Verborragia sem concessões

September 20, 2007

A NOVA NOVELA DAS OITO (ou um texto completamente sem sentido)

Filed under: comportamento, relações sociais - Carlos @ 8:48 pm

Algumas coisas que eu tenho visto ultimamente são dignas de um folhetim de novela das oito. Quando eu era menor, eu não conseguia acreditar que executivos possam beber uísque todo o dia, por exemplo. Eu via nas novelas. Se eu tomar um dia, no outro eu fico inútil. Convivendo melhor com o mundo adulto, vi que isso existe. Outro caso são os vilões, na maioria estereotipados. Tal como nas novelas, eles estão entre a gente, talvez fazendo menos maldades do que uma Odete Roitman. Mas existem, principalmente, jogando para tudo que é lado.

Citando um ex-governador gaúcho, em uma entrevista com um certo fervor descompassado, eu digo pra vocês que eu posso ter todos os defeitos do mundo, mas eu tenho posição definida. Pra tudo. Eu sei o time que eu jogo, sei a posição em que eu atuo. Jamais faria qualquer tipo de lobby para simplesmente usar isso ao meu favor ou tirar um proveito, mesmo sendo uma informação privilegiada. Sou meio ruim de fonte, mas bom de consciência.

Se eu fosse menos duro, eu seria mais bem sucedido, tenho certeza. Meu marketing é péssimo. Meu jogo de cintura é similar ao de um siberiano no carnaval de Porto Seguro. Meu senso de perdão até é razoável, mas depende da situação. Jogo duplo, por exemplo, é imperdoável. Por essas razões, eu não consigo entender o fato de alguém, por exemplo, não gostar de uma pessoa e conseguir comparecer ao aniversário da mesma. Aniversário não é obrigação, é celebração, homenagem a alguém querido. Jamais eu faria uma presença política em algum evento desses, exceto quando obrigado. Mas não foi o caso.

Nunca utilizaria como desculpa um fator externo para esconder, apagar, mascarar um desejo pessoal. Os outros não têm nada a ver com os instintos pessoais. Como o tal de senso de preservação das pessoas já foi por água abaixo, que pelo menos sejam honestos com quem lhe confiaram a palavra. Isso eu serei sempre. É a síntese do que eu considero honestidade. Desejos pessoais às vezes esbarram na liberdade alheia. É quando a honestidade fala mais alto. E o pior tipo de desonestidade é o jogo duplo, a falsidade em estado bruto.

Perguntaram pra aquele cidadão que ficou tirando fotos de todo mundo numa festa grandiosa que a cidade recebeu aí, há umas duas semanas, se ele não tinha vergonha do que fez. Ele disse que não. Que não havia feito mal nenhum. Que tudo o que tinha feito era simplesmente brincar com as pessoas, sem nenhuma maldade. Que não tinha o que esconder, era escancarado e se de alguma maneira alguém se sentiu ofendido, que seria o primeiro a pedir desculpas. Ele está certo. Vergonha é bater nas costas de uma pessoa que você não gosta. Aliás, sempre desconfie de recados que chegam mais entusiasmados do que o normal, do tipo “AMIGOOOOOOOOO” ou “SAUDADEEEEEE”. Saudade se mata, desde que esteja perto. Sempre se dá um jeito de matar a saudade. Amigos não se tratam o tempo todo por “AMIGOOOOOOOOO”. Amigos se tratam com naturalidade, numa confiança mútua conquistada ao longo do tempo e com provas de risco que pudessem ter comprometido esta amizade, mas foram atravessadas apesar de qualquer fator externo que possa ter.

Eu não agüento mais o muro. É por isso que ando adotando essa prática de falar tudo o que eu penso a respeito de todo mundo. Eu sei que se um dia eu cair, no máximo cinco pessoas estarão me segurando. As mesmas que eu vou segurar quando caírem. E que eu depositei toda minha confiança. Não tem nenhuma novidade no meu círculo de confiança. Por mais que eu goste e admire mais gente do que estas cinco pessoas, não vou entregar o ouro assim, na maior, sem uma demonstração mais forte de HONESTIDADE em troca.

Só me chateia a sensação de decepção. É violenta. Porém, é um incentivo para manter com as pessoas uma relação superficial. Não uma relação de aparências, porque esta eu não consigo. Superficial apenas. E não adianta, quem pisou na bola, só me provando o contrário vai ter de volta o meu abraço. Um pedido de desculpas não me basta mais. É necessária a ação. Enquanto isso, eu contrario o MESTRE que um dia falou: “Eu é que não digo mais nada”. É o que eu tinha vontade de fazer, mas se alguém se cala, como que a gente fica? Eu não me calo, eu falo e não tolero.

Enquanto isso, eu sigo escrevendo esse folhetim que tá rolando. Meu hobby sempre foi desvendar as intimidades das relações humanas e as razões que levam o indivíduo a tomar certos caminhos. Olho assim, de fora. Mas beijando a camisa de um clube só.

September 3, 2007

NASCEU O SOL

Filed under: esportes - Carlos @ 8:59 pm

Um dos sons mais lindos de todos eu ouvi novamente nesta segunda-feira. Barulho de aula de educação física. De bola de basquete quicando. De gritos pedindo a bola. De apito. Muitos apitos. Gente correndo. O que certamente fez na hora eu abrir um sorriso e me lembrar das aulas de Educação Física no Salvador, com o professor apelidado de Moranguinho nos liberando simplesmente para, durante cinqüenta minutos, vivenciar o melhor momento da semana.

Talvez por esta infância altamente esportiva, com educação física, participação ativa nos recreios jogando futebol e mais umas duas ou três peladas semanais, além de ter feito escolinha de futebol, eu não consigo imaginar como tem gente que simplesmente tem aversão a esporte. A qualquer esporte. Nem trauma de infância me convence. Se tu era muito ruim num esporte, que ao menos pratique hoje algum tipo de atividade individual. Aliás, eu não conheço ninguém SAUDÁVEL que não goste de esporte, da sensação que o exercício causa.

Quando eu vi o dia claro nesta segunda-feira de folga, eu sorri. Depois, quando a temperatura marcava ALTÍSSIMOS 24 graus, eu vibrei. Almocei levemente e fiz uma faxina geral no quarto. Arrumei os CDS, os DVDS, reagrupei alguns mapas, organizei os livros, tirei a poeira dos vinis que eu não posso ouvir, empilhei de uma forma diferente as revistas, separei minhas contas, fiz uma caixinha para remédios (o que o inverno fez comigo hein), joguei fora muita coisa, guardei outras e coloquei uma bermuda. Bermuda, tênis e camiseta. E passei a tarde na Redenção, readquirindo condicionamento físico numa corrida ainda sentindo as seqüelas de um inverno chuvoso, escuro, deprimente e engordante.

Após suar muito e estar nesse estado de espírito espetacular, cheguei à conclusão que a meta para a felicidade não é atingir nenhum clímax distante. É bem simples. Coisas pequenas te dão o rumo. Essa é a minha terapia. Uma corrida, uma volta pela cidade, um reencontro com amigos. E a minha depressão é a falta de toque, falta de contato, essa comunicação que vocês adoram e eu detesto, a internet, é essa obsessão em VENCER, VENCER, VENCER, ser alguma coisa, quando o trabalho é só um método obrigatório para ter mais conforto e solidez na vida. Pena que a maioria não pensa assim, mas ainda bem que eu não vou ser como eles, que estão por aí fechados em grande coorporações engordando a pança e esvaziando a mente.

Dois hábitos que eu não largo de mão: fazer exercícios ao menos QUATRO dias por semana (eu disse QUATRO dias) e o outro, nem tão saudável assim, mas de uma influência incrível no meu estado mental, BEBER CERVEJA ao menos uma vez por semana. Um traguinho na semana para quatro dias de exercício. Um dos dias é o domingo, que me impossibilita tanto o exercício quanto a cerveja. E o outro, a escolher, já que eu deixo a cerveja para a sexta ou para o sábado. E assim eu vejo o segredo para a felicidade, bem simples, sem nada de mais, com muita força pra conseguir superar alguma eventualidade causada pelo dia.

Por fim, eu não sabia o grau da influência que o clima tem em mim. É impressionante. O pior inverno da minha vida terminou semana passada com uma gripe terrível. Derrubado por uns três dias, voltei à ativa, do jeito que eu gosto. Com o clima que eu PRECISO. Com a leveza necessária para seguir em frente. Que bom que o sol nasceu.

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