Verborragia sem concessões

January 17, 2008

RECESSO

Filed under: fuçando pra aprender - Carlos @ 5:18 am

Até 5 de fevereiro. Pretendo não acessar computador até esta data. Pretendo cumprir.

Att,
a direção.

January 14, 2008

THE OLD IN AND OUT

Filed under: amor(?) - Carlos @ 3:10 pm

Uma vez eu li no orkut de alguma amiga minha a expressão “THE OLD IN AND OUT”. O velho vai-e-vem. Tava colocado como “esportes” e eu acho que poderia muito bem estar no orkut de todo mundo como “atividade”. Se resumirmos friamente a essência humana, a gente se baseia num “in and out” eterno. A reprodução dos homens é, a grosso modo, um grande vai e vem de movimento.

É assim com os relacionamentos. Eles acabam. E outros voltam. Um círculo que só se encerra quando acontece uma das três opções: a) morte; b) traição; c) não gostar mais da pessoa. No meu caso, já terminei por não gostar mais, já traí, já terminaram por não gostar mais, já traíram. Só não morri nem morreram, ainda bem. Acho que das três opções, a (a) é a mais grave e que realmente deve haver sofrimento. Talvez a única que cesse o vai e vem da história. Não gostar mais é um sinal de que nem a outra pessoa (a que supostamente gosta) gostava tanto quanto no início, na época de reciprocidade. Já traição induz a pessoa a um sentimento de raiva. E como eu falei, a raiva motiva. E nos outros dois casos, o IN AND OUT se torna fundamental. Seja por vingança (na traição) ou por simples e pura movimentação no mercado (opção “C”). Resumindo, A FILA ANDA.

É assim com um trabalho. É demitido. Morre? Não, fica triste, sofre, fica com raiva, se endivida, bota na justiça, queima o filme no mercado, mas levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima meu irmão. Outro emprego e a roda gira. A roda nunca pára. Talvez isso faça com que a gente enlouqueça um pouco. Porque os cães ladram mas a caravana não pára. O nosso mundo, mundo particular, que é e deve ser o centro de tudo (aliás, pra esclarecer, sim, MEU umbigo é o centro do mundo, assim deveria ser o seu, sabia?), às vezes fica tão pequeno nesse oceano de possibilidades e probabilidades que é infinito.

E é assim no blog. Eu notei diante de um senso de percepção que pessoas apaixonadas tendem a tratar pior as outras quando estão nesse estado. Ou nem aparecer. Alguns leitores habituais deixaram de ler o blog porque estão apaixonados. Pessoas que não aparecima no msn há uns longos meses voltam após se desiludir e procurar na internet a salvação para um estado de carência. Elas admitem. Fiquei longe do msn porque estava namorando. Claro, a listinha online com pegadas antigas, ex-paixões e possíveis candidatos é uma tentação incrível para quem está com alguém. Então, a saída é realmente se afastar. Com o blog, a mesma coisa. Os meus leitores são em geral meus amigos ou pessoas que estão SOLTEIRAS. Os casados (e bem casados) não lêem blogs. Por sinal, não lêem nada.

Mas aí, acaba. E eles voltam pro msn, pro blog, pro mercado. Só acho um pouco medíocre um sofrimento desenfreado por alguém que não te quer. Este sofrimento é parte do IN AND OUT, põe na cabeça. Amanhã, o mesmo msn que serve de lágrimas é o que vai servir de sorriso. O mesmo msn que serviu pra conhecer aquela pessoa INTERESSANTE vai servir pra conhecer o teu próximo namorado. É um joguinho, assim, meio sinistro, idiota. Bate e volta. A banca paga e recebe.

Por isso eu já não me preocupo tanto com algumas relações que foram cortadas. Em 2001, por exemplo, eu briguei com a minha melhor amiga, coisa feia. Um ano depois eu falava novamente com ela. Hoje ela é mais amiga da minha mãe do que minha. Em 2003, eu escrevi um e-mail devastando uma namorada que acabou comigo. Hoje eu encontro e converso com ela, torcendo por ela e me orgulhando do que ela conquistou. Em 2002, uma namorada praticamente queria minha morte. Hoje, ela casada, me liga no dia do meu aniversário.

Aliás, acho engraçado aquelas pessoas que tentam se matar com MELHORAL INFANTIL (história verídica) depois de uma “perda”. Quem quer se matar, em primeiro lugar, tem problemas. Quem quer se matar porque uma pessoa MUITO querida morreu tem problemas. Quem quer se matar porque um namorado se foi se foi é débil mental. Quem quer se matar porque um casinho gente boa, colega de trabalho, terminou um namoro é porque é uma ABERRAÇÃO DA NATUREZA. Por sinal, uma coisa que o ser humano sabe BEM como se faz é MATAR ou MORRER. É barbada. A história mostra isso. Então, quem quis REALMENTE fazer isso é encontrado em algum “Rest in peace” por aí. O resto quis aparecer.

Ontem eu fui censurado por causa de um post que eu queria escrever. A censura mais baixa é aquela que te joga na cara que a tua opinião vai “machucar” ou “magoar”. Essa é a chantagem mais barata. E desleal. Hoje, eu devo perder uma das minhas únicas cinco leitoras assíduas. Ela começou a namorar. Em início de namoro, ninguém lê blog. Eu não leio blog. Tanto faz a minha opinião quando existem milhões de estrelinhas e pássaros e rosinhas pairando no ar, alimentando a brisa do verão com um céu cor de rosa, pra deixar na história aquele calor de 2008 em que nos encontramos, nos amamos e nem lembrar que dois anos depois sofremos tanto, isso daqui a dez anos. Porque foi e voltou. In/Out. Vai. Vem. É da vida.

É por isso que eu não me preocupo mais tanto com isso. Me preocupo com coisas sérias, como o dinheiro das minhas férias, não correr na estrada, a saúde da minha família estar em dia com as contas, com o corpo e com a mente. E gasto meu tempo me ocupando em ter raiva de coisas MEDÍOCRES, como o gosto musical dos outros. Agora, eu não vou perder minha disposição sofrendo, chorando, bradando, tendo raiva, me irritando com dor de corno e dor de cotovelo. Chifre e cotovelo são partes do meu corpo que não machucam mais.

January 10, 2008

COUVERT DOZE REAIS

Filed under: comportamento, música - Carlos @ 5:25 am

Confesso que o post embaixo me inspirou a fazer um pequeno protesto. Enfim, me irritei, deu raiva, gosto do sentimento de raiva, acho ele bem mais nobre do que pena, compaixão ou tristeza. Dos sentimentos ruins, a raiva é o melhor deles porque é o único que MOTIVA. Os outros são letárgicos, inoperantes, deprimentes. Raiva ou ódio traz uma certa força sobrenatural que, por pior que seja, agrega uma força de vontade para que os argumentos continuem, mesmo que sejam destrutivos. É uma merda que puxa o lado ruim da pessoa, por vezes absolutamente animal. Mas é o único que FAZ alguma coisa, pelo menos. Enfim, antes raiva do que resignação. Ou pena, esse o pior de todos. Síndrome do coitadismo.

Mas não é contra o coitadismo que eu vou protestar. Isso vale um outro post, outro dia. O protesto se faz contra as pessoas que respondem isso:
“Que tipo de música tu gosta?”
“Ah, eu sou eclético, gosto um pouco de tudo”.

Isso me lembra o mestre Abílio dos Reis. Não conhece, né? Seu Abílio, já falecido, era o cara do Inter que revelava garotos lá pelos anos 60 e 70. Falcão é cria dele. Seu Abílio perguntava para a galera:
“Em que posição você joga?”
“Ah, eu jogo em todas.”

Resultado: NÃO JOGA NADA.
Talvez tenha sido outro mestre, ÊNIO ANDRADE, o autor da pérola, mas enfim, pesquisa nessa hora tá complicada. Vai assim, no chutômetro saudável, que não dá nada.

Pois bem. Como eu ando numa fase extremamente musical e absolutamente contrariado com pessoas NÃO MUSICAIS (ah, música é música e só), a principal irritação é essa do ecletismo.

Mas tem uma pior que eu lembrei:
“Ah, eu gosto daquela do U2… putz, não lembro o nome, é aquela que eles tocaram no show em Buenos Aires que eu fui, sabe? Ah, eu adoro aquela música. Bah, desculpa, sou tri ruim pra lembrar nome de música.”

Isso é praticamente uma facada no meu peito. Eu ouvi isso. Primeiro, a pessoa foi no show do U2 por algumas razões. A primeira é pelo EVENTO. A segunda é porque tinha dinheiro e a terceira porque a MÚSICA (SHOW, MÚSICA, PEGOU?) era o que menos importava naquela altura do campeonato. Duas fotinhos no orkut e eu lembro que estava em Atlântida Sul numa TV 14 polegadas pegando mal o show e essa pessoa no entanto estava em Buenos Aires vendo o show. A propósito, eu refresquei a memória da pessoa. A música era “ONE”, do disco “ACHTUNG BABY”, de 1991. Provavelmente uma das três mais conhecidas do U2. E segundo que ir a um show do U2 e não saber que ONE É O NOME DE UMA MÚSICA DELES é como achar que o JAPÃO fica no continente AFRICANO.

Depois, eu perguntei que mais a pessoa gostava além de U2. Ela disse “Seu Jorge”, “Marisa Monte”, “samba de raiz” e “Rolling Stones”. Mas que ela era “ECLÉTICA” e “GOSTAVA DE TUDO UM POUCO”.

Não sou melhor do que a pessoa “eclética” em nada. Vai ver ela só acha que música é algo que entra no ouvido, agrada e não contribui em nada pra vida dela não saber que ONE é o nome daquela música. Pra mim, música é muito mais que isso. Eu escrevi no post abaixo.

Cada um preza por qualidades nas pessoas. Uma pessoa “musical”, no meu ponto de vista, é muito mais interessante do que as “ecléticas”. E esse lado musical COMUM às vezes passa tanto do limite que chega a irritar. Ao menos a raiva serve pra isso né: escrever um post.

COUVERT OITO REAIS

Filed under: comportamento, música - Carlos @ 4:41 am

Eu odeio barzinho que toca voz e violão e cobra couvert de oito reais pra músicas da MPB tradicional. Simplesmente porque todo mundo faz a batida do mesmo jeito. É horrível, de um mau gosto, mal tocada, feio o jeito de interpretar, praticamente assassinando toda a harmonia de músicas excelentes. As cinco músicas mais tocadas em bares (e prontamente assassinadas, com o chamariz de MÚSICA AO VIVO - COUVERT) são as seguintes:

1- Cláudio Zoli - Noite do Prazer
Aquela, “na madrugada vitrola rolando um BLUES, dançando BB King sem parar”. É uma musiquinha pop relativamente chata que enjoa o primeiro gole de chope quando é tocada, seja no ambiente mais agradável possível. Um saco de música.

2- Djavan - Eu te Devoro
NUNCA vi alguém tocar bem essa música.

3- Caetano Veloso - Sozinho
Como ninguém consegue fazer as viradas da harmonia, fica um troço monotônico.

4- Ana Carolina - Quem de Nós Dois
A versão é excelente pra música italiana. Mas estragam de uma maneira que irrita.

5- Cássia Eller - Malandragem
Já não curto a versão acústica da própria Cássia. O acústico cover amador do acústico então fica um lixo.

Mas enfim, o POVO gosta. Na verdade é o tipo de música que entra por um ouvido e sai pelo outro. E é o tipo de música que as pessoas mais gostam. Ninguém na noite tem o hábito de PENSAR a música. Não. É só um fator circunstancial, um efeito sonoro que não atrapalha o bate papo, não influencia na conversa e não estimula o flerte. Justamente por essas razões, eu não consigo gostar de bar que toca o diabo de MÚSICA AO VIVO. Música ao vivo não é atrativo nenhum. Um show sim. Uma festa cuja atração principal seja exatamente a banda no palco. Senão, mete um DJ e põe a versão original que funciona muito melhor.

A chatice das músicas-ao-vivo-em-bares-MADUROS está cada vez pior. Na Padre Chagas, por exemplo, que é uma rua agradável, pelo menos 80% dos bares fazem esse tipo de coisa, cobrando um couvert simbólico para um cara que tá ali, vivendo daquilo, ESTRAÇALHANDO com a obra dos outros pra simplesmente agradar a um público pouco exigente nesse quesito. Eu meio que desisti de tentar convencer as pessoas que a música vai muito além da própria música. Talvez porque eu tenha feito uma trilha musical da minha própria vida. E em nenhum momento, nestes 28 anos, um cidadão tocando “SE”, do Djavan, em ritmo de SAMBA ROCK, batida pra lá e pra cá, fez parte desta trilha. E eu só lembro porque era ruim demais. Tá aí um passo pra me convencer, mas que até pode se tornar divertido. Se alguém quiser me convidar pra fazer alguma coisa, jamais me leve a um bar com música ao vivo tocando “clássicos” da MPB. Músicas que eu adoro, como por exemplo “Chão de Giz”, do Zé Ramalho, são melancolicamente detonadas.

A culpa não é dos músicos. É do público. E esse público, o consumidor deste tipo de local, me irrita mais do que patricinha metida a funkeira. É aquele pessoal na faixa dos 30 anos, já bem sucedidos em seus empregos, seja lá quais forem. Que tem uma certa pretensão em soar “cool”, que utilizou boa parte do conhecimento próprio pra estabelecer uma carreira e lutar por esse tipo de coisa sem ter tido tempo pra pensar se é realmente de qualidade aquilo que estão consumindo. Mais ou menos: pago 5 reais por um chope de 300 ml num lugar agradável, mas eu não entendo muito de música e nem tenho tanto discernimento pra livros, cinema e (até) política. Mas o carro é bom, a janta é por minha conta e minhas histórias são as mesmas da mesa do lado. Eu cresci, me estabeleci, me formei. Viajei pra Europa uma vez, onde provavelmente não fiz nada de interessante. Vou aos jogos no Olímpico ou no Beira-Rio. Moro sozinho e sou independente. Pós graduei. E gosto das malditas MÚSICAS AO VIVO MAL TOCADAS, tomando-me 8 reais que, ah, não fazem falta.

É uma irritação paranóica, quase obsessiva por esse estilo de vida. No final das contas, a música ao vivo é um símbolo de uma geração que procurou fazer tudo certo e não tem nenhuma história pra contar. É o carro-chefe dessa gente BACANA, de CARA LIMPA, mas que pra funcionar precisa ser banhada num caldeirão de sal pra que tenham algum tipo de tempero que chame a atenção.

Sinceramente, ao menos nessa parte os pagodeiros são mais honestos. Existe um público que consome e gosta. Um público que, bem ou mal, não toma suas músicas como um zumbido qualquer que ALIVIA os ouvidos em happy hours do Moinhos de Vento. Não gosto de pagode, mas admiro pessoas que pensam que (mais uma vez) MÚSICA é muito maior do que MÚSICA. Música é uma parte considerável e substancial da sua alma, um definidor de personalidade, uma poesia constante do inconsciente, um catalisador de vontades, necessidades e possibilidades, é vento, é ar, oxigênio, é uma das poucas coisas que faz rir, chorar, muda humor, esculhamba corações, rompe e une relações. E eu não posso conceber que mandem músicas boas À MERDA.

Pra fechar, um exemplo disso. Pego leve. A música “Inverno”, da Adriana Calcanhoto, é a minha preferida dela. A letra é de Antonio Cícero e acho absolutamente perfeita. Observem a interpretação de Adriana Calcanhoto:


E agora uma cover da música:

Respondam-me. PRA QUÊ ESSA BATIDINHA SAMBA ROCK IRRITANTE E ESSE TIMBRE POBRE NUMA MÚSICA CUJA HARMONIA EM NENHUMA PARTE PEDE ISSO?

E não me venham defender esses fazedores de couvert porque eu nunca ouvi um que prestasse. Não é importante a trilha sonora numa noite pra você? Mude este conceito, aposto que você será bem mais feliz. Ou então põe a versão original, ao menos não tem um desrespeito artístico nessa questão.

January 5, 2008

2008

Filed under: comportamento, relações sociais, brasil - Carlos @ 3:39 am

Seis ficaram feridos com bala perdida perto de onde eu estava no Rio de Janeiro, precisamente em frente à Rua Hilário Gouvêia, na areia de Copacabana, a uns metros do palco montado para a festa de fogos mais linda que eu já vi. Um dos feridos estava entre a Santa Clara e a Constante Ramos, três quadras de distância.

Eu não vi nenhum ferido. Aliás, eu nunca vi tanta gente. E não vi nenhuma briga. E nunca vi tanto policial na minha vida. Os fogos são lindos. O DJ Marlboro entrou no palco e Copacabana virou um grande baile funk. Não tive mais dúvidas. É da cidade maravilhosa que vêm as novidades mais agradáveis.

O Rio de Janeiro continua lindo, intenso e perverso. É impossível andar pelas ruas da capital carioca sem se sentir parte de alguma coisa. É impossível voltar lá e não se surpreender com alguma coisa. Sempre há uma novidade, uma sensação de medo que a mídia passa misturada com a satisfação de ver paisagens belíssimas contrastando com um ritmo frenético que a cidade te proporciona.

Desta vez, resolvi não fazer resoluções para o ano que chega. Só pegar leve, mas é difícil, é um exercício constante de (im)paciência. Não fiz planos, faz tempo que não faço planos. Não pedi nada. Passei de branco e uso uma fitinha que serve de “guia” (proteção). Resolvi me agarrar em alguma coisa e só pedir que as coisas fiquem bem. Bem leves. Soltas.

Não vou me enxergar daqui a quatro anos. Deixa assim, deixa levar, empurra aqui e ali que tá beleza. Uma falta de ambição por vezes é necessária para olhar pra dentro e resolver algumas INTERNAS.

Sem estes planos mirabolantes, tudo o que eu quero é minha casa em Atlântida Sul. Depois disso, eu vejo o que 2008 me reserva. A única esperança é que meu retrospecto ajuda. Os anos mais importantes da minha vida foram 1993, 1998 e 2003. O ciclo fecha em 2008. Só não sei exatamente quando chega o dia e nem qual mudança vai acontecer. Mas como eu não pensava também nos três anos nessas coisas, tá beleza. Acho que a guia vai me indicar algum caminho, sei lá.

Get free blog up and running in minutes with Blogsome | Theme designs available here