Verborragia sem concessões

March 4, 2008

FELIZ ANO NOVO

Filed under: comportamento, jornalismo, alegria - Carlos @ 4:01 am

Prometi posts pra um monte de gente, mas por enquanto tá difícil de criar. Tanta novidade, tanta mudança e eu, ajeitando coisas daqui e dali, vislumbrando o melhor futuro possível.

Minha vida muda num ciclo de cinco em cinco anos. E os outros anos foram 1993, 1998 e 2003. Chegou 2008 e ela virou de cabeça pra baixo e vai virar mais ainda.

Feliz pra burro com a vida pessoal. Feliz pra burro com a nova vida profissional. Depois do coice, a queda. Depois da queda, a vontade. Depois da vontade, garra. E recompensa. E felicidade.

A vida segue e com rumos, projetos e perspectivas diferentes. Eu não prometi nada pra 2008. E nem tinha muita perspectiva, falando a verdade. As circunstâncias me ofereceram as perspectivas, os objetivos. Os desafios, as novidades. Pra isso, deve haver uma ruptura, por pior que ela seja.

Feliz ano novo, 2008. Começou hoje, dia 03 de março. Sempre começam em março os anos, é a verdade. Antes, é só uma prévia, um gostinho, um avant premiere. Agora, é pra valer.

Prometo posts mais criativos depois que passar esse momento de transição. Pelo menos a escrita se mantém. O meu ciclo de cinco em cinco anos não falha. E em 2008, até chegou cedo demais.

December 29, 2007

ANO NOVO

Filed under: alegria - Carlos @ 10:14 pm

Bom, esse é meu último post de 2007. Desta vez aproveito pra desejar a todos um bom ano de 2008.

Ao invés de pedir paz, amor, saúde, dinheiro, essas coisas, vou simplificar. Que em 2008, você PEGUE MAIS LEVE. Exatamente, PEGA LEVE. Esse é o segredo da vida. É só pegar leve com tudo. Com os excessos, com as eventuais injustiças suas e dos outros. Não exige tanto de ti, nem do outro. Em geral, as pessoas erram, mas duvido que todo mundo tenha má intenção. E se tiver, pega leve também. Vai com calma na estrada, no amor, na vida. Não te enfia de cabeça, vai mais solto, mais leve. Porque aí, se não der certo, pelo menos a queda não é tão grande.

Garanto que essa é a melhor dica. Amor e dinheiro é algo que a gente DESEJA, mas vá lá, nem sempre eles chegam como a gente quer, não é mesmo. Agora, PEGAR LEVE depende só da gente. Menos drama. Menos aflição. Menos sofrimento. Mais sol. Mais luz. Mais sorriso. Mais leveza de espírito, de corpo, de coração.

Faz o seguinte. Pára um minuto e compara as palavras: LEVE x PESO. A palavra LEVE é bem mais bonita, não? Então, não é difícil ser leve. É barbada.

Esses são os votos pra todos que lêem, todos que não lêem e todos que eu gosto. E se aplica a mim também. Sei que pego pesado com as pessoas às vezes, mas é algo que eu não gosto e que eu pretendo mudar. É o segredo pra construção de uma vida melhor. Difícil às vezes? Nossa, nem me fala. Mas tentando, errando, caindo, batendo, tomando, a gente aprende. Espero ter aprendido. Espero pegar leve. Espero o mesmo de vocês.

Valeu.

June 10, 2007

CINCO BOAS NOTÍCIAS NO VAZIO

Filed under: alegria, saudosismo - Carlos @ 5:47 am

Neste período de vazio absoluto (ver post abaixo), algumas boas novidades:

1- ZODÍACO
O novo filme do meu diretor preferido contemporâneo, David Fincher, é um documento histórico apurado eletrizante. Com uma edição parecida com os filmes anteriores, é a grande novidade do ano. Fincher é um monstro. A história de um assassino comum que se denominou Zodíaco e ACABOU com a vida de três homens é contada com uma precisão e um cuidado histórico que impressionam. Achei um filmaço. Claro, ainda longe de 7even e da obra-prima do cinema mundial em todos os tempos Clube da Luta.

2- GTA SAN ANDREAS
Já tinha jogado de brincadeira este jogo quando ele cai nas minhas mãos no Play2 recém adquirido. GTA é o melhor jogo de todos os tempos. Incomparável, perfeito, espetacular. Dica: não jogue por DEZ HORAS na seqüência e depois saia na rua. A chance de ver o sol nascer quadrado ou a boca cheia de formiga é muito grande.

3- VH1 CLASSICS
Só tinha visto este programa que rola nas madrugadas do canal 89 de passagem. Mas assistí-lo na íntegra é uma viagem que te leva direto à melhor década de todos os tempos: os anos 90. Afinal, em qual programa dá pra ver ao mesmo tempo 10000 Maniacs, Bon Jovi, Janet Jackson, Van Halen (com o Eddie de cabelo curto) e Duran Duran ao mesmo tempo?

4- MR BRIGHTSIDE NA PISTA
É certamente uma experiência impressionante o poder da velocidade e combustão orgânica que esta canção causa no teu organismo. Numa pista de dança, tu sente uma intensidade como DJ, mas experimente dançá-la bêbado no meio de uma multidão. O transe só volta daqui a uns 30 anos, acho.

5) THE BREEDERS - LAST SPLASH
Não escutava esse disco há uns 10 anos, sem brincadeira. Ele é (adivinhe) de 1993, na melhor década musical da história. Divine Hammer me levou a uma histeria pulando em cima da cama. Fantástico, fantástico.

March 18, 2007

A VERDADEIRA MEIA IDADE

Filed under: alegria - Carlos @ 7:28 am

Av. Ipiranga, quinta passada, 17h.
Estudantes estão parados na sinaleira, cheios de tinta, vítimas do trote.
Menina que tem na pior das hipóteses 17 anos (pode ter mais, mas aparentava isso) se aproxima.
E solta a pérola:
- Oi, com licença. Eu sou estudante de Farmácia da UFRGS e preciso de uma moedinha pros meus veteranos. O SENHOR não teria dez centavos?
- Bah, desculpa, não tenho trocado. Mas é assim mesmo, já passei por isso.
- Ah, NO SEU TEMPO também era assim?
- Pois é.

Arranco o carro.

Sexta-feira. Na rádio, convidado chega para participar do programa.
- E aí CARLINHOS, como tu tá, GURI?
- Tô bem, tô bem.
- Pois é, sexta-feira né. NA TUA IDADE, essa hora eu tava me preparando pra GANDAIA. (risos)

Sorrio e vou atender o telefone.

Realmente, não entendo mais nada.

February 21, 2007

EU TENHO SAMBA NO PÉ

Filed under: comportamento, música, brasil, alegria - Carlos @ 3:30 am

Ainda não cheguei à conclusão a respeito de quem critica o carnaval. Na verdade, eu simplesmente respeito aqueles que apenas não gostam da festa. É um pensamento contrário do meu, mas eu também não gosto de exposição de arte e não pretendo ser alvo de críticas por causa disso. Há de se entender perfeitamente as pessoas que acham a festa um saco, não curtem as músicas, não vêem sentido na necessidade de se divertir, preferem outro tipo de festa, ou até mesmo o silêncio.

Particularmente, eu sou fã do carnaval. Eu tive a minha época anti-folia, mas era só uma forma de rebeldia patética numa época em que eu tinha inveja de quem se divertia mais do que eu. Hoje passou e eu comecei a assimilar o carnaval como um daqueles períodos em que eu preciso estar sintonizado com o que acontece em fevereiro. Portanto, se eu tiver que tomar algum partido, certamente ergo minha bandeira pró-Carnaval. É uma das poucas manifestações populares que ainda me faz arrepiar. Me faz sorrir e interagir o máximo de tempo.

Mesmo com um hiato nessa idolatria, sempre me posicionei adequadamente quanto a uma questão que insistem em levantar. A maior hipocrisia de todas, algo que beira o nojento, é atribuir ao Carnaval um rótulo de festa para esconder os podres do Brasil.

Os bodes expiatórios caem sempre no futebol e no carnaval. A contradição das pessoas que criticam estas duas expressões artísticas chega a dar pena. As duas maiores alegrias do povo brasileiro são condenadas por pessoas que justamente pregam uma melhor condição para este povo. E essas críticas vêm dos mais diversos lados. Dizem as feministas que “a festa pagã que prega a exploração da mulher, o culto ao sexo, à prostituição e à promiscuidade”. Já os moralistas de plantão afirmam que “o carnaval serve para desencaminhar os jovens e desestruturar as famílias”. O pior são os metidos a justiceiros sociais. Estes têm uma série de argumentos tortos e imbecis, do tipo “enquanto se passa fome no Brasil, todo mundo só pensa em Carnaval”, ou “gente pobre que só é lembrada nos dias de folia”. E pra fechar, tem o porto-alegrense recalcado, que diz que a cidade melhora no carnaval porque fica vazia. Um ponto de vista que gera uma pena enorme em mim, que considera um prazer estupendo o fato de pessoas simplesmente estarem mais felizes, usando um pretexto simples, como o Carnaval. Mesmo que imposta, se é que ela é nesse caso, mas empregando um contexto usado por esta gente, felicidade à flor da pele é algo que enche os olhos. De qualquer um, mesmo que haja tanta gente triste e sem graça nesse mundo.

O país tem inúmeros problemas, mas certamente não é evitando as celebrações coletivas que eles vão ser solucionados. Pelo contrário, ele traz mobilização de comunidades, união entre quem é carente, alegria para quem espera o ano todo por isto, e com todas as dificuldades do mundo, esquecem por um momento das adversidades no intuito de simplesmente festejar.

Além disso, carnaval é arte. Observe um desfile carioca e você estará de cara com uma arte revigorada, moderna, atual e incrivelmente bem feita. Carnaval é cultura, basta reparar no que estes gênios carnavalescos fazem com os enredos. E, acima de tudo, carnaval é festa. E onde há festa (em qualquer lugar no planeta), há uma óbvia conotação sexual para a data. É parte da festa: o sexo, a pouca roupa, a descontração, o exagero, o despudor, a entrega. Tudo isso é maravilhoso, e eu me orgulho demais que seja no Brasil. Que a gente exporte a beleza de um desfile da Mangueira, a beleza das nossas mulheres e a nossa gostosa sem-vergonhice, que nada mais é do que um desapego a todo tipo de chatice e caretice que toma conta desse mundo. Um antídoto contra um mau humor permanente que insiste em tomar conta do planeta, e pior, de gente jovem que prossegue nessa cavalgada de execrar toda liberação e alegria.

No final das contas, é um bando de gente chata e triste. Desprezam e avacalham uma festa que brinda a felicidade, mas ajudam quem eles acham que precisa muito menos qualquer membro de comunidade carente. É o tipo de gente que tem tanta crítica ao país, mas não mexe um dedo pra fazer bosta nenhuma. Pior (ou melhor, pra mim): ao invés de contribuir, seguem com as críticas ao Brasil, mas quando deitam a cabecinha no travesseiro, o único sonho é sair daqui. Que bom. Enquanto isso, todo fevereiro eu vou ver um pouco do desfile da Globo, se der dou uma pulada, vejo gente, estou junto das pessoas e fico um pouco mais feliz com a leveza desta grande brincadeira que é o carnaval.

December 24, 2006

COWBOY NA AREIA

Filed under: música, alegria - Carlos @ 6:15 pm

Fiz um blog musical. Cowboy in the Sand porque absolutamente não tinha um nome melhor pra escolher. Ou talvez porque “Cowgirl in the sand”, de Neil Young, seja uma música tão fantástica que merece uma citação.

Será um blog sobre música. Aqui, continuarei escrevendo aquelas besteiras que todos já estão acostumados.

Música, lá.

Só que é um saco escolher template (que ficou ruim), cadastro, essas coisas, que eu começo outro dia. Segunda-feira.

Feliz Natal.

November 23, 2006

ENDURECENDO PERDENDO A TERNURA

Filed under: alegria - Carlos @ 5:30 am

Acho massa os megalomaníacos. Há uma pessoa, pública, mas impossível de ser citada aqui por causa de compromissos profissionais e éticos que me censuram, que é o maior megalomaníaco que eu conheço. Admiro ele. Ele é bastante lido por estas terras, mesmo.
Dias desses, em um discurso-corredor bastante habitual por parte dele, um outro colega meu chegou a uma conclusão absolutamente genial.

“Ele é tão megalomaníaco que faz VINTE ANOS que ele não fala de ninguém, a não ser dele mesmo. É tão doente que quando não fala sobre ele, cria um alter-ego pra ser a única OUTRA pessoa de quem ele consegue falar.”

Genial.

Eu falo pouco sobre mim por aqui. Mas se pensarem bem, eu SÓ falo sobre mim. Este blog é uma sucessão de “eus”. Claro, arranjo uma série de subterfúgios pra que eu não tenha que usar a primeira pessoa, mas basicamente este blog é uma doentia, egoísta e patética maneira de me afirmar. Falo mal de todo mundo pra ressaltar que no fundo eu não tenho muito a dizer, a não ser criticar. Uma terapia com o teclado. Eu falo pros comentários serem meus personal psiquiatras, só que sem medicação.

Às vezes, eu me sinto aflito. Aí eu escrevo, seja pra alguém comentar que eu entendo de determinado assunto ou simplesmente pra atingir quem eu considero rainha-da-festa-da-uva permanente. Saca, aquelas pessoas com um sorriso irritante o tempo inteiro. É uma maneira absolutamente cruel de exorcizar qualquer tipo de desespero em 2006. Como diria a música, eu ando mesmo descontente, mas sequer consigo gritar desesperadamente. Guardei. Enfiei toda essa angústia e a ofereci à minha solidão profunda. Todo esse amontoado de erros, de tarefas, de cobranças, de insatisfação e de desgosto é um efeito bumerangue. Eu taco, mas sempre volta. E aí, eu injeto na minha própria alma, reservando um espaço considerável para todas minhas frustrações.

Acontece que esse espaço estourou. E aí, eu falo de mim do jeito que eu não gosto. Há algum tempo, eu faço questão de demonstrar uma força e uma superioridade que não são nem um pouco condizentes com o momento que eu vivo. Eu sou um copo cheio d’água esperando a gota final pra derramar. Mas ao mesmo tempo, eu convivo com uma capacidade que eu jamais acreditei que tivesse. Eu estou conseguindo suportar tudo isso sem cair.

O problema é que talvez eu esteja precisando cair. No momento, eu tenho uma carga muito mais forte do que vocês imaginam: a carga da minha própria frustração. Logo, logo, não vai ser possível agüentar e eu desabo. Este peso é enorme e eu sinto que consigo carregá-lo por um simples fato: endureci. Perdi a ternura. Pedra, sem sentimentos, sem REssentimentos, sem expressões mais significativas de afeto e carinho. De um lado, uma vontade enorme de recuperar os sentimentos. Por outro, uma incrível força de vontade pra seguir assim. Uma maneira barata e cruel de acreditar que eu não vou sofrer novamente.

No final das contas, eu estou como uma carne de segunda. Dura como pedra. Agora, se alguém pegar um martelo e bater com força, temperar direitinho, fritar na medida certa e servir num prato bonito, fica parecendo um filé dos bons.

Ou como aquela trilha de dominós. Lá estão eles, de pé, intactos, austeros, duros, imóveis. Basta um peteleco pra derrubar toda aquela montanha construída cuidadosamente. Tô assim. Duro. Agora, resta achar alguém pra dar o peteleco certo pra eu desabar. E, quem sabe, voltar a sentir.

November 7, 2006

PREMIADO

Filed under: alegria - Carlos @ 4:56 am

Pra fechar esta série, andei ganhando uns prêmios aí.

Melhor dramaturgia em rádio (Hell’s Angels) e melhor reportagem em rádio (Caso Daudt) no SET UNIVERSITÁRIO. Mesmo não sendo mais um UNIVERSITÁRIO, faturei DOIS.

Fui indicado para o Prêmio Press 2006 na categoria de melhor plantão esportivo em rádio. Pelo segundo ano consecutivo. A solenidade acontece no dia 16 de novembro, na Assembléia Legislativa.

Ainda concorro ao Prêmio ARI com diversos colegas pela série de especiais “A História das Copas”, que foi ao ar entre fevereiro e junho deste ano.

E ainda não me levam a sério, hein?!

October 27, 2006

NÃO PERCA A 60B. MAS PODE OLHAR PARA O CÉU.

Filed under: amor(?), cinema, alegria - Carlos @ 5:39 am

Eu não olho pro céu em Porto Alegre. Eu pego o carro, trabalho e volto. Saio de noite, com amigos. Mas às vezes, só às vezes, eu saio a pé. Eu desço a Protásio e vou até a Redenção. Aí eu olho pro céu, pra todos aqueles desenhos de nuvens que a gente enxerga quando é criança. E, de certa forma, eu renasço. Eu me fortaleço, abro um sorriso no rosto e vejo três jovens tocando violão sentados e tomando chimarrão. Um cachorro bonito e duas senhoras caminhando. Um guri de 9 anos tentando imitar o Ronaldinho Gaúcho. Dois namorados andando de pedalinho. Ou dois executivos engravatados também parando, só um pouquinho, para tomar um chope, enquanto descarregam suas pastas em cima da mesa. É quando meu sorriso fica maior ainda e eu aumento o volume do meu ipod e coloco numa música que vai me lembrar aquilo para o resto da vida. E eu olho para o céu e tudo volta a fazer sentido.

Os tempos são difíceis, eu sei. Mas aí eu pego o carro e vejo o Rio. Ou eu caminho no centro de Porto Alegre, até o Guaíba, e me sento numa mesa que eu nunca sentei antes. Deito no meio da Praça da Matriz, desço o viaduto da Borges e chego até o Rio. Conto histórias. Ouço uma música. Vejo as pessoas caminhando, tomo uma água. O sol bate no rosto, anunciando que é tão simples ser agradável ou feliz. E se amanhã for difícil, a gente inventa, ah, a gente inventa.

Pego o carro e vou pra praia sozinho. Vejo aquele bar em Capão da Canoa. Vejo aquele vendedor de quinquilharias, no mesmo lugar, com a barraquinha do lado daquele mesmo crepe que eu comi uma vez. Vejo minha casa em Atlântida Sul, o centro comercial, algumas casas que eu freqüentei, uns lugares onde bebi, umas pessoas que eu conhecia. Chego no mar, olho para o céu. O mar tá revolto, e o vento te enche de areia. A areia não suja, te deixa vivo, absolutamente seguro de que ali é o teu lugar.

De vez em quando eu tenho saudades. Aí eu pego uma foto ou lembro de uma data. Ou escuto uma música e sei exatamente onde eu estava quando aquela música estava tocando. Lembro do que aconteceu e eu fico bem mais uma vez. Eu escuto aquela música e, de alguma forma, bate um conforto imenso que me acolhe maravilhosamente. Eu fico bem. Não eufórico, nem melancólico. Apenas bem. Só com a lembrança. E aí, repentinamente, a memória de um sonho bom, de um dia perfeito, de uma música espetacular, de uma história contada, tudo isso, vira um outro momento. Pronto. E mais uma vez olho para o céu.

Às vezes os dias são cansativos. Aí eu saio, pego o carro, uma cerveja e basta. Eu, minha música, uns goles e uma noite onde cada personagem que está nela vai ter uma trajetória completamente diferente da tua. Olhando na rua, aquele cara pode conhecer a mulher da vida dele. Aquela menina vai beijar alguém que nunca será dela. Os namorados vão brigar. Os pedintes vão continuar pedindo. A guria vai tomar um trago inesquecível. Aquele sujeito vai vivenciar o melhor aniversário da vida dele. Eles estão se casando. É o primeiro encontro deles. Ou talvez esta noite, para muitos, seja mais uma noite, não mais do que uma data que nunca será lembrada. Mas eu lembro das minhas noites, das minhas datas, e depois de um dia ruim, eu volto a olhar para o céu e eu noto a lua. E estrelas. Ou até nuvens. Mas eu fico bem, mais uma vez.

Dizem que eu faço minha vida parecer um filme. É a mais pura verdade. Esta é a minha bengala. Não preciso de terapia. Pra mim, basta uns litros de gasolina, uns cigarros, um pouco de movimento, talvez uma cerveja e uma paisagem. Tudo fica bem. A vida é muito curta, às vezes é preciso parar e dar uma olhada no que tá rolando. Um auto-encontro. Eu, eu mesmo, um sol, com planetas independentes girando ao meu redor e fazendo coisas independente de mim.

É como na viagem de Elizabethtown. Ele, a música e as lembranças. E bons lugares. Bastou para ele, sozinho, ter os melhores minutos de sua vida. Mesmo que lá fora, nos planetas, as coisas não estavam tão bem assim. É como um retorno pra casa, como em Garden State. Vendo tudo de um pedestal, de um ponto máximo, como espectador de vidas que fizeram parte de seu crescimento. Mas, mais do que nada, voltando-se para si, somente ele, mais ninguém. É como um road movie, sem sair muito do lugar. Sair fora, voar, sentir-se livre e nesse momento, imaginar tudo o que de real aconteceu. E se sentir real, mesmo parecendo solitário. Uma auto-análise que te coloca em diversas estradas, para você seguir o rumo que desejar. Uma é a certa. Do not miss the 60B.

Eu acho que o verdadeiro amor próprio se encontra quando estamos sozinhos. Descobri que eu me suporto muito bem. Eu gosto de mim, de todas as minhas neuras, das minhas manias e do que eu sou. Do meu conhecimento e das minhas lembranças. Do meu folclore, como quer que definam, do meu jeito às vezes insuportável e das minhas críticas a todos. Aprendi isso olhando para o céu. Aprendi isso lembrando das coisas. Aprendi isso sozinho. Aprendi me encontrando, nesses caminhos, ouvindo esses discos, conversado com essas pessoas.

Amanhã é outro dia, tem tanta coisa pra fazer. Mas os dias acabam, têm só 24 horas. E se não for pedir demais, mate-me em dezembro, porque semana que vem eu tenho compromisso. Marquei um encontro. Não é com os Beastie Boys, nem com meus amigos. Marquei um encontro comigo. Por um tempo, comigo.

Simples assim. Este é o medidor da felicidade. Se você se pegar, na rua, do nada, olhando para o céu, acredite meu amigo: você é feliz. É pouco, não? Uma grana, uma bonita vista e um punhado de lembranças, que até fazem você acreditar naquele velho compositor baiano que dizia que tudo é divino, tudo é maravilhoso. Talvez seja. Talvez seja assim mesmo. Como nos filmes. Não é quando eu recebo multa, quando o computador estraga, quando o SERASA me descobre, quando eu não fecho a pauta, quando sou cobrado, quando falta dinheiro, quando eu brigo com amigos, quando eu durmo pouco, quando o cabelo precisa ser cortado, as unhas aparadas, quando chove, tem trânsito, tem assalto, quando eu espirro. Mas nesses momentos todos, em todos, todos eles, é um filme.

Esse é o meu filme. Uma série de acontecimentos curtos ao longo de uma vida absolutamente normal. E, acreditem, eu gosto desse filme. E eu faço ele do meu jeito. Um grande filme, com inúmeros coadjuvantes, alguns atores secundários e outros principais.

Mas a estrela máxima, nesse filme, sou eu. Desta vez, olhando para o céu. E me lembrando de tudo, tudinho. E abrindo um sorrisão, aquele, de orelha a orelha, com os olhos brilhando e anunciando, pra mim mesmo, que eu tô é bem demais.

O texto acima tem referências a diversos filmes e músicas que, de alguma forma, fizeram e fazem sentido pra mim.

Trilha do post:
Ryan Adams - Come pick me up
Belchior - Apenas um rapaz latino americano
The Shins - New slang
Imogen Heap - Hide and seek
Wilco - Sunken treasure
Jeff Buckley - Lover, you should’ve come over
Snow Patrol - Chocolate
Weezer - Island in the sun
Elton John - Tiny Dancer
Lisa Loeb and Nine Stories - Stay
Cary Brothers - Ride
Damien Rice - The Blower’s Daughter
Aimee Mann - Today’s the day
U2 - Stay (Far away, so close)
Pulp - Like a Friend
Smashing Pumpkins - Thirty Tree
Neil Young - Keep On Rockin In the Free World

September 8, 2006

O DIA DA INDEPENDÊNCIA

Filed under: alegria - Carlos @ 2:40 pm

Dos feriados, o que eu mais gosto é o 7 de setembro. Costumo trabalhar, assim como nos outros. Mas é um feriado que me dá satisfação em vivê-lo intensamente, e certamente há vários motivos em questão.

Primeiro, é aniversário da minha vó. Completou 80 anos ontem. Além disso, o 7 de setembro é o que abre uma seqüência de feriados até o final do ano: 20 de setembro, eleições, 12 de outubro, finados, 15 de novembro, Natal, ano novo. Logo, é o marco necessário para que se faça a contagem regressiva até a troca do ano.

Não me lembro de ter chovido em algum 7 de setembro. Com certeza, desde 98 não chove. Mesmo ainda sendo tecnicamente inverno, o 7 de setembro é um corte brusco na estação. Parece que na data há a transição exata do inverno para a primavera, e se forem pensar, já dá pra observar após os dias de frio intenso, um ar primaveril nas ruas. Gosto da primavera. É minha estação preferida. É por causa das pessoas. A primavera traz um boom de disposição, um despertar violento após dias chatos, intermináveis e murrinhas do inverno.

O 7 de setembro sempre foi o meu agente motivador. Não sei explicar. Ontem deu de novo. Saí pelas 18h e vi o entardecer. Já está anoitecendo mais tarde em Porto Alegre. Gosto de feriado em Porto Alegre. Principalmente nessa hora, quando o sol se põe, antes da noite chegar. Um ar de melancolia toma conta da cidade, já que os carros não passam tão rápido assim e a cor está num lusco-fusco que te aperta o coração e ao mesmo tempo conforta tuas necessidades. A cidade estava assim ontem e eu, de repente, indo pra ver minha vó, fui tomado por uma sensação de conforto, e deu até vontade de ficar por aqui.

O verão está chegando e com ele a esperança de que novos rumos sejam tomados. Sempre acontece alguma coisa a partir do 7 de setembro. Aconteceu muita coisa em 2006, logo não sei se este final de ano terá o movimento que teve o restante da temporada. Certamente mudará a disposição e isso é culpa da estação. E tendo disposição, o resto a gente empurra com alegria.

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