Verborragia sem concessões

October 27, 2006

NÃO PERCA A 60B. MAS PODE OLHAR PARA O CÉU.

Filed under: amor(?), cinema, alegria - Carlos @ 5:39 am

Eu não olho pro céu em Porto Alegre. Eu pego o carro, trabalho e volto. Saio de noite, com amigos. Mas às vezes, só às vezes, eu saio a pé. Eu desço a Protásio e vou até a Redenção. Aí eu olho pro céu, pra todos aqueles desenhos de nuvens que a gente enxerga quando é criança. E, de certa forma, eu renasço. Eu me fortaleço, abro um sorriso no rosto e vejo três jovens tocando violão sentados e tomando chimarrão. Um cachorro bonito e duas senhoras caminhando. Um guri de 9 anos tentando imitar o Ronaldinho Gaúcho. Dois namorados andando de pedalinho. Ou dois executivos engravatados também parando, só um pouquinho, para tomar um chope, enquanto descarregam suas pastas em cima da mesa. É quando meu sorriso fica maior ainda e eu aumento o volume do meu ipod e coloco numa música que vai me lembrar aquilo para o resto da vida. E eu olho para o céu e tudo volta a fazer sentido.

Os tempos são difíceis, eu sei. Mas aí eu pego o carro e vejo o Rio. Ou eu caminho no centro de Porto Alegre, até o Guaíba, e me sento numa mesa que eu nunca sentei antes. Deito no meio da Praça da Matriz, desço o viaduto da Borges e chego até o Rio. Conto histórias. Ouço uma música. Vejo as pessoas caminhando, tomo uma água. O sol bate no rosto, anunciando que é tão simples ser agradável ou feliz. E se amanhã for difícil, a gente inventa, ah, a gente inventa.

Pego o carro e vou pra praia sozinho. Vejo aquele bar em Capão da Canoa. Vejo aquele vendedor de quinquilharias, no mesmo lugar, com a barraquinha do lado daquele mesmo crepe que eu comi uma vez. Vejo minha casa em Atlântida Sul, o centro comercial, algumas casas que eu freqüentei, uns lugares onde bebi, umas pessoas que eu conhecia. Chego no mar, olho para o céu. O mar tá revolto, e o vento te enche de areia. A areia não suja, te deixa vivo, absolutamente seguro de que ali é o teu lugar.

De vez em quando eu tenho saudades. Aí eu pego uma foto ou lembro de uma data. Ou escuto uma música e sei exatamente onde eu estava quando aquela música estava tocando. Lembro do que aconteceu e eu fico bem mais uma vez. Eu escuto aquela música e, de alguma forma, bate um conforto imenso que me acolhe maravilhosamente. Eu fico bem. Não eufórico, nem melancólico. Apenas bem. Só com a lembrança. E aí, repentinamente, a memória de um sonho bom, de um dia perfeito, de uma música espetacular, de uma história contada, tudo isso, vira um outro momento. Pronto. E mais uma vez olho para o céu.

Às vezes os dias são cansativos. Aí eu saio, pego o carro, uma cerveja e basta. Eu, minha música, uns goles e uma noite onde cada personagem que está nela vai ter uma trajetória completamente diferente da tua. Olhando na rua, aquele cara pode conhecer a mulher da vida dele. Aquela menina vai beijar alguém que nunca será dela. Os namorados vão brigar. Os pedintes vão continuar pedindo. A guria vai tomar um trago inesquecível. Aquele sujeito vai vivenciar o melhor aniversário da vida dele. Eles estão se casando. É o primeiro encontro deles. Ou talvez esta noite, para muitos, seja mais uma noite, não mais do que uma data que nunca será lembrada. Mas eu lembro das minhas noites, das minhas datas, e depois de um dia ruim, eu volto a olhar para o céu e eu noto a lua. E estrelas. Ou até nuvens. Mas eu fico bem, mais uma vez.

Dizem que eu faço minha vida parecer um filme. É a mais pura verdade. Esta é a minha bengala. Não preciso de terapia. Pra mim, basta uns litros de gasolina, uns cigarros, um pouco de movimento, talvez uma cerveja e uma paisagem. Tudo fica bem. A vida é muito curta, às vezes é preciso parar e dar uma olhada no que tá rolando. Um auto-encontro. Eu, eu mesmo, um sol, com planetas independentes girando ao meu redor e fazendo coisas independente de mim.

É como na viagem de Elizabethtown. Ele, a música e as lembranças. E bons lugares. Bastou para ele, sozinho, ter os melhores minutos de sua vida. Mesmo que lá fora, nos planetas, as coisas não estavam tão bem assim. É como um retorno pra casa, como em Garden State. Vendo tudo de um pedestal, de um ponto máximo, como espectador de vidas que fizeram parte de seu crescimento. Mas, mais do que nada, voltando-se para si, somente ele, mais ninguém. É como um road movie, sem sair muito do lugar. Sair fora, voar, sentir-se livre e nesse momento, imaginar tudo o que de real aconteceu. E se sentir real, mesmo parecendo solitário. Uma auto-análise que te coloca em diversas estradas, para você seguir o rumo que desejar. Uma é a certa. Do not miss the 60B.

Eu acho que o verdadeiro amor próprio se encontra quando estamos sozinhos. Descobri que eu me suporto muito bem. Eu gosto de mim, de todas as minhas neuras, das minhas manias e do que eu sou. Do meu conhecimento e das minhas lembranças. Do meu folclore, como quer que definam, do meu jeito às vezes insuportável e das minhas críticas a todos. Aprendi isso olhando para o céu. Aprendi isso lembrando das coisas. Aprendi isso sozinho. Aprendi me encontrando, nesses caminhos, ouvindo esses discos, conversado com essas pessoas.

Amanhã é outro dia, tem tanta coisa pra fazer. Mas os dias acabam, têm só 24 horas. E se não for pedir demais, mate-me em dezembro, porque semana que vem eu tenho compromisso. Marquei um encontro. Não é com os Beastie Boys, nem com meus amigos. Marquei um encontro comigo. Por um tempo, comigo.

Simples assim. Este é o medidor da felicidade. Se você se pegar, na rua, do nada, olhando para o céu, acredite meu amigo: você é feliz. É pouco, não? Uma grana, uma bonita vista e um punhado de lembranças, que até fazem você acreditar naquele velho compositor baiano que dizia que tudo é divino, tudo é maravilhoso. Talvez seja. Talvez seja assim mesmo. Como nos filmes. Não é quando eu recebo multa, quando o computador estraga, quando o SERASA me descobre, quando eu não fecho a pauta, quando sou cobrado, quando falta dinheiro, quando eu brigo com amigos, quando eu durmo pouco, quando o cabelo precisa ser cortado, as unhas aparadas, quando chove, tem trânsito, tem assalto, quando eu espirro. Mas nesses momentos todos, em todos, todos eles, é um filme.

Esse é o meu filme. Uma série de acontecimentos curtos ao longo de uma vida absolutamente normal. E, acreditem, eu gosto desse filme. E eu faço ele do meu jeito. Um grande filme, com inúmeros coadjuvantes, alguns atores secundários e outros principais.

Mas a estrela máxima, nesse filme, sou eu. Desta vez, olhando para o céu. E me lembrando de tudo, tudinho. E abrindo um sorrisão, aquele, de orelha a orelha, com os olhos brilhando e anunciando, pra mim mesmo, que eu tô é bem demais.

O texto acima tem referências a diversos filmes e músicas que, de alguma forma, fizeram e fazem sentido pra mim.

Trilha do post:
Ryan Adams - Come pick me up
Belchior - Apenas um rapaz latino americano
The Shins - New slang
Imogen Heap - Hide and seek
Wilco - Sunken treasure
Jeff Buckley - Lover, you should’ve come over
Snow Patrol - Chocolate
Weezer - Island in the sun
Elton John - Tiny Dancer
Lisa Loeb and Nine Stories - Stay
Cary Brothers - Ride
Damien Rice - The Blower’s Daughter
Aimee Mann - Today’s the day
U2 - Stay (Far away, so close)
Pulp - Like a Friend
Smashing Pumpkins - Thirty Tree
Neil Young - Keep On Rockin In the Free World

October 22, 2006

SE É PRA SER ASSIM, FICO ENTRE A PADRE CHAGAS OU O XIS TARECO

Filed under: comportamento - Carlos @ 7:38 am

Só tinha ido no Beco uma vez, numa formatura. Fui pela segunda vez e particularmente achei uma merda. Sim, uma grande bosta.

Não foi o estranhamento não. Para um freqüentador do Garagem Hermética no período 1997-2002, nenhum inferninho pós moderno poderia provocar choque. Ou então quem já esteve nos mais profundos BURACOS da cidade, considerando algumas poeiras fodidas, como o Sabrina’s Drinks, o falecido JACARÉ, no Sarandi (onde a GRASPA custava vinte centavos) e o Xis Tareco certamente acha uma agüinha com açúcar algumas coisas.

Entretanto, estou fora do circuito. De fato, a noite não é mais a minha. Não saio há algum tempo e me sinto um peixe fora d’água em alguns lugares. Eram outros tempos, eu cresci, criei barriga, fiquei velho, um pouco amargo e sem qualquer ritmo de jogo que possa acompanhar um bando de indies emergentes anfetaminados.

Restou pra mim analisar. Já falei, sou crítico profissional. E a noite do Beco foi um prato cheio pra análises dessa parte. E aqui vamos traçar um perfil do que é ser pós moderno no paralelo trinta em 2006. É fácil, bem fácil.

1) Os pós modernos pregam a (neologismo) dessexualização. Ninguém tem sexo definido e são todos assexuados e supersexuados. Em um futuro imaginado por eles, os PÓS/POST, tudo se funde em uma androginia divina, maravilhosa, em que o homem pode e DEVE ser afeminado e a mulher pode e TEM OBRIGAÇÃO de tomar as rédeas. Quanto mais mulher o homem, mais sexy ele será.

2) Pós moderno gosta de música ruim. Uma mescla de eletrônica sem melodia com essas bandinhas novas de baixo reto, guitarra repetida e voz sufocada. Qualquer coisa antes de 2001 soa como velha e obsoleta, mesmo que essas bandas chupem até as bolas de coisas geniais, como The Stooges, por exemplo. O que vale é o novo, numa estética comprada, pré-fabricada, nojenta.

3) O pós moderno só sabe conversar sobre internet. E usa termos de internet como se fosse o pão francês da esquina ou o trânsito ou o tempo. Eles só falam sobre isso. Como a maioria passa a maior tempo em casa, permeia suas relações sociais através do msn. O monitor é a bola de futebol do moleque das antigas.

4) O pós moderno se diz aberto, mas condenaria profundamente qualquer playboy que lá fosse com camisa abotoada até o pescoço, cabelinho com gel até as fuças e sapato combinando com o cinto. Ou então, eles são mais sutis: quanto mais esquisito e mais “PÓS”, melhor. Ah, eles não gostam de gordos, desaprovam a normalidade visual e fazem questão em reparar nisso o tempo todo.

5) O pós moderno é visual. Ele não consegue estabelecer um diálogo sincero, simples e simpático. Ele olha mais do que faz. Olha, repara e desaprova. Ou aprova.

6) O pós moderno é o tipo de pessoa que escolhe a amizade pelo que a pessoa REPRESENTA e não pelo que a pessoa é. É legal ter amigo viado? O pós moderno vai fazer questão em ser amigo do viado muito mais do que de outro. É legal ter amiga sapata? Ah, nem brinca, já é minha parceira.

7) O pós moderno macho precisa parecer viado. Ele não gosta de homem, mas quer que todo mundo pense isso porque, afinal, a pós moderna fêmea tem queda por quem parece viado. Androginia, babe, tempos modernos. Quanto mais houver a negação do próprio gênero, melhor.

8) O pós moderno é como o novo rico. Enquanto mija em banheiro com merda na porta, sai dele arrotando que sabe falar francês, que baixou a discografia completa do Arctic Monkeys e que hospedou um vídeo no youtube. Enquanto se vangloria de todos esses feitos patrocinados pela família, a bunda tá toda assada de sentar numa patente fudida e mal ter se limpado com o papel.

9) O pós moderno é um hipocondríaco por estilo. Adoriaria ter as seguintes doenças: miopia, pra comprar um óculos de aro grosso e ter estilo; anorexia, pra ficar seco, e magrelos são hype, na língua deles; vitiligo ou albinismo, pra ficar branco o ano todo e não poder ver o sol; e claro, não poderia faltar, a número um: DEPRESSÃO. Afinal, pós moderno que se preze toma fluoxetina como se fosse água.

10) Por fim, pós moderno que se preze tem que ter uma verve de profeta. Alguns já estão aderindo à moda de usar o cabelo estilo Chitãozinho e Xororó anos 2010, antecipando uma tendência. Além das camisetas ultracurtas, das calças justíssimas e de munhequeiras sem sentido, ainda há as pós modernas, que, DE FORMA ALGUMA, deixam seu cabelo comprido e escorrido, ou com franja. Por mais lindas que as mulheres fiquem desse jeito (na minha opinião), elas picotam o cabelo de um jeito amador e tiram toda a sensualidade existente em um lindo cabelo longo. É a androginia mais uma vez, quando mulheres ficam mais “homenzinhos”.

Enfim, o pós moderno nada mais é do que um indie emergente. Como, repito, já estou nessa palhaçada há algum tempo, eu mais acho graça do que levo a sério. Os dez itens são obrigatórios para os novatos se enquadrarem no “admirável novo mundo indie” da CENA.

Talvez eu seja mal humorado e chato. Talvez se estivesse com um grupo grande de amigos, acharia bem diferente. Mas não foi assim e eu, claro, até gostei da minha análise. Alguns vão se irritar, não vão gostar e vão criticar.

Pra fechar a noite com chave de ouro, recorri ao antídoto pra tudo isso: ouvi na seqüência dez sambas-enredo históricos e percebi que gosto de carnaval. Até me deu saudade do Ibiza. Antigamente, eu chegava em casa e soltava um MINISTRY pra refrigerar os ouvidos.

Melhor parar por aqui. Eu realmente estou ficando velho.

October 18, 2006

MEDO É SE ELES QUISEREM MUDAR O MUNDO

Filed under: comportamento - Carlos @ 7:43 pm

Um dos jornalistas mais brilhantes que eu conheço faz severas críticas à geração que contrariava a ditadura, nos anos 70. Principalmente aos que praticavam a guerrilha armada. Ele acredita que o idealismo dessa gente veio, principalmente, pela falta de informação. Os esquerdistas da época realmente achavam que era possível derrotar os militares praticando pequenos atentados contra o governo. Muitos pensam que isso derrubou o regime, mas a verdade é que os anos de chumbo no Brasil terminaram muito mais por uma tendência natural das coisas e a evolução do quadro político mundial. Fosse o contrário, até agora haveria gente nos porões, e o povo ainda saindo às ruas exigindo direitos e liberdade. Quem está no poder é muito mais forte do que um bando de valentes com armas. Os que são atribuídos a decidir sempre vencem, a história não me deixa mentir. A ditadura caiu por um simples envelhecimento do sistema. Ou caía, ou o país morria.

O mesmo jornalista crê que a geração que pode mudar o mundo é a atual. A geração da informação. Eu não acho que essa geração tenha como vontade prioritária mudar o mundo, mas há alguns fatos que alteraram profundamente o modo de pensar do globo.

Os 70 eram do contra, os 80 eram da cobiça e os 90 eram da novidade. Os anos 2000 já assimilaram esta novidade e com ela estamos aprendendo a lidar. Pelo excesso de informação, se nota um quadro bastante interessante nos jovens de hoje: eles formam a geração da COMUNICAÇÃO, mesmo que virtual.

Isso nos remete muito mais aos anos 70 do que aos 80. Nos 80, o barato era o individualismo. Nos 70, os hippies, os guetos, os punks, depois os discotecários formavam trupes que se multiplicavam em estilos, tendências e pensamentos. Hoje, não tem muito disso, mas voltamos a formar guetos. Talvez seja a era do msn.

Basta pensar: algum jovem que detém um computador consegue ficar um dia sequer sem se COMUNICAR? Sem ligar o msn e falar com quem quer que seja? Eu tenho várias críticas a este estilo de vida. No entanto, há de se ressaltar um dado positivo: estamos exercitando nosso poder de comunicar, compartilhando informações, necessidades e desejos.

É um fortalecimento absolutamente natural do nosso próprio conhecimento. Nos anos 80, o mais inteligente era o nerd, que não tinha sucesso com as mulheres, recluso, tímido. Hoje, o mais inteligente é, por si só, o menos tímido. Mesmo usando uma ferramenta de camuflagem, como é o computador, ele consegue despertar interesse em quem ele quiser. O flerte se dá pelo poder de persuasão, sempre foi assim, e o computador torna lindo, através de conhecimento, capacidade de raciocínio e informação, qualquer coisa parecida com nerd. Aliás, nerds, hoje em dia, são considerados sensuais, quem diria. Invertemos os valores.

O flerte se dá por e-mail. Antigamente, tinha que ter um approach pessoal, barrando e bloqueando qualquer cidadão com neurônios, mas que usava um óculos fundo de garrafa. O que atrai é sensibilidade e comunicação.

Claro que não houve uma ruptura brutal nisso tudo ainda. É gradativo. Porém, tenho certeza que isso vai acontecer. A informação está aí, e os jovens estão mudando cada vez mais rápido. Estão aprendendo a falar melhor, a se expressar mais rapidamente e a conhecer mais as coisas.

Acho que esta é a principal função da internet. Talvez ela seja um veículo que consiga escancarar a essência. E, por mais paradoxal que seja, mesmo protegidos pelo monitor, ela consiga tirar a máscara das pessoas. No duro, no mano a mano, sem disfarce, a gente diferencia os que têm e os que não têm conteúdo.

E isso nos apresneta, no terceiro milênio, a um novo estilo de gente: os interessantes. Antigamente, era mais simples. Os inteligentes eram feios e tímidos. Os bonitos eram burros, mas eram atléticos. Tinha aqueles que não necessariamente eram bonitos, mas tinham charme. Os charmosos. Os simpáticos. Agora, numa mescla de tudo isso, eis que surge o INTERESSANTE. Não sabemos explicar como são essas pessoas, mas elas são interessantes.

No final das contas, eles sempre foram interessantes, até mesmo os nossos “antepassados de geração”. Só que agora, a internet deu voz e informação instantânea a eles. E eles estão aproveitando.

AS DUAS MAIS SUBESTIMADAS

Filed under: música - Carlos @ 7:16 pm

Enquanto todo mundo se contorce pra The Killers, Arctic Monkeys, Kaiser Chiefs, Franz Ferdinand, Bloc Party, e por aí vai, gostaria de fazer justiça às duas bandas mais subestimadas dos anos 90: Bush e Silverchair.

Talvez porque tenham vocalistas bonitinhos e marqueteiros, porque, pelo fato de terem surgido jovens, despertaram o alvoroço nas menininhas, as duas bandas nunca tiveram um reconhecimento merecido.

O primeiro disco do Bush, Sixteen Stone, é um grande álbum. Em primeiro lugar, eles tiveram coragem. Surgidos no Reino Unido, lançaram o disco em meio à polarização patética de Oasis e Blur. Uma época, portanto, em que o caminho mais fácil, seria apelar às choradeiras e ao “why does it always rain on me, oh god” do britpop. O Bush fez um discaço de grunge, com pauleiras e hiperbaladas absolutamente fantásticas. “Glycerine”, “Comedown” e “Everything Zen” são três exemplos. Fizeram sucesso, mas porque o cara é bonitão. Poderia entrar em qualquer lista de melhores na época não fosse o estardalhaço estético que aconteceu. O segundo disco, Razorblade Suitcase, tem um quase clássico chamado Swallowed. É inferior ao primeiro, mas é um bom sucessor de carreira.

Mas o caso mais avassalador de críticas sem fundamento pertence ao Silverchair. O Silverchair era a banda do vocalista bonitinho, anoréxico e cheio de problemas. Mas o Silverchair era um power trio que foi evoluindo com o tempo. Conquistava as gurias, mas sabia fazer rock. O auge deles, pra mim, foi no terceiro disco, chamado Neon Ballroom. Custei a aprender, mas “Ana’s Song(Open Fire” e “Miss You Love” são duas belíssimas canções. Sem contar “Anthem for the year 2000″, um pouco pretensiosa, mas definitivamente sincera no que eles pretendiam dizer.

Eu acabei me rendendo ao Silverchair no Rock In Rio 3. Fizeram o melhor show da noite, lavando pra cima do Chili Peppers. E na minha opinião, foi o terceiro melhor show de todo o festival, perdendo apenas para o Neil Young (puta que pariu, esse ainda conta? Sério, deus é pra outro patamar) e do REM. Simples, empolgante, sem firulas, sem abrir a guarda pra platéia, emocionante e absurdamente impressionante. Ali, eu vi que Silverchair era uma banda decente, uma banda boa e extremamente desconsiderada.

É pra ouvir sem preconceito. Se Franz Ferdinand teve reconhecimento, Bush e Silverchair têm até, ao meu ponto de vista, mais seriedade do que essas novidades do ROCK DE INTERNET de hoje em dia. Eles são bonitos, mas aí a culpa é da natureza.

O FUTURO TÁ NO GANGSTA

Filed under: música - Carlos @ 7:01 pm

As tendências do rock são estranhas. As mais de cem ramificações do estilo não morrem, simplesmente. Elas estão aí, por vezes underground, por vezes mainstream. Mas o rock sobrevive mesmo é do choque esporádico que ocorre ao longo da história. Os estilos permanecem, evoluem, mudam, mas o choque, ah, o choque, esse precisa estar vivo. Ele precisa acontecer, arrebatar, arrebentar.

O primeiro deles foi com Elvis Presley, em 1955. Matou. Aquele cara bonitão, dançando com roupas justíssimas, causando um frenesi nas garotas, soltando um vozeirão que sobressaía à harmonia simples, de acordes idênticos, uns três ou quatro, contrapondo à idéia jazzística de improviso e estudo, e introduzindo carisma à arte blueseira do sul norte-americano. Sim, Elvis foi um choque, ganhou o posto de rei do rock and roll e trouxe na esteira uma série de semi-deuses, como Chuck Berry, Jerry Lee Lewis e Little Richard. Os negrões começaram a partir para a condução das coisas, e aí o mestre de cerimônias é James Brown, que chuta tudo pra cima e manda o soul pra mente, sem escalas. O rock começou assim: sem distinção de cor, de localização, sem preconceito: machista, curto e grosso. O que esses caras queriam era simplesmente comer mulher e dirigir carrão.

Com os Beatles, a coisa ficou um pouco mais sutil. A ingenuidade de início de carreira deu lugar a uma urgência de transgredir aquele iê-iê-iê que estava sacal. No fundo, foi o primeiro chute contra o pop. Foi dos Beatles, que sacaram que o rockabilly com fins comerciais também era descartável. Os Beatles colocaram psicodelia, tornaram-se músicos, falaram com um cara chamado Robert Zimmermann e mandaram pro mundo o segundo choque que o rock precisava: a partir dali, qualquer experimentação era válida. Os Beatles, os bonitões do rock, fizeram aqueles discos, então qualquer um poderia fazer.

A partir daí, os choques poderiam ser assimilados de uma forma mais racional. Em 1967, a profusão de gêneros inspirados pela criatividade assustadora que acontecia no mundo, veio a dilacerar o estilo e criar vertentes variadas. Vocês sabem quais são.

Mas eu ouso dizer que depois dos Beatles só vieram dois choques consideráveis: Sex Pistols (1977) e Nirvana (1991). Houve fenômenos e introdutores de competência, como Velvet Underground, David Bowie, Led Zeppelin, The Clash, Bob Marley, Marvin Gaye, Pink Floyd, Jimi Hendrix, Run DMC, Guns N’Roses, Oasis, Chili Peppers, Strokes, Eminem e White Stripes. Cada um com seu motivo, sua razão. Mas CHOQUE, só com Sex Pistols e Nirvana. O choque é como se fosse um chute no que está em vigor, rasgando tudo que foi concebido e iniciand uma nova concepção de como pensar o estilo. Chega e diz: isso é possível, isso é plausível e assim que vai ser. E assim foi, de fato. Há quem simplesmente não goste de Nirvana, mas se não fosse a banda, não haveria essa multiplicidade de informação pra gente simplesmente escolher o que a gente quer. O Nirvana colocou o alternativo como centro, e não precisava ter outros requisitos para vingar. Choque.

A imprensa, principalmente, procura um novo choque, volta e meia. Sob o título de salvação do rock. Strokes foi, por umas semanas, mas acho que passou. Foi importante pelo fato de que uma série de bandas seguiram suas iniciativas. Mas longe de ser um choque.

O rock, ou o pop, porque o rock é pop, segue por três vertentes básicas, independente dos outros estilos, que ainda se mantém: o emo, que creio eu, passa em três anos; o rock cru, que creio eu, passa em cinco anos; e o gangsta rap.

Dos três, eu acredito mais no gangsta. Ao contrário das afetações homossexuais do emocore e da produção maciça em não se produzir do “rock simples” (vide bandas que começam com THE alguma coisa), o gangsta é mais autêntico, por incrível que pareça.

O gangsta é simples: negrões cheio de jóias, até nos dentes, mandam rimas sobre mulheres gostosas, drogas e carrões. Falam palavrões, não abrem concessões para as censuras ainda existentes nos FUCK que a MTV faz, não choram, não se emocionam, usam armas, são briguentos, levam tiro, se chapam. E mais: musicalmente são mais ricos do que qualquer uma dessas bandas novas. Recorrem a bases absolutamente fantásticas, mantém comprometimento com o próprio gueto, são apegados às raízes. O gangsta tem produção, mas a produção deles é ensinada quando se tem cinco anos. Ao contrário dos emos, essa androginia repentina de “ah, vou ser isso”, ou dos próprios “roqueiros” brancos, esses os que mais se auto-produzem. Aliás, por onde andam The Hives e The Vines, as duas salvações de 2002?

E por incrível que pareça, da onda britânica, a mais autêntica das “novas” ainda é Coldplay. Pelo menos o cara é bom moço. A cena inglesa é quase patética. Comparando com as compatriotas do início dos anos 90, como Happy Mondays, Stone Roses, Primal Scream e Blur, é uma piadinha de neném. Sem essa.

Reproduzo um trecho do início do texto:

O rock começou assim: sem distinção de cor, de localização, sem preconceito: machista, curto e grosso. O que esses caras queriam era simplesmente comer mulher e dirigir carrão.

Não é o rap?

Portanto, viva o gangsta rap e seus negões bagaceiros. A melhor música dos anos 00 se chama “Hey Ya”, do Outkast. Impecável. O Black Eyed Peas é a melhor novidade da década. O Eminem é branco, mas escreve rap como ninguém. Um brinde pra eles, e que venha um choque desse lado. Do outro, ou doS outroS, eu não espero muita coisa.

October 7, 2006

EU SOU UM CAIPIRA DOS BONS

Filed under: música - Carlos @ 7:21 am

Passei a noite da sexta-feira gripado e matando o tédio dividindo minhas atenções com episódios do Pica Pau no Boomerang, zapeando pro 66 pra assistir a alguns trechos de CAÇADAS ERÓTICAS, clássico da Boca.

Desisti da TV e fui pra rede pesquisar a respeito da minha nova paixão musical. Já tinha algum conhecimento de alt-country, muito pelo Wilco, fase Summerteeth e Being There. Já há algum tempo sou fã do Neil Young, que não passa de um caipira. Talvez ele seja meu único ídolo musical de fato e de direito, algo conquistado com muito louvor após uma reciclagem na minha própria exigência. Pra mim, é mestre, algo inalcançável em termos de genialidade e relevância. O maior deles.

O country pra mim era antes Johnny Cash. E o que representaria o sertanejo pros rednecks seriam Garth Brooks, Dixie Chicks e Shania Twain, mas eu dispenso eles.

O estudo sobre o country e o alt-country é mais difícil do que possa parecer. Entender o country é sacar um pouco da história norte-americana, que é riquíssima. O embate sul/norte, leste/oeste. Berço de grandes mentes e de uma trajetória muito parecida com a brasileira. Uma história recente, de quatro séculos pra cá. Não tem toda a tradição européia, mas talvez seja mais intrigante por isso mesmo. Uma trajetória de racismo, de preconceito e de uma civilização que cresceu com as próprias pernas, até a consolidação de uma superpotência que hoje causa repulsa, mas que se deu por uma construção belíssima.

Talvez eu seja mais fã dos Estados Unidos do que da Europa. Não desse americanismo ufanista e imbecilóide, mas sim de como eles se tornaram assim. A música é uma boa pra ter uma idéia disso tudo. Estudar o rap, a cultura do gueto, a forma falada da manifestação negra moderna. Estudar o jazz e o blues, o primeiro talento bruto dos negros, uma fusão de aptidões que só eles conseguiram ter e que foram um embrião para o rock. E estudar o country, a música branca, que fala de ranchos, amores perdidos e de uma solidão singela no meio de fazendas enormes na pobreza que era o sul do país até a explosão industrial dos anos 50.

Acho que no fundo, os Estados Unidos se perderam ao longo do tempo. Uma civilização rica, no PIB, mas bitolada no final das contas. E, vejam só, com uma história riquíssima. Um amontoado de acontecimentos fantásticos na história recente e um efeito colateral causado pelo vazio de uma educação fajuta e de uma segregação absurda que se dá pelo complexo de superioridade e megalomania. Resultado: dá-lhe neguinho entrando em colégio e mandando ver com tiro.

Hoje, há, na minha geração, um fanatismo exacerbado pela Inglaterra, por conhecer a Inglaterra. Os EUA são ah, os Estados Unidos, a ex-land of the free. Mas a maioria que pensa assim foi pra Disney aos 15. Eu ganhei uma guitarra aos 15 e toquei You Shook Me All Night Long, do AC/DC, pra batizar. O AC/DC vem da Austrália, mas não tem nada a ver com o que eu tava falando. O fato é que a Inglaterra é uma saída mais “atraente” pra nossa geração. E, fora a Disney e Nova York, talvez LA e San Francisco, não se faz turismo nos EUA. Se vai pro maldito Leste Europeu, pra Riviera Francesa, pro não-vai-a-lugar-nenhum do Caminho de Santiago, mas não há registros (ao menos massificados) de visitar turísticas à Route 66, a Memphis, a New Orleans, a Dallas, às Montanhas Rochosas, ao Grand Canyon, tampouco a Las Vegas. E são lugares extremamente atraentes, com excelente potencial turístico.

Mas vamos voltar à musica. De forma alguma vou diminuir a importância do Reino Unido para o rock. A Inglaterra teve os Beatles e o Clash (sim, mesmo nível, bate depois). Teve o Led Zeppelin, o Pink Floyd e o Sex Pistols. Depois, Smiths, The Cure e U2 (pego o Reino Unido).

Mas peraí, os EUA são os pais de um Hank Williams, este gênio subestimado do country. É o berço do jazz, de Miles Davis, Charlie Parker, Coltrane, Chet Baker, Ella Fitzgerald. Depois, pega Bob Dylan, Jimi Hendrix, por deus, HENDRIX. E antes de tudo o cara que fez com que os próprios Beatles existissem: Elvis Presley, claro.

É difícil estabelecer uma prioridade, mas quero fazer justiça a este país maravilhoso, com gente espetacular e uma riqueza musical ímpar. E é a terra do country, e de toda sua sutileza.

Só não digo que os EUA têm vantagem por causa do CLASH, maior banda de rock já surgida. E inglesa. Eu falo sério.

Ah, o Neil Young é canadense, o que já coloca o país em terceiro lugar na história de relevância para o rock.

E uma última: tanto o sotaque CAIPIRA americano quanto o sotaque dos NEGÃO são bem melhores que o sotaque britânico.

E mais uma vez: eu falo sério.

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Pra quem ficou curioso e quiser saber um pouco da música BRANCA americana, aí vão 10 opções bem boas para quem quiser saber do que eu estava falando. Dez artistas obrigatórios quando se fala em country (e suas derivações, que ainda estão em pesquisa).

E depois, cinco músicas de chorar do chamado alt-country. Pé na estrada.

10 NOMES FUNDAMENTAIS DO COUNTRY E SEUS DERIVADOS
Johnny Cash
Hank Williams
Gram Parsons
Flying Burrito Brothers
The Band
Lynyrd Skynyrd
Blackfoot
Allman Brothers
Juice Newton
Grateful Dead

CINCO INDICAÇÕES PARA INICIANTES NO ALT-COUNTRY
Ryan Adams - Come Pick me Up
Wilco & Billy Bragg - California Stars
Blue Rodeo - Lost Together
Uncle Tupelo - Whiskey Bottle
Will Oldham - I see a Darkness

Prometo em breve dissecar mais ainda este ritmo, em duas derivações complicadas, como o bluegrass, o honkey-tonk, o Nashville Sound, o Outlaw Country e o Appalachian.
Mas aí é FODA.

October 3, 2006

SAÍDA PELA DIREITA

Filed under: política - Carlos @ 5:13 am

Ele era poeta. Mas não vou desmoralizar esse cara, em hipótese alguma. Mas ele escreveu isso nos anos 20 e nunca me pareceu tão atual, oitenta anos depois:

“O Brasil é uma República Federativa cheia de árvores e de gente dizendo adeus.”

Oswald de Andrade tinha a manha, até dando uma de Nostradamus na parada.

Aí vieram as eleições. Fernando Collor retorna a Brasília. Um terço dos denunciados nos escândalos do mensalão e dos sanguessugas renunciaram aos cargos e são eleitos novamente. Paulo Maluf, o velho cacique, é o deputado federal mais votado em São Paulo. Lula aceita o apoio de Collor. Clodovil Hernandes, do PTC, tem votação expressiva. O cantor de forró Frank Aguiar tá na Câmara Federal. Uma pessoa bem humilde que eu conheço votou na Manuela só porque ela é bonita.

Pensando bem: quantos pesquisaram realmente o que cada deputado fez nas eleições pra votar corretamente? Foram as eleições que trouxeram uma desesperança e um sentimento de “nada muda” impressionantes. Inércia.

E por incrível que pareça, estou aqui para absolver todos os políticos. A repetição dos erros anula qualquer culpa. Eles fizeram, foi comprovado, mas foram inocentados pelo povo, no grande processo democrático.

Hoje, eu conheço mais gente que mora no exterior do que pessoas que vivem em outros estados da nação, por exemplo. Obviamente, não sou ingênuo de pensar que essa debandada seja por culpa da corrupção e da impunidade. É uma matemática simples: é MELHOR morar fora daqui. Se GANHA mais, se tem mais oportunidades, e em último caso, é mais divertido. O Brasil virou uma Pátria onde, infelizmente, não se tem prazer em viver. O nosso sonho de consumo é somente dar o fora daqui.

Junte-se a isso o fato de que pertencemos à geração mais covarde de todos os tempos. Votar é obrigação, não prazer. Militância virou fanatismo. E os não militantes simplesmente não confiam em absolutamente ninguém. Com razão.

Agora, há um fenômeno que me preocupa. Com toda essa lambança deste pleito, o brasileiro está passando a não confiar no próprio povo. Somos uma nação sem dono aprendendo a se guiar pelas próprias pernas. Individualmente falando, claro. Quando se olha pro lado, não se tem um braço pra se puxar, vai dizer.

Pela política, pela diversão ou pelo medo. Estamos dizendo ADEUS a nós mesmos, para quem sabe, podermos nos encontrar em algum lugar na Europa. Mas o pior de tudo é o nosso próprio desencontro. Nossa vontade foi completamente usurpada pela descrença. Acreditar é preciso. Mas em quem? Nos nossos semelhantes? Quem nos lidera? A quem devemos prestar hierarquia? Quem a gente precisa do nosso lado?

E o mais gritante: a gente não luta mais. A luta, de fato, não é lá uma grande virtude desta nossa geração. Somos a geração da fuga. Ou da falta de comprometimento. Lavamos as mãos e não encaramos o que a gente tem convicção. Se é que a gente tem convicção, pois a falta dela se refletiu nessas eleições. Acabou a ideologia, acabou o ideal. Sobrou um sentimento xoxo de incapacidade de alterar qualquer coisa.

No final das contas, só sobra a fuga. Pra fora, pra escapar de responsabilidade, pra sair desse cenário molenga que a gente vive no país. É tudo uma questão de medo da decepção futura. Vamos fugir, pra outro lugar, baby, sem banda de maçã, por favor.

E, por entre as árvores da nossa República Federativa, cada vez mais a gente vai dando ADEUS. Porque se der merda, a culpa não vai ser nossa mesmo. A gente vai estar bem longe daqui, longe dessa responsabilidade e lavando as mãos, nos inocentando. Infelizmente, ao contrário da ditadura, ao contrário das primeiras eleições diretas, atualmente a felicidade consiste em não se incomodar.

Assim chegamos à conclusão da palavra mágica para ter a consciência limpa: FUGA.
É muito melhor quando a gente não tem nada a ver com isso, não?

October 1, 2006

DESESPERO TAMBÉM É MODA EM 2006

Filed under: música - Carlos @ 5:41 pm

Há muito tempo algo não me arrepiava quanto isso.

Mas quando eu digo ARREPIAR, eu digo ARREPIAR MESMO.
Foda, foda.

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