Verborragia sem concessões

January 14, 2008

THE OLD IN AND OUT

Filed under: amor(?) - Carlos @ 3:10 pm

Uma vez eu li no orkut de alguma amiga minha a expressão “THE OLD IN AND OUT”. O velho vai-e-vem. Tava colocado como “esportes” e eu acho que poderia muito bem estar no orkut de todo mundo como “atividade”. Se resumirmos friamente a essência humana, a gente se baseia num “in and out” eterno. A reprodução dos homens é, a grosso modo, um grande vai e vem de movimento.

É assim com os relacionamentos. Eles acabam. E outros voltam. Um círculo que só se encerra quando acontece uma das três opções: a) morte; b) traição; c) não gostar mais da pessoa. No meu caso, já terminei por não gostar mais, já traí, já terminaram por não gostar mais, já traíram. Só não morri nem morreram, ainda bem. Acho que das três opções, a (a) é a mais grave e que realmente deve haver sofrimento. Talvez a única que cesse o vai e vem da história. Não gostar mais é um sinal de que nem a outra pessoa (a que supostamente gosta) gostava tanto quanto no início, na época de reciprocidade. Já traição induz a pessoa a um sentimento de raiva. E como eu falei, a raiva motiva. E nos outros dois casos, o IN AND OUT se torna fundamental. Seja por vingança (na traição) ou por simples e pura movimentação no mercado (opção “C”). Resumindo, A FILA ANDA.

É assim com um trabalho. É demitido. Morre? Não, fica triste, sofre, fica com raiva, se endivida, bota na justiça, queima o filme no mercado, mas levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima meu irmão. Outro emprego e a roda gira. A roda nunca pára. Talvez isso faça com que a gente enlouqueça um pouco. Porque os cães ladram mas a caravana não pára. O nosso mundo, mundo particular, que é e deve ser o centro de tudo (aliás, pra esclarecer, sim, MEU umbigo é o centro do mundo, assim deveria ser o seu, sabia?), às vezes fica tão pequeno nesse oceano de possibilidades e probabilidades que é infinito.

E é assim no blog. Eu notei diante de um senso de percepção que pessoas apaixonadas tendem a tratar pior as outras quando estão nesse estado. Ou nem aparecer. Alguns leitores habituais deixaram de ler o blog porque estão apaixonados. Pessoas que não aparecima no msn há uns longos meses voltam após se desiludir e procurar na internet a salvação para um estado de carência. Elas admitem. Fiquei longe do msn porque estava namorando. Claro, a listinha online com pegadas antigas, ex-paixões e possíveis candidatos é uma tentação incrível para quem está com alguém. Então, a saída é realmente se afastar. Com o blog, a mesma coisa. Os meus leitores são em geral meus amigos ou pessoas que estão SOLTEIRAS. Os casados (e bem casados) não lêem blogs. Por sinal, não lêem nada.

Mas aí, acaba. E eles voltam pro msn, pro blog, pro mercado. Só acho um pouco medíocre um sofrimento desenfreado por alguém que não te quer. Este sofrimento é parte do IN AND OUT, põe na cabeça. Amanhã, o mesmo msn que serve de lágrimas é o que vai servir de sorriso. O mesmo msn que serviu pra conhecer aquela pessoa INTERESSANTE vai servir pra conhecer o teu próximo namorado. É um joguinho, assim, meio sinistro, idiota. Bate e volta. A banca paga e recebe.

Por isso eu já não me preocupo tanto com algumas relações que foram cortadas. Em 2001, por exemplo, eu briguei com a minha melhor amiga, coisa feia. Um ano depois eu falava novamente com ela. Hoje ela é mais amiga da minha mãe do que minha. Em 2003, eu escrevi um e-mail devastando uma namorada que acabou comigo. Hoje eu encontro e converso com ela, torcendo por ela e me orgulhando do que ela conquistou. Em 2002, uma namorada praticamente queria minha morte. Hoje, ela casada, me liga no dia do meu aniversário.

Aliás, acho engraçado aquelas pessoas que tentam se matar com MELHORAL INFANTIL (história verídica) depois de uma “perda”. Quem quer se matar, em primeiro lugar, tem problemas. Quem quer se matar porque uma pessoa MUITO querida morreu tem problemas. Quem quer se matar porque um namorado se foi se foi é débil mental. Quem quer se matar porque um casinho gente boa, colega de trabalho, terminou um namoro é porque é uma ABERRAÇÃO DA NATUREZA. Por sinal, uma coisa que o ser humano sabe BEM como se faz é MATAR ou MORRER. É barbada. A história mostra isso. Então, quem quis REALMENTE fazer isso é encontrado em algum “Rest in peace” por aí. O resto quis aparecer.

Ontem eu fui censurado por causa de um post que eu queria escrever. A censura mais baixa é aquela que te joga na cara que a tua opinião vai “machucar” ou “magoar”. Essa é a chantagem mais barata. E desleal. Hoje, eu devo perder uma das minhas únicas cinco leitoras assíduas. Ela começou a namorar. Em início de namoro, ninguém lê blog. Eu não leio blog. Tanto faz a minha opinião quando existem milhões de estrelinhas e pássaros e rosinhas pairando no ar, alimentando a brisa do verão com um céu cor de rosa, pra deixar na história aquele calor de 2008 em que nos encontramos, nos amamos e nem lembrar que dois anos depois sofremos tanto, isso daqui a dez anos. Porque foi e voltou. In/Out. Vai. Vem. É da vida.

É por isso que eu não me preocupo mais tanto com isso. Me preocupo com coisas sérias, como o dinheiro das minhas férias, não correr na estrada, a saúde da minha família estar em dia com as contas, com o corpo e com a mente. E gasto meu tempo me ocupando em ter raiva de coisas MEDÍOCRES, como o gosto musical dos outros. Agora, eu não vou perder minha disposição sofrendo, chorando, bradando, tendo raiva, me irritando com dor de corno e dor de cotovelo. Chifre e cotovelo são partes do meu corpo que não machucam mais.

Get free blog up and running in minutes with Blogsome | Theme designs available here