PARAÍSO
O melhor momento da virada foi ter colocado os pés descalços na grama da minha casa da praia, na Rua Guarujá, em Atlântida Sul. Mais até do que cravá-los na areia ou no mar. Eram quase duas da tarde do domingo quando eu cheguei, tirei a roupa, coloquei uma bermuda confortável e meti os pés na grama. Onze meses depois, eu via minha casa da praia, conseguia olhar para o céu completamente azul e o sol maravilhoso e tive, talvez mais até do que quando avistei a lagoa mais transparente do mundo (Jericoacoara - CE - 2003), a sensação de que estava no paraíso.
O momento em que virou o ano, por si só, foi igual a todos, e isso eu já presenciei vinte vezes, pelo menos. Não ganhar folga e querer passar o reveillón longe de casa te motiva pra fazer uma espécie de intensivão praiano. Eu corri duas vezes na beira do mar, fui pra praia só pra pegar sol, comi churrasco, bebi, comi ceia de ano novo, dirigi pelos principais pontos, fui a Capão, a Tramandaí, visitei amigos, comi sorvete, deitei na rede, ouvi música e bati bola de brincadeira. Claro, só não dormi. Não deu tempo pra dormir. Tinha muita coisa pra fazer e eu não me importava em estar cansado.
Claro, em todas essas corridas, eu pensei. Pensei nesse blog. Por que diabos eu sigo mantendo um blog que ninguém lê? Ou então, um blog em que ninguém comenta? Acho que ainda é aquela coisa de querer atingir meus leitores por alguns textos. Reli o que eu escrevia há muito tempo, ainda nos anos noventa. Reli o que eu escrevia no início da década. Cara, eu era bom. Eu ainda mantinha aquela inocência pré adolescente, uma mistura de idealismo com olho de tigre pra encarar o mundo real. Sonhos que me permitiam dizer que eu era jovem e que eu poderia ser absolvido por qualquer erro. Eu poderia ser sarcástico e conseguia determinar minha censura. Eu era mais justo com os outros e bem mais alegre e simpático. Eu já era um arremedo de mesa de bar, porém mais convicto. Eu gostava mais das pessoas e talvez me importasse mais com elas. Eu cuidava menos da minha saúde. Eu era menos irritado, e se houvesse uma irritação, ela era até bem vinda. Era menos conformado. Eu tinha mais raça, mais pegada.
Pela primeira vez, meu único projeto pra 2007 é iniciar um processo de estabilização. Abandonei qualquer tipo de sonho em troca de uma rotina que vai me envelhecer e me focar em algo que é urgente nessa aproximação dos 30 anos. Na verdade, acho que eu estou muito cansado pra abandonar o que eu tenho e o que eu gosto. Para deixar pra trás as coisas que foram construídas e embarcar em alguma nova viagem. O meu projeto pra 2007 é não ter projetos. É a manutenção de certas coisas. E se tudo se tornar chato, eu piso na grama da minha casa da praia e as coisas melhoram na hora.
Ah, eu sou menos paciente também. Bem menos. Como as pessoas me cansam, vou mandar um recado pra quem AINDA lê este blog. Se alguém comentar simplesmente “Praia é tudo mesmo”, isso vai ser deletado e essa pessoa riscada das minhas relações. Eu falo sério.
feliz 2007 vale?
Comment by bibs — January 9, 2007 @ 3:06 am
vale sim, babe
:)
pra ti tb!
Comment by Carlos — January 9, 2007 @ 3:28 am