ESSÊNCIA
Sabe que eu não sei se eu ainda sei andar de bicicleta. Não sei se eu sei, isso aí. Eu sabia, andava bem, tive todas as bicicletas, sabia o que era um CUBO. Sabe? Sei. Mas hoje, se eu subo numa bicicleta, eu consigo andar sem colocar as mãos no guidão ou guidom? Ou empinar uma bike aro 14 (é isso?). Sei lá, talvez eu não suba nem numa montain bike. Tive duas, caloi e monark. Não sei.
O fato é que andar de bicicleta não faz falta nenhuma. Dá uma coceirinha, de ver uns caras em forma pedalando na Redenção, com capacete, liberando endorfina e fazendo o dia ficar mais leve. Mas não é uma prioridade. Gostava de andar de bicicleta, mas dos grandes esportes que eu pratiquei, confesso que aquela bolinha semanal me traz mais lembranças boas. Definitivamente, nunca fui um adepto ferrenho da bicicleta.
Fora que certas coisas esbarram no simples declínio físico. É lógico e óbvio. Não sou mais jovem. Fisicamente, aos 29 anos o que temos é uma curva descendente. Dizem que a vida começa aos 40, tem gente começando aos 50. No astral até pode ser. Agora, vai apostar uma corrida com alguém de 18 pra tu ver se consegue. É, fisicamente passou.
Eu não sei se sei andar de bicicleta. Mas eu sei que eu sei escrever. E de tanto saber escrever, eu sei que é um dom que eu sempre saberei que tenho. Sabendo.
É a tal da essência. As contas aumentaram, o tempo diminuiu. Vieram alguns quilos, outras responsabilidades. Mais responsabilidades. Mais compromisso. Só compromisso. E com toda essa carga de coisas preenchendo o dia, desisti de escrever. Tá, vai, umas notas sobre futebol. Mas este espaço, que servia como uma sessão de descarrego, de terapia, de desabafo, eu larguei. Mesmo sabendo fazer, achei 2 mil razões pra abandonar.
E só achei uma pra voltar: meu texto. Mesmo que eu tenha pouquíssimos leitores, que meu papo egoísta não acrescente nada pra ninguém, que eu reclame mais do que elogie, que a vida oferece trocentas coisas mais interessantes que um espaço chamado “METRALHADORA VERBAL”, eu gosto do meu texto. E senti saudades do processo de fabricar este meu texto. É essência. Não sai de mim. Nunca vai sair. Ainda que eu não receba um tostão por isso aqui, tenho uma sensação de que eu sei fazer bem essa joça. E mais do que fazer bem, esse troço me faz bem. E sabotar toda essa essência, apesar de ter tentado (e muito!), é uma atrocidade que eu não posso fazer comigo.
Eu não tenho mais pernas para pedalar como antigamente. Mas ainda tenho tesão por escrever. Sempre será um dom. Essência.
É, ao que parece, meus amigos, estou de volta.
aonde grava os Favoritos no Mozila??
Comment by põe na geladeira — July 26, 2008 @ 4:03 pm
Então tá!
Comment by Marcos Ludwig — July 28, 2008 @ 12:52 am
Aêeeeeee, saudade grande de ‘te ler’ Carlinhos.
Sabes bem que me identifico à beça com os teus textos.
E, qualé!? 29 é legal! rs
Beijoca.
Comment by Sílvia (Acre) — July 29, 2008 @ 5:51 pm
Olha que surpresa boa… como este blog estava entre os meus favoritos, dei uma olhadinha, só pra ver se tu tinha desistido mesmo de escrever aqui ou não…
Como faço parte da legião de leitores que te segue, fico contente que tu tenha voltado a se comunicar com o mundo também por aqui. Um beijo.
Comment by Senhora Darling — August 18, 2008 @ 1:21 am