Verborragia sem concessões

November 23, 2007

DEVER SENTIMENTAL

Filed under: comportamento, música - Carlos @ 4:15 am

Existem dois tipos de pessoas, basicamente: as que algum dia ouviram Iron Maiden e as que não entendem absolutamente nada de música. Mais uma vez fecho no meu mundinho aqui ó: minha faixa etária e predominantemente masculino (metal pra guria no início dos anos 90 era muito coisa de guri). Tendo entre 25 e 32 anos e gostando de música, alguma vez o Iron Maiden já foi a banda mais importante da sua vida. Ou uma das mais. Se não foi, sério, reveja alguns conceitos. Ou então tu é do tipo de curte aquele violãozinho cachorro de boteco caro com um cara mandando ver no “EU TE DEVORO” do Djavan né? Bom, resumindo, tu não entende de música. Vamos ao Iron.

A banda toca aqui em Porto Alegre dia 5 de março. Eu particularmente não ouço nada produzido por alguém do Iron desde “Tears of the Dragon”, baladaço explodido pelo Bruce Dickinson em trabalho solo de 1994, com belo videoclipe que ainda emociona volta e meia. Nunca mais ouvi Iron Maiden desde então, ou melhor, nunca mais ouvi alguma coisa nova do Iron Maiden. Em 1992, comprei a fita original de “Fear of the Dark”, sendo este disco de valor sentimental único. Ali tinha Be Quick or Be Dead, Afraid to Shoot Strangers, a porrada da faixa título e a melosa Wasting Love. Gostava de ouvir esse disco, o que me projetou para outros trabalhos da banda, com destaque para “Number of the Beast” e “Powerslave”.

Admito que com o passar do tempo, aquela mística do Iron Maiden me pareceu mais uma brincadeira de adolescente se descobrindo musicalmente. Foi assim que aconteceu comigo. Eu ouvia Bon Jovi também e gosto pra caralho de discos como “Slippery When Wet” e o “Keep the Faith” mora no meu coração até hoje, era a época, eu acho. Digamos que o Iron Maiden, como o Bon Jovi ou como naquela época o Metallica serviram de iniciação musical, uma espécie de introdução na porrada para um mundo muito maior do que o Eddie (a caveira) ou o baixo do Steve Harris (que é o cara da banda). Uma “primeira vez”, como se fosse a primeira transa, liberando o guri para se entregar a paixões avassaladoras, casinhos de ocasião e uma imensidão de amores eternos, como várias bandas são pra mim até hoje. Antes era só beijinho e pegar na mão, ainda quando eu gostava e me emocionava com “Astronauta de Mármore” em 1989.

Aliás, estranho esse mundo de idolatria. Quarta série, gincana. Prova: a melhor interpretação de uma música ganhava o prêmio. Uma menina chamada Renata (ou seria Juliana, sei lá), dois anos mais velha que eu, cantou “Astronauta de Mármore”, em 89, e ganhou a prova. Me apaixonei pela música, com nove anos. Platonicamente pela menina, acho. Comprei uma fita do Legião Urbana e outra dos Engenheiros do Hawaii. Já gostava de RPM, mas de canto. Mas antes do Guns e antes do Iron Maiden, eu ouvia aquela versão de Starman (genial, genial) e nem sabia quem era David Bowie. Foi há 18 anos. Hoje, o cara que fez essa versão, o vocalista da banda, me encomendou dois trabalhos, sobre o Inter campeão da Libertadores e do Mundial. Me pagou, direitinho. O cara que cantou uma música que me abriu algum tipo de encantamento foi meu “patrão”.

Não ouço mais Nenhum de Nós, mas gosto ainda de Cascavelletes. Pra mim, a maior banda já surgida no Rio Grande do Sul. Engenheiros fica em segundo lugar. Cascavelletes era absolutamente genial pra proposta que apresentava. Letras absolutamente impressionantes, uma performance espetacular e uma precisão de banda que até hoje é reconhecida. Entrevistei sábado o Nei Van Sória e confesso que não conseguia pensar em outra coisa a não ser nele como vocalista do Cascavelletes.

Em 2002, recém contratado, não era plantão. Era um produtor e aos poucos fui fazendo algumas reportagens. Naquele mesmo ano, entrevistei o Felipão, o Parreira (dois campeões mundiais), o Ortega (jogador da Argentina, quando o River jogou contra o Grêmio aqui) e em 2005 fiz uma entrevista por telefone com o Edmundo, talvez meu maior ídolo de adolescência no futebol. Ancorei a cobertura da TAM sem qualquer experiência, transitando numa área que não era exatamente a minha. Não tremi em nenhuma dessas vezes. Nem quando era inexperiente, nem quando falei com meu ídolo e nem quando entrei num terreno desconhecido. Por mais leve que estivesse o papo, por mais cancha que eu já tenha, confesso que o Nei Van Sória na minha frente era muito mais o guitarrista dos Cascavelletes do que um entrevistado jornalístico. Não parava de pensar que era o cara que fazia parte da banda que me ensinou a palavra PUNHETA, por exemplo. Ou o que era MENSTRUAÇÃO. Que ele tinha sido muito mais educativo (mesmo que às avessas) do que a maioria dos professores que eu tive.

Foi quando eu pensei no Thedy e percebi que eu estava trabalhando pra ele. O cara que um dia cantou “Astronauta de Mármore” e fez com que eu me arrepiasse aos 9 anos, ainda não tirando minha “virgindade”, mas já indicando onde estava a “porta do paraíso”.

É justamente por isso que eu PRECISO ver o Iron Maiden. Mais que o Led Zeppelin, mais que o Police, apesar de eu saber e gostar bem mais dessas duas bandas do que a respeito do próprio Iron. Mas a banda do Bruce Dickinson e do Steve Harris, cujo material novo eu não sei há 15 anos, banda que não entraria numa lista de 200 bandas que eu ouviria numa ilha deserta, merece a minha audiência. O Nei Van Sória merece um abraço meu. O Márcio Petracco (que eu também entrevistei) merece um abraço meu. O Thedy Correa merece um agradecimento meu.

Não são ídolos de fato. É como se eles fossem conselheiros inconscientes da minha formação musical. A formação que eu me orgulho e que gerou boa parte da minha personalidade. Vocês têm culpa. Obrigado. Iron Maiden, eu não sei mais cantar nada que seja depois de 92, me perdoem, ok? Mas a missão de vocês comigo foi cumprida bem direitinho quando eu tinha 13 anos. Vou retribuir. Me esperem dia 5 de março.

November 14, 2007

PANIS ET CIRCENSIS

Filed under: jornalismo - Carlos @ 4:07 am

Jamais falaria mal de um filme dirigido pelo Robert Redford porque simplesmente fazer cinema pra ele é fácil. Atuando e dirigindo há 40 anos certamente lhe deram experiência suficiente pra ter a manha de filmar. Por isso não vou analisar “Leões e Cordeiros” sob a ótica cinematográfica, e aí vão alguns exageros de interpretação e uns clichês de cinema, como um sobe-som em momentos cruciais ou até deslizes de patriotada no roteiro.

Confesso que consegui me enxergar na figura de um jovem perto dos 20 anos cheio de idealismo, com um vigor absurdo para contestar. E que depois desiste de qualquer tipo de contestação, alegando primeiro que as garotas e a vida social atrapalhavam seu desempenho nas aulas de Ciência Política. Mas o real motivo de seu abandono de gostar da polêmica e simplesmente seguir o rumo de todos os seus colegas menos brilhantes foi o mesmo que eu tive quando parei de questionar o que está acontecendo. Contestação x conforto? Quem vence? Vence o conforto, sempre.

Até que ponto vale provocar, polemizar, questionar, alfinetar, quando depois de uma visita ao shopping a gente tem vontade de comprar um ipod com mais capacidade, fazer outra tatuagem, comprar um livro de 100 reais, uma calça legal ou uma camiseta bacana? Uma viagem pra fora, um carro novo. Um apartamento maior. Uma boa educação para os filhos. Eu não conheço ninguém que consiga tudo isso sem abrir as pernas para o sistema. Contestadores não ganham e esse espírito consumista, me desculpem, pega todo mundo de calças curtas. Maturidade, talvez. Mas uma constante e dolorosa perda de valores que faziam tanto sentido lá atrás, mas que agora parecem coisa de gente que tinha um backup imenso nas costas. Entretanto, as coisas mudaram. O backup se foi, chegam contas, chegam desejos de consumo e o idealismo passa a ser outro. O de formar uma vida estável, confortável, sentar na poltrona no dia de domingo e não se mexer muito pelas coisas.

É a história da decepção pela política. Eu voto em branco ou nulo. Confesso que não acredito mais em ninguém que se candidata a um cargo público. Não confio pelo simples fato de que essa pessoa quer algum tipo de poder. Que até pode ser para ajudar os outros, lutar em nome de alguma causa nobre e coletiva. No entanto, quando se está no poder, de alguma forma aquilo vira tédio e o desejo de mais, mais, mais poder acaba entrando na cabeça de quem tá eleito. É a história do flat, cemitério, apartamento. Conforto vence e quem contesta?

Admito que é um dilema violento. Como o enfrentado também pela jornalista (Meryl Streep) que percebe que o senador (Tom Cruise) lhe chamou para o “furo do ano”, uma nova operação militar no Afeganistão que sacrifica jovens recrutas para justificar um projeto. Aquela coisa: “eu ao menos faço alguma coisa e mentes que realmente querem fazer a diferença pagam o pato”. Percebendo que a idéia genial é um trampolim dele pra se candidatar à presidência, mais uma vez o dilema. Publico o furo, talvez a matéria do ano, uma entrevista exclusiva de um senador com uma novidade bombástica? Ou tenho o discernimento de ao menos não dar tanto merchandising pra um cara que visivelmente busca mais (olha aí) PODER?

Não escrevo muito sobre jornalismo aqui, tenho minhas razões. Logo após a sessão, tive a sensação plena de que aquilo que o Diogo Mainardi disse uma vez, de que “a função da imprensa é incomodar o poder”, é conversa pra boi dormir. O próprio Diogo Mainardi nada mais é do que uma mosquinha chata no ouvido do poder. No final das contas, quem está com a bunda sentada no ar condicionado, com faixas reluzindo as cores da bandeira do Brasil, com ternos caros, motorista e mil assessores vence a parada. Porque eles mandam. A imprensa (ou o Diogo) só tenta incomodar.

No final do filme, quando o cara zapeando a TV só pára pra ver a notícia da separação de dois popstars e baixa o volume quando fala da guerra (SIM, HÁ UMA GUERRA NO ORIENTE, SABIAM?) me dá um tapa na cara. Pão e circo. Quem faz o pão e reparte de acordo com o soprar do vento não é a imprensa. No máximo, alguns recusam o pão ou esfarelam a sua migalha. Alguns, poucos, da nossa imprensa. Nosso negócio é circo. Só falta ver quem é o malabarista, o anão, o domador de leões e o palhaço. Como dizem que eu sou engraçado…

November 11, 2007

FERNANDA MACHADO

Filed under: comportamento - Carlos @ 5:33 am

Li a VIP desse mês pra conferir as 100 mais sexy do mundo. Juliana Paes ganhou, até aí tá valendo. Mas na lista constava uma figura duvidosa: JOELMA, da BANDA CALYPSO. E tá bem colocada.

A Bruna, aquela gordinha do Big Brother, também, numa foto onde o photoshop alterou todas as medidas da menina. E quem viu o Big Brother sabe do que eu estou falando. Além dela comer MUITO e TUDO, era uma chata do caralho.

O que mais me chamou atenção na lista, no entanto, foi a ausência dessa menina aqui:
Fernanda Machado

Um colega meu tascou a seguinte frase: troco uma noite de sexo com a Scheila Mello por 30 minutos de conversa com a Marjorie Estiano. A Marjorie Estiano é outra gracinha que não tá na lista, mas a Iris Stefanelli está, a sacoleira gritona, chata e burra do Big Brother. De alguma forma, eu concordei com a frase.

Na verdade, mulher ainda acha que os homens preferem silicone, bunda gostosa e burrice. Eu gosto de REQUINTE. Mulher que sabe o que falar, que tem graça, que dá uns foras de vez em quando, que é inteligente e acima de tudo sorri. Que sabe mesclar doçura com sarcasmo. Que consegue te prender por mais de 30 minutos sem soltar uma obviedade sequer. Como nicks do msn. Uma frase clichê de livro de auto-ajuda no nick já descarta a mulher na hora. Alguma piada interna convence, mas o melhor mesmo é um low-profile, uma discrição na medida certa, um ar tímido em alguma resposta e logo depois uma piada criativa que vai me dar um outro sorriso que vira um riso que vira uma gargalhada.

Por sinal, fui numa festa onde tocava PAGODE esses tempos e me assustei em como a produção em série anda funcionando em Porto Alegre. Trinta mulheres vidradas em academia, dançando músicas que eu nunca ouvi antes na vida - todas ruins, por sinal. O lado positivo é a celebração coletiva que proporciona alegria e integração entre elas. Não condeno. Tento respeitar. Mas o bronze era artificial, o cabelo também, os peitos de várias provavelmente e junta com isso uns 200 reais de academia pesada pra agüentar o tranco e manter o corpo em cima. Nenhuma delas me fez rir, por sinal.

Aí eu vi a eleição da sexy e vi várias gostosas. Mas juro que eu vi a lista pra procurar a Fernanda Machado. Por quê? Eu nem sei como ela é na verdade. Mas se a primeira impressão é a que fica, aí vai uma dica pra me conhecerem - e, de acordo com conversas com diversos amigos meus, conhecerem alguma amostragem masculina que seja PENSANTE. A Fernanda Machado é que é FODA. Além dela ser meu número, fisicamente falando (morena, traços meigos, LINDO sorriso, boa entonação vocal, nariz empinado, feições ABERTAS, simpatia, riso fácil), ela é um símbolo desse novo estereótipo de mulheres que os homens procuram, pra mudar de vez a predileção absurda pelas VIVIANES ARAÚJOS da vida. Um símbolo, uma entidade.

Seria minha número um da lista. Linda, perfeita, absolutamente impecável. Passou a Rachel Weisz como a mulher mais linda e interessante do planeta. E por aí, pela Fernanda Machado, dá pra entender meu gosto. E dá pra entender o que eu penso de uma mulher e algum tipo de segredo que elas têm pra que os componentes necessários para que eu admire mulheres assim, como ela, a Fernanda Machado.

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