Verborragia sem concessões

July 28, 2008

DE VOLTA AOS 80

Filed under: comportamento, brasil - Carlos @ 4:02 am

Os anos 80 foram a década da ressaca. Com a Guerra Fria em decadência, com a paz e o amor fora de moda, com a sexualidade em geral banalizada, veio a porrada na mente daqueles que mudaram o mundo. Tudo tem seu preço. A década de 80 tratou de afundar de vez qualquer idéia de mudança. Aquele garoto que queria mudar o mundo passou a assistir a tudo em cima do muro. E a culpa não foi dele. Ao invés do descompromisso, do amor entre os seres, o mundo entrou em um individualismo doentio, a necessidade de consumir, consumir tudo, da explosão dos eletrodomésticos, à disseminação da televisão em doses perigosas, do ímpeto americanóide da Wall Street, das doses largas de uísque e cocaína executivos, do orgulho em afrouxar a gravata no final do dia sabendo que fez tudo pela carreira e nada pela vida. Década desgraçada, em tudo. As pessoas eram mais feias, a moda era patética, a música foi uma merda, as relações se deterioraram. Tudo o que eles lutavam contra a ditadura chegava numa esfera piorada.

No Brasil, por exemplo, essa ressaca foi evidente. Começou ainda com o resquício da putaria da disco, infernizada pela popularidade das boates, do pó e da Dancing Days. Ensaiou uma esperança morta, com as Diretas (que foi a maior derrota política nacional), com a ousadia das telenovelas e com a eleição de Tancredo Neves. Há de se ter um mártir, não? Tancredo morre, o país vai à falência, se fazem planos econômicos e se elege um santo milagroso que é a cara dos anos 80: Collor.

Eu só não apago esta década porque considero que ela exerce o mesmo fascínio dos anos 60. Há toda uma riqueza de desgraças que encanta e assusta. Assusta porque eu não quero voltar aos anos 80. E temo que isso, em breve, possa acontecer. E o pior: com uma revolução em nome do nada. Há um paralelo estranho entre os tempos que vivemos e os anos 80. O individualismo se manifesta nas horas exageradas que, virtualmente, compramos, desejamos, nos comunicamos, nos informamos. Um “free love” se estabelece numa nítida relação de liberade excessiva com que os jovens crescem hoje. O esclarecimento nos permitiu diminuir as fronteiras entre os tabus. Há um “ninguém é de ninguém” que é uma tentação para qualquer pessoa em formação. Há também uma facilidade nas pessoas acharem que são muito mais do que elas realmente são.

Se há alguns anos isso era necessário para quebrar uma caretice, hoje mais parece uma simples banalização. O importante é se divertir, custe o que custar.

Sou favorável ao equilíbrio. “Disciplina é liberdade”, dizia o cara lá nos anos 80. Vinte anos depois, onde está a tal disciplina? Acho que voltamos a viver como há vinte anos atrás.

January 5, 2008

2008

Filed under: comportamento, relações sociais, brasil - Carlos @ 3:39 am

Seis ficaram feridos com bala perdida perto de onde eu estava no Rio de Janeiro, precisamente em frente à Rua Hilário Gouvêia, na areia de Copacabana, a uns metros do palco montado para a festa de fogos mais linda que eu já vi. Um dos feridos estava entre a Santa Clara e a Constante Ramos, três quadras de distância.

Eu não vi nenhum ferido. Aliás, eu nunca vi tanta gente. E não vi nenhuma briga. E nunca vi tanto policial na minha vida. Os fogos são lindos. O DJ Marlboro entrou no palco e Copacabana virou um grande baile funk. Não tive mais dúvidas. É da cidade maravilhosa que vêm as novidades mais agradáveis.

O Rio de Janeiro continua lindo, intenso e perverso. É impossível andar pelas ruas da capital carioca sem se sentir parte de alguma coisa. É impossível voltar lá e não se surpreender com alguma coisa. Sempre há uma novidade, uma sensação de medo que a mídia passa misturada com a satisfação de ver paisagens belíssimas contrastando com um ritmo frenético que a cidade te proporciona.

Desta vez, resolvi não fazer resoluções para o ano que chega. Só pegar leve, mas é difícil, é um exercício constante de (im)paciência. Não fiz planos, faz tempo que não faço planos. Não pedi nada. Passei de branco e uso uma fitinha que serve de “guia” (proteção). Resolvi me agarrar em alguma coisa e só pedir que as coisas fiquem bem. Bem leves. Soltas.

Não vou me enxergar daqui a quatro anos. Deixa assim, deixa levar, empurra aqui e ali que tá beleza. Uma falta de ambição por vezes é necessária para olhar pra dentro e resolver algumas INTERNAS.

Sem estes planos mirabolantes, tudo o que eu quero é minha casa em Atlântida Sul. Depois disso, eu vejo o que 2008 me reserva. A única esperança é que meu retrospecto ajuda. Os anos mais importantes da minha vida foram 1993, 1998 e 2003. O ciclo fecha em 2008. Só não sei exatamente quando chega o dia e nem qual mudança vai acontecer. Mas como eu não pensava também nos três anos nessas coisas, tá beleza. Acho que a guia vai me indicar algum caminho, sei lá.

October 1, 2007

TROPA DE ELITE

Filed under: cinema, brasil - Carlos @ 5:24 am

PARA QUEM QUISER LER ESTE TEXTO:

Ele foi escrito exatos dez minutos depois de ter visto “Tropa de Elite”. Muito do que está colocado abaixo se deve ao impacto que eu tive ao ver o filme. Nunca subi num morro de verdade. Nunca peguei numa arma. Nunca conheci um bandido. Nunca conheci um policial de elite. Conheço vários playboys de classe média do jeito que são descritos no texto. É o lado que eu posso analisar melhor.

Uma frescura minha, que talvez eu considere um princípio, é não baixar filmes no computador. Pelo menos não filmes para eu assistir pela primeira vez. Filme bom tem que ser visto no cinema. Ou a cópia original, bonitinha, em DVD original. A pirataria comercial é uma saída rápida e barata para quem quer adiantar a ordem natural das coisas. Foi o que me levou a assistir ao filme mais impressionante produzido no Brasil desde “Cidade de Deus”. Aliás, eu baixei o filme, não comprei.

Ainda com a cabeça fervendo e sem conseguir pegar no sono, apesar do horário avançado, vou tentar escrever sobre este filme. Começo por uma das cinco maiores atuações que eu vi no cinema brasileiro. Wagner Moura, que por sinal já havia dado um show no último capítulo de “Paraíso Tropical” (e na novela toda), faz do Capitão Nascimento uma interpretação memorável. Inacreditável, eu diria. A realidade com que ele conseguiu vestir o policial chega a dar medo. Um homem que acredita acima de tudo em seu trabalho. A lealdade com que conduz seus homens. A confiança numa justiça que ele crê como a mais correta, uma maneira brusca de acabar com aquilo que lhe foi ordenado. Um ser humano que tem dificuldades em acertar a própria casa e está perdendo sua mulher e seu filho recém nascido. Mas acima de tudo, um cara que acredita. Que coloca sua crença acima de qualquer oferta. E é esta confiança que leva os policiais do BOPE a selecionarem quem vai fazer parte desse esquadrão de elite. Que escolhe seus homens conforme suas regras, algumas beirando a tortura. Mas acima de tudo, preferindo a formação do caráter e a força do espírito. Mesmo que pra isso a dor seja necessária. Tráfico de drogas não é brincadeira. É guerra. E para a guerra, é preciso estômago. É preciso força. E para que a força seja obtida, há de se ter todo o sacrifício e sofrimento possíveis (sou cristão, definitivamente, tudo é uma repetição da crucificação de Cristo. e eu admiro).

Não concordo exatamente com os métodos de Nascimento, aquela coisa de “bandido bom é bandido morto”. Mas entendo perfeitamente um homem como ele pensar dessa maneira. Queiram ou não, droga hoje é vendida por bandido no Brasil. Quem quiser ficar doidão, vai comprar de marginal. É dinheiro reto, direto e vivo chegando na mão de gente que te mataria num piscar de olhos. Ou que roubaria teu carro, que tu levou 36 meses pra pagar, que tá com o seguro pendurado, só pra fugir da polícia e depois desmontar pra não deixar rastros. Que, numa emboscada, pegaria alguém da sua família como refém por horas, sem se preocupar se a pessoa é cardíaca, recém ganhou filho ou não consegue caminhar. É pra ele que você, quando compra um simples baseado, está dando dinheiro.

Esse lado do “playboy” usuário é o que mais me chamou atenção no filme. Até porque é o que eu mais convivi. Um grupo de estudantes, alguns deles completamente chapadões, ajudam uma ONG num morro do Rio. Um deles é bruxo do dono do morro, fazendo a ponte e levando o fumo pra dentro de uma universidade. É o “espírito social” da nossa linda burguesia de hoje. É lindo se envolver com alguma coisa, não? Que tal então começar pelo básico? Infelizmente para a maioria, a droga é ilegal no país. Mais que isso, é fabricada, negociada e transportada pra cima e pra baixo por gente que caiu nessa e aprendeu a fazer a própria lei. Na lei deles, matar é permitido. Matar playboy que dá dinheiro pra eles é prazer. E aí, o trabalho social, o posicionamento político, a caridade na vila, meu velho, vai pro espaço. Tua única preocupação é fumar um pra rir com teus parceiros, cheirar uma carreira pra enlouquecer a noite toda sem parar, tomar uma bala numa rave pra sair da casinha. Mal sabe você que é aí que começa a corrente. E você nem percebe.

Mas o pior mal está lá, no topo da cadeia. Você ainda acha que peixe grande vai neste país? Não, eu desisti. Eu nem protesto mais. Eu fico na minha, digo o famoso “eu já sabia” e no máximo voto em branco nas eleições (desde 2004 é assim, quando eu desacreditei no único partido que um dia eu pensei que fosse mudar alguma coisa, esse aí de todos os “trabalhadores” e “afins). Não me sinto revoltado pela absolvição de Renan Calheiros. “Eu já sabia”. Não protesto mais, portanto.

A virada da mesa, o início da condenação de Calheiros e outros se dá nos pequenos atos. Mas eu também já acho que quem entra pra política tá a fim do glamour da vida pública, da sensação imediata de poder que é a razão do ser humano se sentir alguma coisa importante nessa vida. Para ser importante, é preciso poder e ambição. Ao menos aqui. Por isso eu nunca seria político. Fora minha completa falta de aptidão para abrir concessões, pra fazer lobby, não tenho nehuma vocação sociológica prática pra levantar qualquer bandeira que seja. Eu não participo de nenhuma instituição de caridade. Eu não sou anti-nada nem pró-nada. É bom ser alienado, não considero isso um defeito. Alienado, justo e honesto. Bem simples assim. Bem cristão.

Acho que a mudança começa nos pequenos atos, mas eu realmente acho que a gente é muito estúpido e egoísta pra perceber isso. É mais fácil culpar a… a…. ah… ah SOCIEDADE, certo? “Descriminalização é o caminho”, “álcool e tabaco são promovidos por grandes indústrias e matam tanto quanto o tráfico”, “o governo financia e os usuários são os culpados”, “é um caso de saúde pública”… e por aí vão as desculpas de gente que adora condenar o lado social ERRADO do país (do mundo, melhor dizendo) ao invés de simplesmente fazer atos simples de bondade e justiça.

Talvez nesse sentido a força bruta do BOPE seja mais eficaz do que o altruísmo dos Direitos Humanos ou a sensibilidade do Greenpeace ou o engajamento dos sindicatos ou até mesmo a caridade das ONGs. Talvez esse texto seja de alguém impressionado com o que viu e esteja quase que revelando um manifesto “volta ditadura”, o que não é o caso. Acredito na democracia e nesse sistema que o mundo absorveu de uma forma menos selvagem do que qualquer outro que é o capitalismo. Não é o melhor, mas é o que temos para o momento. E acho que com humanidade é possível fazer um mundo melhor. Quanto mais as pessoas consigam dormir de consciência limpa, é sinal que os tempos estão melhorando.

Por isso, pela minha suposta alienação, pela falta de “manifestação social”, eu não vou pregar o discurso de “participe, exerça sua cidadania”. Jamais. Não peço um livro, uma árvore e um filho. Eu peço que usem a cabeça. A de cima, de preferência.

PS: a cópia vista não está à venda nem será emprestada. Vejam no cinema.

April 24, 2007

COISAS DO NORTE

Filed under: cinema, brasil - Carlos @ 3:09 am

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Hermila Guedes vai ser a maior atriz brasileira nos próximos anos. Depois de assistir a “Cinema, Aspirinas e Urubus” e ainda com o referencial do melhor filme brasileiro da década, “O Céu de Suely”, não tenho mais dúvidas.

E o pior é que ela tem algo que me chama atenção. Acho que é o sorriso. Não é esse sorriso posado de atrizes globais gostosas que saem na Caras e em eventos como o show da Maria Rita no Credicard Hall ou em situações casuais no Leblon. É diferente.

Ela é pernambucana e tem 26 anos. Fez a Elis Regina no especial da Globo no início desse ano. E pelo que li dela, parece ser daquelas pessoas que tu tem vontade de sentar, olhar e tomar uma cerveja.

Só espero que o fato dela estar escalada para a próxima novela das oito não interrompa uma carreira promissora.

Ah, e é legitimamente brasileira. Como a gente vive num meio onde a linha de pensamento é achar o Big Brother uma merda, cultivar uma admiração incrível por qualquer bosta em sotaque britânico, achar qualquer bandinha meia boca a mais foda de todos os tempos e achar mundos e fundos pra sair daqui, levanto a bandeira do meu nacionalismo exacerbado para admirar novos talentos que surgem no MEU (e, acredite, no TEU) país.

Contraria um pouco a tese do post abaixo, onde eu digo que o modelo de mulher brasileira é feio. Mas estou aqui reverenciando o talento dela. E isso, meu amigo, brasileiro tem de sobra.

April 4, 2007

DEU ALEMÃO

Filed under: repercutindo notícia, brasil - Carlos @ 5:09 pm

Bom, o resultado era mais que o esperado. Deu a lógica, o participante que soube ler o jogo de dentro da casa, o mais inteligente e carismático. Diego Alemão que viveu a história de amor impossível e perseguida pelos oponentes liderados por Alberto Caubói triunfou e se tornou o maior vencedor da história do Big Brother Brasil.

Já apresentei aqui os méritos do Alemão, que nada mais é do que um cara como qualquer outro com a qualidade que hoje o povo brasileiro busca enxergar em alguém: a HONESTIDADE. A capacidade de alguém em dizer a verdade, nua e crua, é aplaudida por nossa população. Quando isso deveria ser obrigação, agora é um plus no caráter. Foi aí que ele venceu o jogo. Descobriu que falar para as câmeras o que tinha vontade, dava na telha, com um pouco de marketing pessoal, vá lá, funciona. Gosto desse tipo de gente, desse tipo de atitude. Dizer na lata o que está pensando naquele momento não é pra qualquer um. Não pode ter rabo preso e deve ter um certo grau de integridade e leveza na consciência para que aquilo soe verdadeiro.

É nisso que o “Brasil” (como eles dizem) se espelhou para eleger Diego já na quarta semana de programa como o grande vencedor do programa. Honestidade e transparência. Justamente o que falta na maioria das pessoas, às vezes por medo, outras por ausência de caráter e uma grande maioria (de ótima índole) por pura “elegância”. Acho engraçado se alguém fosse sincero o tempo todo, num cagar-e-andar pra tudo permanente. Imagina você respondendo que o dia tá horrível a um desconhecido ou que a sua namorada está feia na hora de sair ou qualquer resposta desagradável, mas profundamente sincera. Seria bem engraçado e eu seria um que não iria me ofender se adotássemos essa prática.

No mais, o BBB deve ser só no verão mesmo. Porque o verão é tudo aquilo que já escrevi. Só que agora a TV volta a não fazer sentido algum. Pelo menos depois de domingo, quando tem a lavação de roupa suja. Depois, volto a utilizar o aparelho apenas para o DVD. Afinal, que bom que a única coisa realmente boa da TV MUNDIAL só passe uma vez por ano. Aí não enjoa. E dá saudade.

March 14, 2007

BBB 7

Filed under: repercutindo notícia, brasil - Carlos @ 5:30 pm

Já afirmei aqui que eu sou fã do Big Brother. Eu acho o programa bem feito, com uma idéia original e extremamente agradável de se olhar. Sou contra as teses da “grande inteligência jovem” de que o programa é alienado, é um freak show, não proporciona cultura, etc. Eu sou brasileiro e me criei vendo novelas, indo a jogo de futebol, aprendi a beber tomando cerveja quente e quando tinha vontade de mijar na praia, eu desafogava no mar mesmo. Portanto, me apresento como um membro sem frescura da mais genuína cultura popular brasileira.

Considero o BBB uma amostra simples de como pessoas viveriam confinadas em um lugar. À parte toda a estrutura que eles têm na casa, é inegável que são doze pessoas distintas que vão brincar um pouco de eliminar os outros na busca por um milhão. Claro, é uma barbada ficar ali tomando banho de piscina e deixando as contas rolarem pra quando sair dali pagá-las com uma facilidade bem maior. Não é a VIDA REAL, e eu jamais seria tolo para analisar desta forma o programa. É uma novela com pessoas de verdade. E isto ninguém pode desmentir: são sim pessoas de verdade, que tinham, bem ou mal, uma vida fora dali. Independente de serem sarados, bonitos e jovens, Diego, Alberto, Fani, Carol, Bruna e companhia eram anônimos completos antes de entrarem no BBB. Portanto, são anônimos em busca da fama confinados num lugar sem fazer nada e suscetíveis à nossa interpretação de suas personalidades.

O povo gosta e julga. E vota. Nas outras edições, a vitória foi dos chamados excluídos sociais. Eram burros (Kléber Bambam), puros (Rodrigo caubói), pobres (Cida e Mara), carismáticos ingênuos (Dhomini) e um excluído social (Jean, no caso homossexual). Cada um representava um papel. Cida e Mara eram as pobres no meio dos sarados, sem corpo e roupa de grife. Era a camada baixa conseguindo a glória sem saber exatamente porque adquiriam a popularidade. Talvez tivessem sido escolhidas muito mais por pena do que por identificação. As pobres mereciam uma chance de conquistar alguma coisa.

Rodrigo e Dhomini pertencem a outro caso. O caubói não foi o mais famoso do BBB2 (Thyrso e Manuela, o casal fofo, ficaram com este mérito). Mas sem dúvida, a sinceridade e pureza do cara que só queria cantar e comprar umas terras sensibilizou o povo, que o escolheu por ser o mais gente boa daquela edição. Dhomini era um espertinho, meio vigarista, mas aí veio uma história de amor, do super apaixonado por Sabrina que nunca conseguia nada. Aí venceu o gosto por folhetim do povo brasileiro. Nas novelas, sempre o rejeitado por amor ganha. Dhomini ganhou.

Kléber Bambam era o idiota, o pateta, o burro. Venceu bonito o BBB1, quando ainda não se sabia como funcionava o jogo. Já Jean era o bonzinho que apanhava. Uma representação da bondade em pessoa, apenas um cara incapaz de fazer mal a alguém, ainda por cima homossexual, que foi massacrado pelo “grupo do mal”, representado pelo maquiavélico Rogério. Destruído na casa, foi para os braços da galera. A ajuda da escudeira Grazi, a mais simpática de todos os BBBs, foi muito útil.

O Alemão vai ganhar a edição de 2007. E vai se tornar o mais carismático personagem que já participou do reality show. Alemão não é pobre, não é feio, não é gay e muito menos burro. É um cara de classe média extremamente inteligente, que soube ler o jogo de uma forma impressionante. O Diego soube quem não prestava, não admitiu votos por afinidade e ganhou o jogo quando tirou Felipe, o Cobra, da parada. De longe o cara mais antipático que eu já vi no Big Brother, Felipe estava começando a armar o jogo de uma forma que não se gosta muito: complôs e agressividade; antipatia e brincadeiras fora de hora. Ninguém mais suporta esse tipo de gente. Diego viu isso e se uniu à Íris, um estereótipo de vencedora do BBB. E mais: ainda teve romance com ela e a protegeu.

Diego foi o protetor de Íris, o que para nós pode significar que um defensor das causas humanas. Um cara forte, o defensor dos fracos e oprimidos. Diego vai vencer o BBB por sua vocação para super herói dentro da casa. É forte o suficiente para saber armar complôs; no entanto, preferiu se unir aos mais sinceros e tecnicamente mais fracos para construir sua trajetória na casa e levar facilmente o prêmio de um milhão. Também, Diego me parece o mais sincero. Ele não mente. Ele encara todo mundo e não se arrepende. Não muda de idéia.

Justamente por isso, torço pelo Alemão. Me agrada a idéia de premiar, nessa pequena amostra de diversidades culturais, sociais e financeiras (onde tem sacoleira, “dançarina”, caipira, DJ, estudante do interior, paulistano típico acostumado com poluição, aspirante a atriz, carioca do subúrbio…) alguém que representa a normalidade. Sem as afetações e inferioridades das edições anteriores. E que ele pegue a liderança, pois vou estar conferindo de perto até o final.

E não venham me dizer que é edição da globo que eu vejo na internet os vídeos na globo ponto com. Se ele estiver mentindo o tempo todo, oh, é um grande ator.

March 13, 2007

O CÉU DE SUELY

Filed under: comportamento, cinema, brasil - Carlos @ 5:21 am

É tão bom quando a gente vê um filme genuinamente brasileiro. Ultimamente, ficamos mal acostumados com os chamados blockbusters nacionais, estes filmes patrocinados pela Globo Filmes que deram esta estética um tanto globalizada para o nosso cinema. “O Céu de Suely” nos remete ao “CINEMA NOVO DA RETOMADA”, um rótulo que nos remete ao velho Cinema Novo: a opção por mostrar a brasilidade na tela, longos planos fechados, fotografia estourada, valorização de paisagens, simplicidade nos diálogos e temáticas locais.

Além da alegria em ver este tipo de cinema brasileiro, que particularmente me agrada muito e já foi objeto de estudo acadêmico por mim, é com um grande prazer que eu recebo o cenário colocado no filme. A cidade de Iguatú fica no meio do sertão cearense. Em 2003, na minha tour nordestina, a linha de ônibus que liga Fortaleza a Jericoacoara parou num local chamado Morrinhos, que fica no sertão. A cena é a mesma, idêntica. Crianças na rua, de pés descalços, pequenas casas velhas de alvenaria, com uma calçada minúscula, uma rua estreita de paralelepípedo, uma eterna meia luz nos postes e um calor seco insuportável contrastando com um céu estrelado e límpido. Lindeza pura.

Hermila (Hermila Guedes, a atriz que fez Elis Regina no especial do verão da Globo, por sinal excepcional atriz) é uma jovem de 21 anos com um filho de dois. Depois de um período “fugida” em São Paulo, retorna para Iguatú (CE). Seu marido não volta para revê-la e ali está ela, com o filho, na casa da avó, numa cidade pequena do interior do nordeste.

O espírito de inadequação toma conta da garota, que pretende sair dali a qualquer custo. É quando ela decide rifar o próprio corpo. Comprando um bilhete por 15 reais, o cidadão concorre a uma noite com ela. Tudo para juntar 400 reais e vir para… PORTO ALEGRE (o lugar mais longe possível).

É impossível não traçar um paralelo com o que acontece hoje em dia com a classe média porto alegrense. O realismo empregado no filme assusta e por um momento, aquela guria pobre, que sonha apenas em ir “para o lugar mais longe possível” me leva ao que tantas pessoas do meu meio pretendem fazer. Parece que ninguém quer pertencer ao lugar onde está.

Por um lado, esta ambição jovem é saudável. Mas por outro, eu fico pensando se não é tão bom também criar raízes e obter uma estabilidade.

Eu já critiquei muito essa vontade obsessiva que os porto alegrenses de classe média têm em simplesmente querer sair daqui. Não bato nesta tecla, até porque eu mesmo fui tomado por esta sensação de inadequação. O que me assusta é que cada vez mais o jovem está mais ambicioso e inadaptado. Não sei de quem é a culpa. Mas isso pode gerar daqui a algum tempo uma falta de limites absurda, quando valores como família, amizades estabelecidas e vínculos afetivos podem ir por água abaixo simplesmente porque a gente sempre vai querer mais e mais e mais.

É aquela história: mais vale ficar em Londres ilegal limpando chão do que casar em Porto Alegre e constituir família. Ou mais vale para Hermila (ou Suely) vir pra (opaa, respira) PORTO ALEGRE no escuro, sem nada na mão, trabalhando provavelmente de faxineira ou prostituta, do que permanecer em Iguatú, com sua família, namorar aquele cara que sempre gostou dela e construir um futuro simples, sem luxo, mas com dignidade, amor, amigos verdadeiros.

O céu de Suely era Porto Alegre. O céu do pessoal é a Europa, pelo jeito. O céu é o limite mesmo? Ou você sempre vai querer mais? Aliás, o que é este MAIS que você tanto quer? É a pergunta que fica, tanto para Hermila quanto para quem está lendo isso aqui.

February 21, 2007

EU TENHO SAMBA NO PÉ

Filed under: comportamento, música, brasil, alegria - Carlos @ 3:30 am

Ainda não cheguei à conclusão a respeito de quem critica o carnaval. Na verdade, eu simplesmente respeito aqueles que apenas não gostam da festa. É um pensamento contrário do meu, mas eu também não gosto de exposição de arte e não pretendo ser alvo de críticas por causa disso. Há de se entender perfeitamente as pessoas que acham a festa um saco, não curtem as músicas, não vêem sentido na necessidade de se divertir, preferem outro tipo de festa, ou até mesmo o silêncio.

Particularmente, eu sou fã do carnaval. Eu tive a minha época anti-folia, mas era só uma forma de rebeldia patética numa época em que eu tinha inveja de quem se divertia mais do que eu. Hoje passou e eu comecei a assimilar o carnaval como um daqueles períodos em que eu preciso estar sintonizado com o que acontece em fevereiro. Portanto, se eu tiver que tomar algum partido, certamente ergo minha bandeira pró-Carnaval. É uma das poucas manifestações populares que ainda me faz arrepiar. Me faz sorrir e interagir o máximo de tempo.

Mesmo com um hiato nessa idolatria, sempre me posicionei adequadamente quanto a uma questão que insistem em levantar. A maior hipocrisia de todas, algo que beira o nojento, é atribuir ao Carnaval um rótulo de festa para esconder os podres do Brasil.

Os bodes expiatórios caem sempre no futebol e no carnaval. A contradição das pessoas que criticam estas duas expressões artísticas chega a dar pena. As duas maiores alegrias do povo brasileiro são condenadas por pessoas que justamente pregam uma melhor condição para este povo. E essas críticas vêm dos mais diversos lados. Dizem as feministas que “a festa pagã que prega a exploração da mulher, o culto ao sexo, à prostituição e à promiscuidade”. Já os moralistas de plantão afirmam que “o carnaval serve para desencaminhar os jovens e desestruturar as famílias”. O pior são os metidos a justiceiros sociais. Estes têm uma série de argumentos tortos e imbecis, do tipo “enquanto se passa fome no Brasil, todo mundo só pensa em Carnaval”, ou “gente pobre que só é lembrada nos dias de folia”. E pra fechar, tem o porto-alegrense recalcado, que diz que a cidade melhora no carnaval porque fica vazia. Um ponto de vista que gera uma pena enorme em mim, que considera um prazer estupendo o fato de pessoas simplesmente estarem mais felizes, usando um pretexto simples, como o Carnaval. Mesmo que imposta, se é que ela é nesse caso, mas empregando um contexto usado por esta gente, felicidade à flor da pele é algo que enche os olhos. De qualquer um, mesmo que haja tanta gente triste e sem graça nesse mundo.

O país tem inúmeros problemas, mas certamente não é evitando as celebrações coletivas que eles vão ser solucionados. Pelo contrário, ele traz mobilização de comunidades, união entre quem é carente, alegria para quem espera o ano todo por isto, e com todas as dificuldades do mundo, esquecem por um momento das adversidades no intuito de simplesmente festejar.

Além disso, carnaval é arte. Observe um desfile carioca e você estará de cara com uma arte revigorada, moderna, atual e incrivelmente bem feita. Carnaval é cultura, basta reparar no que estes gênios carnavalescos fazem com os enredos. E, acima de tudo, carnaval é festa. E onde há festa (em qualquer lugar no planeta), há uma óbvia conotação sexual para a data. É parte da festa: o sexo, a pouca roupa, a descontração, o exagero, o despudor, a entrega. Tudo isso é maravilhoso, e eu me orgulho demais que seja no Brasil. Que a gente exporte a beleza de um desfile da Mangueira, a beleza das nossas mulheres e a nossa gostosa sem-vergonhice, que nada mais é do que um desapego a todo tipo de chatice e caretice que toma conta desse mundo. Um antídoto contra um mau humor permanente que insiste em tomar conta do planeta, e pior, de gente jovem que prossegue nessa cavalgada de execrar toda liberação e alegria.

No final das contas, é um bando de gente chata e triste. Desprezam e avacalham uma festa que brinda a felicidade, mas ajudam quem eles acham que precisa muito menos qualquer membro de comunidade carente. É o tipo de gente que tem tanta crítica ao país, mas não mexe um dedo pra fazer bosta nenhuma. Pior (ou melhor, pra mim): ao invés de contribuir, seguem com as críticas ao Brasil, mas quando deitam a cabecinha no travesseiro, o único sonho é sair daqui. Que bom. Enquanto isso, todo fevereiro eu vou ver um pouco do desfile da Globo, se der dou uma pulada, vejo gente, estou junto das pessoas e fico um pouco mais feliz com a leveza desta grande brincadeira que é o carnaval.

April 12, 2006

VENDENDO MILHO NA PIPA

Filed under: relações sociais, brasil - Carlos @ 4:30 pm

Fiquei sabendo que não há milho verde para vender em Pipa(RN). Confesso que esta falha gastronômica na praia não foi notada por mim quando estive por lá, exatamente nos dias 13 e 14 de dezembro de 2003. Pipa, naquele final de semana, foi uma ida de van do albergue de Natal, uma noite num lugar chamado(talvez) Candango, contatos com sul-africanos, israelenses e argentinos, estréia da Nova Schin comercialmente(e um trago de destilados, por conseqüência), turistas bêbados, pousada espelunca de dez reais, passeio pela rua, descanso debaixo de coqueiro, mar, tentativa de ver golfinhos, ressaca curada ao cheiro de cana de açúcar na volta a Natal, chegada, Ponta Negra e sono.

Pipa lembra Bombinhas(SC) em alguns aspectos: uma rua principal, cortada por várias perpendiculares menores, a faixa estreita de areia, um certo congestionamento no final do dia, algumas galerias, bares, restaurantes e uma infinidade de lojinhas de roupas e artesanato local. Jamais iria reparar no maldito milho verde que falta em Pipa. Mas, descobri, não tem milho verde para vender. Tem tapioca, açaí na tigela, suco de frutas locais, camarão no espeto, mas falta milho.

Pipa pertence a Timbaú do Sul, que tem a chamada Baía dos Golfinhos. De acordo com o IBGE, Timbaú do Sul tem 8.867 habitantes fixos. Na alta temporada, apenas Pipa deve abrigar 50 mil pessoas. Nos finais de semana, com o movimento nômade que vem de Natal e João Pessoa, esse número deve aumentar. Ainda há um fator considerável: como não chove, como é quente quase todo o ano, o fluxo turístico é permanente, diminuindo um pouco na baixa temporada.

Aí está a visão empreendedora: se não tem milho verde em Pipa, pois que se comece a vender milho verde em Pipa. Milho verde alimenta, é saudável, não pesa e agrada aos gringos. Não precisa de grande infra-estrutura. É só comprar uma carrocinha, um fogareiro, água, caprichar na escolha dos milhos e colocar um que outro lance de marketing pra que funcione o esquema.

“Liberdade é o sentimento que ninguém sabe explicar, mas todo mundo entende”
(Ilha das Flores)

Não é muito fácil falar sobre liberdade, ainda mais porque não há uma definição exata sobre isso. Sentir-se livre é algo que volta e meia acontece com a gente. Ser livre, isso nunca ocorreu.
Lembro de dezembro de 2003. Lembro de Pipa, da falta de milho verde e da caminhada que fazia enquanto ouvia músicas duvidosas num walkman, olhando para o mar, pisando na areia, sem olhar no relógio, sem dar nenhum tipo de satisfação, com um despreendimento único e a sensação de que o mundo pode ainda ser pequeno para as tuas pretensões.

Isso é se sentir livre. São sentimentos passageiros, que às vezes duram um pouco mais, mas que logo ali, acabam sumariamente. E são duas as coisas que fulminam o sentimento de liberdade: a intimidade nos relacionamentos, que demandam exigências posteriores, e o sistema em si, que nos enfia goela abaixo uma vigilância e uma prestação de contas.

Sou a favor de qualquer intimidade. Não somos sozinhos, somos seres sociais, e logo estas relações, interações, são necessárias para uma convivência saudável. No entanto, a partir do momento em que se tem uma relação íntima com uma pessoa, temos igualmente uma sensação de obrigação com ela. Como se fôssemos obrigados a dizer a estas pessoas o que estamos fazendo, sob pena dela aprovar ou reprovar. Somos todos vigilantes do nosso próprio círculo.

Se formos bem cruéis, rudes, grotescos, chegamos à conclusão de que as agressões pessoais e emocionais(não físicas, financeiras), as chamadas injúrias, calúnias, difamações, em um contexto público, não afetariam o ser humano fosse ele um ser desprovido de qualquer intimidade. Logo, é subjetiva a afirmação de que a gente não possa fazer determinada situação em nome da integridade moral do colega ao lado. Tanto é verdade que, em maioria dos casos, quando isso acontece, é superado. Mas aí entra a seguinte questão: como seres coletivos, somos ensinados a ter uma determinada “ética moral”, uma penca de “questões de bom senso”, uma variação de “costumes que são utilizados”. Não há, neste caso, uma simples liberdade de ir e vir. É aquela história: liberdade termina quando afeta o próximo. Ou acaba quando a própria moral é abalada. É uma questão normal, e de princípios. E o certo é deixar a consciência em paz, porque certamente, essa é uma liberdade que trará conseqüências marcantes na tua própria moral e ética.

Já o sistema fuzila tua liberdade pela imposição natural das situações históricas e culturais. Qual vida você prefere? A de vendedor de milho verde na praia da Pipa ou a de jornalista? Numa, você tem um sol, um mar, uma desopilada de meia em meia hora pra tomar um banho, uma iminência de praticar exercícios físicos a qualquer momento, mas os compromissos não páram: dificuldades em manter um padrão alto de vida, dívidas freqüentes, razoáveis condições de moradia, uma desistência quase que completa de tecnologias novas, abandono de diversos sonhos de consumo e nenhuma aspiração maior do que apenas aumentar o negócio. Ou ir pra “capital”. Ou ter o sonho de ter a outra vida. A vida do jornalista, por exemplo, onde não se tem tempo, não se tem grandes dinheiros, onde se está num círculo vicioso irritante, de joguetes, de mesquinharia, de alta tensão o tempo todo, de pouquíssima qualidade de vida, mas um padrão econômico-social bem melhor do que o de vendedor de milho verde em Pipa.

Eu levo a segunda vida, e com todas as restrições de liberdade que ela pode ter. Éticas, morais e de sistema. Não somente eu, todos nós. Ou quem não gostaria simplesmente de matar o trabalho, um dia, só por pura e simples vontade? Mas o compromisso, a responsabilidade, fala mais alto. Então, a gente imagina a liberdade. Pipa é o meu estado de liberdade. Minha vontade, meu despreendimento total. Meu olhar no pôr do sol, meu refúgio. Meu imaginário. Minha ilusão. Pipa é minha utopia, o impossível que nunca vai dar certo, simplesmente porque Pipa fica muito longe e porque não sei se daria exatamente certo vender milho por lá. É um ponto de interrogação gostoso. É um desejo.

É muito gostoso se sentir livre. É bom por uns poucos instantes do dia ficar pensando nas areias de Pipa. Em como seria a logística do milho verde. No sol queimando a pele, na atividade que poderíamos exercer, em criar filhos com nomes curtos e simples, na vida simples, nas amizades simples e nas brigas simples. É bom demais fugir dessa complicação e, do nada, ser teletransportado para a areia de Pipa e ter como preocupações coisas tão diferentes das que eu tenho hoje. Com a consciência limpa, o pulmão limpo e a liberdade introjetada.

Seria bem mais fácil se eu desistisse dessa idéia, abandonasse esse estado de espírito e fosse agora pagar minhas contas. Mas eu faço isso depois. Dá tempo pra tudo. Pra sonhar, pra ter os pés no chão e pra não se preocupar com o dia seguinte. Dá pra ser responsável e ser livre. Não sempre, mas por um momento. Acabar com o sonho de Pipa seria uma definição, uma conclusão, um fim. Deixa Pipa entrar, por mais ilusório que possa parecer.

Eu tenho umas quinze páginas pra escrever hoje. Ainda tenho um programa sobre a Copa do Mundo e um programa especial de uma hora e meia no sábado sobre o Campeonato Brasileiro. Produzo e apresento. Tem a Boca do Lixo. Tem Volta Redonda x 15 de Campo Bom, estou no jogo. Tenho que pagar o Renner. Se as coisas apertarem, eu penso novamente na Praia da Pipa. Mesmo sabendo que este lugar, tão complicado de ser alcançado, está a quilômetros longe de mim. Mas eu imagino. E faz bem. Bem. Bem. Vou imaginando Praia da Pipa até me dar conta de que é impossível de ter essa vida. Até o dia em que a gente possa definir situações. Por enquanto? É bem melhor não definir as coisas. Sem definições.

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