Eu ando escrevendo pouco porque meus textos estão uma merda. É sério. Já escrevi muita coisa boa, mas hoje eles não fazem nem cosquinha naquilo que eu colocava, aqui mesmo no blog.
Meu sarcasmo anda contido, e era meu forte. Minha adjetivação exagerada anda pequenina. Meus superlativos estão ponderados. Prefiro a esquiva à minha cara a tapa.
É o preço da maturidade, sem dúvidas. Mas eu acho que o que anda bloqueando a minha impetuosidade de outros tempos é o fato de eu entrar numa época em que cada vez mais é necessário minimizar os erros.
Quando a gente tem vinte e BEM poucos, dá pra errar que tem um backup, que tem uma segunda, uma terceira chance. A permissão para errar vai se esvaindo conforme o nosso crescimento. Agora, a gente só vai na certa. Na boa. Sem cair de cabeça em qualquer coisa que a gente possa duvidar. O preço pelo erro pode ser irreversível.
Confesso que aprendi muito com alguns pequenos e magistrais golpes que andei tomando por aí. A velha história da confiança é a mais pura verdade. Confiar é um ato de prova contínua. Quando há uma ruptura nisso, não tem mais volta. E é uma recíproca constante, eu certamente devo ter desapontado alguém.
É esse medo de errar que faz com que eu “trate melhor as pessoas”, por incrível que pareça. Brigar tem seu preço. Aliás, absolutamente tudo tem seu preço. Então, vamos fazer que nem os velhos fazem. Tratar com a chamada educação moderada todo mundo, ser gentil sem entrar na casa da pessoa. É mais fácil e mais superficial.
Acho que é por isso que meus textos andam sem graça. Tem tanta coisa importante pra se irritar, como o trânsito, as contas e o cansaço, que a gente perde a vontade de usar o sarcasmo como arma. É melhor usar a responsabilidade. Lá se vai um encanto, mas alguém venceu na vida sem os pés no chão?
É, os textos não são os melhores. Foi-se o tempo que a metralhadora verbal disparava contra todo mundo. Pra não ser pego, deixa ela atirar num alvo certeiro.