O GOOGLE ME MATOU
Acho que um dos primeiros passos pra 2008 é terminar com esse blog. Eu não enjoei de escrever. Gosto de estabelecer algumas discussões que, pretensiosamente, tento colocar em prática por aqui. Paciência pra escrever eu tenho. Poderia alegar falta de tempo, o que de fato é uma boa desculpa, visto que é complicado achar um assunto que eu tenha vontade de dissecar. O tempo é curto e o tempo curto livre dificilmente é encontrado para sentar e achar algo legal para escrever. E não é cu doce, definitivamente.
Minha vontade de parar com o blog (com este ao menos) é que está havendo um desgaste natural desta fórmula na internet. O sitemeter indica que 80% das pessoas que lêem este blog chegaram através do google. Como meu vocabulário é altamente VULGAR em alguns momentos, pelo menos dois terços destas pessoas estavam atrás de PUTARIA VIRTUAL e chegaram até aqui digitando coisas como “IRLANDESAS FEIAS”, “BRIGA DE MULHERES SEM ROUPA” ou “MULHERES BRASILEIRAS NO PORTO GOSTOSAS”. Sem contar um pedófilo filho da puta que entrou aqui e não merece nem crédito citar o que ele digitou ali no google. De certa forma, isso me irrita. Das últimas CEM entradas, apenas 19 entraram pra ler o blog. Dezenove. Algumas entraram mais de uma vez, certamente. O resto, tudo pelo google, à procura da tal putaria que NÃO VÃO ENCONTRAR AQUI ou então querendo saber de coisas como “a extravagância de Wanessa Camargo” ou “como beber e não fazer cagadas”. Difícil aceitar esse tipo de coisa. Logo, se torna um pouco ridículo manter um endereço na internet onde eu me proponho a falar sério e continuar tendo vontade para prosseguir publicando meus textos (bons, ruins, péssimos).
Um outro fator que está me desestimulando é algo que eu ainda preciso saber o que é, mas já começo a desconfiar. Estou envelhecendo. E junto com o natural amadurecimento dos metais, está chegando um modo diferente de usar a internet. Como pouca coisa aqui é no CHUTE, reli textos meus de 2003/2004, quando eu publicava e produzia muito mais. Eram diferentes. Mais curtos, mais objetivos, menos medrosos. Mais infantis. Mais descompromissados. Um pouco mais sarcásticos. Mais atraentes. Talvez melhores. Hoje, a internet serve como um instrumento de informação propriamente dito. A maior parte do tempo eu gasto lendo as notícias diárias. Outra grande parte do tempo eu gasto baixando músicas e lendo sobre música. Eu leio muito sobre música. Não baixo filmes. Pesquiso a respeito. Vejo vídeos, muitos. Não gosto dos vídeos “consagrados” da internet, geralmente utilizo o youtube pra conhecer alguma apresentação rara, diferente ou novidades musicais. No resto do tempo, o msn para conversas esporádicas semanais. E o orkut, que eu ainda acho que tem vida longa. E eu gosto do orkut, ainda não larguei de mão.
Notem que os blogs não estão na lista. Pois é, acho que é o formato se esgotando. Prezo pelos meus leitores habituais. Sei que tenho vários. Sei que gostam dos meus textos. Sei que ainda há leitores novos. Sei que a repercussão de algum texto meu aqui é maior do que no outro blog, que afinal, é sobre música, pouco polêmico, meio amador. Mas no momento é onde eu mais gosto de escrever.
Infelizmente, os dias estão contados. Uma frustração imensa de cair na real e admitir que nada se aprende de novo na internet e nos blogs. Antes que a fórmula se esgote, acho que vou cair fora. É aquela história do veterano em final de carreira. Melhor sair enquanto ainda consegue correr do que morrer em campo e largar o futebol na decadência. E o que eu sinto é que este tipo de fórmula tá se esgotando e indo rumo ao fundo do poço.
Ainda não decidi. Mas estou prestes a fechar as contas. Não vou parar de escrever. O “cowboy in the sand” permanecerá vivo. Mas acho que as pessoas estão muito pouco interessadas em saber o que eu penso sobre qualquer coisa. Com toda razão. A fatia consumidora da internet está enjoando dos blogs. Os números mostram. Quem tá na rede e quem busca a rede não quer blog. Só chegam neles através de buscas sem sucesso no google. Então, para que eu não passe por esse tipo de constrangimento, que me desculpem os seis ou sete que estão lendo este texto porque QUEREM, mas vou largando aos poucos pra que nenhum pervertido leia meu texto.