Verborragia sem concessões

November 7, 2006

PREMIADO

Filed under: alegria - Carlos @ 4:56 am

Pra fechar esta série, andei ganhando uns prêmios aí.

Melhor dramaturgia em rádio (Hell’s Angels) e melhor reportagem em rádio (Caso Daudt) no SET UNIVERSITÁRIO. Mesmo não sendo mais um UNIVERSITÁRIO, faturei DOIS.

Fui indicado para o Prêmio Press 2006 na categoria de melhor plantão esportivo em rádio. Pelo segundo ano consecutivo. A solenidade acontece no dia 16 de novembro, na Assembléia Legislativa.

Ainda concorro ao Prêmio ARI com diversos colegas pela série de especiais “A História das Copas”, que foi ao ar entre fevereiro e junho deste ano.

E ainda não me levam a sério, hein?!

ESTRANHO ENCONTRO

Filed under: cinema - Carlos @ 4:51 am

Recomendação do mês, pra quem gosta de cinema brasileiro.
No melhor blog sobre o assunto e talvez o melhor material a respeito de Boca do Lixo, pornochanchada e gloriosos anos do nosso cinema, uma entrevista com Roberto Maya.
Não sabe quem é? Saiba, lendo o blog da GENIAL Andrea Ormond.

Roberto Maya foi o Marcelo de Walter Hugo Khoury, mas foi também o apresentador do Documento Especial.

Neste blog, absolutamente sensacional, escrito por alguém que realmente sabe TUDO sobre o assunto, e a quem eu admiro profundamente, destaque especial para o post sobre GISELLE, um dos dez maiores filmes brasileiros já produzidos.

Vale a pena, só uma olhadinha. Meu trabalho de conclusão foi sobre a Boca do Lixo, mas perto do que sabe e escreve Andrea Ormond, é coisinha de colégio. E olha que eu fui elogiado.

SOBRE FAMÍLIAS E KOMBIS

Filed under: comportamento - Carlos @ 4:31 am

Comprei um tênis. Um PUMA, o que eu queria. Foi estranha a tarde da folga, principalmente pela espera. Mas valeu. Decidi que assistiria a Little Miss Sunshine. Não só vi o filme como simplesmente assisti ao melhor filme de 2006 até o momento. Superou o brilhantismo e a quase perfeição de “Um Plano Perfeito”, que era até então o melhor do ano.

“Pequena Miss Sunshine” é uma pequena obra-prima do cinema da sutileza. Há muito não via um filme onde TODAS as interpretações são absolutamente sublimes. Greg Kinnear, como o pai obcecado pelo espírito do sucesso a qualquer preço; Toni Colette como a mãe insatisfeita com o marido e que tolera qualquer desvio da família em nome de não se incomodar; Paul Dano, o filho que não fala mas consegue expressar uma dor de ser incompreendido; Alan Arkin, que, pra mim, merece uma indicação pra ator coadjuvante, numa atuação impagável como o avô viciado em heróina; e Abigail Breslin, no papel de Olive Hoover, a menininha que vai concorrer ao Miss Sunshine, pra mim a melhor atuação de uma criança nos últimos dez anos. E o MESTRE Steve Carell, mostrando uma versatilidade impressionante, um quase Bill Murray, mais do que Jim Carrey no drama, com uma veia impressionante para comédia e para a tragédia. Um elenco afinadíssimo, que enche os olhos de qualquer um que goste de cinema.

O filme brinca com o americano obstinado pelo sucesso. No final das contas, todos da família são fracassados, mas são comuns. Se amam, se odeiam, vão mal, mas no final das contas, se sabe que é tudo uma questão de REDENÇÃO. Os valores permanecem, ninguém é absolvido por completo de suas culpas. Mas em um momento, a redenção, a família unida, o amor que aparentemente não é mostrado, esquecido, camuflado pelos objetivos egoístas, ele reaparece. Depois é esquecido, mas e aí, azar. Já comoveu todo mundo. Lindo de se ver.

Aliás, ultimamente o que mais me chama atenção nas telas é o cinema mínimo e singelo. Outro grande filme visto foi “A Lula e a Baleia”, uma pérola melancólica, direta e comovente. Um chute na hipocrisia, mas sem violência. Quase um SOPRO nessa hipocrisia, com um contraste tocante a respeito das descobertas adolescentes e de seus dramas após uma ruína familiar. A mentalidade de dois meninos completamente alterada após eles perceberem que aquela estabilidade e normalidade, a fortaleza da família, era apenas uma fachada, construída para a proteção deles mesmos. Outra obra recomendável.

Ando meio familiar ultimamente. Eu penso bastante a respeito da minha família e inacreditavelmente é um assunto que não me deixa nem um pouco confortável para falar ou escrever. Eu meio que falo o que eu quero, mas não é bem assim, existem coisas que a gente não toca pra se proteger.

Sou filho de pais separados e entendo perfeitamente o processo de desmistificação existente após uma separação. Afinal, todos somos de formação cristã. Basicamente, aprendemos que o certo para o crescimento é pai-mãe-avôs-avós-filhos. Depois, a ficha cai e a gente vê que não é tão sólida assim essa construção. A base familiar tem como importância fundamental fazer a criança acreditar que há essa tal base. Às vezes, há. Em outras, é um caos. Nos dois filmes, este é o exemplo. De como nossos heróis viram uma decepção de uma hora pra outra quando eles estão perdidos em suas próprias confusões, dúvidas e desgostos.

Mas aí vem, como eu disse, a redenção. Aquele pequeno momento em que simplesmente a gente esquece nossos próprios pecados, nossos erros com os outros, nossas desavenças, nossos vacilos e se entrega, num curto espaço de tempo, defendendo com unhas e dentes quem a gente ama, mesmo que a gente tenha feito mal pra essas pessoas.

Se tu for ver, de perto, todas as famílias são iguais. E se aproximar mais ainda essa lente, num zoom máximo, a gente vai ver que todos os relacionamentos são iguais. Quaisquer que sejam.

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