Verborragia sem concessões

May 23, 2006

COZINHA DA COPA

Filed under: jornalismo, futebol - Carlos @ 6:02 pm

Tá no ar o blog da RBS sobre a Copa do Mundo, com contribuição da equipe que vai cobrir a Copa lá(Pedro Ernesto, Marco Antônio, Benfica, Boaz, Zé Alberto, Cyro, Caio, Ruy, Nando e Chicão - Rádio Gaúcha; David, Mário e Feltes-ZH; Ney Morrudo e Maurício Saraiva-RBS TV; Cacau Menezes e Roberto Alves-SC) e aqui(eu, Lucianinho e Henrique-Gaúcha; Mirella e Dani Peretti-ZH), com contribuição do pessoal do clicrbs.
Entrem lá e confiram o que tá pegando.
Esqueci alguém da equipe?

May 16, 2006

CONSIDERAÇÕES SOBRE O ROQUE

Filed under: música - Carlos @ 4:48 pm

Abandonei o rock em 1999. Abandonei em todos os sentidos. Não tenho a menor idéia do que se passa nesta década de 00. Na verdade, de tudo o que eu ouvi, nada me pareceu sincero e original. White Stripes, talvez, mas no mais, reciclagem da reciclagem da reciclagem. No mais, as coisas que mais me chamaram atenção na década foram Outkast(que lançou o disco do século até o momento) e Arcade Fire. Acho um saco as “novas divas” Diana Krall e Norah Jones. Não suporto os “violeiros” Jack Johnson, John Mayer e Donovan Frankenheiter. Respeito o PASSADO do Ben Harper.

Tem as bandas “THE” alguma coisa, que se proliferaram na década. Nunca gostei dos Strokes, apesar de achar que eles têm algum mérito. Depois que lançaram Vines e Hives, que duraram um disco só no revival idiota do rock mais puro(sem a pureza necessária, diga-se de passagem), eu larguei definitivamente.

Tem uns caras aí, Arctic Monkeys. Ouvi. Não gostei. E tem o nome do momento, chamado Pete Doherty. O cara era do Libertines, que era uma merdinha, e agora tem uma banda chamada Babyshambles, que eu nunca ouvi. E ele faz isso. Esse cara deveria ser preso, enjaulado e currado dentro da prisão por travestis senegaleses pra depois retomar a vida normal. Que imbecil, puta que o pariu. Quem diabos é Pete Doherty? O que ele fez para a música? Qual a contribuição considerável deste cidadão?

Por estas e outras, larguei o rock.

Em breve, considerações sobre o rock do Reino Unido. Porque o que se faz lá, ou o que se FEZ lá, é bem mais do que apenas Oasis e Coldplay.

May 15, 2006

TÚNEL DO TEMPO

Filed under: comportamento - Carlos @ 7:28 pm

Em relação às atividades desenvolvidas no corrente ano, percebe-se que houve por parte do aluno um bom desempenho, obtendo ótimos índices de aproveitamento.

Quanto aos aspectos subjetivos de sua personalidade, mostra-se uma pessoa INIBIDA, que costuma agir mais pelo instinto do que pela razão. Dependente, curioso e ambicioso.

No que se refere ao tipo de CARÁTER, Carlos se encontra no grupo do tipo INSTÁVEL e amorfo, onde o valor predominante são as DIVERSÕES e o PRAZER.

IMPULSIVO, distraído e preguiçoso.

Quanto aos interesses, percebe-se que o mesmo possui predominância para as áreas da COMUNICAÇÃO e PERSUASIVAS.

Juntanto as características pessoais, as habilidades e potencialidades, os cursos que estão favoráveis no momento são:
1) JORNALISMO
2) Ciências Jurídicas e Sociais
3) Licenciatura em Letras

Porto Alegre, outubro de 1995.

Teste vocacional realizado pelo Colégio João Paulo I ao aluno Carlos Gustavo Soeiro Guimarães, do segundo ano do segundo grau, turma 2A.

Ahn, mudou algo???

May 14, 2006

FONTES FALAM POR MIM ou EU AINDA NÃO SOU UMA ILHA

Filed under: amor(?) - Carlos @ 7:11 am

Já que eu falei tanto do Salvador, vou falar aqui de uma colega que não vejo há mais de dez anos e que soltou a grande pérola do momento, que será transcrita logo mais.
A Camila foi minha colega no Salvador, no primeiro grau. Com a proximidade proporcionada por esta BOSTA VICIANTE chamada orkut, encontrei virtualmente a Camila. Conversamos por msn.
A Camila mora há 3 anos nos Estados Unidos e atualmente está residindo no Hawaii. A ilha, segundo ela, é pequena, dá pra se atravessar de carro tranqüilamente. Já adaptada à cultura da ilha, estávamos conversando sobre como um brasileiro enxerga seu país natal de longe.
Sobre os diversos problemas do Brasil, Camila soltou a seguinte pérola:

… um dos maiores problemas do Brasil, ao meu ver, nao eh politica, nao eh corrupcao ou nada disso… eh essa putaria que eh normal pra todo mundo

Veja bem, é um comentário feito por alguém que mora nos Estados Unidos, há algum tempo, e que não convive com o dia-a-dia normal de jovens brasileiros nos últimos anos. E este é o comentário dela. Ela, aos 26 anos, longe de casa, independente, não consegue entender a banalização da putaria entre a gente.

Eu pego pesado quando falo na palavra putaria. Na real, digamos que seja a banalização de relações que “não significam nada”, ou, conforme já falei, “a diversão a qualquer custo”. Ou, como me disseram, simplesmente o “rolou”.

A Priscila fez uma matéria para a ZH sobre “gírias de ficantes”, com garotos de 13, 14 e 15 anos. Me impressionei quando ela falou que é normal uma prática entre eles: o chamado DOUBLE ou TRIPLE. Assim: um cara que fica com uma menina pega a guria que tá ficando com o outro cara, e vice-versa. Entenderam? Pega três casais e relaciona todas as relações heterossexuais possíveis entre eles. Putaria juvenil. Have fun, contabiliza pra lista e vambóra.

A prática seria extremamente saudável, não fosse em alguns casos a presença de sentimento. Ainda não estamos em um estágio onde uma pessoa pode conseguir ter uma relação física com quinhentas sem que pelo menos com uma delas aconteça alguma forma de sentimento. É impossível.

Uma outra pessoa(e essa pediu para ter a identidade resguardada) disse que eu faço parte dos 5% dos homens que acreditam nas relações afetivas mais íntimas como sentimento na acepção da palavra. O resto acha absolutamente normal esse tipo de situação mais dantesca, essa explosão de diversão, em detrimento de coisas que, ao meu ver, são bem mais sinceras.

Os outros 95% são formados pelos que querem justificar o uso das próprias bolas. A necessidade de conquistar, levar e contabilizar é gritante. Vício pela conquista, pela satisfação intensa de saber que um troféu foi levantado graças ao talento(?) das táticas do flerte. Nada de sentimento, apenas uma incrível sensação de que o dever masculino foi cumprido com louvor. Palmas dos amigos, auto estima lá em cima e um olhar narcisista para o próprio pau, num momento Boogie Nights total. “Tu é foda, meu velho”. A supervalorização da raça masculina graças a uma alimentação de ego completa por parte de meninas que, se divertiram, mas, mais do que isso, injetaram orgulho pra misturar com a testosterona da galera, transformando gente, que tecnicamente SENTE, em colecionadores de calcinha.

Outra fonte, resguardada também, em afirmação pessoal: “Tem gente que faz qualquer coisa pra pegar uma boceta”. É, qualquer coisa vale nessa altura do campeonato. O sentimento é algo absolutamente descartável.

Antes de mais nada, gostaria de dizer que eu falo - e muito - em putaria. Meu trabalho de conclusão é sobre a Boca do Lixo, eu analiso “A Ilha dos Prazeres Proibidos”. Acho interessante o assunto. Eu brinco com um monte de gente a respeito desse tipo de assunto. Putaria, todo mundo se querendo, essas coisas. Mas acima de tudo, prezo pelo sentimento. O mesmo cara que fala sobre putaria é aquele que quer ver “10 Coisas que eu odeio em você” e achar um baita filme. Para alguns, patético. Para mim, autêntico.

Viro para o lado e observo, definindo: a gurizada quer se divertir e a gurizada tem medo de sentir. Sentir acarreta sofrimento, mas uma euforia absolutamente ímpar, pertencente tão e somente àqueles que conseguem visualizar o próprio sentimento e aplicá-lo com coração. Diversão é mais fácil e gera, na pior das hipóteses, um arrependimento que passa no terceiro mês e um auto-questionamento nem sempre respondido. Mais fácil, talvez até mais saudável. Mais junkie, menos soft. O hard te dá adrenalina e talvez desgosto. O soft te traz construção, maturidade, respeito e noção de consideração.

Só pra citar mais duas fontes: dois colegas de 50 e poucos anos discutindo sobre “a arte da putaria” versus “a intensidade da paixão”. Um deles admite que sempre optou pela putaria, já que, pagando, rola suruba, diversidade e novas experiências. O outro argumentou que nunca recorreu a uma prostituta e que em todas suas relações sofreu barbaridades, mas que viveu intensamente cada uma delas. Quero seguir o caminho do segundo. Quero chegar aos 50 anos e lembrar de cada data em que eu realmente senti. E também as que eu realmente sofri.

Até porque, se o que fica são lembranças, eu não conseguiria me lembrar das datas onde simplesmente a coisa “rolou”.

May 6, 2006

RESPOSTA

Filed under: fuçando pra aprender - Carlos @ 4:20 pm

Já recebi diversos comentários aqui e no anger is a gift(o antigo) que me deixaram extremamente satisfeitos. No entanto, jamais poderia esperar que aquele texto sobre a Sandra Rocco, minha professora de Português no Salvador fosse chegar até ela.

Pois chegou. E ela respondeu. E mais: ela se lembra muito bem de mim.
Publico a vocês a resposta dela:

Se bem me lembro de ti (hoje, vou deixar o português padrão de lado), teu nome é Carlos Gustavo Soeiro Guimarães, irmão do João Vicente e filho da Mara, correto?

Se eu te disse que tinhas aptdão para a escrita, a-do-rei ver que estava pra lá de certa!!!!

Um colega me mostrou teu texto, alíás ele é um puta prof. de biologia, e chorei de emocionada com ele.

Sabe, cara, eu também tenho muita saudade daquele tempo…

Continuo aqui, no Salvador, faz 21 anos!!! Continuo me envolvendo, curtindo cada aluno, brigando e dando esporro - e agora apito pra poupar a voz - a torto e a direito. Curto bastante,
me irrito, me emociono, às vezes, quero largar tudo. Mas essa vontade passa logo.

Tenho saudade, principalmente, do grande envolvimento que tínhamos, profs. , alunos, família… Isso já não ocorre mais. Alguns profs e algumas famílias até tentam, mas não é a mesma coisa.

Lembras da praça dos patos, das gincanas, da festa da primavera e da junina? Tenho muitos flash’s (ai!) daquela época.; Do tamanho das provas que eu fazia pra vocês, das leituras que alguns (muitos) faziam de conta e me deixavam puta da cara. Das brigas no futebol, de tanta coisa…

Estou - estamos - todos aqui e nem imaginas o quanto ficamos felizes quanto vocês aparecem… Em setembro, teremos um baile dos 41 anos da escola. O do ano passado foi show! Entra em contato, vamos nos encontrar e fazer festa juntos!!! Estou bem mais velha, mas ainda não estou caquética!!!

Um grande beijo, mas grande mesmo!!!

Sandra Rocco

Um grande beijo, professora. Estás absolutamente certa a respeito de mim. Sou esse mesmo.
Aqui, lágrimas. De verdade.
Eu gosto de dar umas porradinhas gerais no blog, mas a direçao também tem um baita coração.
Se voltares a ler, professora, deixe um e-mail para contato. Mais uma vez, MUITO OBRIGADO.

May 5, 2006

M.P.B.

Filed under: música - Carlos @ 6:00 pm

Teve show da Marisa Monte ontem aqui em Porto Alegre. Ótima cantora, Marisa peca pelos excessos. Cada lançamento de disco é um acontecimento de marketing do ano. Ela pode, porque adquiriu um público para isso. Este público, curiosamente, é formado na maioria por jovens, que, durante o verão, bailaram à la loca no verão com o MC Leozinho. Mas claro, vem a Marisa e aí voltamos a ser inteligentes.

Tirando questionamentos com os fãs da Marisa, em geral, ela é a artista mais superestimada da MPB. Já viram alguma crítica contra algum trabalho dela? E não me digam que ela é uma cantora perfeita, sem reparos, que aí eu me jogo. Nem os Beatles escaparam das críticas em álbuns menos inspirados(Beatles for Sale), nem Frank Sinatra teve esta honra. Marisa falha em seus discos, mas a mídia não critica e o público deixa passar, talvez encantados com a aveludada voz da moça.

Mesmo superestimada, com o status de maior cantora brasileira dos últimos vinte anos, Marisa Monte tem atributos fantásticos. Por exemplo, é um sucesso comercial isolado da música popular brasileira propriamente dita, no meio dessa década de 00, de tão pouca inspiração por parte de nossos artistas. Outro mérito: ela, ao lado dos Los Hermanos, da Maria Rita e do Seu Jorge, é grande responsável pelo resgate da MPB propriamente dita ao universo jovem, depois de muito tempo. Hoje, a garotada tá conhecendo a MPB graças a estes artistas, depois desse nicho ter sido cem por cento dominado pelo rock(e em alguns casos de qualidade discutível) e pela música estrangeira, além dos modismos comuns e aceitáveis.

No entanto, quem diz gostar de MPB, acaba pecando pela falta de conhecimento. Todos os artistas coincidem e é ignorada uma gama enorme de renegados que foram absolutamente geniais na nossa história. Na verdade, acabam se dividindo entre algumas vertentes na MPB: a do samba rock(Jorge Ben, Tim Maia), a dos baianos(Caetano, Gil, Gal), a do samba de morro(Beth Carvalho, Cartola- mestre redescoberto pela massa recentemente), a da bossa nova(Tom, Vinícius, Toquinho), a dos “novos criativos”(Cordel do Fogo Encantado, Los Hermanos), a da MPB clássica dos anos 70(João Bosco, Elis Regina), os saudosistas da dor de cotovelo(Noel Rosa, Lupicínio) e, claro, os chicobuarquistas.

Por isso, faço aqui a lista dos VINTE mais subestimados artistas da MPB. Não exatamente subestimados, mas menos valorizados. Ou menos conhecidos pelos jovens. É, com minha pretensão habitual, um guia para os novos de grandes nomes da MPB que, claro, vocês conhecem muito pouco.

1- BELCHIOR
Se este cidadão fosse norte-americano, seria comparado somente a Bob Dylan, talvez. Como aqui no Brasil, os únicos nordestinos que prestam são os baianos, e o cara é cearense, feio e bigodudo, ele é basicamente um qualquer um para a maioria das pessoas. Não é. Belchior é um dos cinco maiores compositores do Brasil nos últimos cinqüenta anos. Não deve nada para Caetano, por exemplo. Enquanto o baiano enfeitado investe em alegorias, trocadilhos, poesia abstrata e carnavalização da música, Belchior é concreto, real e seco. É o retirante que chega na cidade grande e, encantado e assustado com as belezas e terrores da metrópole, sintetiza em sua poesia toda sua aflição. Em 1976, concebeu uma obra prima: “Alucinação” é, pra mim, seguramente, um dos dez maiores discos de todos os tempos feitos no Brasil. Um começo arrebatador, com “Apenas um rapaz latino americano”, “Velha roupa colorida” e “Como Nossos Pais”. O disco ainda tem “A Palo Seco” e “Alucinação”. Faz trinta anos em 2006 e permanece com uma atualidade assustadora. Clássico. Coisa de gênio. Coisa de Belchior.

Dica da direção: faixa 6 - Alucinação. Os Engenheiros do Hawaii fizeram uma versão, mas preste atenção na versão do Belchior, com letra ampliada. A letra dessa música, por sinal, é espetacular.

2- RENATO TEIXEIRA
Se Belchior está para o Bob Dylan, este rapaz está para o Neil Young. Caipira até não poder mais, Renato Teixeira é um desconhecido absoluto para a maioria das pessoas. No entanto, ele é, nada mais nada menos, do que o compositor de “Romaria”, uma das músicas mais lindas produzidas no país. Renato Teixeira lançou trabalhos maravilhosos nos anos 70, que hoje estão perdidos pelo tempo. A música caipira brasileira, por sinal, é a mais subestimada de todas. De um lirismo ímpar, de uma capacidade melódica comovente, ela é riquíssima em todos os aspectos: letras, harmonia, compassos, interpretação vocal. É singela, doce, bonita demais. Esse cara aí, ao lado da dupla Pena Branca e Xavantinho, foi o que melhor soube fazer a música caipira.

Dica da direção: faixa 3 do CD “Romaria”, de 1978: Viola arriada. Chore.

3- ERASMO CARLOS
Todo mundo ama o Roberto, depois que ele virou cult. Aliás, todo mundo ama o Roberto até setenta e poucos, mas depois rejeita o que o Rei fez na seqüência(desconhecendo pérolas como “Guerra dos Meninos”, “Outra Vez” e “Caminhoneiro”). Agora, alguém fala do Erasmo? Em primeiro lugar, ele é responsável por metade das grandes composições interpretadas pelo Roberto. Logo, méritos pro cara. Mas Erasmo é mais do que o parceiro e muito mais do que aquela figura patética do Rock In Rio I, quando, cantando “Pega na Mentira”, vestido de metaleiro, sofreu uma estrondosa vaia. Erasmo é o compositor único de “Sentado à Beira do Caminho”, um clássico da música brasileira. E mais: em 1971, subverteu a ordem e concebeu “Carlos, Erasmo”, pra encerrar com a vez a Jovem Guarda e colocar um pouco de psicodelia na ordem. Se compõe com o Rei, tá taco a taco com ele. Só que é mais um subestimado.

Dica da direção: Sentado à beira do caminho, do disco “Erasmo Carlos e os Tremendões”, de 1970. Faixa 6.

4- ZÉ RAMALHO
Os mais recentes lembram do Zé Ramalho trilha de novela, com “Entre a Serpente e a Estrela”. Os mais antigos vão lembrar de “Avohai”. Eu sou recente, mas busquei na antiguidade deste cidadão a sua verdadeira essência. Voltaremos a 1978, quando ele lançou “Zé Ramalho”, que contém “Chão de Giz”, linda de chorar. Ou então, vamos a 1979, quando Zé Ramalho se auto-rotula MALDITO e lança “A peleja do diabo com o dono do céu”, disco que tem “Admirável Gado Novo”. Dois clássicos em menos de um ano, suficiente pra fazê-lo um dos subestimados.

Dica da direção: “Chão de Giz”, faixa 3 de “Zé Ramalho”(1978)

5- LUIZ GONZAGA
Se hoje você acha que sabe dançar forró, aprenda uma coisa: o teu gingado não existiria se não fosse esse cidadão. Luiz Gonzaga é o rei do baião, mas pode ser considerado também o rei do forró, do bate-coxa, da sacanagem musical nordestina, da ingenuidade do agreste, da sanfona. É influência direta na alteração dos carnavais pelo país. Em 50 anos de carreira, lançou 65 discos e deixou um legado que até hoje perdura, fazendo com que brote Falamansas e Calypsos por todos os lados. “Cintura Fina”, “Xote das Meninas”(ela só quer, só pensa em namorar), “Baião de Dois”, e é claro, “Asa Branca”, a epopéia nordestina cantada por ele em 1947.

Dica da direção: qualquer versão do véio de Asa Branca. Ou pega tua mina e chama junto no Xote das Meninas.

6- GONZAGUINHA
Filho do Luiz Gonzaga, esse cara faleceu jovem, mas foi uma voz extremamente ativa nos anos 70, quando os queridos baianos estavam exilados e cabia a jovens como ele colocar a cara a bater na ditadura, pedindo abertura, anistia e fim da porrada. Você provavelmente escuta o cara de seis em seis meses, quando alguém coloca “Viver, e não ter a vergonha de ser feliz… Cantar e cantar e cantar(…)” numa colação de grau de formatura. Gonzaguinha compôs realmente esta bonita canção, mas ele também fez “É”, um hino protesto contra o arrocho do Governo Sarney e a decepção da segunda metade dos anos 80, a brochura geral pós esperança de Diretas, a perda total de tesão num ano em que plano Cruzado te tirava todo o poder de compra, em que políticos se revelavam, em que Brasil perdia copa de um jeito lamentável, em que o rock brasileiro entrava em status de megalomania completa, tempos difíceis em que a gente não tinha cara de babaca. Mas Gonzaguinha fez ainda, nos anos 70, “Redescobrir”, a música mais linda cantada pela Elis.

Dica da direção: “Redescobrir, do disco Elis Regina no show Saudades do Brasil(1980)”

7- JAIR RODRIGUES
Hoje, ele é motivo de piada. É até reconhecido por alguns, mas SÓ porque fez o primeiro rap do Brasil(”Deixe que diga, que pense, que fale”). Mas Jair Rodrigues, em 1966, botou o pulmão, a garganta e o coração à exaustão na interpretação ao vivo mais linda que o Brasil teve notícia na segunda metade do século XX. Assistir a Jair Rodrigues cantar “Disparada” no Festival da Record de 1966 sem se arrepiar é não ter coração. Meio crooner, meio negro norte-americano, o cara arrepiou, cantando em tons inalcançáveis e arrebatando o primeiro lugar. Jair Rodrigues é um dos pilares da nossa música, mas agora ele virou folclórico. Mas tem que dar mão à palmatória. É um intérprete de primeira.

Dica da direção: arranje algum vídeo do Festival da Record de 1966 e veja o cara cantar “Disparada”, de Geraldo Vandré e Theo de Barros. Impressionante. A música é linda.

8- FÁGNER
Antes dele querer ser um peixe para em teu límpido aquário mergulhar, fazer borbulhar de amor ao te encontrar e querer saciar toda a loucura dele dentro de ti, ele foi mestre. Em 1973, compõe “Mucuripe”, fazendo parte do time de nordestinos que invadia os centros para mostrar sua música. No ano seguinte, realiza “Manera Frufru”, o disco nordestino mais impactante da década. É a seca em vinil. Ele já foi foda, mas novela dá grana e o cara se perdeu.

Dica da direção: “Mucuripe”, na versão original

9- DANIELA MERCURY
A Ivete é legal pra dançar, porque é simpática e até canta bem. A Daniela Mercury, para muitos, é o lado brega da Ivete Sangalo. Pois saiba você que esta menina, no início dos anos 90, quando a música era dominada pelos brega-nejos, fez dois discos de uma importância excepcional para a música brasileira. “Daniela Mercury” e “O Canto da Cidade” trouxeram de volta à falida música brasileira a alegria, o suíngue genuíno, a verdadeira essência do que é a MPB. Sofre preconceito porque popularizou o axé, mas eu lembro que o Caê queridão também deu a maior força. Daniela Mercury foi de fato a primeira grande cantora dos anos 90, mas ninguém fala nela com o respeito que ela merece.

Dica da direção: te acaba dançando com “O Canto da Cidade”(1992)

10- TEIXEIRINHA
Esqueça todas as merdas de versões que fizeram com as músicas deste gênio. Junto com Lupicínio Rodrigues(reconhecido por todos como compositor maravilhoso), é o maior artista do Rio Grande do Sul. Teixeirinha é simplesmente ignorado por um povo que se diz tradicionalista e politizado. E que ouve Nei Lisboa achando que é o máximo. Que se diz apegado às raízes ouvindo bostas como Elton Saldanha, Rui Biriva e Osvaldir e Carlos Magrão. Teixeirinha é o autor de “Coração de Luto”, e conseguiu relativo sucesso no país. Foi um poeta do nosso povo, o único desta terra pobre culturalmente, que insiste em ser (plagiando)”longe demais das capitais”. Viva Teixeirinha, conheça os discos do cara e leve um pouco consigo as verdadeiras origens do Rio Grande do Sul. Tradicionalismo moderno é ridículo. Tradicionalismo com Teixeirinha até se torna gostoso.

Dica da direção: “Coração de Luto”, óbvio.

OS OUTROS DEZ

11- ELOMAR
12- SÁ, RODRIX E GUARABIRA
13- OSWALDO MONTENEGRO
14- LÔ BORGES
15- JORGE MAUTNER
16- WILSON SIMONAL
17- GILDO DE FREITAS
18- DE FALLA
19- PENA BRANCA E XAVANTINHO
20- TAIGUARA

Não sabem quem são? Já dei a dica para os dez primeiros. Mas vá atrás destes também. Merecem toda a reverência.

May 4, 2006

AI QUE VONTADE!!!!

Filed under: futebol - Carlos @ 5:36 pm

Esqueça qualquer data ou fato relevante da sua vida. O acontecimento mais importante da humanidade é, sem dúvida, a Copa do Mundo. Nada supera.

Desde 1990, eu acompanho todos os jogos do Brasil na Copa. E mais: em 1998, com a TV a Cabo, eu devo ter perdido uns dez jogos apenas. Em 2002, por força profissional(e por prazer também), eu assisti a TODOS os jogos da Copa. Até os simultâneos, claro, sem devida atenção, no encerramento da primeira fase, quando, no estúdio da Gaúcha, duas televisões disponibilizavam este prazer.

Talvez seja o único momento em que eu vire tiete, de fato. Eu parei com esse lance de idolatria a muito tempo, mas a chegada de uma Copa do Mundo me transforma de uma maneira surreal. Sou um fã, um fã do futebol, do evento, me transporto para o país do Mundial, pesquiso sobre os times, esboço seleções, elejo os melhores de cada partida, invento táticas, critico, comento, torço. A Copa é fantástica.

Particularmente, eu tenho alguns rituais básicos nos jogos da Copa. Primeiro, eu não gosto de ter minha atenção desviada, seja em qual for a partida. Pode ser Togo x Angola que lá estou eu, observando o Adebayor, ou perguntando porque o Mantorras não entrou no time angolano. Não gosto de falatório. Por isso, nunca curti a chamada “festa pelo Brasil”. Em 94, assisti, ao lado do meu avô, aos jogos da Copa todos da mesma maneira: deitado no chão, com duas almofadas, grudado na TV, com um bloco de anotações. Em 98, o mesmo ritual, já sem meu avô. Sem trago, sem reuniões pra ver o Brasil, sem torcidas fanáticas. Em 2002, vi a Copa pelo lado profissional, mas com o mesmo ritual consciente. Nunca fui de ir para um boteco, reunir-me com a galera só pra ver o Brasil jogar. Prefiro o meu ponto de vista, a minha torcida particular, e é dessa maneira que eu lembro dos fatos. Coisa de chato, de maniático.

Quando eu digo que NADA supera a Copa, é a pura realidade. Eu não trocaria um jogo do Brasil na Copa por nada no mundo. Nada mesmo. Nem suborno, nem a mulher mais gostosa. Porque ali, aquele instante, é o Brasil, entrando em campo, pra jogar uma partida de futebol no campeonato mais importante do planeta. E eu falo sério. A arte mais complexa é o futebol, mais forte que qualquer tipo de manifestação, de obra relevante, de construção literária, de filme, de música. O futebol é a única coisa que me arrepia. Aconteceu isso quando assisti novamente a “Todos os Corações do Mundo”, o filme da Copa de 94. Acontece quando eu produzo os especiais da Copa, um arrepio. O futebol me fez chorar, e ainda me faz. Algo inexplicável. Todos temos, eu tenho o futebol e levo isso comigo. E a Copa, que só tem de quatro em quatro anos, é a síntese de toda essa explosão de sentimentos.

Comecei a colecionar o álbum de figurinhas da Copa de 2006. Quem quiser trocar, estamos aí. Vou comprar todos os guias, me informar sobre todos os atletas e comentar sobre todas as convocações. É o mais importante.

Por isso, não aceito pessoas que não gostam de futebol. Não aceito, não tolero, não admito, não RESPEITO. Exato, não RESPEITO. É mancha no currículo. É desvio de conduta. É doença, pra ser tratada no psiquiatra. É DEVER e DIREITO gostar de futebol, ao menos na Copa.

Brasil jogando na Copa do Mundo: gostar ou não? Acho que não é questão de gosto, simplesmente. Brasil jogando na Copa do Mundo, pra mim, é OBRIGAÇÃO CÍVICA.

E como diria o JAPA do Shoptime, que faz uma ponta em BELÍSSIMA: “AI, QUE VONTADE”(*)

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(*) Nota de rodapé: TAKESHI, Carlos. Canal Shoptime. Maio de 1998, anunciando o novíssimo FIFA WORLD CUP 98. Frase feita por ele ao divulgar o jogo.

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