FRAÇÃO
Homens falam sobre mulher, futebol e cerveja, nessa ordem. Mas talvez homens deveriam falar mais sobre amor. A conotação de viadagem pra esse assunto nos afasta do debate, nos colocando da superficialidade de tratar o assunto com desdém e apenas nos referir às mulheres do jeito que elas acham que a gente fala delas. Mas não é bem assim.
Um dos meus melhores amigos chorou assistindo “Doce Novembro”, aquele, com a Charlize Theron e o Keanu Reeves. Eu vi o filme numa fossa do caralho em 2003, o famoso dia das SEIS comédias românticas em seqüência após o término de um namoro. Outro amigo meu chegou a um detalhe que me obriga a dizer que a percepção masculina sobre as “coisas relacionadas a paixão/amor” é bem mais aguçada do que uma simples incursão no mundo da putaria. Afinal, mulher é bem mais que isso. E mais complexa, interessante e profunda.
Certa vez, chegamos à conclusão sobre o assunto. O melhor momento da vida de um homem dura exatamente a distância percorrida da casa da mulher até a tua casa, após uma noite que a gente julga perfeita. Às vezes é uma eternidade deliciosa, uma meia hora curtida em cada acorde da música que toca naquele momento, um sublime e singelo detalhe que fica na tua memória pra sempre. Em alguns momentos, essa eternidade dura somente uns dez minutos, prolongados com um gosto único determinando um caminho mais longo, uma velocidade mais lenta, só porque a gente sabe que essa eternidade acaba no simples instante em que a vida real te manda dormir.
É a perfeição: tu e uma memória recente que ainda treme tuas pernas, acelera teu coração, dispara tua adrenalina e liberta todaa euforia contida por um tempo enorme de mesmice e cotidiano que te obrigam. A vida é pagar contas, mas eu pago todas elas se for pra ter instantes como este novamente. Um simples deslocamento em que tu faz previsões de como agir pra frente, tomado por uma insegurança deliciosa; cercado por memórias de dez minutos atrás que tu queria que naquele momento fossem eternas, duradouras; detalhes como uma roupa, um cheiro, um raio de sol, um sorriso. Sim, sorrisos. É uma música, uma lista, uma piada. Um beijo. Um não-beijo. Uma descoberta. A simplicidade.
É essa fração de tempo dentro da tua existência que vai fazer com que toda a porrada que a vida te traz valha a pena. É uma plenitude absolutamente inexplicável. Talvez seja até orgânico e um dia a ciência explique toda a profusão de substâncias que teu cérebro manda pro teu corpo naquele momento. Acho até que a ciência explica, não quis pesquisar sobre isso. Prefiro ficar nessa idéia lúdica e quase infantil de que minutos sozinho após um encanto súbito vão pagar todas as horas de vida real que te pega e te detona aos poucos.
Depois isso até pode virar ilusão, frustração, decepção. Mas naquele momento, naquele trajeto, naquele deslocamento, naqueles poucos minutos, nada disso passa pela cabeça. É pleno. É, finalmente, voltar a sentir. Sentir. Isso aí.
Se o mundo já muda de 20 em 20 minutos, como diz aquela rádio, imagina os milagres que ocorrem numa semana… a gente conhece pessoas, descobre afinidades… e finalmente CONHECE alguém. Cada momento é uma novidade, uma surpresa, uma descoberta. A voz que se escutava de longe tomava forma e qualidades. Ah, a voz gosta do Kiss!!!! gosta de lista, gosta de ser sincero, gosta de falar e escrever, gosta de mapas, gosta de ceva e cigarro, mas se esforça pra nao gostar, pelo menos por uma noite. O vento do motor foi providencial. A passada despreocupada pela Anita agora faz sentido… O ultimo pedido, com um certo tom de “será que eu falo” me pegou de jeito…
Comment by oieeeee — October 14, 2007 @ 3:54 pm
Hmmm… senti algo “más” no ar. Lindo o post. Mas eu não chorei no Doce Novembro, achei meloso demais. Homens, vá entendê-los. 6 comédias românticas no mesmo dia? E tu não morreu de overdose?
Comment by Vica — October 14, 2007 @ 4:58 pm
eeeeeeeeeeeeeita coisa boa!!!!
Pra mim a melhor frase: “É essa fração de tempo dentro da tua existência que vai fazer com que toda a porrada que a vida te traz valha a pena. É uma plenitude absolutamente inexplicável.”
É bem isso. Só isso. E esse ’só’ é tudo que se quer…
Coisa boa!!!!!
Comment by Coruja — October 15, 2007 @ 2:11 am
Huuum. No ‘tempo da ausência’ é que a gente se descobre…
Mas, afinal, é tão depressa assim
que se pega essa doença? dº_ºb
Sabe, meu amor mora longe, o céu ta lindão e tem uma garrafa de vodka na minha geladeira…
Aproveita aí que tu tá melhor que eu. hihihi
Saudade viu Carlinhos! Beijocas da Sílvia.
Comment by Sílvia (Acre) — October 16, 2007 @ 5:27 am