Verborragia sem concessões

August 23, 2006

SÓ CONHECIA CODINOME BEIJA-FLOR

Filed under: comportamento, música - Carlos @ 1:54 am

Aí, passou a propaganda com os indicados ao VMB. Quando eu pesquisei todos os indicados, percebi que somente eu conhecia CODINOME BEIJA-FLOR. Parei. Tá, aquela do Rappa eu sei qual é também. O resto, nada.

Fui na MTV GRINGA. A Madonna ainda tá lá e o bom clipe de Dani California do Red Hot Chili Peppers também. Mas eles disputam lugar com PANIC! AT THE DISCO e FALL OUT BOY. Baixei. As duas. É emo.

Quando eu comecei a me familiarizar com o termo “emo” foi lá por 99. Emocore era, na verdade, um rótulo encontrado para designar a mistura do hardcore melódico, que vem lá do skate punk dos anos 80, com a chamada emoção. Letras sentimentalóides, que pregam o amor acima de tudo, tocadas com a velocidade da nossa juventude - uh. Algumas bandas levaram essa marca, dentre elas a excelente Sunny Day Real Estate, além de outras como The Get Up Kids e Jimmy Eat World. Eu gostava, mas tá, eu era jovem.

Hoje, o hit é o tal do Simple Plan, que é uma merda. Aí vem em segundo plano uma chamada My Chemical Romance. Sugestivo nome pros emos.

Foi o que bastou para uma pesquisa no msn com pessoas que ainda têm algum contato com JOVENS. Eu não tenho mais. Eu já estou na casa dos vinte e muitos e já mandei pra longe algumas questões a respeito de música e vestuário. Eu minimizo meu modo de vestir e escuto Neil Young. E nem vou no Bell’s. Eu nem sei onde eles vão, mas já estou na fase de preferir algum lugar trintão fechado, com música ambiente, DVD do U2 no telão, essas coisas.

Dentro da pesquisa realizada, percebi que as características de um jovem EMO são as seguintes: maquiagem no rosto, unhas pintadas, franjão caído sobre o olho, all star, calças jeans pretas justíssimas, cinturão, MUNHEQUEIRAS (fato importante) e piercings por toda parte. Sobre as características emocionais, parecem que eles levam o EMO a sério: são emotivos, oras. Não é raro ver trocas de carícias em público entre os seus adeptos.

Pra dar um panorama melhor do que é um emo, recorri MESMO à minha amiga Marina Jaskulski. Ela mandou ver na definição. Abaixo, a cola da conversa com ela no msn:

Carlos diz:
como se configura um EMO?
marina diz:
piercings no rosto
Carlos diz:
hmm
marina diz:
visual meio dark/gótico
marina diz:
MUNHEQUEIRAS
Carlos diz:
vou escrever sobre isso
marina diz:
franja na cara
marina diz:
unhas pintadas de preto
Carlos diz:
hahahahaha
marina diz:
andam de mãos dadas
marina diz:
gurias ficam entre si
marina diz:
usam all star
marina diz:
pintam os cabelos
marina diz:
gostam de my chemical romance
Carlos diz:
cara
marina diz:
e simple plan
Carlos diz:
eu fiquei esse tempo vendo aqui
Carlos diz:
existem coisas como:
Carlos diz:
PANIC AT THE DISCO
Carlos diz:
FALL OUT BOY
Carlos diz:
AFI
Carlos diz:
prefiro a NEGRA LI
marina diz:
prefiro SANDRA SÁ
Carlos diz:
OPA
Carlos diz:
antes dela apelar para a numerologia e meter um “DE”
marina diz:
outra coisa q configura um emo
marina diz:
nascido depois de 88
Carlos diz:
eaheaheaheaheahaehaehaehaehae
marina diz:
tu nao pode ser velho e ser emo

marina diz:
cara
marina diz:
apareceu uma materia sobre EMO no DOMINGO LEGAL
marina diz:
semana passada
marina diz:
eu me mijava rindo
marina diz:
o RODOLFO
marina diz:
se VESTIU de emo
marina diz:
e foi às ruas
marina diz:
e um cara foi bater nele
marina diz:
foi ridiculo demais
Carlos diz:
hAEheaehaheahaehaehaehaeehaaeheaheah
marina diz:
emo é a grande moda nacional
marina diz:
tinha q ver o gugu falando sobre os emos
marina diz:
ah
marina diz:
maquiagem no olho
marina diz:
choram por qualquer coisa
Carlos diz:
simple plan eh o hit
marina diz:
bah
marina diz:
emos: possuem meias listradas
Carlos diz:
o q é uma mina emo?
marina diz:
visual avil lavigne
Carlos diz:
eu NUNCA VI
eles tão por tudo
marina diz:
dá uma olhada em saída de cursinho
marina diz:
SÓ DÁ ELES
no domingo legal
marina diz:
tinha uma familia q apoiava a filha ser emo
marina diz:
e uma familia q nao apoiava
Carlos diz:
aeheahaehaeheahea
marina diz:
a da familia q apoiava, foi a vó q falou a favor da neta
marina diz:
e a neta: CHOROU
marina diz:
provando q eh emo
Carlos diz:
ejaaejaejaejaejaejaejaejae
Carlos diz:
onde EMOS compram roupas?
marina diz:
depende
marina diz:
cEa e renner tá cheio de roupa pra emo
marina diz:
nao se ligam mto em marcas
marina diz:
e sim no visual mesmo

E por aqui acaba a aula emo.
O trecho em NEGRITO evidencia meu desconhecimento a respeito da raça.
Dizem que eles vão em massa ao Bourbon Country aos sábados. Se bobear, vou conferir.

August 22, 2006

SÍNDROME DE PETER PAN

Filed under: comportamento, relações sociais - Carlos @ 5:09 am

E então, vamos falar um pouquinho sobre intensidade. O que significa intensidade? O que é ser intenso?

Vi mais uma vez “Finding Neverland” e descobri que as crianças são intensas. Talvez não na hora de estudar, mas também não sei se é tão importante para as crianças que elas levem a sério os estudos. É bom pra questão de sobrevivência futura, quando já não se é mais tão intenso assim. Mas eu não lembro de algumas coisas quando era criança. O sofrimento infantil só se assemelha ao adulto na questão da perda. No mais, tudo muda. Por aqui, há um tédio, a cobrança, o limite, diversas regras e concessões que somos obrigados a fazer na busca por um bem comum maior. Crianças não são assim. São proibidas de brincar depois das nove, mas aí elas deitam a cabeça no travesseiro e imaginam. E voltam a brincar, e a jogar, e a encarar desafios virtuais tão gostosos e distantes dos nossos desafios diários. E, cá pra nós, bem menos dolorosos.

Crianças são intensas. A intensidade livra o tédio, rompe limites, cruza a fronteira do real com um mundo cheio de possibilidades imaginárias, que elas pensam que serão verdades absolutas quando crescerem, mas mal sabem o que espera.

Adulto intenso é conto. Adulto não é pra ser intenso, não é pra imaginar. Adulto não tem sonho, tem meta. Tem desejo, tem objetivo, tem busca por algo. Não se sabe o quê, a longo prazo, mas é aquela balela de sempre. Quando não é isso, o adulto apenas diz: viver. Viver, claro, ótimo, cara pálida. E ah, ser intenso a cada momento. Me mostra a tua intensidade então. Nah, é trova. Adulto feliz é aquele que estabelece de fato sua meta, a fim de cumprí-la o mais rápido possível. Geralmente vem uma meta por mês, e a bola de neve vem com dinheiro na conta e menos dinheiro três dias depois.

Ultimamente, confundem intensidade com porra-louquisse. Não é a melhor postura (conduta) a se exercer. Quer saber o que é um adulto feliz? O que fez as coisas certas sem derrapar na curva. O que estudou, trabalhou, já fez filhos e se estabilizou. O resto quer ser intenso, mas aí se percebe que já não é criança pra ser intenso e vira um punhado de clichês folclóricos, coleciona inimigos pelo simples prazer de se achar importante pra eles, acumula uma porrada de histórias que não levaram a lugar nenhum e acaba vendo filme de madrugada, sozinho, ou quem sabe, colocando os pés pelas mãos e perdendo pessoas importantes.

O adulto interessante é o convicto. Tipo um amigo meu. Dentista, vai casar. Ele não fez crônica alguma que não rendeu nada além de inflar um ego abalado. Ele toma café, vai trabalhar, volta pra casa e vai ter filhos. Vê a novela das oito, joga futebol com os parceiros do trabalho, vai pra praia no final de semana e retoma uma rotina de ambições, mas não obsessões. E pior, ausente de obsessões a respeito do próprio ego. É seguro. Só os anônimos são seguros.

Muita luz pode deixar a gente cego. A vontade de estar na luz já traz seus efeitos colaterais: uma ressaca filha da puta, uma pesquisa no google sobre preço de passagem aérea pra Europa e saber quando vai ser a próxima festa no Ocidente. Sai da luz, mete água nos olhos e aí tu enxerga alguma coisa. Enquanto isso, fora da luz, eles estão se divertindo como gente real. E você, intenso, está no meio dessa solidão, numa noite fria, coberto de remorso e indecisão.

E aí, tudo que eu quero é ser este sujeito, que tá indo pra Mostardas pescar no sábado, vai ser pai no ano que vem e toma iogurte pra dormir às dez da noite.

August 8, 2006

AGRADECIMENTO

Filed under: repercutindo notícia - Carlos @ 5:25 pm

Existem leitores que freqüentam este espaço. São muitos, eu vejo ali no medidor. Não sei quem são, porque pouca gente comenta. Então, não sei bem quem vai ler isso.

A vida é feita de prioridades, mas também de gestos de carinho. Aos que estabeleceram como prioridade me dar um abraço pessoalmente dia 5 de agosto, meu muito obrigado. Obrigado àqueles que me escreveram, me cumprimentaram depois, me abraçaram posteriormente. Aos que escreveram, aos que mandaram mensagem, a todos que entenderam que foi um dia especial para mim e manifestaram algum tipo de afeto. Obrigado mesmo, foi bem mais importante que meu aniversário, por exemplo. Obrigado até aos que lá foram só pra encher a cara e me parabenizaram.

A tristeza fica por conta das pessoas que tiveram preguiça de escrever somente PARABÉNS no meu scrapbook do orkut, por exemplo. É quase infantil separar quem gosta de ti por ir/não ir na formatura ou por dar parabéns/não dar parabéns. Mas é um indício.

Como eu deixo a hipocrisia tomar no cu aqui no blog, devo admitir que ultimamente não venho precisando dos meus amigos. Não significa que eu não goste deles. Somente tenho conseguido resolver meus problemas sozinho. Foram meses difíceis, de crise de relacionamento, de Copa do Mundo, que tomou muito tempo da minha vida, de finalização de monografia, que nunca é fácil. De novas amizades e de desfazer amizades que não serviam mais. Passei por tudo sozinho, basicamente. Houve algum apoio, mas nada fundamental para que tudo fosse superado. Resolvo por mim, aconteceu isso.

Então, não pedi ajuda. Deixei a prova cabal da amizade para a formatura. Algumas decepções gritantes. Não quis ser a prioridade, mas gostaria de ter sido lembrado. Não fui. Paciência. Não me serve, é ponto final. Quer saber? Não precisei, nem vou.

E aos que lembraram, mais uma vez, muito obrigado.

O MASCOTE DO PAN SE CHAMA CAUÊ

Filed under: alegria - Carlos @ 5:13 pm

Fato: todo clichê é uma verdade absoluta. É uma regra, tal como é regra ultrapassar pela direita ou comer com talher. Se a definição vira clichê, é porque já foi repetida e consagrada.

No final das contas, a originalidade é doença e o clichê dita o rumo. O sol é clichê, quero falar aqui sobre o sol. Lembro da quinta série, ou quarta, uma dessas. Colocava-se no quadro a lista das vitaminas e os alimentos que a continham. O leite tava em todas, esperto. E o sol, que não é alimento, mas é estrela, era uma das ricas fontes de vitamina D, veja só. D ou B. Acho que era D, aquela que engloba o leite, a gema de ovo, o peixe e o famoso ÓLEO DE FÍGADO DE BACALHAU, que eu nunca provei e nem vi assim pra vender, mas também era fonte. O sol evita a anemia, fortalece os ossos e dá disposição.

Aí eu fui correr e tinha sol. Impressionante a diferença. A luminosidade deste astro regente que guia os planetas de seu próprio sistema deixa qualquer um alegre. Há quem discorde, por mais que seja sim uma regra, não clichê, que o sol faz bem. Inegável. É um motivador natural. Ele insiste para que se viva, clama por saúde, sugere liberdade, incita o sorriso, contagia o ambiente, colore a paisagem, aguça os instintos.

Ouvi um termo esses tempos. Que determinadas pessoas não pertencem à “estética do verão”. Não sei se eu pertenço a tal estética. Eu sou basicamente um Perdigão, do Inter. Com mais classe, ok. E mais bonitinho um pouco. Mas é. Como ele se define: sou barrigudinho, feinho, baixinho. Bom, eu sou barrigudo, não gosto de surf, sou um desastre sambando, não gosto de ouvir música pros outros, não fumo maconha, não tenho bermuda estampada, florida, colorida, tampouco camiseta da Quicksilver ou silimares. Mas gosto da praia. Do mar, da areia, do ambiente em si, da minha casa em Atlântida Sul ou da piscina natural de Porto de Galinhas, ou do charme de Pipa, ou do constraste do Rio de Janeiro, da geografia de Florianópolis. Não bastasse, apenas os litorais de quatro estados eu não conheço: Piauí, Maranhão, Pará e Amapá. Ah, tem o capixaba também, mas o Espírito Santo é um estado que meio que inexiste. Pra mim, praia é o ambiente perfeito. Mesmo não sendo sarado e tendo a barriguinha do Perdigão. Com mais postura, tá.

Não concebo o fato de alguém ser feliz tendo, por exemplo, horário virado. Dormir de dia e gastar a noite. A noite tem uma tentação inegável, mas dias ensolarados são como uma injeção de astral.

É bem simples: é um astro. Que me deixou com esse humor meio babaca. E me sentindo saudável depois de um abuso alcoólico-gastronômico no final de semana.

A meta é o sol. Tem dias de chuva, mas esses passam.

August 3, 2006

A PARK AVENUE FICA NO LARGO DA EPATUR

Filed under: comportamento - Carlos @ 7:14 pm

Tem que ter envergadura pra se achar Cinderella. Não basta chegar, colocar o sapatinho de cristal e sair no pinote numa carruagem de abóbora. Desconfie de mudanças súbitas nas pessoas. Não confie em quem tente contrariar a própria essência.

É complicado evitar um deslumbramento natural quando se tem pela frente o que eu chamo de Admirável Mundo Novo. Na verdade, todo jovem passa pelo complexo de rejeição tipicamente high school americana, exceto quando se é popular. Mas aí é considerado burro pelos outros e a vingança do grupinho fodão é quando se descobre que o seu algoz do segundo ano tá entregando pizza, ou algo assim.

Entretanto, no fundo, o CDF bem sucedido de hoje em dia ainda quer ser o Aílton da final do Brasileiro de 96 e gritar para os que pegavam todas no colégio: “Eu sou foda. Batam palmas pra mim agora, porra”. É uma questão de honra mostrar para os outros que você, de alguma forma, e de acordo com os valores deles, venceu na vida.

Aí, é legal observar quando que a vingança se MATERIALIZA. O exemplo X, motivo deste texto, é o “case” (pra usar uma palavra jornalística corriqueira em blogs, e que eu acho palha, nojenta e pretensiosa) da questão. Pessoa sai do interior, cidade pequena, carregando um punhado de síndromes. Interior é foda. Além da questão existente da popularidade, eles valorizam coisas absurdas como sobrenome, dinastia, função, genealogia, berço, sangue. Somatiza as situações e se tem alguém relativamente traumatizado.

Talento pra escrita, algum senso de esperteza, meia dúzia de autores latino-americanos na cabeceira, parte pra Cidade Baixa e tem o impacto. A SÍNDROME DO INTERIOR vira SÍNDROME DO RETIRANTE. Vai pro jornalismo e o Admirável Mundo Novo te escancara as pernas. Você conhece nomes. Nomes bem mais interessantes, que não possuem o sangue necessário para ser reconhecido na sua cidade. Mas veja só, ele também leu Saramago, Cortázar, recita Neruda. Pessoas com uma visão pouco original das coisas, o que é normal na Cidade Baixa principalmente. Um punhado de referências HABITUAIS e já vem o encanto junto. Tsc, tsc, tsc. Não é assim não. Mas tá, te dou um desconto, você veio de um buraco no meio do mato e não conhece muito bem como as coisas são de verdade.

Aí, resulta na perda da essência. Você era boa, mas, putz, como resistir à tanta tentação. Aí se torna basicamente um personagem de novela interpretado pelo TUCA ANDRADA: aquele que se vende por pouco, o rasteiro, o mau caráter de pouco talento. Não é um Vito Corleone, tampouco um Michael. É o Tuca Andrada, ou o Taumaturgo Ferreira, volta e meia beirando o Oscar Magrini. Pinta o cabelo de vermelho, mete umas fotos posadas e conhecem, ah, conhecem alguém interessante, certo? Aquele como você. Tão outrora perdedor, aparentemente um gênio, mas que não tem o vital, o plus: um sarcasmo, uma pungência, uma intensidade. Comum, mas que por essas bandas, oh, é O CARA. Faltou exigência, eu sei, mas como pedir exigência pra alguém com horizonte tão próximo.

Tá, não vamos culpar, afinal, é ingenuidade apenas. A ingenuidade que fode, como diria um amigo meu. “Foi por bem que eu fiz”, te fode com boa intenção. Como o teu trauma é de ter sido rejeitada, provavelmente a amiga que tu ajudou com a boa intenção é a mesma que seria trocada por qualquer coisa a mais que você precisa. No momento.

Ah, não falei nas roupas e nas descobertas 12 anos feitas aos vinte e poucos: te disseram que há sensualidade nesse corpinho, então, gasta tua grana em roupas novas, deixa tudo nos trinques e seja esperta.

Afinal, tu tá no New York Times, mora na Times Square, toma capuccino na Starbucks e usa bolsa Prada.

Não? É verdade, não. Relaxa. Faz a PAUTA, prepara o passaporte pro tour londrino, entra no msn e vai pro Bell’s encher a cara pra conhecer a pessoa mais interessante do mundo na última semana. Nem precisa ser original: ele vai pensar como você. É o senso comum. É o comum.

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