SOU MAIS O GUAÍBA
Caminhei na Beira-Rio, do Estádio até o Gasômetro. Piques de corrida. A pé até a redenção. Passei pelo meio da Cidade Baixa antes. Antes, fui de carro até Ipanema. Dias atrás, visitei a Feira do Livro. Vi o Gasômetro. Fui no velho centro. Atravessei a Praça da Matriz. Gosto da Redenção. Corri duas voltas no Parcão. Passei de carro no Olímpico. Fui até Ipanema de carro. Entrei de carro na Borges, passei por debaixo do viaduto. Cruzei o Marinha do Brasil. Gosto do Largo da Epatur e do cruzamento da Venâncio com a Osvaldo, ali, quando depois vira Protásio. Jantei no Barranco. Dei voltas e voltas na Encol. Dobrei na Edu Chaves pra pegar a Avenida dos Estados, antes do Aeroporto. Vi de longe, chegando pela 116 ou pela 290. Passei por debaixo da ponte do Guaíba.
Só troco Porto Alegre por Rio e São Paulo no Brasil. Não conheço BH, não posso dizer. Mas das outras, Curitiba, Florianópolis, Recife, Salvador, Fortaleza, Brasila (onde não sou eterno), dessas eu posso dizer. Fora outras menos cotadas, como Natal, João Pessoa, Maceió e Aracaju, onde também estive. E repito: Porto Alegre é a terceira melhor cidade do Brasil. Perde pra São Paulo, por seu espírito cosmopolita e sua abertura de mercado excepcional, especialmente na minha área, e perde para o Rio (mas qualquer coisa perde pro Rio, é incomparável).
O problema de Porto Alegre são os porto-alegrenses que passaram muito tempo no computador escutando bandas inglesas e acham que o Brasil é uma merda. O problema de Porto Alegre são os porto-alegrenses que acham que Porto Alegre é um ovo. O problema de Porto Alegre são as panelas culturais que acham que só ELES conseguem fazer alguma coisa de produtiva (mesmo que não sejam reconhecidos além-Mampituba). O problema de Porto Alegre são aqueles que acham que a cidade é um OVO, só porque não saem dos mesmos lugares e obviamente cruzam sempre com os que vão nos mesmos lugares. O problema de Porto Alegre são as pessoas que delimitaram um cotidiano que não sai dos seguintes limites: a oeste, o Guaíba. Siga para o sul, até a Ipiranga, Pela Ipiranga, trace uma linha reta que vai até mais ou menos a Terceira Perimetral. Sobe a Perimetral, aí ela vira Carlos Gomes e vai até a 24 de outubro. Desça a 24 de outubro, dá uma pegadinha na Bordini à direita, e a Cristóvão à esquerda, até a elevada da Conceição encontrar o Rio. Um grande quadrilátero, com alguns vizinhos conhecidos, mas que não foge disso. Fora disso, tem a ZONA NORTE DELES (Iguatemi e Bourbon Country), a ZONA SUL DELES (Beira-Rio e Ipanema, quando tem sol) e a ZONA LESTE DELES (PUC). São os limites do porto alegrense que acha que a cidade é um OVO.
Resumindo: o problema de Porto Alegre é o povo que não gosta de Porto Alegre. E que ao invés de ficar sonhando em falar inglês com sotaque britânico, deveria aproveitar as diversidades diurnas e noturnas dessa cidade que me pariu, me criou, me formou e me deu alma.
Com certeza. O problema de Porto Alegre são os porto-alegrenses. que são cheios de si e MUITO mal educados.
Comment by Bonato — November 15, 2006 @ 10:25 am
É certo que muito dos problemas de Porto Alegre estão ligados aos porto-alegrenses e esses hábitos irritantes de reclamar, como colocaste. Gosto demais daqui, não sei se trocaria por São Paulo (profissionalmente, até que sim. Mas olhando pela qualidade de vida…). Só o Rio que é o Rio, lindo e maravilhoso. Mas não tem nada melhor do que andar pelas ruas de Porto Alegre olhando os ipês-roxos e amarelos, sentindo um friozinho… Os incomodados que se mudem e deixem os apaixonados em paz!
bjs
Comment by Vanessa — November 17, 2006 @ 6:54 pm