Verborragia sem concessões

July 5, 2006

O REI DA BOCA

Filed under: cinema - Carlos @ 3:32 am

A ausência no blog se deu, e muito, pelos meus estudos sobre a Boca do Lixo. O resultado foi um trabalho de conclusão absolutamente honesto e que me deu muito orgulho em ter realizado. Finalizado, devo colocar à disposição para quem quiser ler a respeito desse movimento surpreendente que tomou conta do cinema brasileiro nos anos 70 e 80.

A Boca do Lixo foi uma grata satisfação pra mim. Escrevi e me envolvi tanto que extenua qualquer raciocínio a ser colocado no blog.

Como dica, leiam este blog, por favor: http://estranhoencontro.blogspot.com. Nunca o cinema brasileiro foi tão bem tratado, com um texto e um acabamento tão bem feitos como a Andrea Ormond faz.

Recomendo as resenhas sobre “Giselle” e “Eu Matei Lúcio Flávio”. Dois filmes geniais, numa década genial, uma linha de produção genial, algo que poucos conseguem entender. Só quem viu os filmes milhares de vezes consegue entender a complexidade e realmente o que aquelas pessoas conseguiram atingir na época.

A Boca foi fascinante para mim nesses quatro meses de estudos. Foram 70 páginas de entusiasmo (que me valeram três décimos, por fugir do caráter analítico), pesquisas exaustivas, leituras, descobertas impressionantes (como o envolvimento com o Cinema Marginal), e uma vontade enorme de me transportar para a época.

“Porque o Cinema Nacional não é só Glauber”, disse a professora Flávia Seligman ao ler o trabalho. “E você conseguiu expressar isso e valorizar algumas figuras importantes”. Viva Jean Garrett, o diretor mais subestimado do cinema brasileiro. Aplaudam Antonio Pólo Galante, um GÊNIO da produção, que conseguiu construir um presídio cenográfico para produzir uma média de SETE filmes em meio ano. Um brinde à Monique Lafond, uma das MAIORES atrizes do Brasil, que dá show de interpretação em cada filme que atua. Um salve para Carlos Reichenbach, porque o Carlão consegue ter pulso firme na direção seja qual for o filme. Uma reverência a Ozualdo Candeias, que chocou o próprio Glauber, no filme “A Margem”. Uma homenagem a gente como Carlo Mossy, que fez “Giselle” e bancou uma obra prima genial. A nomes como David Cardoso, Tony Vieira, Meiry Vieira, Helena Ramos. Porra, Helena Ramos, que colocava no chinelo gente como Vera Fischer, porque sabia atuar e era linda.

A Boca do Lixo é de uma complexidade bem maior, e envolve tantos fatores que seria impossível explicá-los aqui, e só mesmo uma monografia para contextualizá-los com a época e fazer devida justiça a um movimento interessantíssimo, de qualidade bem superior a muitas merdas que as vezes a gente engole como obra prima. Era barato, amador e até ingênuo. Mas era ousado, apaixonado, e acima de tudo, BRASILEIRO.

É difícil compreender a Boca, então vai aí o meu top 10 de filmes da Boca. Um manual inicial pra saber como se iniciou e se deu a Boca do Lixo. Em ordem cronológica.

1) O BANDIDO DA LUZ VERMELHA. Dir: Rogério Sganzerla(1968)
2) AMADAS E VIOLENTADAS. Dir: Jean Garrett(1975)
3) PRESÍDIO DE MULHERES VIOLENTADAS. Dir: Jean Garrett(1976)
4) A ILHA DOS PRAZERES PROIBIDOS. Dir: Carlos Reichenbach(1977)
5) MULHER, MULHER. Dir: Jean Garrett(1977)
6) CORPO DEVASSO. Dir: Alfredo Sternheim(1979)
7) A NOITE DAS TARAS - PARTE 1. Dir: David Cardoso, John Doo, Tony Vieira(1980)
8) COISAS ERÓTICAS I. Dir: Rafaelle Rossi(1980)
9) GISELLE. Dir: Victor di Mello(1980)
10) ALUGA-SE MOÇAS. Dir: Deni Cavalcanti(1982)

Dez títulos que são encontrados em www.putrescine.com.br.

Quero disponibilizar a monografia aqui. Não sei como. Quem quiser por e-mail, vai nos comentários. Se o assunto despertar interesse, claro. Tá muito boa, garanto.

No final, uma sensação de alívio, um pouco de vazio, causado pela natural missão cumprida, mas acima de tudo, um profundo e incrível ORGULHO de tudo o que fiz.

1 Comment »

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  1. Dá-lhe gafanhoto…

    Comment by Priscila Caramello — July 8, 2006 @ 8:59 pm

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