De três, uma, ou todas. Ou é o videogame, ou é o excesso de trabalho ou é uma falta de idéias brilhantes. São os três, juntos.
Existem alguns assuntos dos quais eu tenho várias opiniões, mas não escrevo aqui no blog. Trabalho e rivalidade Grenal são alguns deles. Outro fator que já me tira um bocado de idéias brilhantes é tentar evitar o conflito. E eu descobri que eu sou muito mais brilhante no conflito. Eu sou bom na guerra e péssimo no amor, acho. Talvez por isso esse vazio filho da puta que vem tomando, pela primeira vez na minha vida, consciência dos fatos. Um eterno beco sem saída em todos os níveis, e desses becos sem saída eu não posso falar, porque eu comprei umas coisas em 10x e espero pagar e também porque eu tô numa fase tão cagada que não dá muita vontade de fazer nada.
Descobri que criatividade dá muito trabalho. Ser criativo demanda horas e horas de raciocínio em busca de algum tipo de solução que vai surpreender alguém. Surpreender é difícil. Se for óbvio, não é criativo. Foi um baque pra mim essa descoberta. Logo eu, que resolvi tudo na base do talento, cheguei à conclusão que tá cada vez mais difícil ser criativo. Acho que foi por isso que eu não escrevi. Qualquer coisa que eu botasse aqui, destacando que boa parte dos assuntos está censurada, seria óbvio demais. Aí que eu me dei conta que dá trabalho até postar nesse blog.
Antigamente era mais fácil, sabia. Nossa, que saudade dos anos 90. A internet era lenta, mas parecia mais rápida que agora, vai dizer. As contas eram mais fáceis de resolver, talvez porque alguém ajudasse consideravelmente. Eu morava longe, mas era mais perto de tudo do que onde eu moro. Eu tinha mais tempo, mesmo na época onde era um estagiário e conciliava com a FAMECOS, ocupando quase que integralmente meu dia. Eu não estudo mais e nem sei se trabalho mais em carga horária. Mas eu tinha mais tempo. Ao menos meus amigos não reclamavam isso, nem minhas namoradas. Da falta de tempo. Eu dava um jeito, eu sempre dei um jeito. Até um tempinho pra ser criativo e relacionar listas extensas sobre qualquer coisa melhor do mundo naquele momento. Ou pra escrever cartas de amor para minhas namoradas. Cartas, não escrevo mais do que preenchimento de cadastro à mão. Ou telefones na agenda. Não lembro do último texto manuscrito.
Era mais fácil ser criativo. Tá muito frio pra ser criativo, acho. Não tenho mais aquelas idéias, aqueles textos, não desperto mais cócega em ninguém. Eu sigo naturalmente um caminho óbvio da existência, nem boa nem ruim. Apenas presente em corpo e extremamente ausente em espírito. Não tem muita alma por aqui, ao contrário do que eu pregava no verão. Tá muito frio mesmo pra ser criativo ou até mesmo pra ter alma.
Mas mesmo assim, eu escrevo, com essa ausência no blog, já com 28 anos, sem qualquer tipo de perspectiva de melhora e sem muito a dizer. O ruim é ter essa sensação de bloqueio sentimental. Um bloqueio enorme, infinito, que não me deixa nem falar mal dos outros. Que me censura, que me acovarda. Um mar de incertezas que nem me deixam tão tenso assim. É, não estou sequer estressado. Nem indignado, irritado, com ânsia por uma mudança que me dê uma esperança (PS: seqüência horrível de rimas, sem querer, juro), nem procurando uma saída pra esse beco sem saída que é um aparente mar de tranqüilidade, sem nada pra se preocupar além do fato impensado de que nada acontece e não há pra onde evoluir. É um beco quente, com um videogame à disposição, um computador com uma internet, nenhum desafio a não ser passar de fase no GTA ou montar um time imbatível na ML do PS2007.
No final das contas, o mundo do videogame é bem melhor. Não tem que ser criativo, é só pegar A MANHA que tu vai no embalo. Na vida, é um pouco diferente. Tendo A MANHA, até rola uma existência comum e coerente com o que todo mundo considera coerente. O foda é que aí perde a graça. E pra ficar legal novamente, tem que ser criativo. Mas, pessoal, isso dá um trabalho!