Eu acompanho música com uma proximidade peculiar há mais ou menos quinze anos. Já tive todas as fases, já conversei com pessoas que gostam de todos os estilos dentro de um contexto pop-rock e suas variações. Posso dizer que eu conheço um pouquinho de cada coisa e por isso já tive minhas paixonites repentinas por vários desses estilos: já fui metal, já fui indie, já fui grunge, já fui punk, já fui rock farofa, já fui hardcore, hard-rock, power pop, melódico, lo-fi, rock puro, folk, pop, MPB, rockabilly, rock nacional e até, pasmem, admirador de rap, hip hop, emocore e de vozes femininas americanas dos anos 90, mas não levem muito a sério isso não. Fato: eu conheço, já ouvi, já gostei e já desgostei. Ou gosto. Sou capaz de dizer que dentro das vertentes do rock a única que eu não consegui realmente gostei foi o tal do post rock.
No entanto, a última delas a qual me rendi é o rock progressivo. Me refiro ao progressivo clássico, aquele virtuosismo sem precedentes dos anos 70. Rick Wakeman, Emerson, Lake and Palmer, Pink Floyd, Genesis. Confesso: me rendi ao progressivo. E nem foi por causa da morte do Syd Barret, que não era progressivo, mas era do Pink Floyd. É que simplesmente consegui entender a essência de tantos dedos no meio daquela loucura que eram os 70.
Baixei o “Dark Side of the Moon” e gostei. Baixei o “Wish you were here” e gostei até mais. Foi quando entendi os motivos que fizeram durante tanto tempo da minha vida ter simplesmente abominar Pink Floyd. Eu não entendia. Eu era somente jovem. Jovens que hoje escutam, sei lá, My Chemical Romance ou Simple Plan. A diferença é que eu ouvia Alice In Chains e Blind Melon. São melhores, mas quem sabe na minha ótica? Quem ouve My Chemical Romance não saberia entender Pink Floyd. Não saberia assimilar o conceito, os acordes, a melodia, a letra, a viagem completa, um lirismo disfarçado de técnica apurada, quando a gente sabe que toda aquela técnica deles era utilizada para a construção desse lirismo.
Depois de assimilar o Pink Floyd, o Yes, o Jethro Tull e o Genesis (até com o Phil Collins cantando), resolvi fazer uma lista do que ainda me soa bom nestes quinze anos acompanhando o rock. Caí da cadeira: as bandas que eu ainda gosto hoje são de um senso comum rasteiro. As melhores pra mim são as melhores pra todos. Dividi meu gosto. Entre as bandas de senso comum, dada importância pra história do rock e pela magnitude que obtiveram com o passar do tempo, de valor inegável e que, ao meu ver, DEVE soar bem em qualquer ouvido que realmente goste de música. A outra parte é a minha preferência pessoal. Bandas que serão eternas pra mim, que por algum motivo extremamente particular eu não deixarei de ouvir nunca: Rage Against the Machine, Helmet, Smashing Pumpkins, Soundgarden, Faith No More, Pixies, e vai a lista meu filho. E tem o Jeff Buckley também, o maldito Jeff Buckley que compôs as mais lindas canções dos anos 90 e resolveu se afogar. Maldito! Gênio!
Se há uma transformação na vida, há certamente uma transformação na minha vida musical. O crescimento me permitiu ouvir os progressivos e, de certa forma, admirá-los. O crescimento me permite ouvir a tal da My Chemical Romance e simplesmente rir dos caras. Não é ruim, nem bom, é meio patético uns neguinhos emocionados cheio de maquiagem cantando sobre amor. Viadagem nos anos 2000 não choca ninguém. Prefiro o Bowie dos anos 70.
Tô vendo a MTV e tá dando uns clipes de rock. Vi Aqualung, do Jethro Tull. Insano. Excelente. Vejo Freedom, do Rage Against the Machine. Perfeito. (anger is a gift). De certa forma, é uma sensação confortante saber que hoje eu não preciso correr atrás de bandas novas, e que estas todas que construíram meu gosto já são suficientes para me manter apaixonado por música.
Pensei nos shows também. Os dois shows que mais me emocionaram eu vi pela TV: Faith No More, Rock In Rio 2, 1991. Choque.
O segundo foi de um velho canadense que abalou as estruturas deste país em 2001, no Rock In Rio 3. Ele se chama Neil Young, mas por estas bandas eu ainda prefiro chamá-lo de semi-deus.
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A seleção do meu ipod é engraçada. Tem coisas tipo WU TANG CLAN, TUPAC e BONE THUGS N’HARMONY, hip hop pegado e gangster pra caralho. Tem RACIONAIS. Sai do rap e vai pra algo mais mudérrno, tipo FROU FROU. Segue uma tendência do novo século e passa por YEAH YEAH YEAHS, SNOW PATROL e ARCADE FIRE. Sai daí e vai pra VIOLENT FEMMES. Passa por HELMET, RATM, BEASTIE BOYS, SMASHING PUMPKINS, FAITH NO MORE, PIXIES e ALICE IN CHAINS. Favoritas eternas da casa. Tem GUNS N’ROSES, é necessário. Tem HOLE, mas é só uma música. Tem NEIL YOUNG, óbvio, e tem também JEFF BUCKLEY. Tem CLASH e POLICE, porque são foda. Algumas coisinhas dos anos 90, vai lá, PLACEBO e TEENAGE FANCLUB. Alguns clássicos de sempre, como RADIOHEAD e R.E.M, que já adquiriram esta condição. E tem, de certa forma, algumas músicas que eu gosto, e bastante, de bandas que eu gosto, e bastante. Tem GOO GOO DOLLS, SOUL ASYLUM, WALLFLOWERS e GIN BLOSSONS. Eu gosto. Avisei.
Ah, tem Ivete Sangalo, P.Diddy, Lisa Loeb, Madonna, Vanessa da Mata, TLC e Daniela Mercury.
O passar dos tempos te faz um discernimento de dividir as coisas simplesmente entre “bom” e “ruim”. E te dá a permissão de ouvir um monte de coisa do segundo grupo com uma falta de preocupação absurda.
Update: tava passando clipe de rock porque é o Dia Mundial do Rock, e eu nem sabia, ou lembrava disso. Na real não importa.