Verborragia sem concessões

June 28, 2007

MINHA COPA INESQUECÍVEL

Filed under: futebol, saudosismo - Carlos @ 3:02 am

Talvez não seja a sua, mas a minha Copa do Mundo de futebol inesquecível não terminou com vitória brasileira. Pelo contrário, fechou com aquele vexame em Saint-Dennis, quando o Brasil de Ronaldo tomou três da França do Zidane.

Depois de uns sete anos eu voltei a assistir a um jogo da seleção brasileira em casa, sem estar trabalhando. Vale lembrar que eu fui, por exemplo, plantão em todos os jogos do Brasil na Era Dunga (exceto este, contra o México). Nos últimos dois mundiais, eu trabalhei incessantemente (2002 e 2006), ao passo que também jamais vou deixar de lembrar aquelas coberturas inesquecíveis de seleção brasileira. Principalmente a de 2002, com 45 dias virando a madrugada, com minha vida transformada no fuso horário japonês, mas vivendo no Brasil. É claro, eu também volto a 1994, quando o Brasil foi tetra e eu quebrei a parede do meu apartamento com uma voadora, na comemoração.

Mas 98 tem alguns aspectos singulares. Foi a minha primeira e única Copa do Mundo acompanhada em idade “adulta”, com uma certa “independência” e sem encargos de ser um “profissional da área”. Ainda não trabalhava em 98. Estudava apenas, somente no turno da manhã, o que me deixava o resto do dia livre simplesmente para esquecer do mundo e assistir aos jogos. Em 2002, eu assisti a TODOS os jogos da Copa. TODOS, não só do Brasil. Mas eu também trabalhei em TODOS. Em 98, eu vi vários, mas deixei de acompanhar alguns.

Talvez a lembrança desta Copa seja bem mais particular do que o Mundial em si. Durante Espanha x Nigéria, pela primeira vez eu conectei meu PC à internet, com conexão discada do provedor hotnet. Em Brasil x Dinamarca, eu, com carteira recém tirada, atrasado para a partida, peguei uma “carona” na ambulância do Hospital Cristo Redentor para poder me livrar do trânsito. Em Holanda x Argentina, de tardezinha, deixei a sacada do meu prédio aberta com uma bola à disposição só pra chutar enquanto o jogo estava no intervalo. Em França x Paraguai, eu me atrasei para uma festa que eu tinha só para ver a decisão do jogo. Em Brasil x Marrocos, eu recebi uma ligação.

Principalmente, quem sabe a Copa de 98 seja um pequeno rasgo no tempo. Como em 1993, quando eu cresci repentinamente, em 1998, eu passava a ser de fato mais adolescente do que eu era, aproximando uma vida aparentemente sem limites de uma inexperiência gritante. Um marco da liberdade que se tem aos 19 anos, de ter a sensação de que algo importante pode acontecer e você também pode fazer parte disso.

Por isso que toda vez que vejo a seleção, eu lembro da Copa de 98. Rito de passagem, grito de felicidade. Uma linha dividindo o que eu era e o que eu passei a ser a partir daquele ano. Ninguém vai entender nada, mas um pouquinho dessa minha personalidade passou por aqueles gramados franceses. E o pior é que eu nem lembro direito dos gols do Brasil.

June 10, 2007

CINCO BOAS NOTÍCIAS NO VAZIO

Filed under: alegria, saudosismo - Carlos @ 5:47 am

Neste período de vazio absoluto (ver post abaixo), algumas boas novidades:

1- ZODÍACO
O novo filme do meu diretor preferido contemporâneo, David Fincher, é um documento histórico apurado eletrizante. Com uma edição parecida com os filmes anteriores, é a grande novidade do ano. Fincher é um monstro. A história de um assassino comum que se denominou Zodíaco e ACABOU com a vida de três homens é contada com uma precisão e um cuidado histórico que impressionam. Achei um filmaço. Claro, ainda longe de 7even e da obra-prima do cinema mundial em todos os tempos Clube da Luta.

2- GTA SAN ANDREAS
Já tinha jogado de brincadeira este jogo quando ele cai nas minhas mãos no Play2 recém adquirido. GTA é o melhor jogo de todos os tempos. Incomparável, perfeito, espetacular. Dica: não jogue por DEZ HORAS na seqüência e depois saia na rua. A chance de ver o sol nascer quadrado ou a boca cheia de formiga é muito grande.

3- VH1 CLASSICS
Só tinha visto este programa que rola nas madrugadas do canal 89 de passagem. Mas assistí-lo na íntegra é uma viagem que te leva direto à melhor década de todos os tempos: os anos 90. Afinal, em qual programa dá pra ver ao mesmo tempo 10000 Maniacs, Bon Jovi, Janet Jackson, Van Halen (com o Eddie de cabelo curto) e Duran Duran ao mesmo tempo?

4- MR BRIGHTSIDE NA PISTA
É certamente uma experiência impressionante o poder da velocidade e combustão orgânica que esta canção causa no teu organismo. Numa pista de dança, tu sente uma intensidade como DJ, mas experimente dançá-la bêbado no meio de uma multidão. O transe só volta daqui a uns 30 anos, acho.

5) THE BREEDERS - LAST SPLASH
Não escutava esse disco há uns 10 anos, sem brincadeira. Ele é (adivinhe) de 1993, na melhor década musical da história. Divine Hammer me levou a uma histeria pulando em cima da cama. Fantástico, fantástico.

NOS 90 EU ERA MAIS CRIATIVO

Filed under: comportamento - Carlos @ 5:35 am

De três, uma, ou todas. Ou é o videogame, ou é o excesso de trabalho ou é uma falta de idéias brilhantes. São os três, juntos.

Existem alguns assuntos dos quais eu tenho várias opiniões, mas não escrevo aqui no blog. Trabalho e rivalidade Grenal são alguns deles. Outro fator que já me tira um bocado de idéias brilhantes é tentar evitar o conflito. E eu descobri que eu sou muito mais brilhante no conflito. Eu sou bom na guerra e péssimo no amor, acho. Talvez por isso esse vazio filho da puta que vem tomando, pela primeira vez na minha vida, consciência dos fatos. Um eterno beco sem saída em todos os níveis, e desses becos sem saída eu não posso falar, porque eu comprei umas coisas em 10x e espero pagar e também porque eu tô numa fase tão cagada que não dá muita vontade de fazer nada.

Descobri que criatividade dá muito trabalho. Ser criativo demanda horas e horas de raciocínio em busca de algum tipo de solução que vai surpreender alguém. Surpreender é difícil. Se for óbvio, não é criativo. Foi um baque pra mim essa descoberta. Logo eu, que resolvi tudo na base do talento, cheguei à conclusão que tá cada vez mais difícil ser criativo. Acho que foi por isso que eu não escrevi. Qualquer coisa que eu botasse aqui, destacando que boa parte dos assuntos está censurada, seria óbvio demais. Aí que eu me dei conta que dá trabalho até postar nesse blog.

Antigamente era mais fácil, sabia. Nossa, que saudade dos anos 90. A internet era lenta, mas parecia mais rápida que agora, vai dizer. As contas eram mais fáceis de resolver, talvez porque alguém ajudasse consideravelmente. Eu morava longe, mas era mais perto de tudo do que onde eu moro. Eu tinha mais tempo, mesmo na época onde era um estagiário e conciliava com a FAMECOS, ocupando quase que integralmente meu dia. Eu não estudo mais e nem sei se trabalho mais em carga horária. Mas eu tinha mais tempo. Ao menos meus amigos não reclamavam isso, nem minhas namoradas. Da falta de tempo. Eu dava um jeito, eu sempre dei um jeito. Até um tempinho pra ser criativo e relacionar listas extensas sobre qualquer coisa melhor do mundo naquele momento. Ou pra escrever cartas de amor para minhas namoradas. Cartas, não escrevo mais do que preenchimento de cadastro à mão. Ou telefones na agenda. Não lembro do último texto manuscrito.

Era mais fácil ser criativo. Tá muito frio pra ser criativo, acho. Não tenho mais aquelas idéias, aqueles textos, não desperto mais cócega em ninguém. Eu sigo naturalmente um caminho óbvio da existência, nem boa nem ruim. Apenas presente em corpo e extremamente ausente em espírito. Não tem muita alma por aqui, ao contrário do que eu pregava no verão. Tá muito frio mesmo pra ser criativo ou até mesmo pra ter alma.

Mas mesmo assim, eu escrevo, com essa ausência no blog, já com 28 anos, sem qualquer tipo de perspectiva de melhora e sem muito a dizer. O ruim é ter essa sensação de bloqueio sentimental. Um bloqueio enorme, infinito, que não me deixa nem falar mal dos outros. Que me censura, que me acovarda. Um mar de incertezas que nem me deixam tão tenso assim. É, não estou sequer estressado. Nem indignado, irritado, com ânsia por uma mudança que me dê uma esperança (PS: seqüência horrível de rimas, sem querer, juro), nem procurando uma saída pra esse beco sem saída que é um aparente mar de tranqüilidade, sem nada pra se preocupar além do fato impensado de que nada acontece e não há pra onde evoluir. É um beco quente, com um videogame à disposição, um computador com uma internet, nenhum desafio a não ser passar de fase no GTA ou montar um time imbatível na ML do PS2007.

No final das contas, o mundo do videogame é bem melhor. Não tem que ser criativo, é só pegar A MANHA que tu vai no embalo. Na vida, é um pouco diferente. Tendo A MANHA, até rola uma existência comum e coerente com o que todo mundo considera coerente. O foda é que aí perde a graça. E pra ficar legal novamente, tem que ser criativo. Mas, pessoal, isso dá um trabalho!

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