Verborragia sem concessões

October 28, 2007

FUTEBOL. SÓ ISSO, FUTEBOL.

Filed under: futebol - Carlos @ 12:53 am

Dei uma volta na quadra hoje. Foi minha única saída desde quarta-feira, quando descobri estar com rubéola. Uma semana em casa, mas não agüentei. Foi só uma volta, num sábado à tarde, que eu nunca tenho livre. É impressionante a atmosfera de um sábado à tarde, mas provavelmente ninguém dá o valor necessário. Só quando eles não fazem mais parte da tua rotina.

Na rua de trás, uns piás batiam uma bola, ali na calçada. Observei um pouco e fiquei com aquela inveja de ter 12 anos pra poder fazer o que realmente a gente tem vontade. Jogar bola na calçada, no meio da rua, sem compromisso. Suar muito, correr, rir. Um era o Pato, o outro era o Tuta (?). Um encarava o outro, driblava, um guri fazia falta. Tinha um goleiro. Era o velho esquema um contra um, quem fizer gol entra. Ou quem fizer três, o outro vai pro gol. Não era “três dentro-três fora”. Juro que eu queria espantar a rubéola pro alto, pegar a bola e sair limpando a piazada, já chamar um velho pra fazer as vezes de zagueiro, botar um suador no corpo e brincar que eu era, sei lá, o EDMUNDO (SESSÃO FLASHBACK: minha maior atuação como jogador foi numa partida em Curitiba, futebol de campo, eu usava por baixo a camisa número 7 do Palmeiras/Parmalat, utilizada por Edmundo na época. Meu, joguei muito naquele dia, incorporei o animal, numa posição que nem era a minha, a de segundo atacante. Vale lembrar que no campo, eu atuava como lateral-direito: forte no apoio porém FRAQUÍSSIMO NA MARCAÇÃO)

Futebol é mais do que uma questão de vida ou morte, uma vez alguém escreveu. Eu concordo. A atitude de um homem em campo é que define o caráter dele. E a atitude de um homem ao se apaixonar por uma partida de futebol também diz muito. Quando comecei a trabalhar NO MEIO, passei a encarar a “paixão” de uma maneira “profissional”. O futebol virou trabalho. Quando estou de férias (ou enjaulado) tudo se transforma. Zapeei rapidamente e até consegui assistir a um pouco de MOGI MIRIM x MARÍLIA, na Rede Vida, pela Copa FPF. Jogo de bosta, mas era uma partida de futebol, com todas as alternativas e até um desejo de quem sabe estar no Estádio Papa João Paulo II em Mogi-Mirim. Coisa de quem não é muito certo. Ou coisa de quem é apaixonado por isso.

O fato é que depois de tudo isso, eu volto à minha infância. Aos jogos sexta-feira no recreio da Escola do Salvador, no ginásio de cimento, quinze minutos peleados que a gente torcia para que fossem vinte ou trinta. Ou aquelas manhãs ali na COHAB, que nem era na COHAB, um campo de terra violento onde a gente jogava apenas pra se divertir. Ou a tarde num estádio, torcendo, bebendo cerveja e passando o domingo todo envolvido em ir num jogo. Eram dois ônibus pra ir e dois pra voltar na época, mas tudo feito com um prazer espetacular.

Pra mim, brincadeira de guri é jogar bola. Feliz é quem pode fazer isso por diversão, volta e meia. Feliz é quem pode se apaixonar pelo futebol, sempre agregando novos ídolos, novas manias e novas felicidades. Essa é a terapia do homem de verdade: jogar bola. Talvez esse seja um desejo enorme na minha vida quando eu tiver um filho. Ensiná-lo a jogar futebol. Ensiná-lo a se apaixonar pelo futebol, como eu sou apaixonado. A entender de futebol, a consumir futebol, a participar de qualquer evento que envolva o futebol.

Eu juro que no dia em que ele estiver assistindo a MOGI-MIRIM x MARÍLIA, eu até faço companhia. Aí eu vou saber que pelo menos nesse aspecto, eu vou ter acertado.

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