THUMBSUCKER
Me agrada o minimalismo no cinema. Ao contrário de grande parte dos freqüentadores de filmes, o que me emociona não são os grandes lances. O mínimo é o que faz chorar. Os pequenos detalhes, o pequeno instante, o momento. Uma pequena cena, um diálogo simples que diz tudo. Um breve olhar, um piscar de olhos sincero.
Impulsividade é mínimo e absolutamente comovente. Um dos melhores filmes que vi neste ano, fala de um garoto cujo vício é chupar o dedo. Esse rótulo não é muito bem vindo e o menino tem, por causa do mau hábito, dificuldades com as garotas e uma exclusão social. A partir do momento em que ele larga o vício, toda sua confiança retoma e ele consegue atingir seus objetivos de acordo com o seu dom. É como se sua trava fosse o dedo na boca.
Acabo de ver o filme e fico pensando em qual seria a minha trava. Será que eu tenho alguma trava? Tenho objetivo? O que diabos eu tô fazendo com a minha vida? O que será de mim?
Cheguei atrasado ao ponto em que eu estou. O meu primeiro semestre foi cercado de confusões, mas acima de tudo, de objetivos e planejamentos bem traçados. Eu cheguei ao fim destas duas etapas básicas, com relativo sucesso: finalizo a Copa do Mundo tendo realizado um bom trabalho e concluo meu curso, depois de oito anos de agonias, quase desistências, decepções e de lembranças que ficarão para sempre.
Mas é engraçado o jeito de como tudo isso chegou ao fim. E foi tudo ao mesmo tempo. Estabeleci uma marca para o fim de tudo: primeiro de julho, dia em que o Brasil perdeu para a França, metade do ano. Meu domingo posterior à derrota brasileira na Copa foi de um intenso vazio que tomou conta da indignação natural pela eliminação da seleção. Acabava uma etapa na minha vida, acabava meu primeiro semestre de 2006, que foi pensado, elaborado, como um objetivo que foi alcançado. O fim não teve lá suas glórias. Teve o fim e um reinício forçado. A máquina pára só na minha imaginação. Para os outros, o jogo segue, segue sem parar. Não há pausa, nem trégua, e mesmo assim, seria pretensão demais conceber que o mundo pararia simplesmente porque os meus objetivos foram encerrados.
Foi quando eu descobri a minha trava. A falta de uma perspectiva imediata. É estranho, pois, tecnicamente, um mundo poderia se abrir para mim. Acho que é só estado de espírito. Alguma solidão, algumas coisas pra se consertar aqui e ali e um rompimento brutal com qualquer resquício de adolescente que eu ainda tinha. Um novo objetivo acaba se abrindo, se pensarmos assim: o de saber viver como adulto. Deixar de chupar o dedo e fazer como eles fazem, afinal.
Esse admirável mundo novo da vida adulta é, de certa forma, ainda desconhecido por mim. Será que eu terei talento e força suficientes para sustentar esta condição? Sinto-me distante da maioria dos adultos. Da seriedade deles e do modo tão responsável com que eles encaram a vida. Parece que a maioria deles já não têm mais sonhos e abdicam das emoções sinceras e preenchem o vazio priorizando sempre a não incomodação. A responsabilidade seria isto? Não se incomodar? Deixar de viver o íntimo para ter uma confortável poltrona na frente da TV e ir a churrascarias no final de semana? Em contrapartida, sinto-me distante também dos adolescentes. Sou do tipo que acha um absurdo manifestações de diversão incessante, sem que haja uma responsabilidade nestas relações.
Estranho. Eu acho um saco a responsabilidade dos adultos e lamento a irresponsabilidade dos adolescentes. Um meio termo perigoso, que me deixa, volta e meia, tentado a ser o irresponsável, mas com medo de uma possível estagnação adulta, que pelo menos existe na minha cabeça.
É hora de construir e sossegar, talvez. Menos incomodação, mais tranqüilidade. Seria menos emoção? Talvez mais normalidade. Há uma citação de um filme, que diz que “a verdadeira revolução é a normalidade”. Concordei. Acho que preciso revolucionar. De verdade. Sabe-se lá como.
Por enquanto, eu fico com uma passagem desse filme, que é GENIAL.
É por isso que sempre PROCURAMOS problemas. Para consertarmos a nós mesmos. A gente procura uma solução mágica para nos sentirmos melhor, mas a gente nunca sabe o que estamos fazendo. É isso o que os humanos fazem. Adivinha. Tenta. Espera. Mas faça o seguinte: não se engane achando que você achou esta resposta. É besteira. O TRUQUE DA VIDA É VIVER SEM TENTAR ACHAR UMA RESPOSTA. Eu acho.
Melhor assim.
humm… entendo o “drama”: nem dois pra lá, nem dois pra lá. Um pé de cada lado, um pedaço em cada mundo. Aí fica a questão: afinal onde eu estou realmente? Fico me perguntando muitas vezes se já não está na hora de eu tomar jeito e assumir de vez o mundo “dos adultos”. Mas a perspectiva me parece tão frustrante. Por outro lado, também não sou adolescente há tempos, acho vazia a irresponsabilidade e a pseudorebeldia que eles pintam por aí.
Questões
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No aswers…
Mas, e daí?
bjs
Comment by Nessita! — July 12, 2006 @ 1:54 pm