SEDE NÃO É NADA. IMAGEM É TUDO.
O que a gente faz quando não há NADA MAIS a fazer? Faz um blog.
E o que a gente escreve quando não há NADA MAIS pra escrever? Insiste.
E pra que a gente publica quando NINGUÉM MAIS lê? Não sei a resposta.
Eu não conheço as pessoas que comentam no meu blog, por incrível que pareça. As que mais comentam, eu nunca vi. Falo com elas por msn e tal, são legais, eu tento ser gentil, dou uma dica musical volta e meia, bato um papo esperto, outros toques sobre vida pessoal, faço questão de atualizá-las a respeito da minha vida, enfim, sou bacana. Adoto esta política de boa vizinhança com quem me prestigia. No blog do futebol, por exemplo, resolvi aceitar a maioria dos comentários. Até os que me xingam. Só deletei aqueles que me ameaçam com um pouco mais de força. É uma característica minha.
No entanto, as pessoas que me conhecem não estão lá muito interessadas em saber como eu estou. Ou pior, não estão interessadas em saber o que eu penso, nas minhas idéias, nos meus pontos de vista.
Confesso que ando com uma grave crise de confiança. Depois que eu fui DEMITIDO eu passei a ficar espiado com todo mundo. Justamente porque eu sou legal. É, legal. Eu nunca fui chamado de mau caráter, nunca tive dívidas, eu devolvo o que me emprestam, eu tento, dentro do possível, ajudar todo mundo que pede alguma coisa. E por isso, as pessoas acabam se preocupando e querendo saber como eu estou. Mas ultimamente nem isso tem acontecido.
No episódio DEMISSÃO, me decepcionei com várias pessoas. Quando tá tudo legal, eu faço uma graça do caralho quando tenho umas quatro cevas na moringa. Quando tem uma festinha, a galera se diverte à beça quando eu começo a ficar mamado. E eu nunca tinha caído. Eu caí e a reação de MUITAS pessoas que eu conheço foi simplesmente a chamada FORÇA MORAL PARA ACARICIAR A CONSCIÊNCIA. Do tipo, se eu disser pra ele que “VAI EM FRENTE, TU É BOM PRA CARALHO” já vai ter sido um incentivo à altura pra eu dormir bem sem “perder um amigo”. É mais ou menos como dar parabéns no aniversário, uma forma branda de boa educação sem muito esforço. E eu deixo bem claro que algumas pessoas me ajudaram nisso tudo. Umas que eu nem esperava. Pra não generalizar, claro.
As pessoas que eu conheço não lêem o meu blog. Ninguém está muito interessado em saber o que eu penso. Mas acho que é um reflexo da vida adulta contemporânea. A nossa geração cresceu num hiato de idéias, de identidade, de valores, num vazio de tanta coisa que simplesmente não se interessa. Somos a geração do desinteresse.
Quer um exemplo? Se houvesse mobilização e engajamento, com tudo que o presidente Lula fez, ele poderia ter saído do poder. Como uma geração acima da minha fez com Collor. Mas até eu virei alienado. Vide o post abaixo. Estou desacreditado e desinteressado com a política. E com qualquer tipo de prestação de solidariedade global, pra ser bem sincero. Um dia coloco pra vocês minha posição sobre as ONGs.
Mas ó, não se choquem não. Vocês também são alienados. Hoje em dia, não precisa ser informado pra se sentir informado. Basta ler as manchetes. Sem aprofundamento. E quem é informado, na maioria das vezes é pra aparecer que é informado. Mais ou menos quando volta e meia algum babaca entra aqui dizendo que meus textos são sem fundamento/embasamento/informação. Pura imagem. É como o cidadão que nunca viu um filme do Godard mas usa um óculos com armação grossa dentro do Guion e todo mundo acha que ele entende de cinema francês. Ou como aquela mina que trai o marido, conta com orgulho pras amigas, mas lava sua alma rezando ao acordar e antes de dormir. A IMAGEM é o que fica. Como descartar alguém pela postura da pessoa, pelo jeito com que ela reage às coisas, nunca pelo conteúdo e importância dela no contexto. Foi assim, não? Faltou postura, faltou imagem. Foda-se o conteúdo.
É por isso que ninguém que me conhece bem lê meu blog. Porque ninguém está interessado em saber o que eu penso. Talvez sobre futebol e um pouco sobre música. Mas minhas idéias, estas não valem rigorosamente nada. Tudo bem, eu sei que eu sou uma boa companhia pra tomar uma cerveja ou que eu divirto a galera quando lembro a escalação do time do Atlético Mineiro de 1977. Esta é a minha imagem. E imagem é tudo. Conteúdo? Melhor deixar só uma manchete porque ninguém tem tempo pra se aprofundar. Ou se interessar.