Verborragia sem concessões

January 15, 2007

FÉRIAS

Filed under: comportamento - Carlos @ 1:17 am

No ano passado, eu escrevi que meu vizinho da praia ouvia Inimigos da HP e eu achava suportável. Neste ano, fui além. Pedi para minha amiga Paula, a da Atlântida, que fizesse uma seleção de pagodes, funks e axés para que eu gravasse e levasse à praia.

Pela primeira vez na minha vida, eu acredito em estado de espírito. Nunca fui muito ligado nessas associações de música ouvida com roupas ou predileções com a alma. Na verdade, nunca acreditei em muita coisa na minha vida.

Desde novembro, passo boa parte do meu tempo livre sozinho. Esta aparente solidão me fez repensar certas coisas. As mudanças repentinas são sempre de se desconfiar, por isso que eu ainda estou aprendendo. Desde então, eu tento correr ao menos três vezes por semana. Parei com doces, perdi 5 kg, adquiri algum condicionamento e até não fiz nenhum fiasco com a bebida (mesmo sabendo que a cerveja, meu caro, é meu fraco). Mas as corridas, estas sim, me fazem um bem inexplicável. É uma renovação diária, uma limpeza completa no organismo, um pedido de reconciliação com os próprios erros e abusos com o corpo e a consciência.

E aí eu começo a acreditar nesse pensamento de relacionar estado de espírito com vestimenta, música e astral. Foi um período musical intenso também. E na busca pela experimentação de qualquer ritmo, me livrando de preconceitos, de influências e jabás, me permiti ouvir de tudo.

Numa dessas, na praia, estava ouvindo o pagode do meu vizinho e decidi que queria fazer um CD desses. Repito, por mais um ano, o que escrevi ano passado: não acho ruim. Sábado, por volta de dez da noite, logo após o banho, depois do lanche da noite, com a Av. Saquarema lotada em Atlântida Sul, depois de um dia lindo de sol, deitado em uma rede, um pagode tocando, anunciando uma noite que pode chegar na companhia de amigos, com uma cerveja gelada, ar puro e um céu estrelado. O ritmo precisa ser integrado com esse estado de paz, descanso e de reconciliação com a alma. Precisa ser alegre, aberto, contagiante.

Esse sintoma de aparente bunda-molice musical (onde eu não ligo, realmente, basta ver que eu tô indo do Inimigos da HP a Klaxons ou de Kreator a Zeca Pagodinho, ou se tu quiser de Mr.Bungle a Fergie) chegou ao ápice durante a transmissão do Planeta Atlântida-SC, onde ouviram de mim as seguintes sentenças:

“O Armandinho é um cara talentoso. Tá colocado em horário errado pro tamanho que ele adquiriu.”
“Até dançaria com o Jeito Muleke.”
“Entre a pagoderia e o dia emo, eu iria no dia do pagode.”

Isso sem contar os posts colcando a música da Pitty como a melhor pop rock no Brasil em 2006 ou então quando eu simplesmente elevo Lulu Santos ao posto de gênio, isso no outro blog.

Eu não estou mentindo, eu falei tudo isso mesmo. Depois de um certo tempinho estudando a música, ouvindo, lendo, consolidando gosto e entendendo razoavelmente, me dou no direito de expressar esse tipo de opinião. O que eu quero que entendam é que, neste caso, não se trata de música. Se trata de estado de espírito. O que menos importa é a música. O que mais me contagiou e até me emocionou no Planeta SC foi, pra ser bem clichê, uma multidão jovem, bonita, disposta, pulando e simplesmente fazendo coisas que as pessoas se esquecem: diversão descompromissada.

E é disso que eu estou falando. Talvez seja a proximidade dos trinta. Ver a gurizada de 17 ou 18 anos já não soa mais tão ridículo como na época em que eu tinha 23 e achava um absurdo essa gente estar na rua. É o estado de espírito que eu tinha na época que eu quero de volta. É possível. Talvez não os gostos, as inexperiências, as novidades e as apreensões, medos e falta de responsabilidade. Mas eu quero aquele humor, a disposição, o sorriso fácil e um pouco da saúde, claro.

Outros acontecimentos foram importantes para ratificar tudo o que eu escrevi. Comprei roupas e um tênis no final do ano passado. Nenhuma era escura. Todas claras e leves. O tênis que eu comprei era branco. Bermudas mais claras e até uma floreada, estampada. E a tatuagem, é claro.

Esse montante de coisas vai, certamente, me dar o melhor verão dos últimos anos. Ao som de sabe-se lá o quê. Do hit do momento, daquilo que vai durar pra mim 15 dias e que sempre vai me lembrar o verão de 2007. Da festa em qualquer lugar, com um monte de gente que eu desprezava há um tempo atrás, mas hoje até me dá uma ponta de inveja. Desse mundo que eu não convivo nos outros meses e que está por aí, consumindo coisas diferentes das minhas, livres desse cotidiano que me esgotou e que necessita de uma urgente renovação.

Penso em desligar meu celular durante esses 15 dias que eu ficarei na praia. Começa terça. Mas não, vou deixar que me liguem à vontade e que permitam que minha consciência diga sim ou não pra quem me chamar. É uma questão de feedback, sintonia. Minha antena tá só captando as melhores vibrações. Se tu tá nessa barca também, vem junto que será bem vindo.

Sei não, mas tô achando que eu vou ficar mais leve em 2007. Agora eu torço pra que a Paula capriche nessa seleção que vai, na ordem, me desintoxicar, me alegrar, tirar um peso na consciência, pra depois deixar que eu enjoe, descarte e me renove. Afinal, não foi pra isso que foram feitos os hits ou os amores de verão?

3 Comments »

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  1. estamos nesse mundo pra sermos livres.

    não é música, nem estilo, nem nada que vá nos impedir de fazermos, o que bem no fundo, sempre tivemos vontade.

    Comment by fran — January 15, 2007 @ 1:31 am

  2. hohohoho

    toda a confusão das mensagens foi só pq eu li teu post e resolvi te mandar uma msg… heheheh Agora já sabe quem é, né?

    bjs

    Comment by Vanessa — January 17, 2007 @ 1:33 am

  3. Bom reaparecer por aqui e te encontrar assim tão bem, tão light. Boas mudanças. Espero que tenhas começado 2007 muito bem. :)

    Comment by Vica — January 22, 2007 @ 8:23 pm

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