CONFERE ALI
Listas com os melhores de 2006 lá no Cowboy in the sand.
De música, claro.
Passa lá.
Listas com os melhores de 2006 lá no Cowboy in the sand.
De música, claro.
Passa lá.
Fiz um blog musical. Cowboy in the Sand porque absolutamente não tinha um nome melhor pra escolher. Ou talvez porque “Cowgirl in the sand”, de Neil Young, seja uma música tão fantástica que merece uma citação.
Será um blog sobre música. Aqui, continuarei escrevendo aquelas besteiras que todos já estão acostumados.
Música, lá.
Só que é um saco escolher template (que ficou ruim), cadastro, essas coisas, que eu começo outro dia. Segunda-feira.
Feliz Natal.
De longe foi a melhor cobertura que participei em seis anos como profissional de rádio. Acho que de quinta a domingo dormi apenas umas doze horas, mas cada uma dessas horas valeu a pena. Sou absolutamente louco por grandes eventos e, no maior evento vivido por mim enquanto profissional, fiz questão de participar de cada detalhe.
Na minha opinião, o ponto alto foi a versão de “Disparada”, de Geraldo Vandré e Theo de Barros, música imortalizada pelo mestre Jair Rodrigues em 1966, que ganhou roupagem colorada na voz de Neto Fagundes.
Em 1999, o Inter enfrentaria a Ponte Preta pra tentar fugir do rebaixamento à segunda divisão. Na Lancheria do Parque, Zé Victor Castiel escreveu uma letra, adaptada de “Disparada” e entregou para o Neto Fagundes interpretar. Ficou linda.
No meio da semana, meu colega Lucianinho e eu tivemos esta idéia. Vamos chamar o Neto, alterar a letra, fazer uma montagem e colocar esta versão no ar. Se transformou em “Disparada Colorada”. Já tá no emule, e no clicrbs. A letra está no blog do Gaúcha Hoje. Ficou uma pérola.
Valeu tudo e, claro, parabéns ao Inter. Eu vivo na cidade do melhor time de futebol do mundo.
Eu assinei um contrato em linhas invisíveis com o blog ou qualquer publicação aberta que me impede de divulgar o time que eu torço. Não posso. Não devo. É melhor não.
Queria dizer a todos, no entanto, que são meia noite e meia do dia 13 de dezembro de 2006 e que em oito horas o Inter entra em campo contra o Al Ahly do Egito pelo Mundial de Clubes. Neste momento, estou me dirigindo ao trabalho para uma cobertura de doze horas. Para mim, é uma honra poder trabalhar neste momento tão glorioso para o futebol gaúcho.
Assim como na cobertura de duas Copas do Mundo, sinto um nervosismo especial. Fazer produção em grandes eventos vale cada minuto de jogos por Gauchão, de encheção de lingüiça, pautas ruins e ano cansativo. É um nervosismo profissional, claro. Com a certeza de que faremos o melhor para que o futebol gaúcho traga outra taça para nós.
Obrigado.
Tinha um cara que jogava bola comigo na COHAB, pelos idos de noventa e dois, noventa e três que se chamava ISMAEL. Pode ser ISRAEL, mas era um alemãozinho meio marginal que andava com um pessoal suspeito ali do Barão do Caí-COHAB-Passo Da Mangueira. Onde desfilei a arte na lateral direita em manhãs frias de sábado, pegando o COSTA E SILVA ou o VILA LEÃO, posteriormente descendo pela Zeferino Dias, até o Tumelero, ou SE PÁ subindo até a Baltazar pra pegar qualquer um que passava por ali.
Quando eu tinha 13 ou 14, o Ismael morreu. Fez uma roleta russa com amigos e deu azar. No seis contra um, deu o um, e os aproximadamente 18% de chances que ele tinha de uma bala furar sua boca acabaram acontecendo. Nunca me esqueci disso. Afinal, foi a primeira pessoa da minha idade que, de fato, foi vítima de uma fatalidade. Ou de uma estupidez, uma burrice fenomenal.
No Salvador, tinha um cara chamado Caloy, que era um alemão bem gente boa. Era um ano mais velho. Fiquei sabendo que ele foi vítima de um acidente de moto há algum tempo atrás. Fatal.
Trabalhei com um outro cara, também gente boa, que foi vítima de leucemia. Durante esse tempo todo, convivi com a morte de familiares próximos. Meu avô, que era a pessoa que eu mais admirava nesse mundo, e que me ensinou basicamente tudo o que eu sei, por exemplo, sobre futebol, e mais uns outros segredos que ajudaram a formar muito do meu caráter e personalidade, faleceu em 95. Eu tinha 16 anos e abruptamente fui oficializado como homem. Não tinha pai, por motivos que eu não gosto de falar. Era eu o mais velho da casa e de certa forma, de um dia pro outro, passei ao menos a tomar as rédeas masculinas do lar, por mais que minha mãe tenha um talento extraordinário para aglutinar essas funções (e MUITO BEM, diga-se de passagem).
Talvez eu rejeite por isso o rótulo de “guri de apartamento”. Não fui exatamente criado assim. Tive algumas dificuldades e diversos medos numa idade em que o certo era pensar em sair, tomar uns tragos e dar uns beijos. Minha família é pequena e essas perdas me fortaleceram consideravelmente. Descobri que precisava de um rumo aos dezesseis, quando tudo poderia se perder, vivendo sem uma figura paterna forte e cercado por uma vizinhança nem sempre recomendável. Mas não. A morte de meu avô me deu estímulo para seguir numa carreira e de certa forma vencer nela. Eu teria de ser a prova de orgulho, já que era o mais velho homem da família. Não tenho primos, tinha uma tia direta que morreu e não me dou com a família do lado de lá, no caso os Guimarães (apesar de usar o nome, mas só porque é mais sonoro do que Soeiro).
O que ninguém sabe é que, por mais que minha mãe seja uma supermãe, a melhor do mundo, ela tem um braço direito que faz das suas, mas é confiável. Um bom auxiliar, uma segunda voz na hora de decidir, às vezes uma primeira voz. E não é de agora. É desde a adolescência.
A minha irresponsabilidade é mais uma de minhas fraudes. Mais uma das minhas lendas. Eu sou muito responsável. Por mais que eu já tenha batido meu carro bêbado num reveillón ou que eu tenha estourado minha cabeça num poste, ou ter ficado mamado umas 300 vezes e feito fiascos, eu cumpro direitinho minhas obrigações. E não deixo o cu na reta.
Volta e meia, é preciso de um baque. E nesse baque, eu me questiono a respeito das minhas responsabilidades. Estarei eu seguro? Eu sou realmente responsável? Eu corro o risco? Há algum tempo não pensava na morte. O acidente com o Gabriel me fez pensar isso. Me lembrou o Ismael. E me fez perceber que eu carrego uma carga muito maior do que possam imaginar. A carga de não decepcionar mais. De vacilar menos. De me concentrar para que os dependem de mim (e isso eu falo no sentido AFETIVO da situação) não sofram mais.
De alguma maneira, esse grande choque que foi saber de um guri legal, com sonhos, com um futuro brilhante, cheio de amigos e muito querido teve um reflexo enorme sobre mim. Passei o dia todo mal, mas mais do que isso, eu pensei bastante. E todo aquele sentimento de solidão e vazio dá lugar a uma overdose de responsabilidade e medo. O tempo passa e o medo cresce. Deve ser a percepção definitiva de que eu não sou eterno. Nem os que me amam são eternos.
Hoje, eu queria abraçar todo mundo que eu gosto. Mesmo. E, por mais que eu pensasse no Gabriel e em tudo o que a família dele deve estar sofrendo, eu lembrei muito mais do meu avô. E de como seria legal saber dele a seleção do brasileiro, coisa que a gente fazia quando eu era pequeno. E da opinião dele sobre o Fernandão, de como ele teria visto a Copa. Se seria que nem em 94, quando ele viu todos os jogos comigo e deu um salto na cadeira de balanço quando o Branco deu aquela paulada contra a Holanda. Pensei nele e se desse, voltaria no tempo só pra perguntar um monte de coisa e aprender mais ainda.
Podem ter certeza, o aprendizado aqui foi muito grande. O dia 4 de dezembro marca uma evolução na minha maturidade. A consciência de que não há eternidade. De que a inconseqüência só vale a pena mesmo quando se tem um backup violento nos dando proteção. E, amigos, tenham certeza de que, quanto mais o tempo passa, mais desprotegidos ficamos. E aí, pessoal, não tem mais espaço algum para a inconseqüência. E mais dá vontade de estar com quem a gente gosta.
A CBF entregou o prêmio aos melhores do Brasileirão 2006. Algumas gafes vergonhosas na festa que nem funcionou tão bem assim. A Taís Araújo, mesmo errando, acabou se saindo bem. Fiquei só pasmo com o Evandro Mesquita, que não conhecia o Lucas (sendo que é um jogador que se diferencia dos outros, fisicamente falando).
A seleção foi a seguinte: Rogério Ceni; Souza, Fabão, Fabiano Eller e Marcelo; Mineiro, Lucas, Zé Roberto (Bota) e Renato; Souza e Fernandão.
Eu mudaria algumas coisas. Vamos então à segunda parte da retrospectiva 2006, com os melhores do Campeonato Brasileiro e do futebol brasileiro em geral:
=-==-=-=
SELEÇÃO DO CAMPEONATO
Rogério Ceni (São Paulo); Ilsinho (São Paulo), Índio (Inter), Fabiano Eller (Inter) e Marcelo (Fluminense); Mineiro (São Paulo), Lucas (Grêmio), Cícero (Figueirense) e Renato (Flamengo); Fernandão (Inter) e Aloísio (São Paulo)
CRAQUE DO CAMPEONATO
1- Rogério Ceni
Foi artilheiro do time. Pegou tudo e mais um pouco. Comandou a equipe, e garanto que se não tivesse essa segurança o São Paulo não teria passeado.
2- Mineiro
Ninguém jogou mais que Mineiro. Rogério Ceni simboliza o título, mas Mineiro foi tudo o que se espera de um jogador moderno. É um faz-tudo, sendo, na minha opinião, merecedor do posto de titular da seleção brasileira no momento, formando dupla com Gilberto Silva.
3- Fernandão
É o maior jogador em atividade no futebol brasileiro. Nunca vi alguém jogar como Fernandão. Inteligente, artilheiro, bom caráter, líder. Também teria vaga na minha seleção.
4- Renato
O Flamengo foi o time de um jogador só: Renato. Sem ele, seria rebaixado, porque a companhia não é das melhores. Fez a diferença.
5- Lucas
Revelação do campeonato. O melhor segundo volante surgido no Brasil nos últimos tempos.
REVELAÇÃO
1- Lucas (Grêmio)
2- Marcelo (Fluminense)
3- Cícero (Figueirense)
4- Ilsinho (São Paulo)
5- Diego Cavalieri (Palmeiras)
ÁRBITRO
1- Leonardo Gaciba (RS)
2- Luís Antônio Silva Santos (RJ)
3- Carlos Simon (RS)
4- Luís Alberto Sardinha Bites (GO)
5- Alicio Pena Junior (MG)
TÉCNICO
1- Mano Menezes - Grêmio
2- Muricy Ramalho - São Paulo
3- Renato Gaúcho - Vasco
4- Caio Júnior - Paraná
5- Geninho - Goiás
Encerrada aqui a retrospectiva do futebol.
Não conhecia o Gabriel Pillar o suficiente para considerá-lo meu amigo. Lia o blog dele. Algumas dúzias de vezes cruzei com ele em festas. E, certamente, a nossa maior proximidade se deu por dezenas de amigos em comum.
Ele descia a Mostardeiro, na lomba do frio da barriga, e perdeu o controle do carro. Encontrou um poste na esquina com a Comendador Caminha.
O mais foda é o jeito estúpido com que as coisas são levadas deste mundo. Não há consolo, mas há talvez aprendizado. Quem sabe a gente não pega mais leve, hein?
É isso. Foi uma pena não ter te conhecido, velho. Sempre me falaram muito bem de ti. Mesmo.
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