Verborragia sem concessões

July 26, 2008

ESSÊNCIA

Filed under: amor(?), literatura - Carlos @ 3:46 am

Sabe que eu não sei se eu ainda sei andar de bicicleta. Não sei se eu sei, isso aí. Eu sabia, andava bem, tive todas as bicicletas, sabia o que era um CUBO. Sabe? Sei. Mas hoje, se eu subo numa bicicleta, eu consigo andar sem colocar as mãos no guidão ou guidom? Ou empinar uma bike aro 14 (é isso?). Sei lá, talvez eu não suba nem numa montain bike. Tive duas, caloi e monark. Não sei.

O fato é que andar de bicicleta não faz falta nenhuma. Dá uma coceirinha, de ver uns caras em forma pedalando na Redenção, com capacete, liberando endorfina e fazendo o dia ficar mais leve. Mas não é uma prioridade. Gostava de andar de bicicleta, mas dos grandes esportes que eu pratiquei, confesso que aquela bolinha semanal me traz mais lembranças boas. Definitivamente, nunca fui um adepto ferrenho da bicicleta.

Fora que certas coisas esbarram no simples declínio físico. É lógico e óbvio. Não sou mais jovem. Fisicamente, aos 29 anos o que temos é uma curva descendente. Dizem que a vida começa aos 40, tem gente começando aos 50. No astral até pode ser. Agora, vai apostar uma corrida com alguém de 18 pra tu ver se consegue. É, fisicamente passou.

Eu não sei se sei andar de bicicleta. Mas eu sei que eu sei escrever. E de tanto saber escrever, eu sei que é um dom que eu sempre saberei que tenho. Sabendo.

É a tal da essência. As contas aumentaram, o tempo diminuiu. Vieram alguns quilos, outras responsabilidades. Mais responsabilidades. Mais compromisso. Só compromisso. E com toda essa carga de coisas preenchendo o dia, desisti de escrever. Tá, vai, umas notas sobre futebol. Mas este espaço, que servia como uma sessão de descarrego, de terapia, de desabafo, eu larguei. Mesmo sabendo fazer, achei 2 mil razões pra abandonar.

E só achei uma pra voltar: meu texto. Mesmo que eu tenha pouquíssimos leitores, que meu papo egoísta não acrescente nada pra ninguém, que eu reclame mais do que elogie, que a vida oferece trocentas coisas mais interessantes que um espaço chamado “METRALHADORA VERBAL”, eu gosto do meu texto. E senti saudades do processo de fabricar este meu texto. É essência. Não sai de mim. Nunca vai sair. Ainda que eu não receba um tostão por isso aqui, tenho uma sensação de que eu sei fazer bem essa joça. E mais do que fazer bem, esse troço me faz bem. E sabotar toda essa essência, apesar de ter tentado (e muito!), é uma atrocidade que eu não posso fazer comigo.

Eu não tenho mais pernas para pedalar como antigamente. Mas ainda tenho tesão por escrever. Sempre será um dom. Essência.

É, ao que parece, meus amigos, estou de volta.

December 26, 2007

O GOOGLE ME MATOU

Filed under: literatura - Carlos @ 5:06 am

Acho que um dos primeiros passos pra 2008 é terminar com esse blog. Eu não enjoei de escrever. Gosto de estabelecer algumas discussões que, pretensiosamente, tento colocar em prática por aqui. Paciência pra escrever eu tenho. Poderia alegar falta de tempo, o que de fato é uma boa desculpa, visto que é complicado achar um assunto que eu tenha vontade de dissecar. O tempo é curto e o tempo curto livre dificilmente é encontrado para sentar e achar algo legal para escrever. E não é cu doce, definitivamente.

Minha vontade de parar com o blog (com este ao menos) é que está havendo um desgaste natural desta fórmula na internet. O sitemeter indica que 80% das pessoas que lêem este blog chegaram através do google. Como meu vocabulário é altamente VULGAR em alguns momentos, pelo menos dois terços destas pessoas estavam atrás de PUTARIA VIRTUAL e chegaram até aqui digitando coisas como “IRLANDESAS FEIAS”, “BRIGA DE MULHERES SEM ROUPA” ou “MULHERES BRASILEIRAS NO PORTO GOSTOSAS”. Sem contar um pedófilo filho da puta que entrou aqui e não merece nem crédito citar o que ele digitou ali no google. De certa forma, isso me irrita. Das últimas CEM entradas, apenas 19 entraram pra ler o blog. Dezenove. Algumas entraram mais de uma vez, certamente. O resto, tudo pelo google, à procura da tal putaria que NÃO VÃO ENCONTRAR AQUI ou então querendo saber de coisas como “a extravagância de Wanessa Camargo” ou “como beber e não fazer cagadas”. Difícil aceitar esse tipo de coisa. Logo, se torna um pouco ridículo manter um endereço na internet onde eu me proponho a falar sério e continuar tendo vontade para prosseguir publicando meus textos (bons, ruins, péssimos).

Um outro fator que está me desestimulando é algo que eu ainda preciso saber o que é, mas já começo a desconfiar. Estou envelhecendo. E junto com o natural amadurecimento dos metais, está chegando um modo diferente de usar a internet. Como pouca coisa aqui é no CHUTE, reli textos meus de 2003/2004, quando eu publicava e produzia muito mais. Eram diferentes. Mais curtos, mais objetivos, menos medrosos. Mais infantis. Mais descompromissados. Um pouco mais sarcásticos. Mais atraentes. Talvez melhores. Hoje, a internet serve como um instrumento de informação propriamente dito. A maior parte do tempo eu gasto lendo as notícias diárias. Outra grande parte do tempo eu gasto baixando músicas e lendo sobre música. Eu leio muito sobre música. Não baixo filmes. Pesquiso a respeito. Vejo vídeos, muitos. Não gosto dos vídeos “consagrados” da internet, geralmente utilizo o youtube pra conhecer alguma apresentação rara, diferente ou novidades musicais. No resto do tempo, o msn para conversas esporádicas semanais. E o orkut, que eu ainda acho que tem vida longa. E eu gosto do orkut, ainda não larguei de mão.

Notem que os blogs não estão na lista. Pois é, acho que é o formato se esgotando. Prezo pelos meus leitores habituais. Sei que tenho vários. Sei que gostam dos meus textos. Sei que ainda há leitores novos. Sei que a repercussão de algum texto meu aqui é maior do que no outro blog, que afinal, é sobre música, pouco polêmico, meio amador. Mas no momento é onde eu mais gosto de escrever.

Infelizmente, os dias estão contados. Uma frustração imensa de cair na real e admitir que nada se aprende de novo na internet e nos blogs. Antes que a fórmula se esgote, acho que vou cair fora. É aquela história do veterano em final de carreira. Melhor sair enquanto ainda consegue correr do que morrer em campo e largar o futebol na decadência. E o que eu sinto é que este tipo de fórmula tá se esgotando e indo rumo ao fundo do poço.

Ainda não decidi. Mas estou prestes a fechar as contas. Não vou parar de escrever. O “cowboy in the sand” permanecerá vivo. Mas acho que as pessoas estão muito pouco interessadas em saber o que eu penso sobre qualquer coisa. Com toda razão. A fatia consumidora da internet está enjoando dos blogs. Os números mostram. Quem tá na rede e quem busca a rede não quer blog. Só chegam neles através de buscas sem sucesso no google. Então, para que eu não passe por esse tipo de constrangimento, que me desculpem os seis ou sete que estão lendo este texto porque QUEREM, mas vou largando aos poucos pra que nenhum pervertido leia meu texto.

September 18, 2006

O PROCESSO DE DESMORALIZAÇÃO DOS POETAS - ATO I

Filed under: literatura - Carlos @ 6:37 am

Poeta é idiota, pra começar.
Mais: qualquer um pode ser poeta.

Em uma roda de amigos, já ouvi quinhentas mil frases maravilhosas que seriam eternamente perpetuadas na existência das sentenças geniais da história.

Esta campanha tem como objetivo desmascarar estes fraudulentos que receberam mil e uma homenagens por meia dúzia de palavras babacas e que não significaram absolutamente nada.

Neste primeiro ato, vamos derrubar Mário Quintana. Um colega meu proferiu a seguinte frase após soltar um arroto depois de um daqueles goles enormes de coca cola gelada:

“Um arroto não significa nada se não for acompanhado por um sopro profundo.”

Genial, não? Se fosse um Paulo Leminski, estaria presente em 200 perfis no orkut, especialmente dessas minas de cabelo curto e vermelho, ou desses caras que usam piercing atravessado na orelha. Essa gente que leu uns livros e fica três horas de pé no Ossip, chineleando a Padre Chagas, quando o objetivo de todos eles, seja na Cidade Baixa ou no Moinhos de Vento é o mesmo: PEGAR GENTE.

O meu colega, infelizmente, não freqüenta o Ossip. Mas proferiu uma sentença original, bem acabada e com um fundamento absolutamente poético.

Aí, comparem com o centenário Mário Quintana. Um velho chato, mau humorado, ranzinza e que, propositalmente, num marketing pré-internet, construiu sua alma de cult morando em um HOTEL no CENTRO DE PORTO ALEGRE, jogando damas na PRAÇA DA ALFÂNDEGA e estabelecendo uma melancolia programada para reforçar a aura de POETA.

“Eles passarão. Eu, passarinho.”

Que diabos é isso? Uma frase que beira o nonsense mais absurdo de todos. Não venham me dizer do seu anseio em ser solto por aí, dos desejos de voar, algo que denota liberdade, nah, não me venham com essa, senão eu comparo à frase anterior.

Ser poeta é questão de marketing inconsciente. O poeta vale mais pela figura construída a respeito dele do que propriamente pela obra construída. Junta a boemia, uma certa fixação por jazz ou música clássica, muito trago, uns vícios normais e põe, mas põe melancolia pra acabar com tudo.

Agora, frase por frase, sou mais a do meu colega. E se poeta é isso, este sim, é um verdadeiro poeta.

No próximo capítulo:
Desmascarando Gilberto Gil.

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