Verborragia sem concessões

August 14, 2008

PLANTÃO SEM IR AO AR

Filed under: jornalismo, saudosismo - Carlos @ 8:48 am

Quando eu resolvi fazer jornalismo, eu queria escrever. Jamais me via como um jornalista do rádio. Para mim, o rádio ainda era um mercado exclusivo para aqueles vozeirões absurdos, com anos de treinamento, até chegar ao microfone. Também não queria fazer televisão. Confesso que quando entrei na faculdade, ainda nos anos noventa, repórter televisivo para mim tinha que ser um pouco artista. Tem gente que confunde o cara que aparece na TV com um ator da Globo. Aposto que o Caco Barcelos dá mais autógrafo que o Márcio Kieling. E ele, em tese, tem a mesma profissão que eu, guardando as devidas proporções. É óbvio que ele tem muito mais talento que eu.

Eu ouvia esses caras há muito tempo. Hoje, eu brigo com eles, tomo cerveja com eles, e até mando em alguns. Jamais pensei que seria assim. E jamais pensei que eu teria este dom de empresário/empreendedor/gestor. Mas eu comecei a juntar as peças e acho que minha trajetória não poderia ser outra a não ser esta.

Dias desses olhei pastas antigas. Campeonato Brasileiro de 1993. Ninguém sabe, mas eu anotava tudo sobre os jogos. Com listas dos melhores. Por puro prazer pessoal. Aos 13 anos, eu já era plantão esportivo sem ir ao ar. E pasmem: meu método de organização não mudou em nada desde então. É a mesma coisa, as estatísticas, a organização funcional, as anotações. E tudo isso numa era em que não havia internet. Descobri que inconscientemente atuo profissionalmente numa metodologia empregada quando era ainda amador.

E de repente, eu senti que minha profissão foi definida aos 13 anos. Aquilo que eu fazia como hobby seria meu ganha-pão quinze anos depois. O engraçado é que aquela brincadeira nunca chegou a ser cogitada como profissão. Na minha cabeça, seria um repórter musical, alguma coisa do tipo. Eu nem sei se eu seria bom nisso porque eu jamais tentei, de fato.

É engraçado como as coisas acontecem quando a gente nem percebe. E como os sonhos, as brincadeiras, as diversões, te dão uma base para direcionar tua trajetória. Engraçado mesmo.

Ah, eu volto a ter vida social dia 24/08. Até lá, esse horário.

March 4, 2008

FELIZ ANO NOVO

Filed under: comportamento, jornalismo, alegria - Carlos @ 4:01 am

Prometi posts pra um monte de gente, mas por enquanto tá difícil de criar. Tanta novidade, tanta mudança e eu, ajeitando coisas daqui e dali, vislumbrando o melhor futuro possível.

Minha vida muda num ciclo de cinco em cinco anos. E os outros anos foram 1993, 1998 e 2003. Chegou 2008 e ela virou de cabeça pra baixo e vai virar mais ainda.

Feliz pra burro com a vida pessoal. Feliz pra burro com a nova vida profissional. Depois do coice, a queda. Depois da queda, a vontade. Depois da vontade, garra. E recompensa. E felicidade.

A vida segue e com rumos, projetos e perspectivas diferentes. Eu não prometi nada pra 2008. E nem tinha muita perspectiva, falando a verdade. As circunstâncias me ofereceram as perspectivas, os objetivos. Os desafios, as novidades. Pra isso, deve haver uma ruptura, por pior que ela seja.

Feliz ano novo, 2008. Começou hoje, dia 03 de março. Sempre começam em março os anos, é a verdade. Antes, é só uma prévia, um gostinho, um avant premiere. Agora, é pra valer.

Prometo posts mais criativos depois que passar esse momento de transição. Pelo menos a escrita se mantém. O meu ciclo de cinco em cinco anos não falha. E em 2008, até chegou cedo demais.

February 22, 2008

VIDA É DA VIDA A RAZÃO

Foi quase uma década de convivência diária com escadas, portas, janelas, banheiros, carpetes, paredes, cadeiras e pisos. Eu sabia de cor como seria o sabor de cada alimento comprado. Pela luminosidade que entrava numa fresta da janela, poderia dizer que horas eram. Pela sombra que corria ao longo do corredor, tinha condição de adivinhar exatamente o horário. Mesmo trancafiado, tinha plena convicção de como estava a temperatura na rua só de olhar para o teto. Vivi praticamente todo o período dos meus vinte e poucos lá dentro, desfrutando da companhia das mais diversas pessoas. De todo o tipo.

Sabe, no fundo eu acho que as coisas sempre foram fáceis pra mim. Acho que é porque eu nunca passei pela sensação de queda. Nunca tinha caído, estatelado com meu beiço no chão. É a velha história das necessidades e possibilidades. Fazendo um balanço do que eu sou nestes 28 anos, chego à conclusão de que sempre fui estável. Mesmo colégio no primeiro grau, mesmos colegas no segundo grau. Passei de primeira no vestibular e nunca troquei de faculdade. Estágio, contratado no primeiro emprego. Quase uma década neste emprego e aí…boom. A porrada. A primeira. Até então minhas decepções eram poucas. E todas as decepções foram com pessoas. Nunca uma instituição havia me dispensado por opção. Só pessoas. E prefiro acreditar que foram pessoas que dispensaram minha colaboração.

Nutro ainda um profundo respeito por este grupo que me formou para o mundo. Guardarei para sempre mágoas das pessoas que, de certa forma, fazem parte das decisões deste grupo. Uma incompreensão crônica, que vai tomar conta de mim cada dia da minha vida, num revés irreparável que o destino traçou para mim. E é impossível não ter a nostalgia de que por um longo tempo da minha vida eu dediquei tempo, saúde, vontade e orgulho por ter feito tudo que eu fiz. Se houver algum arrependimento, é de ter confiado em gente que não deveria.

Depois da queda, a gente refaz todo um percurso que chega a machucar. A oportunidade, a ascensão, a confirmação, a contestação, a dúvida, o descarte. E por fim, a incompreensão e vinte e um mil questionamentos. Somos apenas um número de matrícula? Sou incompetente? Irresponsável? Instransigente? Inconstante? Desobediente? Inconseqüente? FOLCLÓRICO? Sou tudo isso? Eu errei? Eles erraram? Tem um culpado?

Engraçado como se cresce rapidinho. Em uma semana, parece que eu me tornei uns vinte anos mais sábio. E mais humilde também. E é com profundo orgulho que defenderei a camisa de onde estou agora. Porque é meu jeito. Vou teimar, teimar, teimar em não aceitar isso, não aceitar que eu sou só um número de matrícula que não existe mais. Por mais que tenham esfaqueado minha auto-estima. Por mais que, pela primeira vez na vida, eu tivesse que olhar para o espelho e pensar: “Eu sou ruim no que eu faço?”. Não há sensação pior no mundo do que duvidar da própria capacidade, do próprio potencial.

O que me conforta um pouco é que não vesti branco no final do ano e nem dei tapinha nas costas de chefe. E também não cantei que a vida é mentira, é verdade. Mas concordo com o lema. Vida também é uma cadeira vazia.

February 12, 2008

O DIA EM QUE O GÊNIO CAIU

Um dos meus jogos preferidos de computador é o grande CHAMPIONSHIP MANAGER. Gosto da versão da temporada 2003/2004, antes que houvesse uma briga na corporação que desmembrou a franquia em CM e FOOTBALL MANAGER.

Neste jogo, você acumula as funções de técnico, vice de futebol e presidente de qualquer clube do mundo. Desde o RS Futebol até o Real Madrid. Começa com um certo dinheiro em caixa, recebe mais grana da bilheteria dos jogos, bônus com títulos, além do grande barato: poder dispensar, contratar e promover jogadores. Mexendo os pauzinhos no simulador, você pode, daqui a pouco, promover um garoto de 16 anos sem muita certeza de que ele será um craque. Ou dispensar um veterano de 36 anos, porque não está “rendendo mais”.

O poder virtual de ser o presidente de um clube de futebol, que nada mais é hoje em dia, do que uma grande empresa, mexe com o cara, que acaba se viciando nisso. Você faz o papel dos chamados MANAGERS. Lembro que ali por 2004 eu jogava todas as tardes esse jogo, por uns dois meses, até que meu time conquistasse o título mundial. E óbvio, contratando MUITOS jogadores e DIPENSANDO vários. Prazer danado esse. Coisa boa ter PODER, o sonho do ser humano. MANDAR. Melhor ainda quando se mexe com vidas. Decidir os planos, o futuro, agregar novidades, comprar, vender, descartar. Pessoas. No videogame eu gostava, um monte de gente gosta.

Os managers odeiam os gênios. Causam problemas demais. A obsessão dos managers é pela perfeição de suas próprias idéias aplicadas. Dispensar, contratar, trocar de posição, botar no banco, escalar. E depois o técnico dedica a vitória aos seus jogadores de função tática. Afinal, foi sua organização que venceu, com os seus aplicados comandados fazendo exatamente o que ele pediu. Os chamados cumpridores de função tática são aqueles que não comprometem, os que fazem direitinho suas funções sem reclamar, sem cometer atos de indisciplina, fazendo um feijão com arroz bem feitinho, com a receita do chefe e nenhuma pitadinha de sal a mais do que diz na receita. Enquanto isso, o “gênio” entrou na lista de dispensados, sai do clube e vai jogar em outro lugar. Mesmo que durante sete anos ele tenha resolvido as coisas dentro de campo.

Gênio é o considerado extra-classe. Aquele que acredita que alguma coisa não usual faz a diferença. Uma novidade, um momento de criatividade. Um pouco de filé pra juntar ao arroz com feijão. O problema é que os “gênios”, os “diferenciados” são complicados. Eles não seguem um padrão pré-estabelecido de conduta porque simplesmente acreditam que a sua própria conduta é a mais efetiva. E no final das contas, aqueles que indicam este padrão só querem enquadrar o cara. Entrar na linha. Mesmo sabendo que dentro de campo ele resolve, ele mete gol, ele faz a alegria da galera.

Com relação aos “gênios”, a gente nunca sabe o que pode acontecer. Em dia de inspiração, ele sozinho vale por todo um time. Em dia de repé, briga com todo o grupo e não desempenha bem seu papel em campo. Mas quando exigido, resolve. Em grandes momentos, cresce. Joga fora de posição. Joga em TODAS as posições. Joga BEM em todas as posições. Nunca quis ser um burocrata. Sempre amou o clube e já atuou machucado, só por amor à camiseta. Mas ele é rebelde, ele não assume, ele nunca se compromete. E ele não manda.

Os que mandam são os managers. Eles têm o poder e a curtição é mexer no time, trazendo cara nova, dispensando outros e regendo as leis internas a seu bel prazer. Enquadrando todo mundo e depois se olhando no espelho numa masturbação para as próprias decisões. Os managers contratam os fiéis escudeiros, que jamais vão contrariar uma decisão sequer. Cumprem direitinho a função e voltam pra casa ou continuam na empresa, produzindo mais e melhor e mais barato. Custo-benefício atendido. Mais grana no cofre do clube e no bolso do manager.

Os managers mandam com um falso ar democrático. Na verdade, democracia só serve para quem está no poder. No fundo, bem no fundinho, se trabalha ainda com o modelo da ditadura militar. Nomenclaturas, cargos, hierarquias, disciplina, enquadramento. Esconder a podridão e jogar versões oficiais como se fossem as definitivas. Os subversivos, os talentosos, os extra-classe, estes estarão sempre à mercê de uma porrada. O modelo militar é o ideal! Ordem e progresso. Ame-o ou deixe-o. Ou eles te deixarão.

Cansei de jogar o Championship Manager. Uma vez eu dispensei um cara do meu time e ele desandou a marcar gol pelo adversário. Me arrependi tanto que desisti do jogo. Ele era do time dos “gênios”. Ele nunca cumpriu bem a função tática. Tá na seleção brasileira.

November 14, 2007

PANIS ET CIRCENSIS

Filed under: jornalismo - Carlos @ 4:07 am

Jamais falaria mal de um filme dirigido pelo Robert Redford porque simplesmente fazer cinema pra ele é fácil. Atuando e dirigindo há 40 anos certamente lhe deram experiência suficiente pra ter a manha de filmar. Por isso não vou analisar “Leões e Cordeiros” sob a ótica cinematográfica, e aí vão alguns exageros de interpretação e uns clichês de cinema, como um sobe-som em momentos cruciais ou até deslizes de patriotada no roteiro.

Confesso que consegui me enxergar na figura de um jovem perto dos 20 anos cheio de idealismo, com um vigor absurdo para contestar. E que depois desiste de qualquer tipo de contestação, alegando primeiro que as garotas e a vida social atrapalhavam seu desempenho nas aulas de Ciência Política. Mas o real motivo de seu abandono de gostar da polêmica e simplesmente seguir o rumo de todos os seus colegas menos brilhantes foi o mesmo que eu tive quando parei de questionar o que está acontecendo. Contestação x conforto? Quem vence? Vence o conforto, sempre.

Até que ponto vale provocar, polemizar, questionar, alfinetar, quando depois de uma visita ao shopping a gente tem vontade de comprar um ipod com mais capacidade, fazer outra tatuagem, comprar um livro de 100 reais, uma calça legal ou uma camiseta bacana? Uma viagem pra fora, um carro novo. Um apartamento maior. Uma boa educação para os filhos. Eu não conheço ninguém que consiga tudo isso sem abrir as pernas para o sistema. Contestadores não ganham e esse espírito consumista, me desculpem, pega todo mundo de calças curtas. Maturidade, talvez. Mas uma constante e dolorosa perda de valores que faziam tanto sentido lá atrás, mas que agora parecem coisa de gente que tinha um backup imenso nas costas. Entretanto, as coisas mudaram. O backup se foi, chegam contas, chegam desejos de consumo e o idealismo passa a ser outro. O de formar uma vida estável, confortável, sentar na poltrona no dia de domingo e não se mexer muito pelas coisas.

É a história da decepção pela política. Eu voto em branco ou nulo. Confesso que não acredito mais em ninguém que se candidata a um cargo público. Não confio pelo simples fato de que essa pessoa quer algum tipo de poder. Que até pode ser para ajudar os outros, lutar em nome de alguma causa nobre e coletiva. No entanto, quando se está no poder, de alguma forma aquilo vira tédio e o desejo de mais, mais, mais poder acaba entrando na cabeça de quem tá eleito. É a história do flat, cemitério, apartamento. Conforto vence e quem contesta?

Admito que é um dilema violento. Como o enfrentado também pela jornalista (Meryl Streep) que percebe que o senador (Tom Cruise) lhe chamou para o “furo do ano”, uma nova operação militar no Afeganistão que sacrifica jovens recrutas para justificar um projeto. Aquela coisa: “eu ao menos faço alguma coisa e mentes que realmente querem fazer a diferença pagam o pato”. Percebendo que a idéia genial é um trampolim dele pra se candidatar à presidência, mais uma vez o dilema. Publico o furo, talvez a matéria do ano, uma entrevista exclusiva de um senador com uma novidade bombástica? Ou tenho o discernimento de ao menos não dar tanto merchandising pra um cara que visivelmente busca mais (olha aí) PODER?

Não escrevo muito sobre jornalismo aqui, tenho minhas razões. Logo após a sessão, tive a sensação plena de que aquilo que o Diogo Mainardi disse uma vez, de que “a função da imprensa é incomodar o poder”, é conversa pra boi dormir. O próprio Diogo Mainardi nada mais é do que uma mosquinha chata no ouvido do poder. No final das contas, quem está com a bunda sentada no ar condicionado, com faixas reluzindo as cores da bandeira do Brasil, com ternos caros, motorista e mil assessores vence a parada. Porque eles mandam. A imprensa (ou o Diogo) só tenta incomodar.

No final do filme, quando o cara zapeando a TV só pára pra ver a notícia da separação de dois popstars e baixa o volume quando fala da guerra (SIM, HÁ UMA GUERRA NO ORIENTE, SABIAM?) me dá um tapa na cara. Pão e circo. Quem faz o pão e reparte de acordo com o soprar do vento não é a imprensa. No máximo, alguns recusam o pão ou esfarelam a sua migalha. Alguns, poucos, da nossa imprensa. Nosso negócio é circo. Só falta ver quem é o malabarista, o anão, o domador de leões e o palhaço. Como dizem que eu sou engraçado…

July 30, 2007

DIRETO DA REDAÇÃO

Filed under: jornalismo - Carlos @ 3:35 am

Fui perguntado esses dias porque eu não faço um blog jornalístico. Sabe, desses, com opiniões e informações a respeito de qualquer coisa relevante pra vida (que os jornalistas, de certa forma dividem em algo chamado editorias: política, esporte, cultura, etc). Minha resposta é bem simples. Não tenho vontade, talento, competência ou informação necessária para fazer um blog como esses. Resumindo: acho um saco os blogs jornalísticos.

Na real, nem todos. Eu respeito profundamente aqueles que mantêm um blog quando são PAGOS para fazê-los. Por alguma coisa, eu faria um sem problemas. E por muita coisa, escreveria até sobre reprodução de répteis que tava beleza. Mas jamais faria um de graça. No outro blog que eu tenho, escrevo sobre música. No entanto, ali, não há nenhum compromisso com notícia, com fato, com novidade, com relevância cultural. É um prazer apenas. Sem pressão de tempo/conteúdo/espaço. Fosse dessa maneira, só pagando mesmo.

Fora que eu não gosto do jeito que abordam as “questões da vida real” nos blogs. Meus assuntos preferidos pra ler são os seguintes: EU em primeiro lugar, num exercício de megalomania profunda; depois OS OUTROS, legitimando minha vocação de analista. Também gosto quando há uma percepção sobre fatos que blogs jornalísticos NEGAM simplesmente, como amor, ódio, relação entre os humanos, intolerância, misticismo, ignorância, paixão, emoções, sorrisos, sensações, dias inesquecíveis, sonhos estranhos. Aí eu gosto. Gosto dos que buscam a palhaçada, dos que falam sobre futebol sem ser ACADÊMICO/ANALÍTICO e gosto dos que abordam música, é claro. Cinema um pouco, mas aí eu prefiro ver trailers. Mais “oficialista”, sabe. Gosto também de pessoas que expressam de forma explícita suas opiniões. Gosto de opiniões dos outros. De crítica forte, consistente e bem feita. E até dos assuntos de cotidiano, desde que sejam bem colocados, tirando a impressão de “o jornal na tela da internet…ohh”.

Mas os blogs jornalísticos existem e a gente é obrigado a conviver com eles. Espalhados pela rede no formato mais papai-mamãe possível. E eu fico me perguntando. A “NOSSA ATIVIDADE”, tão “INTUITIVA”, tão “CRIATIVA”, não está carente de algum tipo de ousadia, talento, força? Ou tá todo mundo com preguiça e aí vai no embalo do que se aprendeu na faculdade, copiando o “manual da redação” (e cada redação tem o seu, fique com o seu debaixo do braço)? E, prosseguindo, irritantemente soprando termos como COPY, FECHAMENTO e RETRANCA (saudades de quando isso só significava armar um esquema defensivo no futebol), com a necessidade de tradução simultânea para pessoas normais? Ou então, será que é preguiça?

Talvez seja implicância minha e eu, meio burrão, não entenda da necessidade que este tipo de blog tem para o microcosmo jornalístico da internet. Por mais que para estas pessoas, este pequeno círculo seja exatamente onde está o umbigo. De tudo.

May 23, 2006

COZINHA DA COPA

Filed under: jornalismo, futebol - Carlos @ 6:02 pm

Tá no ar o blog da RBS sobre a Copa do Mundo, com contribuição da equipe que vai cobrir a Copa lá(Pedro Ernesto, Marco Antônio, Benfica, Boaz, Zé Alberto, Cyro, Caio, Ruy, Nando e Chicão - Rádio Gaúcha; David, Mário e Feltes-ZH; Ney Morrudo e Maurício Saraiva-RBS TV; Cacau Menezes e Roberto Alves-SC) e aqui(eu, Lucianinho e Henrique-Gaúcha; Mirella e Dani Peretti-ZH), com contribuição do pessoal do clicrbs.
Entrem lá e confiram o que tá pegando.
Esqueci alguém da equipe?

March 25, 2006

A HISTÓRIA DO BRASIL APLICADA À BOCA DO LIXO

Filed under: fuçando pra aprender, jornalismo - Carlos @ 4:33 am

Devido ao trabalho de conclusão de curso, que aborda a produção da Boca do Lixo, movimento cinematográfico paulista que durou quase três décadas, mergulhei profundamente no período histórico brasileiro que compreende principalmente o período 64-85, os anos de chumbo do Brasil.
Quando comecei este trabalho, que recém está com 30 páginas, acreditava que iria deter meu foco, sendo curto e grosso, na PUTARIA. Afinal, é fácil linkar a Boca do Lixo com a pornochanchada, com o erotismo, com o mulher pelada + palavrão.

No entanto, as pesquisas e descobertas me levaram a um panorama muito mais rico. Além de desmentir completamente meus conhecimentos(que, admito agora, ainda são superficiais) sobre a Boca do Lixo, tive que enfrentar novamente toda a riqueza do período histórico da época. Confesso que minhas expectativas estão sendo superadas.

Ao iniciar um trabalho de monografia, geralmente a gente pensa que o troço é um pé no saco. Ou então, vamos escolher um assunto que a gente domina pra que seja fácil. No meu caso, nenhum dos dois se confirmou. Escolhi o assunto, mas ele é bem mais complexo e interessante do que parecia. A Boca do Lixo começa com um filme chamado “A Margem”, que é uma obra prima no contexto do Cinema Marginal brasileiro. Junto com “A Margem”, dirigido por Ozualdo Candeias, chegam “Filme Demência”, de Carlos Reichenbach e, principalmente, “O Bandido da Luz Vermelha”, de Rogério Sganzerla. As três obras são a antítese da pornochanchada e, logo, não se vislumbra nada do que parece ser a Boca do Lixo. É o submundo mostrado numa crueza que impressiona. Aliás, acho que alguns nomezinhos do cinema atual deveriam assistir a estes filmes. É choque, busca, loucura generalizada. Cortes bruscos, interpretações improvisadas, fotografia saturada, diálogos desconexos, narrativa sem pé nem cabeça.

O ano chave é 1968, o ano de surgimento da Boca(”Bandido” foi o primeiro inteiramente rodado na Boca). Afora questões estéticas, e extremamente intrigantes, tive que reler “1968 - O Ano que Não terminou”, de Zuenir Ventura. A história do Brasil, e principalmente a história republicana recente, é absolutamente fascinante. Rica em todos os detalhes, forte em todos os movimentos. Realmente se atingia. Realmente se fazia algo.

Vi, pois, o final de JK. Eu achei uma bosta completa, considerando vários clichês compreensíveis(há de se ter toda uma adaptação para o FOLHETIM, já que a audiência gosta da choradeira), como todas as reconciliações possíveis no funeral, a galera cantando “Peixe Vivo” em côro, a Sara Kubitchek debruçada sobre o caixão, o perdão e a comoção popular. É mal dirigido, mas, enfim, é minissérie global, devemos entender. Apesar disso(e por incrível que pareça, foi o ÚNICO capítulo que assisti), dá pra se ter uma idéia do que acontecia com o Brasil na época.

Eu queria estar lá. Queria ver a ditadura de perto. Queria sentir tudo o que rolava nos anos setenta, fazer parte, ser testemunha ocular da história. Não sei se eu teria colhões pra fazer algo, pra realizar algo importante. Toda essa pesquisa me transmite esta vontade. Queria mesmo.

Há de se desmentir alguns mitos. Glauber Rocha foi o grande gênio da época, mas nem ele estava tão preparado assim. Quando do lançamento de “A Margem”, o baiano torceu o nariz. Nem ele acreditava no poder daquele filme completamente absurdo produzido por um cara de vinte e poucos anos, sem qualquer conhecimento cinematográfico, e rodado numa zona de putas e traficantes de drogas. Outro paradoxo: os “marginais” Sganzerla, Candeias, Reichenbach e Neville D’Almeida(Matou a Família e Foi ao Cinema) criticaram duramente a postura da Boca nos anos 70, quando, pela metade da década, nomes como Jean Garret, Ody Fraga e David Cardoso começaram a pegar pesado na putaria, produzindo três filmes por ano sem qualquer qualidade ou conexão com o que eles pretendiam com o movimento.

Tá sendo legal. Irei publicá-la assim que der. O mais interessante é que a gente pensa que conhece, quando na verdade, o furo é bem mais embaixo.

February 21, 2006

AS VERDADEIRAS FÉRIAS

Filed under: jornalismo, turismo - Carlos @ 8:43 pm

Voltei a Porto Alegre. Não foi a ida pra Santa Catarina, nem a praia, nem Atlântida Sul, nem as pessoas que eu não via há tempos, nem a vagabundagem, o ócio ou o tédio que recarregaram minhas baterias.
Duas semanas sem conversar com jornalistas foi o melhor remédio do ano até o momento. Revigora qualquer um. Sugiro esta receitinha pros viciadinhos de redações.
Jornalista é chato, burro e limitado.

Bom, eu sou repórter esportivo de rádio. Segundo o manual básico dos JORNALISTAS APAIXONADOS PELA PROFISSÃO, eu desempenho uma função MENOR no contexto.

A merda é que a redação da Zero Hora fica no mesmo prédio.

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