DIRETO DA REDAÇÃO
Fui perguntado esses dias porque eu não faço um blog jornalístico. Sabe, desses, com opiniões e informações a respeito de qualquer coisa relevante pra vida (que os jornalistas, de certa forma dividem em algo chamado editorias: política, esporte, cultura, etc). Minha resposta é bem simples. Não tenho vontade, talento, competência ou informação necessária para fazer um blog como esses. Resumindo: acho um saco os blogs jornalísticos.
Na real, nem todos. Eu respeito profundamente aqueles que mantêm um blog quando são PAGOS para fazê-los. Por alguma coisa, eu faria um sem problemas. E por muita coisa, escreveria até sobre reprodução de répteis que tava beleza. Mas jamais faria um de graça. No outro blog que eu tenho, escrevo sobre música. No entanto, ali, não há nenhum compromisso com notícia, com fato, com novidade, com relevância cultural. É um prazer apenas. Sem pressão de tempo/conteúdo/espaço. Fosse dessa maneira, só pagando mesmo.
Fora que eu não gosto do jeito que abordam as “questões da vida real” nos blogs. Meus assuntos preferidos pra ler são os seguintes: EU em primeiro lugar, num exercício de megalomania profunda; depois OS OUTROS, legitimando minha vocação de analista. Também gosto quando há uma percepção sobre fatos que blogs jornalísticos NEGAM simplesmente, como amor, ódio, relação entre os humanos, intolerância, misticismo, ignorância, paixão, emoções, sorrisos, sensações, dias inesquecíveis, sonhos estranhos. Aí eu gosto. Gosto dos que buscam a palhaçada, dos que falam sobre futebol sem ser ACADÊMICO/ANALÍTICO e gosto dos que abordam música, é claro. Cinema um pouco, mas aí eu prefiro ver trailers. Mais “oficialista”, sabe. Gosto também de pessoas que expressam de forma explícita suas opiniões. Gosto de opiniões dos outros. De crítica forte, consistente e bem feita. E até dos assuntos de cotidiano, desde que sejam bem colocados, tirando a impressão de “o jornal na tela da internet…ohh”.
Mas os blogs jornalísticos existem e a gente é obrigado a conviver com eles. Espalhados pela rede no formato mais papai-mamãe possível. E eu fico me perguntando. A “NOSSA ATIVIDADE”, tão “INTUITIVA”, tão “CRIATIVA”, não está carente de algum tipo de ousadia, talento, força? Ou tá todo mundo com preguiça e aí vai no embalo do que se aprendeu na faculdade, copiando o “manual da redação” (e cada redação tem o seu, fique com o seu debaixo do braço)? E, prosseguindo, irritantemente soprando termos como COPY, FECHAMENTO e RETRANCA (saudades de quando isso só significava armar um esquema defensivo no futebol), com a necessidade de tradução simultânea para pessoas normais? Ou então, será que é preguiça?
Talvez seja implicância minha e eu, meio burrão, não entenda da necessidade que este tipo de blog tem para o microcosmo jornalístico da internet. Por mais que para estas pessoas, este pequeno círculo seja exatamente onde está o umbigo. De tudo.