Verborragia sem concessões

March 14, 2007

BBB 7

Filed under: repercutindo notícia, brasil - Carlos @ 5:30 pm

Já afirmei aqui que eu sou fã do Big Brother. Eu acho o programa bem feito, com uma idéia original e extremamente agradável de se olhar. Sou contra as teses da “grande inteligência jovem” de que o programa é alienado, é um freak show, não proporciona cultura, etc. Eu sou brasileiro e me criei vendo novelas, indo a jogo de futebol, aprendi a beber tomando cerveja quente e quando tinha vontade de mijar na praia, eu desafogava no mar mesmo. Portanto, me apresento como um membro sem frescura da mais genuína cultura popular brasileira.

Considero o BBB uma amostra simples de como pessoas viveriam confinadas em um lugar. À parte toda a estrutura que eles têm na casa, é inegável que são doze pessoas distintas que vão brincar um pouco de eliminar os outros na busca por um milhão. Claro, é uma barbada ficar ali tomando banho de piscina e deixando as contas rolarem pra quando sair dali pagá-las com uma facilidade bem maior. Não é a VIDA REAL, e eu jamais seria tolo para analisar desta forma o programa. É uma novela com pessoas de verdade. E isto ninguém pode desmentir: são sim pessoas de verdade, que tinham, bem ou mal, uma vida fora dali. Independente de serem sarados, bonitos e jovens, Diego, Alberto, Fani, Carol, Bruna e companhia eram anônimos completos antes de entrarem no BBB. Portanto, são anônimos em busca da fama confinados num lugar sem fazer nada e suscetíveis à nossa interpretação de suas personalidades.

O povo gosta e julga. E vota. Nas outras edições, a vitória foi dos chamados excluídos sociais. Eram burros (Kléber Bambam), puros (Rodrigo caubói), pobres (Cida e Mara), carismáticos ingênuos (Dhomini) e um excluído social (Jean, no caso homossexual). Cada um representava um papel. Cida e Mara eram as pobres no meio dos sarados, sem corpo e roupa de grife. Era a camada baixa conseguindo a glória sem saber exatamente porque adquiriam a popularidade. Talvez tivessem sido escolhidas muito mais por pena do que por identificação. As pobres mereciam uma chance de conquistar alguma coisa.

Rodrigo e Dhomini pertencem a outro caso. O caubói não foi o mais famoso do BBB2 (Thyrso e Manuela, o casal fofo, ficaram com este mérito). Mas sem dúvida, a sinceridade e pureza do cara que só queria cantar e comprar umas terras sensibilizou o povo, que o escolheu por ser o mais gente boa daquela edição. Dhomini era um espertinho, meio vigarista, mas aí veio uma história de amor, do super apaixonado por Sabrina que nunca conseguia nada. Aí venceu o gosto por folhetim do povo brasileiro. Nas novelas, sempre o rejeitado por amor ganha. Dhomini ganhou.

Kléber Bambam era o idiota, o pateta, o burro. Venceu bonito o BBB1, quando ainda não se sabia como funcionava o jogo. Já Jean era o bonzinho que apanhava. Uma representação da bondade em pessoa, apenas um cara incapaz de fazer mal a alguém, ainda por cima homossexual, que foi massacrado pelo “grupo do mal”, representado pelo maquiavélico Rogério. Destruído na casa, foi para os braços da galera. A ajuda da escudeira Grazi, a mais simpática de todos os BBBs, foi muito útil.

O Alemão vai ganhar a edição de 2007. E vai se tornar o mais carismático personagem que já participou do reality show. Alemão não é pobre, não é feio, não é gay e muito menos burro. É um cara de classe média extremamente inteligente, que soube ler o jogo de uma forma impressionante. O Diego soube quem não prestava, não admitiu votos por afinidade e ganhou o jogo quando tirou Felipe, o Cobra, da parada. De longe o cara mais antipático que eu já vi no Big Brother, Felipe estava começando a armar o jogo de uma forma que não se gosta muito: complôs e agressividade; antipatia e brincadeiras fora de hora. Ninguém mais suporta esse tipo de gente. Diego viu isso e se uniu à Íris, um estereótipo de vencedora do BBB. E mais: ainda teve romance com ela e a protegeu.

Diego foi o protetor de Íris, o que para nós pode significar que um defensor das causas humanas. Um cara forte, o defensor dos fracos e oprimidos. Diego vai vencer o BBB por sua vocação para super herói dentro da casa. É forte o suficiente para saber armar complôs; no entanto, preferiu se unir aos mais sinceros e tecnicamente mais fracos para construir sua trajetória na casa e levar facilmente o prêmio de um milhão. Também, Diego me parece o mais sincero. Ele não mente. Ele encara todo mundo e não se arrepende. Não muda de idéia.

Justamente por isso, torço pelo Alemão. Me agrada a idéia de premiar, nessa pequena amostra de diversidades culturais, sociais e financeiras (onde tem sacoleira, “dançarina”, caipira, DJ, estudante do interior, paulistano típico acostumado com poluição, aspirante a atriz, carioca do subúrbio…) alguém que representa a normalidade. Sem as afetações e inferioridades das edições anteriores. E que ele pegue a liderança, pois vou estar conferindo de perto até o final.

E não venham me dizer que é edição da globo que eu vejo na internet os vídeos na globo ponto com. Se ele estiver mentindo o tempo todo, oh, é um grande ator.

2 Comments »

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  1. Muito show teu post. Eu não gostava do Big Brother, mas perto das novelas que passam atualmente, é muito melhor. Também torço pro Alemão.
    Te ouvi na rádio esses dias, achei bem legal. Falavas de futebol.

    Comment by Vica — March 15, 2007 @ 11:04 pm

  2. Assino embaixo!
    Vamos assumir que gostamos do BBB e ponto.
    Tô com o Diegão tbm. Ele despertou minha simpatia desde o começo. É pena que a Flavinha tenha saído, mas…
    Saudações acreanas.

    Comment by Sílvia (Acre) — March 16, 2007 @ 3:13 pm

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