Verborragia sem concessões

February 10, 2006

BROKEBACK MOUNTAIN

Filed under: cinema - Carlos @ 2:28 am

É aquela frase do Marcelo Nova, certa vez. Preconceito é quem nem PREGAS: tenho e não quero perder. Todo mundo tem o seu. Seja com o que for.
Por várias vezes, fui acusado de homofóbico. Com razão. Até acho que meu preconceito é puramente da boca pra fora. É mais um ataque à estilização do homossexualismo. A partir de certa época, virou cool ser gay. É verdade, e eu não acho nem um pouco bonito tal estereótipo. Aliás, qualquer estereótipo é uma merda. E essa glamourização da bichisse particularmente não me agrada. E aí, eu cito o Jece Valadão: “Nada contra viado. Tudo contra a viadagem”. É, ele é mestre.
Acontece que a tal estilização da viadagem fez com que eu realmente tivesse preconceito. Em geral, viados são chatos e extremamente coorporativistas, no mau sentido. É como negro ativista. Como se fosse impossível manter uma relação sadia com alguém que não fosse do jeito que eles são. Como se eles não quisessem que o preconceito acabasse de uma vez por todas. É a minoria querendo ser minoria pra se sobressair de alguma forma, aparecer mais do que os outros deixando bem claro que é homossexual. Como se fosse um orgulho. Não deve ser um orgulho. Deve ser uma pura opção. Por isso, é melhor a discrição do que ser espalhafatoso, afetado, segmentado. Uma exclusão concebida, uma segmentação forçada.
“Brokeback Mountain” é a antítese de todo meu pensamento. Primeiro, o filme. Ang Lee é um dos cinco maiores diretores em atividade. Tudo bem, ele tropeçou feio com esse filme, que é uma bosta. Mas, vamos lembrar que Ang Lee é o diretor da maior obra prima oriental dos anos 90. Além disso, dirigiu os excelentes Razão e Sensibilidade e Tempestade de Gelo, o que dá total crédito ao cara.
“Brokeback Mountain” não é pedante. É simples, singelo e bonito. Claro, lógico, bem feito e com interpretações sensacionais. Heath Ledger, aka PATRICK VERONA de outrora, ou então o tira tarado de Monter´s Ball, tá sensacional.
O argumento dos “cowboys gays” vai por água abaixo ao longo da trama. São dois homens, que pela urgência das necessidades, se submetem a um trabalho semi-escravo, onde ficam confinados por meses cuidando de ovelhas. A solidão faz com que se relacionem de forma íntima, transformando a amizade em atração. É quando a intimidade ultrapassa o limite da atração intelectual, passando para uma necessidade física, e aí é onde eles ficam expostos. Uma relação sincera, mais que carnal. Espiritual, apaixonante e dependente.
É o cinema fazendo a glamourização positiva do homossexualismo. Às vezes, eles não precisam ter gosto em comum, cabelinhos transados e desmunhecar. Podem ser pais de família, comuns, mas que devido à angústia e à necessidade cruel de uma felicidade iminente, buscam no seu parceiro a forma mais lógica de encontrar a felicidade.
Aliás, a felicidade plena só se dá através do amor. “Brokeback Mountain” é o antídoto para os homofóbicos. O filme poderia em um segundo desandar para a putaria patética de dois cowboys pervertidos, mas freia quando chega neste ponto e mostra, com uma sutileza jamais vista, uma relação de amor verdadeira, pura e sem interesses.
Méritos? Pra Ang Lee. Na fotografia, na colocação da trilha sonora e principalmente na direção dos atores. Tudo escolhido a dedo pra fazer de “Brokeback Mountain” o melhor filme de amor do ano até o momento.
Ah, eu não deixei de ser homofóbico. Meus preconceitos são os mesmos. Até alguém me provar que existe amor de verdade entre gays. Mais do que o estereótipo(que é o que eles, ao menos os que existem por aí, querem mostrar).

Get free blog up and running in minutes with Blogsome | Theme designs available here