Verborragia sem concessões

March 8, 2006

DIA DA MULHER

Filed under: relações sociais, amor(?) - Carlos @ 4:09 pm

Ao contrário do que muita gente pensa, não acho uma bobagem a comemoração de datas estipuladas em homenagem a determinados assuntos. Gosto do Natal. Mais ainda de celebrar o Ano Novo, que simbolicamente é o início de uma nova caminhada. Acho válido o Carnaval, a Páscoa, Independência, Proclamação da República, Finados. Feriados que quebram uma rotina, concedem uma respirada. Não sou aquele hipócrita que argumenta que feriados atrasam nossa economia em um dia, que o importante é a produção, o trabalho, etc. A reflexão também é necessária para nossa evolução, e às vezes ela pode se dar através de uma simples pausa. Como num feriado.
Além disso, valorizo as datas. Somos a soma dos nossos dias vividos. Portanto, se lembrarmos de datas exatas, ou anotarmos, saberemos que determinado dia foi especial. Faço isso. Se puxar 23 de dezembro de 1994, sei que teve Brasil x Iugoslávia no Estádio Olímpico. Que fui no jogo, e, apesar de não ter acontecido nada de extraordinário, foi um dia especial, pelas amizades, pela cor, pelo calor e pelos acontecimentos. A lembrança é minha, e não necessariamente as coisas aconteceram daquela maneira.

“Nunca se conta a história do jeito que aconteceu, mas sim do jeito que a gente se lembra” (Charles Dickens, Great Expectations)

Para mim, o dia teve a coloração azul. Mas poderia ser amarelo.
Não vou aqui ficar discutindo a respeito das supostas igualdades entre homens e mulheres. Como todos sabem, sou defensor de uma cultura que se estabelece há séculos, e que convenientemente me favorece. Homens, mulheres, crianças e idosos, pelas diferentes capacidades físicas, emocionais e estruturais, devem ter seus privilégios e suas restrições. Seres humanos são iguais, mas quando há uma diferença biológica, há sim de haver uma distinção entre eles. A separação de direitos, valores e comprometimentos não se dá pela cor, gosto ou classe social. Se dá pelas diferenças biológicas. Portanto, creio que as igualdades gerais são absolutamente utópicas.

Não gosto de copiar texto. Entretanto, há exatamente um ano, o Cardoso escreveu algo sobre as mulheres que representa exatamente o que eu penso a respeito delas.

Não tem nada na minha vida que seja mais importante que a MULHER.

E não falo com meu FALO quando disso falo: não é só da EROGINIA feminina que está contaminado meu interesse. A verdade é que há quem muito me estranhe quando digo que eu mais gosto é do PROBLEMA. Do AZUCRINO. Da DEMORA. Da DIFERENÇA. De tudo aquilo que eu não tenho.

Eu não sei nada sobre a mulher, mas eu gosto de pensar que estou aprendendo. Gosto de olhar pra ela. Observá-la. Fazer de conta que entendo o que estou LENDO nos sorrisos, no triste das sobrancelhas, no ângulo do queixo que me aponta, nos ruídos estranhos que emite quando quer e quando não quer dizer alguma coisa. Fico prestando atenção pra saber o que fazer no próximo movimento, mas, no próximo movimento tudo MUDOU, tudo é diferente, eu sou, novamente, ignorante.

Eu gosto de manha, de birra e pirraça. De esperar meia hora um trocar de vestido. De errar por quilômetros meu caminho. Gosto de cuidá-la doente, fechar os olhinhos insones, ouví-la roncar noite afora. Gosto de sentir cheiros e sabores causadores de rubores, conhecer os mais vexatórios pormenores, abraçá-la com medo ou com dores.

Gosto de comprar flores. Preparar pratos simples e delicados, grandiosos e complicados. Fazer massagens. Ouvir gemidos. Sabê-la alegre e sabê-la louca. Gosto do gosto da boca e do jeito que ela me vê e que me toca. Gosto de comprar pipoca e entradas pro cinema. De antecipar as preferências, fazer surpresas, limpar a casa, lavar a louça, botar a mesa. Gosto de ter dúvidas e de ter certezas.

Gosto dela.

Ela já não gosta mais de mim.

Mas eu gosto dela mesmo assim.

É isso que eu penso.
Dizem que eu sou machista. Dizem que eu sou homofóbico. Dizem que eu virei covarde. Dizem que eu fiquei amargo, ou azedo. Ou que eu me esqueci. Ou que eu não sei mais. Dizem que eu as considero inferiores.
Apesar da minha divergência com algumas mulheres, eu ainda sou romântico. Talvez a negligência destas qualidades e a necessidade de algumas delas em provar não sei o quê na base do custe-o-que-custar façam com que, às vezes, eu seja tão contrário a certas atitudes. Mas no final das contas, a essência feminina é insuperável.

Pois como disse o Cardoso, e nisso eu assino embaixo:

Não tem nada na minha vida que seja mais importante que a MULHER.

E acrescento: se um dia houve felicidade plena na vida de um homem, só foi por causa de um motivo.
E você sabe qual é. Mesmo fazendo a gente de bobo, vocês são demais.

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