Verborragia sem concessões

October 18, 2006

MEDO É SE ELES QUISEREM MUDAR O MUNDO

Filed under: comportamento - Carlos @ 7:43 pm

Um dos jornalistas mais brilhantes que eu conheço faz severas críticas à geração que contrariava a ditadura, nos anos 70. Principalmente aos que praticavam a guerrilha armada. Ele acredita que o idealismo dessa gente veio, principalmente, pela falta de informação. Os esquerdistas da época realmente achavam que era possível derrotar os militares praticando pequenos atentados contra o governo. Muitos pensam que isso derrubou o regime, mas a verdade é que os anos de chumbo no Brasil terminaram muito mais por uma tendência natural das coisas e a evolução do quadro político mundial. Fosse o contrário, até agora haveria gente nos porões, e o povo ainda saindo às ruas exigindo direitos e liberdade. Quem está no poder é muito mais forte do que um bando de valentes com armas. Os que são atribuídos a decidir sempre vencem, a história não me deixa mentir. A ditadura caiu por um simples envelhecimento do sistema. Ou caía, ou o país morria.

O mesmo jornalista crê que a geração que pode mudar o mundo é a atual. A geração da informação. Eu não acho que essa geração tenha como vontade prioritária mudar o mundo, mas há alguns fatos que alteraram profundamente o modo de pensar do globo.

Os 70 eram do contra, os 80 eram da cobiça e os 90 eram da novidade. Os anos 2000 já assimilaram esta novidade e com ela estamos aprendendo a lidar. Pelo excesso de informação, se nota um quadro bastante interessante nos jovens de hoje: eles formam a geração da COMUNICAÇÃO, mesmo que virtual.

Isso nos remete muito mais aos anos 70 do que aos 80. Nos 80, o barato era o individualismo. Nos 70, os hippies, os guetos, os punks, depois os discotecários formavam trupes que se multiplicavam em estilos, tendências e pensamentos. Hoje, não tem muito disso, mas voltamos a formar guetos. Talvez seja a era do msn.

Basta pensar: algum jovem que detém um computador consegue ficar um dia sequer sem se COMUNICAR? Sem ligar o msn e falar com quem quer que seja? Eu tenho várias críticas a este estilo de vida. No entanto, há de se ressaltar um dado positivo: estamos exercitando nosso poder de comunicar, compartilhando informações, necessidades e desejos.

É um fortalecimento absolutamente natural do nosso próprio conhecimento. Nos anos 80, o mais inteligente era o nerd, que não tinha sucesso com as mulheres, recluso, tímido. Hoje, o mais inteligente é, por si só, o menos tímido. Mesmo usando uma ferramenta de camuflagem, como é o computador, ele consegue despertar interesse em quem ele quiser. O flerte se dá pelo poder de persuasão, sempre foi assim, e o computador torna lindo, através de conhecimento, capacidade de raciocínio e informação, qualquer coisa parecida com nerd. Aliás, nerds, hoje em dia, são considerados sensuais, quem diria. Invertemos os valores.

O flerte se dá por e-mail. Antigamente, tinha que ter um approach pessoal, barrando e bloqueando qualquer cidadão com neurônios, mas que usava um óculos fundo de garrafa. O que atrai é sensibilidade e comunicação.

Claro que não houve uma ruptura brutal nisso tudo ainda. É gradativo. Porém, tenho certeza que isso vai acontecer. A informação está aí, e os jovens estão mudando cada vez mais rápido. Estão aprendendo a falar melhor, a se expressar mais rapidamente e a conhecer mais as coisas.

Acho que esta é a principal função da internet. Talvez ela seja um veículo que consiga escancarar a essência. E, por mais paradoxal que seja, mesmo protegidos pelo monitor, ela consiga tirar a máscara das pessoas. No duro, no mano a mano, sem disfarce, a gente diferencia os que têm e os que não têm conteúdo.

E isso nos apresneta, no terceiro milênio, a um novo estilo de gente: os interessantes. Antigamente, era mais simples. Os inteligentes eram feios e tímidos. Os bonitos eram burros, mas eram atléticos. Tinha aqueles que não necessariamente eram bonitos, mas tinham charme. Os charmosos. Os simpáticos. Agora, numa mescla de tudo isso, eis que surge o INTERESSANTE. Não sabemos explicar como são essas pessoas, mas elas são interessantes.

No final das contas, eles sempre foram interessantes, até mesmo os nossos “antepassados de geração”. Só que agora, a internet deu voz e informação instantânea a eles. E eles estão aproveitando.

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