AS DUAS MAIS SUBESTIMADAS
Enquanto todo mundo se contorce pra The Killers, Arctic Monkeys, Kaiser Chiefs, Franz Ferdinand, Bloc Party, e por aí vai, gostaria de fazer justiça às duas bandas mais subestimadas dos anos 90: Bush e Silverchair.
Talvez porque tenham vocalistas bonitinhos e marqueteiros, porque, pelo fato de terem surgido jovens, despertaram o alvoroço nas menininhas, as duas bandas nunca tiveram um reconhecimento merecido.
O primeiro disco do Bush, Sixteen Stone, é um grande álbum. Em primeiro lugar, eles tiveram coragem. Surgidos no Reino Unido, lançaram o disco em meio à polarização patética de Oasis e Blur. Uma época, portanto, em que o caminho mais fácil, seria apelar às choradeiras e ao “why does it always rain on me, oh god” do britpop. O Bush fez um discaço de grunge, com pauleiras e hiperbaladas absolutamente fantásticas. “Glycerine”, “Comedown” e “Everything Zen” são três exemplos. Fizeram sucesso, mas porque o cara é bonitão. Poderia entrar em qualquer lista de melhores na época não fosse o estardalhaço estético que aconteceu. O segundo disco, Razorblade Suitcase, tem um quase clássico chamado Swallowed. É inferior ao primeiro, mas é um bom sucessor de carreira.
Mas o caso mais avassalador de críticas sem fundamento pertence ao Silverchair. O Silverchair era a banda do vocalista bonitinho, anoréxico e cheio de problemas. Mas o Silverchair era um power trio que foi evoluindo com o tempo. Conquistava as gurias, mas sabia fazer rock. O auge deles, pra mim, foi no terceiro disco, chamado Neon Ballroom. Custei a aprender, mas “Ana’s Song(Open Fire” e “Miss You Love” são duas belíssimas canções. Sem contar “Anthem for the year 2000″, um pouco pretensiosa, mas definitivamente sincera no que eles pretendiam dizer.
Eu acabei me rendendo ao Silverchair no Rock In Rio 3. Fizeram o melhor show da noite, lavando pra cima do Chili Peppers. E na minha opinião, foi o terceiro melhor show de todo o festival, perdendo apenas para o Neil Young (puta que pariu, esse ainda conta? Sério, deus é pra outro patamar) e do REM. Simples, empolgante, sem firulas, sem abrir a guarda pra platéia, emocionante e absurdamente impressionante. Ali, eu vi que Silverchair era uma banda decente, uma banda boa e extremamente desconsiderada.
É pra ouvir sem preconceito. Se Franz Ferdinand teve reconhecimento, Bush e Silverchair têm até, ao meu ponto de vista, mais seriedade do que essas novidades do ROCK DE INTERNET de hoje em dia. Eles são bonitos, mas aí a culpa é da natureza.