FUTEBOL. SÓ ISSO, FUTEBOL.
Dei uma volta na quadra hoje. Foi minha única saída desde quarta-feira, quando descobri estar com rubéola. Uma semana em casa, mas não agüentei. Foi só uma volta, num sábado à tarde, que eu nunca tenho livre. É impressionante a atmosfera de um sábado à tarde, mas provavelmente ninguém dá o valor necessário. Só quando eles não fazem mais parte da tua rotina.
Na rua de trás, uns piás batiam uma bola, ali na calçada. Observei um pouco e fiquei com aquela inveja de ter 12 anos pra poder fazer o que realmente a gente tem vontade. Jogar bola na calçada, no meio da rua, sem compromisso. Suar muito, correr, rir. Um era o Pato, o outro era o Tuta (?). Um encarava o outro, driblava, um guri fazia falta. Tinha um goleiro. Era o velho esquema um contra um, quem fizer gol entra. Ou quem fizer três, o outro vai pro gol. Não era “três dentro-três fora”. Juro que eu queria espantar a rubéola pro alto, pegar a bola e sair limpando a piazada, já chamar um velho pra fazer as vezes de zagueiro, botar um suador no corpo e brincar que eu era, sei lá, o EDMUNDO (SESSÃO FLASHBACK: minha maior atuação como jogador foi numa partida em Curitiba, futebol de campo, eu usava por baixo a camisa número 7 do Palmeiras/Parmalat, utilizada por Edmundo na época. Meu, joguei muito naquele dia, incorporei o animal, numa posição que nem era a minha, a de segundo atacante. Vale lembrar que no campo, eu atuava como lateral-direito: forte no apoio porém FRAQUÍSSIMO NA MARCAÇÃO)
Futebol é mais do que uma questão de vida ou morte, uma vez alguém escreveu. Eu concordo. A atitude de um homem em campo é que define o caráter dele. E a atitude de um homem ao se apaixonar por uma partida de futebol também diz muito. Quando comecei a trabalhar NO MEIO, passei a encarar a “paixão” de uma maneira “profissional”. O futebol virou trabalho. Quando estou de férias (ou enjaulado) tudo se transforma. Zapeei rapidamente e até consegui assistir a um pouco de MOGI MIRIM x MARÍLIA, na Rede Vida, pela Copa FPF. Jogo de bosta, mas era uma partida de futebol, com todas as alternativas e até um desejo de quem sabe estar no Estádio Papa João Paulo II em Mogi-Mirim. Coisa de quem não é muito certo. Ou coisa de quem é apaixonado por isso.
O fato é que depois de tudo isso, eu volto à minha infância. Aos jogos sexta-feira no recreio da Escola do Salvador, no ginásio de cimento, quinze minutos peleados que a gente torcia para que fossem vinte ou trinta. Ou aquelas manhãs ali na COHAB, que nem era na COHAB, um campo de terra violento onde a gente jogava apenas pra se divertir. Ou a tarde num estádio, torcendo, bebendo cerveja e passando o domingo todo envolvido em ir num jogo. Eram dois ônibus pra ir e dois pra voltar na época, mas tudo feito com um prazer espetacular.
Pra mim, brincadeira de guri é jogar bola. Feliz é quem pode fazer isso por diversão, volta e meia. Feliz é quem pode se apaixonar pelo futebol, sempre agregando novos ídolos, novas manias e novas felicidades. Essa é a terapia do homem de verdade: jogar bola. Talvez esse seja um desejo enorme na minha vida quando eu tiver um filho. Ensiná-lo a jogar futebol. Ensiná-lo a se apaixonar pelo futebol, como eu sou apaixonado. A entender de futebol, a consumir futebol, a participar de qualquer evento que envolva o futebol.
Eu juro que no dia em que ele estiver assistindo a MOGI-MIRIM x MARÍLIA, eu até faço companhia. Aí eu vou saber que pelo menos nesse aspecto, eu vou ter acertado.
Ei menino, trate de ficar bem logo!
Te gosto muito.
Bjs.
Comment by Sílvia (Acre) — October 28, 2007 @ 1:34 am
Descobri que preciso ver meu marido jogar futebol. Antes disso não posso dizer que realmente o conheço.
Comment by Vica — November 10, 2007 @ 3:47 pm