CPI do Detran ontem. Troquei de canal, obviamente. Não tem a menor possibilidade de um dia eu ficar assistindo a um ladrão filho da puta prestar explicações ao povo, representado brilhantemente através de deputados que são onerados com dinheiro de quem os representou.

Sabe, agora eu tenho um CONTADOR. Evandro, gente boa, trabalhador, honesto. CONTADOR. Um cara que cuida das minhas parcas FINANÇAS. Tive que abrir uma EMPRESA. Sou PJ agora. Logo após os primeiros trâmites da questão, ele me listou a série de impostos que eu terei de pagar a partir da oficialização da empresa que irá prestar serviços.

Basicamente, cheguei à conclusão de que eu só não tenho que pagar tributação sobre meu PAU DE ÓCULOS pro governo. O resto tudo vai para os cofres públicos. Aí de dois em dois anos a gente renova nossos representantes no município, no Estado e no país. Que irão receber grana dos cofres públicos. Pense por este lado. Você está PAGANDO alguém pra sentar numa cadeira e decidir por algum projeto que vai empacar por anos ou provavelmente nunca dar em nada.

Depois do Flávio Vaz Neto e de receber uma porrada tributária que vai fazer provavelmente com que eu me arrepie de tantos trâmites, tanta burocracia e tanto imposto, o Jornal Nacional mostra que 49 morreram de dengue. Quer dizer, a minha grana não ajudou nenhuma daquelas crianças que morreram de dengue. Não foi investido na saúde pública ou no saneamento básico, duas coisas fundamentais para que um simples mosquito que tu mata com um tapa não se prolifere. Dengue na era da internet é um absurdo. No Rio não. Não na tua Zona Sul. Na Baixada, do lado do valão, o mosquito pica e mata.

O mais triste é pensar que na Zona Sul um deputado desfila um carro com vidro à prova de balas dos traficantes comprado com o MEU DINHEIRO, o DINHEIRO DA MINHA TRIBUTAÇÃO. Lá em cima, o barraco de madeira não é à prova de balas. E meu dinheiro nunca vai ajudar a diminuir as favelas.

Continuo no noticiário e vejo que uma PUTA que veio dos Estados Unidos e fazia esquemão com o governador de Nova York teve proteção especial no aeroporto e saiu por onde provavelmente eu nunca saia, a saída ESPECIAL. Aí eu larguei de mão.

Se um LADRÃO tem regalia, se uma PUTA tem regalia, se 49 pessoas morrem por falta de SAÚDE PÚBLICA, se eu tenho uma lista infinita de IMPOSTOS como “MICRO-EMPRESÁRIO”, se deputados que faltam a sessões recebem grana de CONTRIBUINTE, estou aqui oficializando e publicando uma decisão tomada nas eleições de 2004: EU VOTO NO NÚMERO 07 PARA TUDO. PONTA DIREITA. VOTO NULO.

É isso aí. Até deve ter algum honesto. Mas o sistema é uma bosta pra quem não USA CINTO POR TRÊS MINUTOS e é multado. E aí tua grana vai pro bolso do FLÁVIO VAZ NETO. E teu carro guinchado, pra tu pagar mais e entrar na conta do FLÁVIO VAZ NETO. Esperança? Nenhuma. Meu único prazer no dia da votação é rever a Zona Norte e o colégio Dom Diogo. Só.

March 24, 2008

JUSTIFICANDO A AUSÊNCIA

Filed under: comportamento - Carlos @ 5:07 am

Trabalho. Única razão que justifica a minha ausência de posts.

Pra quem não sabe, comecei um blog no final sports sobre futebol. A nova casa me acolheu de uma forma impressionante. Ambiente de trabalho, oportunidades, horários melhores e finalmente uma condição que me agrada: a de poder produzir com motivação e ser recompensado e reconhecido por isso, coisa que não estava acontecendo. Há males que vêm para o bem. Estou realmente feliz com tudo que vem acontecendo na minha vida. Acho que me libertaram de um moedor de carne. E junto com isso, várias novidades incríveis. Trabalho e felicidade. Juntos.

Em breve, voltaremos com as atividades. Na pauta, CLJ e encontros de igreja na juventude, Amy Winehouse e um texto sobre a VAIDADE HUMANA. Mas espera eu me ajeitar aqui antes.

PS: Quem de Três Passos me procurou no google pelo meu nome COMPLETO? Não conheço ninguém de Três Passos. Eu nem sei onde fica Três Passos.

March 10, 2008

DERIVADOS E PRIMITIVOS

Filed under: comportamento, música - Carlos @ 4:59 am

Sou partidário da teoria de que se virou mania, se caiu no gosto popular, geralmente é porque é bom. Depois, quando banaliza, o mercado geralmente escraviza o modismo, tornando o que é bom produto de massa. Aí vira produção em série, um saco. É onde reside o grande problema.

O filme “Closer - Perto Demais” é um exemplo clássico dessa regra. Extremamente bem feito, com ótimo roteiro e interpretações brilhantes, virou o filme de cabeceira da minha geração ali por 2005. Aí todo mundo pagou o maior pau pro Damien Rice e sua “Blower’s Daughter”. Ótima música. Versões terríveis. Mas de indies de boutique a patricinhas sem muito critério, passando por pagodeiros e surfistas, todos gostaram. A moda causada por um filme, mas que impede certamente essas pessoas pesquisarem mais sobre o cara e perceber que as influências dele, quase em sua totalidade, são de artistas que eles nunca ouviram falar. Mas a moda era gostar de Damien Rice. Ou desta música, somente. Até a SIMONE gostou. Gostou tanto que gravou. E o Seu Jorge, aquele da “Burguesinha”, o cara do suíngue maneiro, se juntou à Ana Carolina e tacou uma versão. O Seu Jorge é fera, mas o negócio dele é samba-rock. Não uma música como “Blower’s Daughter”. Seria como ele gravar “High and Dry” do Radiohead, em versão suingada.

Aposto um real como a próxima música-moda-fetiche será “Falling Slowly”, de uma banda irlandesa chamada The Frames, interpetada e escrita por Glen Hansard e Marketa Irglova. Esta canção ganhou o Oscar há duas semanas e me chamou atenção. É absolutamente fantástica. Belíssima. Obra. O filme é “Once” e será o filme-moda-fetiche dos indies assim que estrear no Brasil. Se passa na Irlanda e aí foge da característica blockbuster-popcorn-americana que os indies tanto odeiam. Ponto pro filme. Duvido que gostariam tanto de “Closer” se fosse em MIAMI por exemplo. Miami não vai ser moda tão cedo.

Espero que não façam versões dessa música, que nenhum DJ desses faça um remix esperto e que ninguém se identifique com a narrativa e harmonia belíssima dos vocais e cordas da música. Mas acho que isso vai acabar acontecendo. É muito boa, ganhou Oscar e o filme deve ser bacana. Uma love story com musiquinha esperta se passando na Irlanda? É, vai ACONTECER, definitivamente. Vai acontecer porque é bom, como Closer. E porque a música é melhor ainda. E sendo bem sincero, olha, melhor do que muita coisa que eu ouvi nesta década.

Escrevi no outro blog sobre o tecnobrega. O conceito tecnobrega e forró brega é excepcional. Criativo, brasileiro, genuíno. Está virando moda. Quando chegar aqui em Porto Alegre, a CAPITAL MUNDIAL DO SAMBA-ROCK, a cidade com uma rua dedicada a um único estilo, vai estourar. Na primeira metade da década, festinhas de forró universitário bombavam. O tecnobrega e o forróbrega vai arrebentar, tenho certeza. Vai massificar. Vai invadir uma cidade completamente desacostumada com esse tipo de coisa, uma cidade que não cria muita coisa em termos musicais (excetuando o rock gaúcho anos 80), que mais copia e deseja intensamente em ser a República dos Excluídos e com Complexo de Inferioridade, apoiando-se na suposta qualidade de vida superior e no suposto “frio europeu”, mesmo que no verão a cidade seja uma versão parecida do inferno. Vai foder com toda a proposta do movimento tecnobrega, a pirataria, os ídolos, as caravanas.

A grande banda de 2008 no Brasil será Aviões do Forró. Fizeram uma versão de “Umbrella”, da Rihanna, que dói o esôfago de tão ruim, tão picareta e tão genial. Tem uma nova chamada “Chupa que é de uva” que é um primor. Vai tomar o lugar das bagaceirices saudáveis dos anos 90, por exemplo, como Tiririca e É o Tchan. O Brasil precisa disso. Desse lado suburbano que o Chacrinha ensinou a fazer e que depois de sua morte houve uma lacuna que foi preenchida por estes vigários musicais do bem.

O problema é que para cada gênio que bola um Tchan e um Aviões do Forró vem vinte mil palhaços com derivados que só se sustentam em quem criou a idéia. Ou alguém para “aparar as arestas da vagabundagem”, lapidar uma espécie de contracultura do contrabandismo musical, pasteurizar e faturar dinheiro. E aí todo mundo cai nessa história.

Como todo mundo caiu com a “Blower’s Daughter”. Todo mundo adorou, mas ao invés de conhecer Elliot Smith, PJ Harvey e Radiohead, pra não dizer o trabalho completo do Damien Rice, preferiu ficar só com “A MÚSICA DO FILME”. E todo mundo vai cair com o oscarizado cara do The Frames, com essa música espetacular. E ao invés de saber sobre a banda e seus contemporâneos, vai se dar por satisfeito em ter essa música como a canção da cabeceira e se converter ao modismo.

É o problema da moda. Quando vira DA MASSA, ninguém mais se preocupa em saber as origens, as influências, como surgiu, porque aconteceu. Só bate e vai. Aliás, alguém sabe da origem dos emos, pra falar em MODA ATUAL? Ou quando existia o grunge, alguém citava Mother Love Bone? Mais ou menos como o guri gostar de NX Zero e não conhecer Ramones. Ou ouvir Ramones e não gostar. Ora, NX Zero não existiria não fossem os Ramones. Não fosse uma transformação de ritmos, estilos e tendências que têm sua origem lá nos anos 70, com o punk rock. Só querem saber dos derivados. Mas não vão atrás dos primitivos.

March 4, 2008

FELIZ ANO NOVO

Filed under: comportamento, jornalismo, alegria - Carlos @ 4:01 am

Prometi posts pra um monte de gente, mas por enquanto tá difícil de criar. Tanta novidade, tanta mudança e eu, ajeitando coisas daqui e dali, vislumbrando o melhor futuro possível.

Minha vida muda num ciclo de cinco em cinco anos. E os outros anos foram 1993, 1998 e 2003. Chegou 2008 e ela virou de cabeça pra baixo e vai virar mais ainda.

Feliz pra burro com a vida pessoal. Feliz pra burro com a nova vida profissional. Depois do coice, a queda. Depois da queda, a vontade. Depois da vontade, garra. E recompensa. E felicidade.

A vida segue e com rumos, projetos e perspectivas diferentes. Eu não prometi nada pra 2008. E nem tinha muita perspectiva, falando a verdade. As circunstâncias me ofereceram as perspectivas, os objetivos. Os desafios, as novidades. Pra isso, deve haver uma ruptura, por pior que ela seja.

Feliz ano novo, 2008. Começou hoje, dia 03 de março. Sempre começam em março os anos, é a verdade. Antes, é só uma prévia, um gostinho, um avant premiere. Agora, é pra valer.

Prometo posts mais criativos depois que passar esse momento de transição. Pelo menos a escrita se mantém. O meu ciclo de cinco em cinco anos não falha. E em 2008, até chegou cedo demais.

February 22, 2008

VIDA É DA VIDA A RAZÃO

Foi quase uma década de convivência diária com escadas, portas, janelas, banheiros, carpetes, paredes, cadeiras e pisos. Eu sabia de cor como seria o sabor de cada alimento comprado. Pela luminosidade que entrava numa fresta da janela, poderia dizer que horas eram. Pela sombra que corria ao longo do corredor, tinha condição de adivinhar exatamente o horário. Mesmo trancafiado, tinha plena convicção de como estava a temperatura na rua só de olhar para o teto. Vivi praticamente todo o período dos meus vinte e poucos lá dentro, desfrutando da companhia das mais diversas pessoas. De todo o tipo.

Sabe, no fundo eu acho que as coisas sempre foram fáceis pra mim. Acho que é porque eu nunca passei pela sensação de queda. Nunca tinha caído, estatelado com meu beiço no chão. É a velha história das necessidades e possibilidades. Fazendo um balanço do que eu sou nestes 28 anos, chego à conclusão de que sempre fui estável. Mesmo colégio no primeiro grau, mesmos colegas no segundo grau. Passei de primeira no vestibular e nunca troquei de faculdade. Estágio, contratado no primeiro emprego. Quase uma década neste emprego e aí…boom. A porrada. A primeira. Até então minhas decepções eram poucas. E todas as decepções foram com pessoas. Nunca uma instituição havia me dispensado por opção. Só pessoas. E prefiro acreditar que foram pessoas que dispensaram minha colaboração.

Nutro ainda um profundo respeito por este grupo que me formou para o mundo. Guardarei para sempre mágoas das pessoas que, de certa forma, fazem parte das decisões deste grupo. Uma incompreensão crônica, que vai tomar conta de mim cada dia da minha vida, num revés irreparável que o destino traçou para mim. E é impossível não ter a nostalgia de que por um longo tempo da minha vida eu dediquei tempo, saúde, vontade e orgulho por ter feito tudo que eu fiz. Se houver algum arrependimento, é de ter confiado em gente que não deveria.

Depois da queda, a gente refaz todo um percurso que chega a machucar. A oportunidade, a ascensão, a confirmação, a contestação, a dúvida, o descarte. E por fim, a incompreensão e vinte e um mil questionamentos. Somos apenas um número de matrícula? Sou incompetente? Irresponsável? Instransigente? Inconstante? Desobediente? Inconseqüente? FOLCLÓRICO? Sou tudo isso? Eu errei? Eles erraram? Tem um culpado?

Engraçado como se cresce rapidinho. Em uma semana, parece que eu me tornei uns vinte anos mais sábio. E mais humilde também. E é com profundo orgulho que defenderei a camisa de onde estou agora. Porque é meu jeito. Vou teimar, teimar, teimar em não aceitar isso, não aceitar que eu sou só um número de matrícula que não existe mais. Por mais que tenham esfaqueado minha auto-estima. Por mais que, pela primeira vez na vida, eu tivesse que olhar para o espelho e pensar: “Eu sou ruim no que eu faço?”. Não há sensação pior no mundo do que duvidar da própria capacidade, do próprio potencial.

O que me conforta um pouco é que não vesti branco no final do ano e nem dei tapinha nas costas de chefe. E também não cantei que a vida é mentira, é verdade. Mas concordo com o lema. Vida também é uma cadeira vazia.

February 12, 2008

O DIA EM QUE O GÊNIO CAIU

Um dos meus jogos preferidos de computador é o grande CHAMPIONSHIP MANAGER. Gosto da versão da temporada 2003/2004, antes que houvesse uma briga na corporação que desmembrou a franquia em CM e FOOTBALL MANAGER.

Neste jogo, você acumula as funções de técnico, vice de futebol e presidente de qualquer clube do mundo. Desde o RS Futebol até o Real Madrid. Começa com um certo dinheiro em caixa, recebe mais grana da bilheteria dos jogos, bônus com títulos, além do grande barato: poder dispensar, contratar e promover jogadores. Mexendo os pauzinhos no simulador, você pode, daqui a pouco, promover um garoto de 16 anos sem muita certeza de que ele será um craque. Ou dispensar um veterano de 36 anos, porque não está “rendendo mais”.

O poder virtual de ser o presidente de um clube de futebol, que nada mais é hoje em dia, do que uma grande empresa, mexe com o cara, que acaba se viciando nisso. Você faz o papel dos chamados MANAGERS. Lembro que ali por 2004 eu jogava todas as tardes esse jogo, por uns dois meses, até que meu time conquistasse o título mundial. E óbvio, contratando MUITOS jogadores e DIPENSANDO vários. Prazer danado esse. Coisa boa ter PODER, o sonho do ser humano. MANDAR. Melhor ainda quando se mexe com vidas. Decidir os planos, o futuro, agregar novidades, comprar, vender, descartar. Pessoas. No videogame eu gostava, um monte de gente gosta.

Os managers odeiam os gênios. Causam problemas demais. A obsessão dos managers é pela perfeição de suas próprias idéias aplicadas. Dispensar, contratar, trocar de posição, botar no banco, escalar. E depois o técnico dedica a vitória aos seus jogadores de função tática. Afinal, foi sua organização que venceu, com os seus aplicados comandados fazendo exatamente o que ele pediu. Os chamados cumpridores de função tática são aqueles que não comprometem, os que fazem direitinho suas funções sem reclamar, sem cometer atos de indisciplina, fazendo um feijão com arroz bem feitinho, com a receita do chefe e nenhuma pitadinha de sal a mais do que diz na receita. Enquanto isso, o “gênio” entrou na lista de dispensados, sai do clube e vai jogar em outro lugar. Mesmo que durante sete anos ele tenha resolvido as coisas dentro de campo.

Gênio é o considerado extra-classe. Aquele que acredita que alguma coisa não usual faz a diferença. Uma novidade, um momento de criatividade. Um pouco de filé pra juntar ao arroz com feijão. O problema é que os “gênios”, os “diferenciados” são complicados. Eles não seguem um padrão pré-estabelecido de conduta porque simplesmente acreditam que a sua própria conduta é a mais efetiva. E no final das contas, aqueles que indicam este padrão só querem enquadrar o cara. Entrar na linha. Mesmo sabendo que dentro de campo ele resolve, ele mete gol, ele faz a alegria da galera.

Com relação aos “gênios”, a gente nunca sabe o que pode acontecer. Em dia de inspiração, ele sozinho vale por todo um time. Em dia de repé, briga com todo o grupo e não desempenha bem seu papel em campo. Mas quando exigido, resolve. Em grandes momentos, cresce. Joga fora de posição. Joga em TODAS as posições. Joga BEM em todas as posições. Nunca quis ser um burocrata. Sempre amou o clube e já atuou machucado, só por amor à camiseta. Mas ele é rebelde, ele não assume, ele nunca se compromete. E ele não manda.

Os que mandam são os managers. Eles têm o poder e a curtição é mexer no time, trazendo cara nova, dispensando outros e regendo as leis internas a seu bel prazer. Enquadrando todo mundo e depois se olhando no espelho numa masturbação para as próprias decisões. Os managers contratam os fiéis escudeiros, que jamais vão contrariar uma decisão sequer. Cumprem direitinho a função e voltam pra casa ou continuam na empresa, produzindo mais e melhor e mais barato. Custo-benefício atendido. Mais grana no cofre do clube e no bolso do manager.

Os managers mandam com um falso ar democrático. Na verdade, democracia só serve para quem está no poder. No fundo, bem no fundinho, se trabalha ainda com o modelo da ditadura militar. Nomenclaturas, cargos, hierarquias, disciplina, enquadramento. Esconder a podridão e jogar versões oficiais como se fossem as definitivas. Os subversivos, os talentosos, os extra-classe, estes estarão sempre à mercê de uma porrada. O modelo militar é o ideal! Ordem e progresso. Ame-o ou deixe-o. Ou eles te deixarão.

Cansei de jogar o Championship Manager. Uma vez eu dispensei um cara do meu time e ele desandou a marcar gol pelo adversário. Me arrependi tanto que desisti do jogo. Ele era do time dos “gênios”. Ele nunca cumpriu bem a função tática. Tá na seleção brasileira.

February 7, 2008

DOSSIÊ CERVEJA NO CÉREBRO

Filed under: cachaça, saudosismo - Carlos @ 5:59 pm

Volto de férias leve, apesar do post abaixo. Então, um post leve. Originalmente publicado em abril de 2006, num lapso de criatividade. Aí vai:

Geralmente, há passos durante o consumo de cerveja, desde o primeiro gole até o estado de embriaguez total. Cada cerveja representa uma alteração considerável no cérebro.
Por isso, aqui estamos com este dossiê.

1) REGRAS
1.1 - Pessoa de 25 anos, sem problemas de saúde, com 1,80 de altura e peso ideal.
1.2- Inicia-se o consumo a partir da noite, ou seja: todas as refeições do dia foram realizadas, sem excesso e sem carências.
1.3- Estado físico ideal: sem cansaço, sem compromissos e com a mente absolutamente liberada de qualquer preocupação.
1.4- Sem pressa: aqui o que vale é quantidade, sem que se determine um tempo hábil para isso.
1.5- Costume: a pessoa já bebe há pelo menos 10 anos socialmente, e com um hábito de beber uma vez por semana.
1.6- Passado: esta pessoa já tomou pelo menos 20 porres grotescos, o que faz dela um exemplo típico exemplar para a experiência.
1.7- Situação em que será bebida a cerveja: não é numa festa(onde movimentos e gasto de calorias maiores). É num bar, sentado.
1.8- Não há interesse algum em beber a cerveja(como por exemplo, uma pessoa na qual você está interessado). Aqui, a concentração é na bebida, única e exclusivamente.
1.9- Dinheiro não é problema. É um experimento e vamos fingir que é por conta da casa.
1.10- Tomaremos como padrão a POLAR. Porque é mais popular, não é maravilhosa nem péssima.
1.11- As doses são de 350 ml(uma lata, uma long neck ou meia garrafa).
1.12- Para o experimento, recomendamos que um parceiro teu das antigas te acompanhe. Que a cobaia seja divertida. Mas atenção: deve ser um PARCEIRO, no qual você confia, para conversar, arranjar distração durante o consumo. Não pode ser mulher, não pode ser alguém que não beba. Isso desvia o caráter experimental.
1.13- Sem petiscos durante a bebedeira. Sem outros líquidos. Nem água. Só cerveja. Cigarro pode. Nenhuma outra droga.
1.14- Banheiro à disposição sempre. Perto, de preferência.
1.15- Escolha qualquer bar, desde que seja movimentado.

2) PRIMEIRA CERVEJA
Neste caso, a primeira impressão é sempre a que fica. Estando legal de saúde e tendo feito refeições decentes, sem exageros, o primeiro gole dita o que será a noite de mamação. Se ele vier com o “gostinho de quero mais”, é bucha: tu vai ficar mamado. O primeiro gole é o boi da boiada. Passando por ele como ele deve ser, ou seja, tenro, macio, cremoso, saboroso e provocante, a boiada passa sem problemas(até certo ponto). A primeira cerveja nunca te deixa mamado, deixa apenas com vontade. E ninguém toma UMA cerveja apenas, correto?

3) A SEGUNDA CERVEJA
É o termômetro do primeiro brilho. Após a ingestão da segunda cerveja, você poderá dirigir corretamente, ainda articula frases com precisão, mas um leve desvio nos lábios começará a aparecer. Ainda longe da euforia, apenas uma descontração gostosa.

4) A TERCEIRA CERVEJA
Tem como importância manter o estado da segunda, com um leve atenuante. Ela não é decisiva nas alterações mentais. É a ceva da transição: do “quero mais” para o “brilho perfeito”. Ainda não é hora de ir no banheiro e estamos plenamente convictos de nossos pensamentos.

5) A QUARTA CERVEJA
De acordo com os experimentos, esta é a dose mais importante. Com ela, vem o chamado “brilho”. Ela também vai te proporcionar a primeira ida ao banheiro. A partir daí, o fato mais importante: todas tuas convicções serão mudadas. Elas passam a se transformar, tua credibilidade começa a morrer e, com um orgulho extremo, olhe para o espelho do banheiro e diga: “TÔ MAMADO”. Aí, se ri de qualquer bobagem e se pensa em realizar confissões que jamais poderíamos enquanto sóbrios. Se fôssemos entregar um troféu para “A CEVA DA MAMAÇÃO”, certamente iria para a quarta.

6) A QUINTA CERVEJA
Entramos aí no brilho profundo. A quinta cerveja é a transição para a seguinte, que não é ainda a que vai acabar. No entanto, com a bebedeira se tornando costumeira, ela já não desce tão rápido assim. Começam idéias mirabolantes, pensamentos utópicos e risadas ridículas. Uma ida ao banheiro. Uma olhada no espelho. A pessoa começa a falar com ela mesma.

7) A SEXTA CERVEJA
Brilho intenso. Você já poderia cantar alto músicas do Bon Jovi, dançar pagode com estranhos e abraçar um conhecido dando-lhe um beijo no rosto que nada seria mal interpretado. É decisiva, pois é a linha tênue do brilho para o fiasco. Duas idas ao banheiro. O garçom é teu bruxo. Convicção? Já era. Mas importante: você ainda sabe de tudo o que está fazendo. Toda essa lembrança, a da sexta cerveja, não apagará. Ainda é pouco para se ter ressaca no dia seguinte. Importante: a partir daí, mantenha-se longe de um telefone celular. Ligações sempre acontecem neste período e elas nem sempre terão uma boa receptividade(principalmente por quem é sóbrio).

8) A SÉTIMA CERVEJA
Entramos aí em outra fase de transição: do mamado para o bêbado. É mais uma cerveja que te mantém com brilho, mas um passo pequeno para cometer cagadas históricas.

9) A OITAVA CERVEJA
Parabéns, você está bêbado! Você pode até achar que não, mas lhe dou todos os sintomas para provar que isso é verdade. Não pára de rir? Fala sem parar? Consegue ficar sério, comprimindo os lábios, sem evitar que uma gargalhada exploda? Já pensa em fazer cagada? Faria cagada? Isso aí, compadre, tá bêbado. Claro, você ainda consegue andar em linha reta, mas já canta Bon Jovi alto demais. É a fase da parceria geral: o garçom já é teu IRMÃO, as pessoas do bar são teus amigos e o brilho está passando para se tornar algo perigoso. Dá pra dirigir, mas não pra fazer longa viagem. Umas quatro idas ao banheiro.

10) A NONA CERVEJA
É quando você se dá conta de que precisa se fazer algo além de ficar ali bebendo com teu amigo. Você está completamente mamado e o brilho já passou. É outra ceva de transição: já foi o brilho, já veio a euforia, agora vem a depressão. Depois dessa.

11) A DÉCIMA CERVEJA
Depois da quarta, é a mais importante. Cientificamente, chamamos ela de “A CEVA QUE MATA”. É esta aí que vai te derrubar. O gosto já não passa a ser tão bom assim. Ela já desce lentamente, como se o organismo pedisse alguma outra coisa pra balancear. Você se torna o bêbado chato, enrola a língua, vê tudo embaçado e não consegue mais formular teorias. As cagadas prometidas só serão realizadas se tu realmente conseguir se levantar do bar. A vontade já não é tanta. Mas a insistência do experimento ainda te mantém vivo.

12) A DÉCIMA PRIMEIRA CERVEJA
Pura insistência. Já não vale mais a pena. Porque passou toda a parte boa e agora vem lamentações. Sobre passado, sobre o que você não fez, sobre aquela mulher que está longe. Depressão graúda iniciando. Língua torpe.

13) A DÉCIMA SEGUNDA CERVEJA
Ou você arranja uma coisa pra fazer ou está se encaminhando para a falência total de sanidade. Ainda há uns 10% de movimento e articulação. Já está morto, a ressaca já é inevitável e o gosto já tá uma merda. Todos já são teus amigos e agora tu não quer nem olhar mais pra cara deles. Pensa na tua cama e ela parece aconchegante. Resumindo: você não agüenta mais beber, de forma alguma. Ah, e nem adianta tentar se recuperar na noite: já era.

14) A DÉCIMA TERCEIRA CERVEJA
Nestas condições apresentadas, raramente o cidadão chega à décima terceira cerveja(estabelecendo 350 ml por dose). Mas se chegar, passa pelo penúltimo estágio: de deprimido a digno de pena.

15) A DÉCIMA QUARTA CERVEJA
Não dirija. Não fale com estranhos. Não conte segredos a ninguém. Aliás, você mal consegue falar. Só está ali, olhando ao teu redor, esperando que uma alma caridosa te diga: PARE! Se encontrar conhecidos, pelo amor de deus, finja que não os conheça. A memória fica extremamente comprometida e não há qualquer movimento que denote coordenação motora.

16) A DÉCIMA QUINTA CERVEJA
Você está chegando a SEIS LITROS de cerveja no organismo. É um estado que desperta atenção e gravidade. Já é o se acabar por se acabar. Por favor, desista. Este é o estado em que seus amigos começam a pensar em te carregar. O vômito já é uma realidade, ou ao menos a ânsia.

17) A DÉCIMA SEXTA CERVEJA
Você já vomitou três vezes, não consegue mais caminhar sem ajuda, impossível dirigir, e só há um movimento possível nesta hora: pegar a cabeça, jogar sobre a mesa, tapar com os braços, mentalizar para não enjoar, e apagar.

18) A DÉCIMA SÉTIMA CERVEJA
Nas condições expostas acima, de acordo com peso, idade e situação, não é verificado que alguém consiga beber DEZESSETE CERVEJAS. Mas, se houver, chama a ambulância que tu tá indo pro coma.

19) A DÉCIMA OITAVA CERVEJA
Coma.

20) CONCLUSÃO
Seis long necks nesta situação é um número ideal. Numa festa, esse índice aumenta, pela variação de ambientes e de possibilidades. Se for ocasião especial, também muda a história.
Eu duvido que alguém consiga desmentir estes índices. Aceito cobaias. Eu já fui. Várias vezes(mesmo sem pensar que poderia ser um experimento).
Obrigado.

ME VENDE UM STATUS?

Filed under: comportamento - Carlos @ 5:37 pm

Como eles não me contam nada, eu vou pela boca dos outros. Um passarinho me contou que sua chefe CAGA com o latop no colo. E não é pra ficar falando no msn. Certamente, a jovem bem sucedida profissional por volta de 30 anos de idade pesquisa sites em diversas línguas, aprimorando seu conhecimento e se informando a respeito de tudo que acontece no Brasil e no mundo. Deve ter a Bloomberg como guia espiritual. E a patente como mais um “tempinho livre” para buscar MAIS informações. O mesmo passarinho me contou que a chefe a orienta para que leia DOIS jornais diários no trajeto do ônibus.

Um outro passarinho escreveu que um amigo simplesmente fez pouco caso da sua vontade. O passarinho estuda para um concurso público cujo salário é superior ao do amigo. No entanto, o amigo, ao invés de incentivar a iniciativa de alguém que quer apenas ganhar legal, preferiu colocar diversos empecilhos na história, buscando um que chega a ser risível. O “STATUS” ou uma “SUPOSTA VERGONHA” de alguém com diploma buscar concurso de nível médio.

Sou contra a vagabundagem e a exploração. Acho que a verdadeira maturidade é também conquistada através de independência financeira. Conheço gente de 30 anos que se pendura nas calças dos pais que bancam todo um empenho “social” na luta pela conquista de absolutamente NADA. Ou gente que faz “arte” e vive “em nome da arte”, claro, com uma graninha dos pais pra poder fazer a “ARTE” de uma forma “digital”, com um bom computador, de preferência. Pior são aqueles que contestam todo o tipo de grande empresa, os monopólios. E depois viajam pra superpotência Cuba pra tentar “entender o humanismo de Fidel”, quando todo mundo sabe que o melhor de tudo dessas viagens é pegar praia e comer latinas gostosas.

O trabalho, um vínculo, uma atividade, tudo devidamente remunerado é a melhor recompensa para um esforço combinado de talento que for desempenhado. As contas são implacáveis, bem como os objetos de desejo. Isso é igual para o pessoal que faz arte, para os comunistas pé rapados que querem ir pra Cuba ou para os livros do ativista social. O problema é quando o trabalho não é somente uma parte que compõe a vida do cidadão. O problema é quando a pessoa vira escrava do próprio trabalho. E tem o agravante. Quando a pessoa acha que tem status e faz questão de usá-lo para diminuir as expectativas dos outros.

Uma das coisas que eu refleti bastante nessas férias foi a respeito disso. Que vale a pena ser comum. Que vale a pena não ter o chamado status. E que vale a pena procurar um apartamento pra comprar. E que isso requer trabalho, dedicação e esforço. Que vale a pena passar as férias na Europa. E que isso exige paciência, sacrifício. E que tudo isso gera despesa. Que valeu a pena um carro novo mas que isso só chega através da remuneração justa pelos serviços que eu presto. E nunca através do status que eu venha adquirir. Nessa balança o que conta são as contas, com o perdão do trocadilho. Que o famoso “você sabe com quem está falando?” não serve de nada. E que tudo é um equilíbrio, de trabalho, de ascensão, de cuidado com as pessoas que você gosta, de diversão, lazer e prazer. E que toda dependência é estúpida. Ou no mínimo doentia. Seja ela de substância química, dependência por alguém ou a famosa dependência de quem você eventualmente tenha se tornado. Que ser dependente químico, seguidor de seita religiosa, morrer por amor ou workaholic dá no mesmo. Não é sadio. No final, não sobra nada disso, só você, meio sozinho, esquecendo-se que em volta há bilhões de pessoas que você perdeu a chance de ter conhecido e vivido coisas reais, coisas trocadas por uma bitolação inexplicável. Fora que todos são muito chatos.

É a mesma opção de vida tomada pelos sustentados pela família. Obsessão por trabalho, exploração dos outros. Mas tem o status. Claro, o status. Aquilo que só tu acha que tem e que na hora de encher o tanque de gasolina o frentista não vai nem querer saber o teu grau de status. Na hora, a diferença de alguém com status e de alguém sem status pode ser só na hora de tomar um cafezinho por conta da casa. A nota de 50 reais pra abastecer é a mesma. E os dois vão ter que desembolsar.

Eu não tenho laptop. Eu queria ter um laptop. Mas jamais cagaria com um laptop no meu colo. Ainda mais para “me informar”. Pra essas horas, sagradas, únicas, pessoais, sinceramente, eu até prefiro um gibi do Zé Carioca, se possível providenciar.

Get free blog up and running in minutes with Blogsome | Theme designs available here