LABIRINTO DO FAUNO
Confesso um total desleixo com o cinema neste início de ano. Não vi vários filmes dos que concorreram ao Oscar. Entre eles, a indicação geral da nação “O Labirinto do Fauno”.
Algumas pessoas que eu conheço indicaram o filme mexicano como o melhor do ano. E eu entendo as razões. Provavelmente, “O Labirinto do Fauno” seja o filme mais belo que eu já vi. Pelo menos no aspecto visual, nunca vi tamanho encantamento com os planos, cores e imagens colocados na tela.
Além disso, é o filme mais triste que eu vi nos últimos tempos. A sensação de quem vê o filme é de uma melancolia permanente, que só cessa quando tem alguma outra coisa que a interrompa. A mistura de fábula com barbárie, a pureza de quem acredita na fantasia misturada com a crueldade de quem defende um ideal, a falta de sensibilidade de quem cresceu alternando com a imaginação de quem sabe o que está acontecendo, mas tem fé de que possa haver um mundo onde ela era princesa, habitado por fadas, com labirintos e portas que se abrem com giz.
O personagem do fauno, a criatura com dedos nas mãos, os insetos nojentos, um sapo gigante, todas criaturas fantásticas e horripilantes são bem menos monstruosos do que um simples ser humano, que comete as piores atrocidades simplesmente porque acredita. É a contradição da crença. De todas as crenças. A crença do capitão no novo governo e em se tornar à altura do que foi seu pai, dos rebeldes que ainda acham possível a revolução, da mãe que só quer um futuro melhor para os filhos e a crença da menina (ótima atriz), que consegue enxergar uma saída única num maravilhoso mundo de fantasia e ilusão.
Um filme que perturba e que emociona. E, repito, com uma fotografia deslumbrante, uma direção de arte de encher os olhos e efeitos especiais de primeira.
Bah, eu tô louca pra ver esse filme, mas pelo jeito só vai rolar quando tiver DVD.
Comment by Vica — March 15, 2007 @ 11:06 pm