A NOVA NOVELA DAS OITO (ou um texto completamente sem sentido)
Algumas coisas que eu tenho visto ultimamente são dignas de um folhetim de novela das oito. Quando eu era menor, eu não conseguia acreditar que executivos possam beber uísque todo o dia, por exemplo. Eu via nas novelas. Se eu tomar um dia, no outro eu fico inútil. Convivendo melhor com o mundo adulto, vi que isso existe. Outro caso são os vilões, na maioria estereotipados. Tal como nas novelas, eles estão entre a gente, talvez fazendo menos maldades do que uma Odete Roitman. Mas existem, principalmente, jogando para tudo que é lado.
Citando um ex-governador gaúcho, em uma entrevista com um certo fervor descompassado, eu digo pra vocês que eu posso ter todos os defeitos do mundo, mas eu tenho posição definida. Pra tudo. Eu sei o time que eu jogo, sei a posição em que eu atuo. Jamais faria qualquer tipo de lobby para simplesmente usar isso ao meu favor ou tirar um proveito, mesmo sendo uma informação privilegiada. Sou meio ruim de fonte, mas bom de consciência.
Se eu fosse menos duro, eu seria mais bem sucedido, tenho certeza. Meu marketing é péssimo. Meu jogo de cintura é similar ao de um siberiano no carnaval de Porto Seguro. Meu senso de perdão até é razoável, mas depende da situação. Jogo duplo, por exemplo, é imperdoável. Por essas razões, eu não consigo entender o fato de alguém, por exemplo, não gostar de uma pessoa e conseguir comparecer ao aniversário da mesma. Aniversário não é obrigação, é celebração, homenagem a alguém querido. Jamais eu faria uma presença política em algum evento desses, exceto quando obrigado. Mas não foi o caso.
Nunca utilizaria como desculpa um fator externo para esconder, apagar, mascarar um desejo pessoal. Os outros não têm nada a ver com os instintos pessoais. Como o tal de senso de preservação das pessoas já foi por água abaixo, que pelo menos sejam honestos com quem lhe confiaram a palavra. Isso eu serei sempre. É a síntese do que eu considero honestidade. Desejos pessoais às vezes esbarram na liberdade alheia. É quando a honestidade fala mais alto. E o pior tipo de desonestidade é o jogo duplo, a falsidade em estado bruto.
Perguntaram pra aquele cidadão que ficou tirando fotos de todo mundo numa festa grandiosa que a cidade recebeu aí, há umas duas semanas, se ele não tinha vergonha do que fez. Ele disse que não. Que não havia feito mal nenhum. Que tudo o que tinha feito era simplesmente brincar com as pessoas, sem nenhuma maldade. Que não tinha o que esconder, era escancarado e se de alguma maneira alguém se sentiu ofendido, que seria o primeiro a pedir desculpas. Ele está certo. Vergonha é bater nas costas de uma pessoa que você não gosta. Aliás, sempre desconfie de recados que chegam mais entusiasmados do que o normal, do tipo “AMIGOOOOOOOOO” ou “SAUDADEEEEEE”. Saudade se mata, desde que esteja perto. Sempre se dá um jeito de matar a saudade. Amigos não se tratam o tempo todo por “AMIGOOOOOOOOO”. Amigos se tratam com naturalidade, numa confiança mútua conquistada ao longo do tempo e com provas de risco que pudessem ter comprometido esta amizade, mas foram atravessadas apesar de qualquer fator externo que possa ter.
Eu não agüento mais o muro. É por isso que ando adotando essa prática de falar tudo o que eu penso a respeito de todo mundo. Eu sei que se um dia eu cair, no máximo cinco pessoas estarão me segurando. As mesmas que eu vou segurar quando caírem. E que eu depositei toda minha confiança. Não tem nenhuma novidade no meu círculo de confiança. Por mais que eu goste e admire mais gente do que estas cinco pessoas, não vou entregar o ouro assim, na maior, sem uma demonstração mais forte de HONESTIDADE em troca.
Só me chateia a sensação de decepção. É violenta. Porém, é um incentivo para manter com as pessoas uma relação superficial. Não uma relação de aparências, porque esta eu não consigo. Superficial apenas. E não adianta, quem pisou na bola, só me provando o contrário vai ter de volta o meu abraço. Um pedido de desculpas não me basta mais. É necessária a ação. Enquanto isso, eu contrario o MESTRE que um dia falou: “Eu é que não digo mais nada”. É o que eu tinha vontade de fazer, mas se alguém se cala, como que a gente fica? Eu não me calo, eu falo e não tolero.
Enquanto isso, eu sigo escrevendo esse folhetim que tá rolando. Meu hobby sempre foi desvendar as intimidades das relações humanas e as razões que levam o indivíduo a tomar certos caminhos. Olho assim, de fora. Mas beijando a camisa de um clube só.