Verborragia sem concessões

November 23, 2006

CÊ, de CAETANO VELOSO

Filed under: música - Carlos @ 7:15 pm

Caetano Veloso por si só é um evento. Um disco do Caetano de inéditas então nem se fala. O de 2006 é “Cê”, anunciado por todos como o disco de rock do Caetano. Nenhuma novidade para quem conhece a carreira do baiano.

Em 84, ele lançou “Velô”, que tinha “Podres Poderes”, um disco altamente sintonizado com o que acontecia na época. Com influências do pós punk, da new wave e das bandas britânicas da época, Caetano no período misturou Ritchie, Gang 90, Gang of Four, Clash, B-52’s e Metrô, realizando um disco honestíssimo, com excelentes letras e fugindo completamente do Caê natureba da Outra banda da Terra, no final dos anos 70. Os 80 chegaram e Caetano seguiu um rumo completamente diferente do escudeiro Gilberto Gil, este flertando ainda com a MPB e muito com o reggae.

Vinte anos depois e Caetano se repete. Enquanto Gil dá palestras, é ministro e não consegue lançar nada que preste desde “Quanta”, vide exageradas incursões no forró e nas covers de Bob Marley, Caetano não perde o prumo. Podem falar o que quiser do cara, mas certamente uma qualidade do cantor é o fato dele ser ANTENADO. Em entrevistas, fala livremente sobre Kings of Leon, Arctic Monkeys e Arcade Fire.

Em “Cê”, Caetano seguiu essa onda. Ainda mais agora que o hype do momento, Devendra Banhart, confessou ser um fã do compositor brasileiro. Ele foi na esteira. Lançou um disco de baixo, bateria, guitarra e piano, fugindo um pouco do marasmo que ele vinha colocando na sua época Jaques Morelenbaum. Pra lembrar, nos últimos tempos Caetano foi crooner (A Foreign Sound, 2004), foi neo-bossa (Prenda Minha, 1998), foi latino (Fina Estampa, 1994), foi italiano (trilha para o Quatrilho, 1995), foi concretista (Livro, 1997), foi nordestino (Noites do Norte, 2000), foi caça-níquel (Tropicália 2, 1993), foi brega (Você não me ensinou a te esquecer, 2001), mas esqueceu-se, acima de tudo, de ser Caetano Veloso. O cara da onda, o ótimo compositor, afiado em alguns hits, desafiador em alguns momentos, com rompantes de brilhantismo em outros.

“Cê” é Caetano Veloso. Só muda a roupagem. As letras estão ali, as construções aparentemente sem sentido estão no disco, as métricas caetanísticas com origem lá nos anos 60 estão ali. O que muda é o que está por trás do papel onde a gente lê as letras. Tem uma banda de rock moderna. E das boas.

O disco não é pesado. Nem tão moderno assim. Ele remete a algumas referências do final dos anos 90, com um acabamento bem mais fino do que as bandas gringas atuais. Tudo é um pano de fundo para que Caetano diga a todos que está com sessenta e está bem, sabe das coisas, consegue captar o que acontece e que o mau humor da idade não traz reflexos para a composição da obra.

O destaque é a faixa “Rocks”, um roque de volume baixo. Caetano não grita, mantém a mesma voz de influência de bossa, para um desfile de guitarra reta, baixo e bateria competentíssimos, num arranjo limpo. Um rock baixo e limpo, mas extremamente eficiente. É a mais “pesada” do disco, mas a melhor composição.

“Cê” é o disco mais Caetano Veloso desde Circuladô (1991). É, igualmente, o melhor disco de Caetano desde Circuladô. Ele precisa ser Caetano pra ser bom. É um camaleão que sente o mesmo. Se for pegar a essência de “Cê”, a gente consegue recuperar coisas que chegam até os anos 60 (como na homenagem Waly Salomão, o que é característico de sua obra).

Bom que foi assim. Caetano chega a 40 anos de carreira atual, sincronizado, moderno. Sendo o que ele foi há muito tempo e esquecera de ser nos últimos 15 anos. Aliás, esse disco lembra muito “Cosmotron”, o excepcional álbum lançado pelo Skank em 2003. Mesmas construções e influências. É a MPB de qualidade descobrindo que a simplicidade do rock bom rende muita coisa.

ENDURECENDO PERDENDO A TERNURA

Filed under: alegria - Carlos @ 5:30 am

Acho massa os megalomaníacos. Há uma pessoa, pública, mas impossível de ser citada aqui por causa de compromissos profissionais e éticos que me censuram, que é o maior megalomaníaco que eu conheço. Admiro ele. Ele é bastante lido por estas terras, mesmo.
Dias desses, em um discurso-corredor bastante habitual por parte dele, um outro colega meu chegou a uma conclusão absolutamente genial.

“Ele é tão megalomaníaco que faz VINTE ANOS que ele não fala de ninguém, a não ser dele mesmo. É tão doente que quando não fala sobre ele, cria um alter-ego pra ser a única OUTRA pessoa de quem ele consegue falar.”

Genial.

Eu falo pouco sobre mim por aqui. Mas se pensarem bem, eu SÓ falo sobre mim. Este blog é uma sucessão de “eus”. Claro, arranjo uma série de subterfúgios pra que eu não tenha que usar a primeira pessoa, mas basicamente este blog é uma doentia, egoísta e patética maneira de me afirmar. Falo mal de todo mundo pra ressaltar que no fundo eu não tenho muito a dizer, a não ser criticar. Uma terapia com o teclado. Eu falo pros comentários serem meus personal psiquiatras, só que sem medicação.

Às vezes, eu me sinto aflito. Aí eu escrevo, seja pra alguém comentar que eu entendo de determinado assunto ou simplesmente pra atingir quem eu considero rainha-da-festa-da-uva permanente. Saca, aquelas pessoas com um sorriso irritante o tempo inteiro. É uma maneira absolutamente cruel de exorcizar qualquer tipo de desespero em 2006. Como diria a música, eu ando mesmo descontente, mas sequer consigo gritar desesperadamente. Guardei. Enfiei toda essa angústia e a ofereci à minha solidão profunda. Todo esse amontoado de erros, de tarefas, de cobranças, de insatisfação e de desgosto é um efeito bumerangue. Eu taco, mas sempre volta. E aí, eu injeto na minha própria alma, reservando um espaço considerável para todas minhas frustrações.

Acontece que esse espaço estourou. E aí, eu falo de mim do jeito que eu não gosto. Há algum tempo, eu faço questão de demonstrar uma força e uma superioridade que não são nem um pouco condizentes com o momento que eu vivo. Eu sou um copo cheio d’água esperando a gota final pra derramar. Mas ao mesmo tempo, eu convivo com uma capacidade que eu jamais acreditei que tivesse. Eu estou conseguindo suportar tudo isso sem cair.

O problema é que talvez eu esteja precisando cair. No momento, eu tenho uma carga muito mais forte do que vocês imaginam: a carga da minha própria frustração. Logo, logo, não vai ser possível agüentar e eu desabo. Este peso é enorme e eu sinto que consigo carregá-lo por um simples fato: endureci. Perdi a ternura. Pedra, sem sentimentos, sem REssentimentos, sem expressões mais significativas de afeto e carinho. De um lado, uma vontade enorme de recuperar os sentimentos. Por outro, uma incrível força de vontade pra seguir assim. Uma maneira barata e cruel de acreditar que eu não vou sofrer novamente.

No final das contas, eu estou como uma carne de segunda. Dura como pedra. Agora, se alguém pegar um martelo e bater com força, temperar direitinho, fritar na medida certa e servir num prato bonito, fica parecendo um filé dos bons.

Ou como aquela trilha de dominós. Lá estão eles, de pé, intactos, austeros, duros, imóveis. Basta um peteleco pra derrubar toda aquela montanha construída cuidadosamente. Tô assim. Duro. Agora, resta achar alguém pra dar o peteleco certo pra eu desabar. E, quem sabe, voltar a sentir.

November 20, 2006

YOU ARE MY SWEETEST DOWNFALL

Filed under: comportamento, música, porto alegre - Carlos @ 4:23 am

Eu nunca vi algo como isso.
Não sei o nome dessa menina, acho que é Elena, pelo username. Pode não ser. É norte-americana. Aos 14 anos, ela toca com perfeição uma das minhas músicas preferidas: Samson, da Regina Spektor. Ainda por cima canta muito.

Não bastasse isso, ainda tem um vídeo dela tocando A Thousand Miles, da Vanessa Carlton e um outro em que ela faz uma paródia inacreditavelmente criativa do myspace.

Ela tem 14 anos, gosta de jogar futebol, toca piano e canta demais. Ela nasceu em 92, no máximo em 91. Significa que quando, por exemplo, eu entrei na Rádio Gaúcha ela tinha apenas SETE ou OITO anos. Aos 14, com METADE da minha idade praticamente, ela tem mais talento que eu. Certamente, estudou piano desde cedo. Não creio que tenha sido por obrigação, afinal ela leva isso por gosto, como hobby. Por simples facilidade em assimilar o instrumento, por aptidão, foi levada aos estudos. Ainda por cima, interpreta como gente grande, acolhendo uma verve artística e de forma alguma sabotando sua própria vocação.

Eu tenho cinco amigas no orkut que foram minhas colegas no Salvador, já falado e comentado devidamente aqui. Três são mães. Uma tá grávida. Elas poderiam estar tocando piano, fazendo micagem, escrevendo, desenvolvendo alguma aptidão. Uma delas jogava handebol pra caralho. Tá grávida e se formou dentista. Não sei que caminho as outras seguiram. Mas handebol não é sério, e mesmo ela quase sendo atleta profissional, abandonou pra cuidar de dentes.

Não é preciso ter talento pra ser profissional. Eu acredito que eu posso ser um bom advogado, por exemplo. É só estudar o mesmo que os outros que todo mundo se forma naturalmente. Eu não conheço ninguém que tenha negado essa trajetória natural da vida e rumou para um caminho completamente diferente.

Meu amor e ódio por Porto Alegre, o meu sentimento bipolar por esta cidade que me deu cria e hoje me fode, mais uma vez se manifesta. Por que diabos ninguém aqui consegue ser original? Por que todo mundo gosta das mesmas coisas de um lado e das mesmas coisas de outro? Por que não tem alguém que conseguiu se livrar do vício do convívio, dessa mesquinharia de referências? Por que não existe alguém que, por exemplo, toca piano, canta, faz palhaçada e joga futebol?

Eu acho que o primeiro mundo nos ganha nisso de lavada. Eles acreditam em sonhos. A gente pensa que sonha. No fundo, a gente só segue o trilho do trem. Nos fazem um teste vocacional, não nos apontam nossos talentos e a gente cai nesse baú cheio de referências torpes de cidade chinfrim, mesmo que eu queira admitir que possa ser, volta e meia, cosmopolita.

É aquilo: ou se vai no Ocidente, ou se vai no Pipe ou se vai num lugar que toque pagode. Nos dão três opções: Kaiser Chiefs, Shakira ou Revelação. Só. Se preferir, Comunicação Social, Engenharia ou Direito ou área da saúde. Ou então, fica em casa cuidando do primeiro filho que teve aos 18.

Desculpem-me leitores, amigos, ex-namoradas, pretendentes, inimigos, porto-alegrenses, brasileiros, conhecidos ou qualquer um que tá lendo isso. Mas a pessoa mais original que eu vi nos últimos meses eu vi em três vídeos, tem 14 anos e eu sequer conheço. Talvez ela seja igual a vocês, mas então que coloquem a porra de um vídeo assim no youtube e me surpreendam, tá? Ou sei lá, entrem para um circo, toquem Neil Young no violão, pilotem um Fórmula Um, sapateiem, dancem de verdade, filiem-se ao PV, construam um telescópio, escalem a chaminé do gasômetro, joguem xadrez com os velhinhos da Praça da Alfândega, sei lá, não importa. Mudem, fujam desse marasmo produzido em série que é Porto Alegre. Sejam diferentes, originais. Porque esta menina, lá de não sei onde, foi a única que conseguiu despertar algum tipo de SÍNTESE DE VIDA nos últimos meses. O resto? Ah, meu, nessa escola que vocês acham que tão abafando, eu já fui até JUBILADO.

Dica: Regina Spektor - Samson

November 16, 2006

JEFF BUCKLEY QUARENTÃO

Filed under: música - Carlos @ 4:28 am

Neste 17 de novembro, Jeff Buckley estaria completando 40 anos. Aos 26, em 1994, Jeff Buckley concebeu o que, na minha opinião, é o melhor disco realizado nos últimos 20 anos. “Grace”, lançado em 1994, é uma pérola do início ao fim. É meu disco preferido, talvez junto com “Rust Never Sleeps”, do Neil Young.

Poucos conhecem Jeff Buckley, apesar de eu sentir que há uma “redescoberta” recente a respeito da obra deste cantor. Dono de uma voz arrebatadora, Jeff lançou “Grace” no meio do ruído grunge dos anos 90 e com um lirismo impressionante, cantou as amarguras de um cara de vinte e poucos anos, colocando poesia, melancolia e agressividade em doses corretíssimas.

Jeff Buckley morreu em maio de 97, aos 30 anos, afogado num afluente do Mississipi. Estava pra lançar seu segundo disco, o póstumo Sketches for My Sweetheart the Drunk, que foi colocado nas lojas tempos depois. “Last Goodbye” foi eleita a décima quarta composição da história. Ainda tem “Lover, You Should’ve Come Over”, que pra mim, é a música mais linda que já ouvi.

Estivesse na ativa, Jeff Buckley estaria certamente nivelado com os grandes compositores da história. Estaria lançando discos, fazendo canções belíssimas e emocionando a todos. Foi o maior talento desta geração, influenciando vários que vieram na seqüência. Admirado por todos, faz uma falta enorme no buraco de talentos que a música vive hoje em dia. Jeff Buckley era original, cantava como ninguém e sabia escrever e compor como poucos.

Eu rejeito idolatrias, mas para Jeff Buckley eu me rendo completamente. Sou extremamente exigente a respeito de músicas. Pra eu achar alguma coisa realmente boa, é necessário um grande esforço. E pra eu achar um álbum perfeito, é quase impossível. “Grace” atingiu este patamar. Um disco perfeito, na medida certa, que me emociona a cada nova conferida, a cada novo acorde ou a cada mudança de tom.

Homenagem singela, chinfrim, mas bastante sincera de quem é fã do maior artista da música dos últimos 20 anos: Jeff Buckley. Pra mim, gênio.

=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=
Não conhece ele?
Site oficial
Na wikipedia

Dicas de download pra iniciantes:
Last Goodbye
Lover, you should’ve come over
Grace
Eternal Life

OU vai e baixa todo o GRACE

Dica de download para quem gosta dele:
Creep (cover de Radiohead)
Natalie Merchant - Last Goodbye
Lover You Should’ve Come Over - Jamie Cullum

Dica curiosa:
Nunca foi tarde, versão brasileira de Lover…, na voz de Paulinho Moska.

R.I.P., JB.

November 15, 2006

OS 50 MELHORES JOGADORES DO MUNDO EM 2006

Filed under: esportes - Carlos @ 8:34 pm

1- Fabio Cannavaro (Real Madrid / Itália)
Além de ter sido o melhor jogador da Copa, Cannavaro foi perfeito no primeiro semestre, atuando pela Juventus. Na Copa, liderou a Itália ao título. Zagueiro da linhagem de Baresi. Sabe sair jogando, distribuir a bola, desarma, tem senso de antecipação e é um implacável marcador. Pra mim, ninguém jogou mais que esse cara em 2006.

2- Kaká (Milan / Brasil)
Kaká é o futuro do futebol. Não é tão hábil quanto Ronaldinho, mas é mais efetivo. Não dribla tão bem, mas tem melhor visão de jogo. Enfeita menos, mas é mais vertical. Tem mais pulmão, chuta melhor. Quase perfeito, foi vítima na Copa, jogando mal, por causa de um esquema ruim, de um time pessimamente montado e mal escalado. Não fosse a Copa, seria o melhor de 2006. Na Itália, foi o melhor do campeonato.

3- Ronaldinho (Barcelona / Brasil)
2006 não foi 2005 tampouco 2004 para Ronaldinho. Mas o melhor do mundo foi o grande jogador da Uefa Champions League 05/06. Foi campeão, levantou taça e fez das suas. Não jogou nada na Copa e há tempos vem tendo atuações ruins. Mesmo assim, merece um honroso terceiro lugar.

4- Zinedine Zidane (aposentado / França)
A rigor, Zidane só jogou bem três partidas em 2006. Bastou para a França chegar à final do Mundial. Depois, deu uma cabeçada sem sentido, mas em nada apagou a sua imagem para o futebol. Foi o melhor jogador dos últimos dez anos.

5- Didier Drogba (Chelsea / Costa do Marfim)
Muito se fala em Eto’o, mas o melhor africano é Drogba. Diferenciado, artilheiro, veloz, um atacante quase perfeito.

6- Thierry Henry (Arsenal / França)
Tem muita gente que torce o nariz pro Henry. Não entendo. Joga muito, fez uma ótima Copa e é o artilheiro do Arsenal há cinco anos. Jogou muito em 2006.

7- Gianluigi Buffon (Juventus / Itália)
Finalmente o mundo ganhou um super-goleiro. Talvez o último tenha sido o belga Preudhome, ainda nos anos 90. Buffon foi impecável no ano.

8- Andrea Pirlo (Milan / Itália)
Pra mim, o futuro do futebol está nos volantes. Pirlo é o volante que sabe jogar. Ambidestro, com habilidade e ainda sabe marcar. Completo.

9- Patrick Vieira (Inter de Milão /França)
Da linhagem de Pirlo, só que com mais agressividade. Não tão técnico, compensa com altura. Capitão da França após a saída de Zidane, melhorou e muito o meio de campo da Inter de Milão.

10 - Cristiano Ronaldo (Manchester United / Portugal)
Marrento, bobalhão, pouco produtivo e craque. Cristiano Ronaldo é o Renato Portaluppi quando surgiu no Grêmio. Se botar a cabeça no lugar, vira melhor do mundo rapidinho. Tem muita habilidade.

11- Eto’o (Barcelona / Camarões)
12- Shevchenko (Chelsea / Ucrânia)
13- Zambrotta (Barcelona / Itália)
14- Van Nistelrooy (Real Madrid / Holanda)
15- Robinho (Real Madrid / Brasil)
16- Thuram (Barcelona / França)
17- Lúcio (Bayern Munich / Brasil)
18- Deco ( Barcelona / Portugal)
19- Lampard (Chelsea / Inglaterra)
20- Terry (Chelsea / Inglaterra)
21- Juninho Pernambucano (Lyon / Brasil)
22- David Villa (Valencia / Espanha)
23- Klose (Werder Bremen / Alemanha)
24 - Xavi (Barcelona / Espanha)
25- Ayala (Valencia / Argentina)
26- Essien (Chelsea / Gana)
27- Robben (Chelsea / Holanda)
28- Gerard (Liverpool / Inglaterra)
29- Lahm (Bayern Munich / Alemanha)
30- Messi (Barcelona / Argentina)
31- Maniche (Atlético de Madrid / Portugal)
32- Rogério Ceni (São Paulo / Brasil)
33 - Riquelme (Villareal / Argentina)
34- Puyol (Espanha / Barcelona)
35- Zé Roberto (Santos / Brasil)
36- Ribery (Olympique Marseille / França)
37- Gattuso (Milan / Itália)
38- Podolski (Bayern Munich / Alemanha)
39- Crespo (Inter de Milão / Argentina)
40- Fernandão (Inter / Brasil)
41- Maxi Rodriguez (Atlético de Madrid / Argentina)
42- Peter Cech (Chelsea / República Tcheca)
43- Ballack (Chelsea / Alemanha)
44- Makelele (Chelsea / França)
45- Mineiro (São Paulo / Brasil)
46- Gago (Boca Juniors / Argentina)
47- Rosicky (Manchester United / República Tcheca)
48- Miguel (Valencia / Portugal)
49- Edison Mendez (PSV Eindhoven / Equador)
50- Schweinsteiger (Bayern de Munique / Alemanha)

RETROSPECTIVA 2006

Filed under: saudosismo - Carlos @ 8:07 pm

A partir de agora, cada post trará uma lista com os melhores de 2006, de acordo com meu ponto de vista, nas áreas que eu domínio razoavelmente. E, como sou superficial, basicamente são três: futebol, cinema e música.

Talvez haja uma quarta, mas eu não vou dizer qual é nem prometer.
A primeira lista está no post acima.

November 14, 2006

NOTA DE CABEÇALHO (no caso)

Filed under: cinema - Carlos @ 4:15 am

Comentário a respeito de “O Ano em que meus pais saíram de férias”, de um crítico estrangeiro:

Masterpiece, maybe the best Brazilian movie since City of God

Concordo.

SOU MAIS O GUAÍBA

Filed under: porto alegre - Carlos @ 3:24 am

Caminhei na Beira-Rio, do Estádio até o Gasômetro. Piques de corrida. A pé até a redenção. Passei pelo meio da Cidade Baixa antes. Antes, fui de carro até Ipanema. Dias atrás, visitei a Feira do Livro. Vi o Gasômetro. Fui no velho centro. Atravessei a Praça da Matriz. Gosto da Redenção. Corri duas voltas no Parcão. Passei de carro no Olímpico. Fui até Ipanema de carro. Entrei de carro na Borges, passei por debaixo do viaduto. Cruzei o Marinha do Brasil. Gosto do Largo da Epatur e do cruzamento da Venâncio com a Osvaldo, ali, quando depois vira Protásio. Jantei no Barranco. Dei voltas e voltas na Encol. Dobrei na Edu Chaves pra pegar a Avenida dos Estados, antes do Aeroporto. Vi de longe, chegando pela 116 ou pela 290. Passei por debaixo da ponte do Guaíba.

Só troco Porto Alegre por Rio e São Paulo no Brasil. Não conheço BH, não posso dizer. Mas das outras, Curitiba, Florianópolis, Recife, Salvador, Fortaleza, Brasila (onde não sou eterno), dessas eu posso dizer. Fora outras menos cotadas, como Natal, João Pessoa, Maceió e Aracaju, onde também estive. E repito: Porto Alegre é a terceira melhor cidade do Brasil. Perde pra São Paulo, por seu espírito cosmopolita e sua abertura de mercado excepcional, especialmente na minha área, e perde para o Rio (mas qualquer coisa perde pro Rio, é incomparável).

O problema de Porto Alegre são os porto-alegrenses que passaram muito tempo no computador escutando bandas inglesas e acham que o Brasil é uma merda. O problema de Porto Alegre são os porto-alegrenses que acham que Porto Alegre é um ovo. O problema de Porto Alegre são as panelas culturais que acham que só ELES conseguem fazer alguma coisa de produtiva (mesmo que não sejam reconhecidos além-Mampituba). O problema de Porto Alegre são aqueles que acham que a cidade é um OVO, só porque não saem dos mesmos lugares e obviamente cruzam sempre com os que vão nos mesmos lugares. O problema de Porto Alegre são as pessoas que delimitaram um cotidiano que não sai dos seguintes limites: a oeste, o Guaíba. Siga para o sul, até a Ipiranga, Pela Ipiranga, trace uma linha reta que vai até mais ou menos a Terceira Perimetral. Sobe a Perimetral, aí ela vira Carlos Gomes e vai até a 24 de outubro. Desça a 24 de outubro, dá uma pegadinha na Bordini à direita, e a Cristóvão à esquerda, até a elevada da Conceição encontrar o Rio. Um grande quadrilátero, com alguns vizinhos conhecidos, mas que não foge disso. Fora disso, tem a ZONA NORTE DELES (Iguatemi e Bourbon Country), a ZONA SUL DELES (Beira-Rio e Ipanema, quando tem sol) e a ZONA LESTE DELES (PUC). São os limites do porto alegrense que acha que a cidade é um OVO.

Resumindo: o problema de Porto Alegre é o povo que não gosta de Porto Alegre. E que ao invés de ficar sonhando em falar inglês com sotaque britânico, deveria aproveitar as diversidades diurnas e noturnas dessa cidade que me pariu, me criou, me formou e me deu alma.

O ANO EM QUE MEUS PAIS SAÍRAM DE FÉRIAS

Filed under: cinema - Carlos @ 2:56 am

Falei sobre filmes sensíveis e um desses quase arrancou lágrimas que há tempos não chegam por aqui. “O Ano em que meus pais saíram de férias” é uma resposta absolutamente VIOLENTA pra aqueles leigos, idiotas, preconceituosos e vazios que persistem em dizer que “cinema nacional é só pra mostrar o lado podre do país, e que o único bom é Cidade de Deus”. Bom, essa gente deve ter gostado de OLGA.

“O ano em que meus pais” se passa em 1970. Se para o mundo 67 e 68 foram OS ANOS, certamente no Brasil esse reflexo chegou em 70. Coincidentemente à barra mais pesada de todas nos anos de chumbo, com prisões, torturas e pânico sem qualquer tipo de concessão, apresentamos ao mundo o maior time de futebol já feito na história.

E é essa divisão que é retratada de uma forma absolutamente sublime pelo diretor Cao Hamburguer, aquele do Castelo Rá-Tim-Bum. A história: um menino é deixado na casa de seu avô pelos pais, que vão pra luta armada contra a ditadura. O avô morre e ele tem que ser cuidado por um judeu, num prédio de judeus, num bairro de judeus.

A partir desse argumento, o confronto étnico normal pelo garoto não ser gói, pegando pelo lado cômico. Mas o mais divertido mesmo é o conflito que o povo brasileiro vivia na época. De um lado, a discussão: “Pelé e Tostão podem jogar juntos?”, uma desesperança com o país e com o time do Brasil. Começa a Copa e um momento resume tudo o que era o país. O personagem de Caio Blat afirma: “Quero que a Tchecoslováquia vença. Seria bom para o socialismo”. No entanto, o BRASILEIRO Caio Blat, depois de vibrar pouco com o gol tcheco, enlouqueceu com os quatro gols brasileiros na estréia.

O menino passa por descobertas, faz amizades e não entende direito o que acontece. O filme mostra direitinho a formação de personalidade de alguém que sequer sabia o que significava toda aquela repressão, só querendo os pais de volta. Uma atuação emocionante, uma direção de arte belíssima, resultando num filme sublime, mágico, singelo e emocionante. Confesso que ao ver os gols do Brasil algumas lágrimas quase surgiram, meio que me remetendo virtualmente àquela época, desejando imensamente estar de perto pra conferir o Brasil censurado e o Brasil de Pelé. Os dois Brasis, dois países divididos, entre a paixão e a vontade de ir e vir.

Foi a primeira Copa transmitida ao vivo para o Brasil. Talvez a que mais o torcedor brasileiro vibrou. Justamente pra soltar de dentro algum tipo de orgulho que eles tinham do país.

Nessas horas eu me irrito com quem não gosta de futebol. Será possível não perceberem que, coletivamente, é a maior paixão do nosso povo? A única coisa que pode unir milhares de pessoas que aparentemente só tem uma razão: torcer para a vitória. Um triunfo de seu clube, de seu país, é algo inimaginável, transcendental. O futebol é foda. Queria estar ali em 70, talvez nem tanto, porque eu estava em 94, quando o Brasil foi tetra. E a vibração foi a mesma, aos 15 anos. Senão chorei, me arrepiei profundamente em umas cinco seqüências do filme. Talvez por pensar como qualquer torcedor apaixonado e saber que depois do amor, o futebol é o que me desperta esse sentimento. Junto com a música, certamente.

Outra coisa interessante no filme é o ESMERO com que são colocados atos do dia a dia. O menino ajeitando o goleiro do time de botão, o velho colocando açúcar no café, o goleiro preparando-se pra defender um pênalti. Detalhes são bonitos: uma moça dobrando a roupa, um músico afinando um instrumento, um senhor lavando o carro com cuidado, uma professora caprichando na letra corrigindo provas, uma velhinha regando plantas, crianças jogando bola na rua. São esses os detalhes mais bonitos da vida.

“O ano em que meus pais…” é um filme de pequenos detalhes, que emocionam. E um filme de conflitos, em que nenhum momento apela para maneirismos visuais. É simples. E bem cuidado. E nada é mais bonito na vida do que uma simplicidade bem caprichosa. Capricho, essa é a palavra que emociona.

November 7, 2006

PREMIADO

Filed under: alegria - Carlos @ 4:56 am

Pra fechar esta série, andei ganhando uns prêmios aí.

Melhor dramaturgia em rádio (Hell’s Angels) e melhor reportagem em rádio (Caso Daudt) no SET UNIVERSITÁRIO. Mesmo não sendo mais um UNIVERSITÁRIO, faturei DOIS.

Fui indicado para o Prêmio Press 2006 na categoria de melhor plantão esportivo em rádio. Pelo segundo ano consecutivo. A solenidade acontece no dia 16 de novembro, na Assembléia Legislativa.

Ainda concorro ao Prêmio ARI com diversos colegas pela série de especiais “A História das Copas”, que foi ao ar entre fevereiro e junho deste ano.

E ainda não me levam a sério, hein?!

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