Por que todos que se dizem “revolucionários de esquerda” usam barba? Além de serem contra as (glup! isso dói) INSTITUIÇÕES DE DITADURA DE COMUNICAÇÃO, será que a nossa estimada Gillette, empresa de tantos e tantos serviços que depila rostos e afins dos seres humanos há sei lá quanto tempo também tá no ESQUEMÃO? Sei lá, eu sou tão fã da Gillette, até da BIC.
O fato é que quando tem uma manifestação que SAI DO NADA PRA IR PRA LUGAR NENHUM, tipo a que foi realizada na frente da RBS na última sexta-feira, nota-se, pelas fotos, que a maioria dos seus componentes parecem ser os melhores amigos do MARCELO CAMELO, do Los Hermanos. Barba feia, camisa pólo surrada e toda adesivada, num dinheiro que teria melhor proveito com outra coisa certamente.
Todo metido revolucionário pós-moderno, esse que tem barba e ouve Los Hermanos e Chico Buarque pré-78, que pede o fim da ditadura da mídia comercial, é quase um EMO. O EMO é aquele que a gente ainda tem a esperança de que um dia vai crescer. O metido a revolucionário não cresce.
De fato, a infância deles é quase a de um emo. A diferença é que ele leu uma base teórica considerável para qualquer estudioso respeitável de esquerda (aqueles que FAZEM BARBA e usam TERNO E GRAVATA, pasmem!) enquanto o emo escutava o JARED LETO fazer pose na frente de sua banda, chamada 30 Seconds to Mars. Aí essa gurizada resolve vadiar um pouco, brincando de Robin Hood sem a coragem pra roubar, deixando um pouco aquela vida de playboy de colégio particular pra brincar de Che Guevara.
Desta manifestação ocorrida sexta em frente ao prédio da ZH, a única respeitável é quanto às rádios comunitárias. Ali dá pra ver que o pessoal batalha mesmo. Chamar a mídia convencional de “ditadura dos veículos de imprensa” é não saber o que se passa dentro delas. A Rede Globo de Televisão faz um jornalismo perfeito no meu ponto de vista. Feito por gente multipartidária, por gente que batalhou pra caralho pra estar lá dentro e por pessoas com altíssima competência. Um redator do Jornal Nacional não é um “vendido ao sistema”, conforme pregam os nossos revolucionários modernos. É um cara que passou por mil testes, mandou trocentos currículos, trabalhou dia e noite pra alcançar esse status, provavelmente tem família e comete os mesmos defeitos que qualquer ser humano, de qualquer área.
No entanto, jamais condenaria esse tipo de coisa. É o barato da democracia. Enquanto uns podem fazer o protesto, dentro do prédio havia gente mais preocupada em botar a “ditadura da mídia” pra funcionar, pegar alguma coisa no final do mês e tocar a vida tanto quanto quem protestava. O que eu questiono é a eficácia desse tipo de manifestação. Aconteceu alguma coisa? Vai mudar o quê?
Eu comparo o sistema como uma grande pica, esperando pra mais cedo ou mais tarde entrar no teu cu. O segredo da felicidade tá em simplesmente saber como essa pica vai entrar em ti de um jeito que doa menos. Ela entra, amigo, entra afudê. Não adianta ser mais esperto que o sistema. Ele te engole brincando. É simples. É como tu chegar e arranjar uma manha de como não tomar multa no pardal. Tu passa umas vezes, mas depois ele te pega e te multa. É como tentar burlar o SPC. O SPC te tira tudo depois.
Um exemplo prático disso foi a de um guri que eu vi tentando fugir sem pagar de um lugar na capital no último sábado. O guri largou fincado pro meio do MATO. Os seguranças pedalaram atrás e enquadraram o cara. Enquadraram bonito. É o sistema sendo mais esperto que o guri. A vergonha foi tanta que esse cara nunca mais tenta sair sem pagar. Ponto para o sistema. Os manifestantes de sexta avançaram até a polícia intervir. Se quisessem passar por cima da BM e invadir o prédio, meia dúzia iria sentir um suspiro diferente no cangote no XILINDRÓ. Sistema vence.
Aliás, é curioso ver os esquerdistas se voltando contra as instituições estabelecidas. Não li em nenhum blog “socialista” algum tipo de revolta contra a CPMF ou contra deputados que votaram a favor de um tarifaço absurdo (a maioria deles, de esquerda). Nunca li a indignação contra gente como os senhores José Dirceu e José Genoíno (revolucionários célebres). Ou contra o presidente Lula, o governante do país na época em que mais teve caso de corrupção em todos os tempos. Por sinal, nada mais ditatorial do que o sistema socialista. Isso é comprovado. No Brasil, comprovadamente, nenhuma televisão é estatal. Imagina televisões estatais. No governo Lula, por exemplo. Não, melhor que não aconteça. Melhor que a Revista Veja (burguesa Veja) continue denunciando e tacando contra o governo como faz.
Mas eles estão no direito de pensar e fazer qualquer tipo de protesto, desde que seja civilizado e não atinja ninguém. Só que esse tipo de coisa é como aquela maldita CAVALGADA DO LITORAL. Uma jornada que sai do NADA rumo a LUGAR NENHUM. E todo ano eles voltam pra fazer alguma coisa. Não tenho nada contra quem se diz revolucionário. Não tenho nada contra os emos também. Só acho que, pelo fato de terem mais dinheiro que eu, por exemplo, vendido ao sistema e funcionário da mídia convencional, poderiam comprar aparelhos de barbear ou umas camisas novas né. Não precisa ser em shopping center, gente. Americano demais né. Vai ali no centro e tem duas lâminas por um real. O barbear não é tão SUAVE quando uma SENSOR EXCEL. Mas vão deixar vocês mais limpinhos, garanto.