ENDURECENDO PERDENDO A TERNURA
Acho massa os megalomaníacos. Há uma pessoa, pública, mas impossível de ser citada aqui por causa de compromissos profissionais e éticos que me censuram, que é o maior megalomaníaco que eu conheço. Admiro ele. Ele é bastante lido por estas terras, mesmo.
Dias desses, em um discurso-corredor bastante habitual por parte dele, um outro colega meu chegou a uma conclusão absolutamente genial.
“Ele é tão megalomaníaco que faz VINTE ANOS que ele não fala de ninguém, a não ser dele mesmo. É tão doente que quando não fala sobre ele, cria um alter-ego pra ser a única OUTRA pessoa de quem ele consegue falar.”
Genial.
Eu falo pouco sobre mim por aqui. Mas se pensarem bem, eu SÓ falo sobre mim. Este blog é uma sucessão de “eus”. Claro, arranjo uma série de subterfúgios pra que eu não tenha que usar a primeira pessoa, mas basicamente este blog é uma doentia, egoísta e patética maneira de me afirmar. Falo mal de todo mundo pra ressaltar que no fundo eu não tenho muito a dizer, a não ser criticar. Uma terapia com o teclado. Eu falo pros comentários serem meus personal psiquiatras, só que sem medicação.
Às vezes, eu me sinto aflito. Aí eu escrevo, seja pra alguém comentar que eu entendo de determinado assunto ou simplesmente pra atingir quem eu considero rainha-da-festa-da-uva permanente. Saca, aquelas pessoas com um sorriso irritante o tempo inteiro. É uma maneira absolutamente cruel de exorcizar qualquer tipo de desespero em 2006. Como diria a música, eu ando mesmo descontente, mas sequer consigo gritar desesperadamente. Guardei. Enfiei toda essa angústia e a ofereci à minha solidão profunda. Todo esse amontoado de erros, de tarefas, de cobranças, de insatisfação e de desgosto é um efeito bumerangue. Eu taco, mas sempre volta. E aí, eu injeto na minha própria alma, reservando um espaço considerável para todas minhas frustrações.
Acontece que esse espaço estourou. E aí, eu falo de mim do jeito que eu não gosto. Há algum tempo, eu faço questão de demonstrar uma força e uma superioridade que não são nem um pouco condizentes com o momento que eu vivo. Eu sou um copo cheio d’água esperando a gota final pra derramar. Mas ao mesmo tempo, eu convivo com uma capacidade que eu jamais acreditei que tivesse. Eu estou conseguindo suportar tudo isso sem cair.
O problema é que talvez eu esteja precisando cair. No momento, eu tenho uma carga muito mais forte do que vocês imaginam: a carga da minha própria frustração. Logo, logo, não vai ser possível agüentar e eu desabo. Este peso é enorme e eu sinto que consigo carregá-lo por um simples fato: endureci. Perdi a ternura. Pedra, sem sentimentos, sem REssentimentos, sem expressões mais significativas de afeto e carinho. De um lado, uma vontade enorme de recuperar os sentimentos. Por outro, uma incrível força de vontade pra seguir assim. Uma maneira barata e cruel de acreditar que eu não vou sofrer novamente.
No final das contas, eu estou como uma carne de segunda. Dura como pedra. Agora, se alguém pegar um martelo e bater com força, temperar direitinho, fritar na medida certa e servir num prato bonito, fica parecendo um filé dos bons.
Ou como aquela trilha de dominós. Lá estão eles, de pé, intactos, austeros, duros, imóveis. Basta um peteleco pra derrubar toda aquela montanha construída cuidadosamente. Tô assim. Duro. Agora, resta achar alguém pra dar o peteleco certo pra eu desabar. E, quem sabe, voltar a sentir.
tá sem garouta??
só pode.
hshhshhshs
Comment by Jousi — November 23, 2006 @ 5:35 am
vc vive falando isso… mas no fundo vc ainda é um filé… ehehehehe
Comment by Fernanda — November 23, 2006 @ 4:38 pm
“a carga da minha própria frustração. ” como se tu tivesse 100 anos e ja tivesse tido todo tipo de frustraçao real…
amores… amores…
“Vamos, não chores.
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.
O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua…”
ai para de drama…
filézinho
:*
saudade
Comment by amelie — November 25, 2006 @ 4:01 am
“a carga da minha própria frustração. ” como se tu tivesse 100 anos e ja tivesse tido todo tipo de frustraçao real…
amores… amores…
“Vamos, não chores.
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.
O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua…”
ai para de drama…
filézinho
:*
saudade
Comment by amelie — November 25, 2006 @ 4:03 am