FRAGMENTOS
Este texto foi escrito há aproximadamente um mês e eu não ia publicá-lo. Como duas das três pessoas citadas já leram e não fizeram grandes dramas, aí vai ele.
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Descobri qual é a mulher dos meus sonhos. Descobri QUAL é e não QUEM é. Minha mulher ideal é um cyborg. É um ser mutante derivado de transformações de três pessoas diferentes, estas reais, de carne osso e que eu conheço muito bem. A minha mulher ideal é a mistura bem feita das minhas três ex-namoradas.
Eu coloquei no orkut que eu admiro minhas ex-namoradas. E neste caso, eu coloco as três com quem fiquei mais tempo, ignorando as que estiveram comigo por menos de um ano. É, de fato, efetivamente assumi mais namoros que estes três, mas no final das contas, percebi que não passavam de ficadas prolongadas. Portanto, com total ausência de demagogia, admiro as três, com todas suas diferenças, seus defeitos, suas qualidades e com a certeza de que eu conheço bem as três.
Claro que não vou citar os nomes. Das três, uma certamente vai ler este texto (e já tomou conhecimento do conteúdo dele). Outra, pode ser que leia. Volta e meia ela está por aqui. Quanto à terceira, esta tenho quase certeza que não vai ler.
Esta idéia imbecil e absolutamente doentia surgiu numa corrida em Atlântida Sul. Observando os casais passeando na praia, comecei a dividí-los pela sintonia. É assim que funciona a fórmula mágica do amor. É tudo uma questão de SINTONIA. Ou tem, ou não. Partindo do princípio da primeira impressão, fiz esta a avaliação na praia. Alguns casais tinham uma sintonia perfeita. Outros nem tanto. Foi quando eu percebi que eu talvez não tivesse mais uma sintonia exata com ninguém. A minha sintonia era com fragmentos destas três ex-namoradas. O gosto por cinema de A, a parceria para viajar de B, o banho de mar com a C, o gosto musical da A, o companheirismo da B, a determinação da C, as piadas internas da A, a paciência de B e a simplicidade da C e até pegando coisas mais pontuais, como a mescla da vida caseira da A, da disposição da B e do clima familiar da C. Não criei uma imagem desta mulher cyborg, até porque particularmente eu acho as três muito bonitas. Detive-me apenas nas figuras psicológicas delas.
Assim que eu fui criando minha mulher ideal, misturando características tão antagônicas das três, e que juntas se tornariam algo que eu não posso conceber que seja alguma coisa diferente da definição de PERFEIÇÃO.
Obviamente, elas possuem semelhanças, além do fato de terem CAÍDO NO MEU CONTO. Mas tenho certeza que não foi nas semelhanças que elas fizeram com que eu me apaixonasse por elas. Foram as peculiaridades, estes detalhes que só uma delas tem e as outras deixam a desejar. Ah, malditos detalhes, um sorriso bem colocado, uma manha bem feita, uma idéia mirabolante, um afago na hora certa. Coisas que a gente não sabe muito bem explicar, mas que quando nos toca, como aconteceu nestes três momentos separados da minha vida, a gente chega bem perto do que se imagina como felicidade.
E eu pensei no meu início com as três. E em como eu me divertia com qualquer bobagem que elas faziam pra mim. E em como isso passou e eu não soube aproveitar o que seria “marasmo” e transformar em simplesmente “intimidade”. Eu preferi acreditar que algo estava morrendo ao invés de ter a consciência de que era apenas um elo bem mais forte e eterno que se encaixava.
Foi quando eu cheguei à conclusão que deu origem ao texto. Eu tinha sintonia com as qualidades delas e perdi a sintonia pelo que eu considerava defeito delas. Talvez eu tivesse exigido muita coisa. Ou pior, talvez eu tivesse deixado a desejar ou tivesse pisado feio na bola.
Justamente por isso, não sei se eu daria certo com uma mulher com defeitos, qualidades, ranços, manias, gostos, antipatias, medos, traumas, caras-de-bunda, má vontade, desejos incompatíveis, sonhos diferentes, TPM, etc. Talvez tenha me faltado maturidade pra conviver mais longamente com uma pessoa normal como qualquer uma das três, as mais fantásticas e admiráveis mulheres que eu conheci até hoje.
Aí, feito adolescente bobo, criei meu amor platônico: a mistura dessas três pessoas que eu vou gostar para o resto da minha vida, pegando só o que eu julgo ser qualidade delas, e já me arrependendo amargamente por ainda não compreender o que pra mim são seus defeitos.
Acho que eu nunca vou entendê-los mesmo. Enquanto isso não acontece e como não existe esta mulher, essa é a maneira, do meu jeito, meio errada, complicando tudo, de prestar um tributo por quem eu realmente me apaixonei, pra rotular de uma vez por todas o que vocês são para mim: inesquecíveis.
Eu gostaria de conseguir o feito de não comparar…
Pq às vezes, como náufragos que se debatem contra a violência das ondas, nos deixamos envolver totalmente pelas lembranças de um tempo que já se foi.
Ei, gostaria muito de reler um texto teu, similar a este, do blog antigo (…) Eu perdi. Cita nomes e tal. É pedir demais?
Bj saudoso.
Comment by Sílvia (Acre) — September 27, 2007 @ 8:21 am