Verborragia sem concessões

July 30, 2007

DIRETO DA REDAÇÃO

Filed under: jornalismo - Carlos @ 3:35 am

Fui perguntado esses dias porque eu não faço um blog jornalístico. Sabe, desses, com opiniões e informações a respeito de qualquer coisa relevante pra vida (que os jornalistas, de certa forma dividem em algo chamado editorias: política, esporte, cultura, etc). Minha resposta é bem simples. Não tenho vontade, talento, competência ou informação necessária para fazer um blog como esses. Resumindo: acho um saco os blogs jornalísticos.

Na real, nem todos. Eu respeito profundamente aqueles que mantêm um blog quando são PAGOS para fazê-los. Por alguma coisa, eu faria um sem problemas. E por muita coisa, escreveria até sobre reprodução de répteis que tava beleza. Mas jamais faria um de graça. No outro blog que eu tenho, escrevo sobre música. No entanto, ali, não há nenhum compromisso com notícia, com fato, com novidade, com relevância cultural. É um prazer apenas. Sem pressão de tempo/conteúdo/espaço. Fosse dessa maneira, só pagando mesmo.

Fora que eu não gosto do jeito que abordam as “questões da vida real” nos blogs. Meus assuntos preferidos pra ler são os seguintes: EU em primeiro lugar, num exercício de megalomania profunda; depois OS OUTROS, legitimando minha vocação de analista. Também gosto quando há uma percepção sobre fatos que blogs jornalísticos NEGAM simplesmente, como amor, ódio, relação entre os humanos, intolerância, misticismo, ignorância, paixão, emoções, sorrisos, sensações, dias inesquecíveis, sonhos estranhos. Aí eu gosto. Gosto dos que buscam a palhaçada, dos que falam sobre futebol sem ser ACADÊMICO/ANALÍTICO e gosto dos que abordam música, é claro. Cinema um pouco, mas aí eu prefiro ver trailers. Mais “oficialista”, sabe. Gosto também de pessoas que expressam de forma explícita suas opiniões. Gosto de opiniões dos outros. De crítica forte, consistente e bem feita. E até dos assuntos de cotidiano, desde que sejam bem colocados, tirando a impressão de “o jornal na tela da internet…ohh”.

Mas os blogs jornalísticos existem e a gente é obrigado a conviver com eles. Espalhados pela rede no formato mais papai-mamãe possível. E eu fico me perguntando. A “NOSSA ATIVIDADE”, tão “INTUITIVA”, tão “CRIATIVA”, não está carente de algum tipo de ousadia, talento, força? Ou tá todo mundo com preguiça e aí vai no embalo do que se aprendeu na faculdade, copiando o “manual da redação” (e cada redação tem o seu, fique com o seu debaixo do braço)? E, prosseguindo, irritantemente soprando termos como COPY, FECHAMENTO e RETRANCA (saudades de quando isso só significava armar um esquema defensivo no futebol), com a necessidade de tradução simultânea para pessoas normais? Ou então, será que é preguiça?

Talvez seja implicância minha e eu, meio burrão, não entenda da necessidade que este tipo de blog tem para o microcosmo jornalístico da internet. Por mais que para estas pessoas, este pequeno círculo seja exatamente onde está o umbigo. De tudo.

July 21, 2007

LULA E A TAM

Filed under: política - Carlos @ 7:04 pm

Não há muito mais a acrescentar a respeito do acidente da TAM. Mas quero colocar em pauta aqui duas coisas: o aeroporto de Congonhas e o governo brasileiro.

Congonhas é uma grande rodoviária. É um absurdo que em pleno ano 2007 exista um aeroporto nestas condições. E mais: o aeroporto de MAIOR circulação no país. Pra quem conhece Congonhas, é uma instalação velha, com um chão quadriculado, pequena, extensa no sentido horizontal, com corredores lotados de pessoas o tempo todo (pelo menos sempre quando estive lá estava LOTADO O TEMPO TODO), banheiros péssimos, desinformação e desorientação. Na chegada, antes de aterrisar, o que se vê são prédios e outros aviões. Uma roleta russa aérea, como se fosse uma BR 116 congestionada no meio de uma cidade onde só se vê concreto. É de assustar, realmente.

A saída é interditar para sempre Congonhas. Construir um outro aeroporto na cidade mais central do país (a mais movimentada e mais importante também). Nem que por alguns instantes superlote Guarulhos. Seria uma saída emergencial. Na real, o governo não sabe o que fazer com este caos generalizado que virou a aviação brasileira. Uns mandam tomar no cu, outros “relaxar e gozar”.

Acho engraçado ainda quem ouse defender este governo. Bom, Lula foi reeleito. Um absurdo completo. Este governo só não é pior (dos que eu vivi) do que o de Sarney e de Collor. A era FHC foi melhor. Aqui fala um ex-petista, absolutamente revoltado com todos os membros desse partido, que se revelaram autoritários, arrogantes, corruptos e cheios de conchavo. E que ficará marcado para sempre como presente nas duas maiores tragédias da aviação brasileira.

Quanto aos esquerdistas convictos, aqueles que não desistem de forma alguma de defender as atitudes do nosso presidente e combater qualquer tipo de oposição, ou até mesmo JULGAR quem pertence a PSDB ou Democratas, atribuindo deficiências no caráter somente por pertencer a alguma ideologia, rotulando de “canalha”, “safado” ou fazendo trocadilhos ridículos com alguns BONS políticos que existem na casa (como existem BONS do PT também), eu não tenho muito a dizer. É só olhar para os três casos de corrupção por mês existentes e destrancar os preconceitos a respeito da “esquerda no poder” contra a “elite reacionária”. No final das contas, põe críticos, esquerdistas no poder, reacionários e revolucionários num mesmo saco e credita tudo isso a um fraco da carne. Já desisti do pensamento coletivo. Desisti de pensar o melhor para o ser humano. Cada um pensa em si. Até quem critica, e só critica e/ou denuncia porque nunca teve a chance da “tentação”. Se tivesse, aposto que faria o mesmo.

Quem critica, tem o mesmo tipo de ambição que quem é corruptível. É sério. Cheguei à conclusão que os menos ambiciosos não estão nem aí. Desapegaram de tudo, relaxaram, pagaram um foda-se e se alienaram. Sobre estes aí, talvez não haveria corrupção. Não aceitariam uma maleta cheia de dólares em nome de algo que pudesse lhes tirar a tranqüilidade. Quanto aos outros? Ah, aí ataca o ponto fraco. Antes dormir de consciência pesada numa cama king size com ar condicionado e calmantes do que com a consciência limpa num colchão velho passando frio.

Olhar pra mim? Se eu faria? Não sei, não tenho tanta ambição assim. Nem tanto interesse em arcar com tanta responsabilidade. Nem tendência para justiceiro sócio-moral. Os dias passam, eu toco meu caminho e fico de fora, criticando, votando em branco nas eleições para que eu não participe dessa palhaçada toda que virou o país. “Mas eu posso mudar o que está aí com meu voto”. Amigo, aprende uma coisa: é tudo igual! Quem se candidata, quer é PODER. Quem quer PODER é AMBICIOSO. E quando se está no poder, e os anos me levam a crer isto, não boto a mão no fogo por ninguém.

July 11, 2007

OS 50 MAIORES FILMES DA DÉCADA DE 2000

Filed under: cinema - Carlos @ 6:05 am

A lista é minha. Pessoal. Sem embasamento científico. Puro gosto. Aproveite.

1- BRILHO ETERNO DE UMA MENTE SEM LEMBRANÇAS (Eternal Sunshine of the spotless mind, 2004)

2- AMNÉSIA (Memento, 2000)

3- HORA DE VOLTAR (Garden State, 2004)

4- PEIXE GRANDE E SUAS HISTÓRIAS MARAVILHOSAS (Big Fish, 2003)

5- O ÚLTIMO BEIJO (L’Ultimo Baccio, 2001)

6- A LULA E A BALEIA (The Squid and the whale, 2005)

7- CIDADE DE DEUS (2002)

8- KILL BILL: VOL. 1 (2004)

9- KILL BILL: VOL. 2 (2005)

10- ENCONTROS E DESENCONTROS (Lost In Translation, 2003)

11- ANTES DO PÔR DO SOL (Before Sunset, 2004)

12- TUDO ACONTECE EM ELIZABETHTOWN (Elizabethtown, 2005)

13- DOGVILLE (Dogville, 2003)

14- CIDADE DOS SONHOS (Mullholand Drive, 2001)

15- WAKING LIFE (2001)

16- ALTA FIDELIDADE (High Fidelity, 2001)

17- O CÉU DE SUELY (2006)

18- SIDEWAYS - ENTRE UMAS E OUTRAS (Sideways, 2004)

19- O TIGRE E O DRAGÃO (Hidden Tiger, Crouchin Dragon, 2001)

20- AMORES BRUTOS (Amores Perros, 2000)

21- DONNIE DARKO (2001)

22- PEQUENA MISS SUNSHINE (Little Miss Sunshine, 2006)

23- PIRATAS DO CARIBE: A MALDIÇÃO DO PÉROLA NEGRA (Pirates of the Caribbean: The Curse of the Black Pearl, 2003)

24- MENINA DE OURO (Million Dollar Baby, 2004)

25- OLDBOY (2004)

26- EDIFÍCIO MASTER (2002)

27- ESCOLA DO ROCK (School of Rock, 2003)

28- VANILLA SKY (Vanilla Sky, 2001)

29- O HOMEM QUE COPIAVA (2003)

30- MUNDO CÃO (Ghost World, 2001)

31- OS INFILITRADOS (The Departed, 2006)

32- SIMPLESMENTE AMOR (Love Actually, 2003)

33- ADAPTAÇÃO (Adaptation, 2002)

34- E SUA MÃE TAMBÉM ( Y Tu Mamá También, 2001)

35- STORYTELLING (2001)

36- ZODÍACO (Zodiac) (2007)

37- O PLANO PERFEITO (Inside Man, 2006)

38- SIN CITY (2005)

39- JOGOS MORTAIS (Saw, 2005)

40- O LABIRINTO DO FAUNO (El Laberinto del Fauno, 2006)

41- OS INCRÍVEIS (The Incredibles, 2004)

42- CRASH (2005)

43- SOBRE MENINOS E LOBOS (Mystic River, 2003)

44- O INVASOR (2001)

45- DIÁRIO DE UMA PAIXÃO (The Notebook, 2004)

46- CINEMA, ASPIRINAS E URUBUS (2006)

47- TRAFFIC (2000)

48- ANTI HERÓI AMERICANO (American Splendor, 2003)

49- HERÓI (Hero, 2002)

50- OS EXCÊNTRICOS TENENBAUMS (The Royal Tenenbaums, 2001)

Sentiu a falta de “Closer”, “O Fabuloso Destino de Amelié Poulain”, “Uma Mente Brilhante” e “Réquiem para um Sonho”? Hmm… eu não. Foram filmes que são, na minha opinião, superestimados. Na MINHA opinião.

Sentiu falta de “Chicago”, “As Horas”, “Moulin Rouge”e “Gladiador”? Também não tornaram-se inesquecíveis.

Gosto de dizer que sou leigo em cinema. Acho que não entendo tudo isso, portanto aqui não está um especialista. Só um fã. E um fã consumidor bem regular de cinema.

Mas listas são para discussão, certo? E a maioria não vai concordar. Depois eu faço sobre assuntos onde eu circulo melhor, tipo música, pornochanchada e futebol. Essas coisas, com mais propriedade. Aqui, é coisa de fã mesmo.

July 2, 2007

QUASE UM KZUKA*

Filed under: comportamento - Carlos @ 4:27 pm

Chega de enganação. Desistam. Eu sou uma fraude. É sério, eu sou uma fraude.

Tava pensando nisso quando assistia ao programa Qual é a Música? com a participação de lendas artísticas do Brasil, num qualificado cast que tinha o velho Luiz Ayrão (não sabe quem é? procura!) como o mais conhecido de todos. Mas como domingo pra mim não é domingo, resolvi que este teria um pouco de domingo e assisti ao programa tentando adivinhar os sons e as charadas produzidas pela equipe do (mestre) Sílvio Santos.

À noite, chego em casa e minha mãe assiste a um programa chamado “Café Filosófico” na TV Cultura. Ela estava gostando. Ela é inteligente, eu não. Foram dois minutos e eu larguei fora, desisti de tentar compreender a análise psicanalítica dos tímidos na pré-adolescência e das primeiras bebedeiras, na intenção de liberar um pouco de coragem presa por uma transição normal de identidade. Este sou eu. Eu troco mil vezes uma conversa inteligente, de onde eu poderia aprender alguma coisa, por um programa de auditório barato e divertidíssimo.

Talvez seja um pouco de pretensão minha. Já estou meio que fechando com a minha visão de mundo a respeito das coisas e não sinto nenhuma necessidade em ter um embasamento teórico-especialista para que eu evolua ou retifique meus pontos de vista. Não quero saber os efeitos de nada. Odeio palestras. Acho um saco seminários. Não tenho nenhuma vontade em me especializar em qualquer tipo de assunto relevante para o espectro cultural-social-filosófico. A não ser que me paguem. Não sinto nenhuma vontade em ser uma pessoa com mais cultura se não vão me dar nada em troca. E vou continuar com minhas teorias, minhas bobagens, minhas idéias definitivas a respeito de qualquer assunto. Não sinto mais nenhum medo de perder discussão, tampouco a necessidade de vencê-las. Inteligência não me dá mais medo, nem mais nem menos. Quem sabe me provoca admiração, mas nunca idolatria. Jamais vou babar o ovo de alguém que eu ache muito inteligente, justamente por isso, por eu ser tão, mas tão preguiçoso, que eu realmente acredite que ele não tenha nada para me oferecer (tira dinheiro fora, por favor).

É uma visão extremamente egocêntrica, prepotente e vaidosa. Eu sei disso. Não me importo. É a mais pura verdade e vocês sabem que não estou aqui pra agradar ninguém. É isso, eu gosto de cultura pop (popular, seja como for). Eu acho graça do Teste de Fidelidade do João Kléber. Eu vibro com o Qual é a Música. Eu compro o novo single do Smashing Pumpkins. Eu quero comprar Brothers in Arms, pro Play2. Eu até curti o novo do Arctic Monkeys. Meu livro preferido é “Mate-Me Por Favor” (a primeira parte) . Eu me divirto à beça com Piratas do Caribe. Eu odeio música clássica. Acho a bossa nova um saco. Sou fã de gangsta rap. Danço “A Fuego Lento”. Acho fotografias bonitas, mas não tenho saco pra me masturbar com uma imagem parada. Nem com filmes franceses do final da década de 60. Nem com os italianos, nem com os russos. Nunca li um russo. Se eu fosse lembrar três russos importantes para a história, eu citaria Boris Yelstin (por causa da vodka), Lev Iashin (o “aranha negra”) e Roman Abramovich (o dono do Chelsea). Não sei diferenciar Stálin de Lênin. Nem Picasso de Dalí. Às vezes ainda penso que Van Gogh era um pianista. Mas sei quem é Mitch Mitchell, J. Mascis, Juliana Hatfield e Stone Grossard. Eu sei qual o time do Flamengo campeão brasileiro de 1987 (com os reservas, claro). Eu não consigo ler Nietschze. Não consigo nem escrever Nietschze.

É isso que eu sou. Um cara sem saco para aprender as coisas que realmente importam na vida. Alguém que não consegue manter uma discussão em um nível intelectual aceitável. Um amontoado de referências pop perdidas numa fraude imensa que não articula uma idéia absolutamente nova nem estabelece um pressuposto teórico para qualquer bobagem que vá falar. Porque não sabe. Porque também não quer, sejamos sinceros. E cá pra nós, é muito chato ser de outro jeito. Sou mais eu. Mesmo sendo praticamente um KZUKA.

*para quem é de fora do RS: veículo de imprensa do Sul destinado aos adolescentes e pré adolescentes.

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