Verborragia sem concessões

August 3, 2006

A PARK AVENUE FICA NO LARGO DA EPATUR

Filed under: comportamento - Carlos @ 7:14 pm

Tem que ter envergadura pra se achar Cinderella. Não basta chegar, colocar o sapatinho de cristal e sair no pinote numa carruagem de abóbora. Desconfie de mudanças súbitas nas pessoas. Não confie em quem tente contrariar a própria essência.

É complicado evitar um deslumbramento natural quando se tem pela frente o que eu chamo de Admirável Mundo Novo. Na verdade, todo jovem passa pelo complexo de rejeição tipicamente high school americana, exceto quando se é popular. Mas aí é considerado burro pelos outros e a vingança do grupinho fodão é quando se descobre que o seu algoz do segundo ano tá entregando pizza, ou algo assim.

Entretanto, no fundo, o CDF bem sucedido de hoje em dia ainda quer ser o Aílton da final do Brasileiro de 96 e gritar para os que pegavam todas no colégio: “Eu sou foda. Batam palmas pra mim agora, porra”. É uma questão de honra mostrar para os outros que você, de alguma forma, e de acordo com os valores deles, venceu na vida.

Aí, é legal observar quando que a vingança se MATERIALIZA. O exemplo X, motivo deste texto, é o “case” (pra usar uma palavra jornalística corriqueira em blogs, e que eu acho palha, nojenta e pretensiosa) da questão. Pessoa sai do interior, cidade pequena, carregando um punhado de síndromes. Interior é foda. Além da questão existente da popularidade, eles valorizam coisas absurdas como sobrenome, dinastia, função, genealogia, berço, sangue. Somatiza as situações e se tem alguém relativamente traumatizado.

Talento pra escrita, algum senso de esperteza, meia dúzia de autores latino-americanos na cabeceira, parte pra Cidade Baixa e tem o impacto. A SÍNDROME DO INTERIOR vira SÍNDROME DO RETIRANTE. Vai pro jornalismo e o Admirável Mundo Novo te escancara as pernas. Você conhece nomes. Nomes bem mais interessantes, que não possuem o sangue necessário para ser reconhecido na sua cidade. Mas veja só, ele também leu Saramago, Cortázar, recita Neruda. Pessoas com uma visão pouco original das coisas, o que é normal na Cidade Baixa principalmente. Um punhado de referências HABITUAIS e já vem o encanto junto. Tsc, tsc, tsc. Não é assim não. Mas tá, te dou um desconto, você veio de um buraco no meio do mato e não conhece muito bem como as coisas são de verdade.

Aí, resulta na perda da essência. Você era boa, mas, putz, como resistir à tanta tentação. Aí se torna basicamente um personagem de novela interpretado pelo TUCA ANDRADA: aquele que se vende por pouco, o rasteiro, o mau caráter de pouco talento. Não é um Vito Corleone, tampouco um Michael. É o Tuca Andrada, ou o Taumaturgo Ferreira, volta e meia beirando o Oscar Magrini. Pinta o cabelo de vermelho, mete umas fotos posadas e conhecem, ah, conhecem alguém interessante, certo? Aquele como você. Tão outrora perdedor, aparentemente um gênio, mas que não tem o vital, o plus: um sarcasmo, uma pungência, uma intensidade. Comum, mas que por essas bandas, oh, é O CARA. Faltou exigência, eu sei, mas como pedir exigência pra alguém com horizonte tão próximo.

Tá, não vamos culpar, afinal, é ingenuidade apenas. A ingenuidade que fode, como diria um amigo meu. “Foi por bem que eu fiz”, te fode com boa intenção. Como o teu trauma é de ter sido rejeitada, provavelmente a amiga que tu ajudou com a boa intenção é a mesma que seria trocada por qualquer coisa a mais que você precisa. No momento.

Ah, não falei nas roupas e nas descobertas 12 anos feitas aos vinte e poucos: te disseram que há sensualidade nesse corpinho, então, gasta tua grana em roupas novas, deixa tudo nos trinques e seja esperta.

Afinal, tu tá no New York Times, mora na Times Square, toma capuccino na Starbucks e usa bolsa Prada.

Não? É verdade, não. Relaxa. Faz a PAUTA, prepara o passaporte pro tour londrino, entra no msn e vai pro Bell’s encher a cara pra conhecer a pessoa mais interessante do mundo na última semana. Nem precisa ser original: ele vai pensar como você. É o senso comum. É o comum.

10 Comments »

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  1. Bom texto e imagens Guimaraens.

    Comment by Carol Andreis — August 4, 2006 @ 2:21 am

  2. Mais um dos textos descabidos e sem fundamentos do teu currículo. Mais um exemplo do teu senso comum, da arrogância extrema por trás da qual tu te esconde. Já conversei mil vezes contigo sobre as “meninas do interior” que tu insiste em detonar. Já te dei tanto argumento… 10% deles já servem para acabar com todas as frases de efeito que tu usa. Mas tu insiste, insiste. Acho que o pior disso tudo é a motivação do teu post. Eu sei o que é. Tu sabe o que é. Como sempre, tu acha que sabe tudo, que CONHECE pessoas. Mas eu te garanto, Carlos: ainda te falta muita estrada.

    Comment by Priscila Caramello — August 4, 2006 @ 3:50 am

  3. Cara, cansei de tentar acabar meu comentário nesse Blogsome de merda. Tenho MUITO MAIS a falar mas não tão deixando.

    Comment by Priscila — August 4, 2006 @ 4:24 am

  4. Saramago não é latino-americano.

    Comment by Priscila — August 4, 2006 @ 4:37 am

  5. Nem sempre as pessoas nascem no lugar que gostariam, vivem onde gostariam. Eventualmente, podem se mudar sem querer, ou por querer, para um lugar em que se sintam mais à vontade.

    Comment by Priscila — August 4, 2006 @ 4:42 am

  6. Eu sou uma dessas pessoas. Nasci em Caxias do Sul, INTERIOR, vivi lá até meus 18 anos. Me sentia mal, mas não sabia pq. Quando eu vim pra Porto Alegre, entendi muito do meu mal-estar. Conheci pessoas interessantes, lugares interessantes, vivi experiências interessantes. Mas não é por isso que Porto Alegre é Nova York pra mim. Tenho aspirações. O que tu quer? Que as pessoas aceitem simplesmente o que a vida lhes deu? Não podem almejar mais?!?

    Comment by Priscila — August 4, 2006 @ 4:46 am

  7. Outra coisa: tu se contenta demais com a visão GENERALISTA que tu tem das coisas. Eu sei, depois de dois anos, que tu vai agregando diversas opiniões, informações, estatísticas ao longo do caminho, sem realmente se aprofundar no assunto. Daí saem esses textos de vez em quando. Quase sempre inspirados por uma DOR DE COTOVELO, pela raiva por alguém que te prejudicou de alguma forma, mesmo que TU esteja COMPLETAMENTE errado. EU SEI que a pessoa que tu buscou atingir NÃO É assim como tu pintou. Quem realmente conhece o teu “case” sabe que o que tu escreveu está EQUIVOCADO.

    Comment by Priscila — August 4, 2006 @ 4:51 am

  8. Tu criticou a pessoa por ela mudar o jeito de se vestir? Carlos, uma hora a gente acaba mudando. Mas essa palavra não existe no teu vocabulário, né?! Já ouvi isso da tua boca, tu não muda. Se ela sofre de “síndrome de menina do interior”, tu sofre de SÍNDROME DE ROB FLEMMING. E te acha o máximo por isso, né? Tudo pelo efeito e a PAVONICE, né? Tô acostumada. Quando tu NÃO cai na tentação de dar LIÇÃO DE MORAL, arrasa. Carlos, ninguém está em posição de dar lição de moral, na boa. Tu mesmo se deslumbra com facilidade. Sempre comento os teus posts SÓ PRA TI, ao vivo, por telefone ou MSN. Mas dessa vez decidi comentar aqui. Pq acho um absurdo tu ficar atacando as pessoas GRATUITAMENTE.

    Comment by Priscila — August 4, 2006 @ 4:57 am

  9. Ainda vendo as pessoas babando ovo…
    Enfim… não quero ofender, mas tu já ouviu isso diversas vezes de mim, né?!?
    É pra ser construtivo. Bjo.

    Comment by Priscila — August 4, 2006 @ 4:59 am

  10. Eu ia responder.
    Mas resolvi ir ali fumar crack trajando gala, pele e salto fino.

    sem mais,

    Comment by Carol Andreis — August 4, 2006 @ 6:15 pm

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