Verborragia sem concessões

March 26, 2008

CAMPANHA POLÍTICA PARA 2008

Filed under: política - Carlos @ 3:06 am

Assisti a uns quarenta segundos do depoimento do glorioso Flávio Vaz Neto à CPI do Detran ontem. Troquei de canal, obviamente. Não tem a menor possibilidade de um dia eu ficar assistindo a um ladrão filho da puta prestar explicações ao povo, representado brilhantemente através de deputados que são onerados com dinheiro de quem os representou.

Sabe, agora eu tenho um CONTADOR. Evandro, gente boa, trabalhador, honesto. CONTADOR. Um cara que cuida das minhas parcas FINANÇAS. Tive que abrir uma EMPRESA. Sou PJ agora. Logo após os primeiros trâmites da questão, ele me listou a série de impostos que eu terei de pagar a partir da oficialização da empresa que irá prestar serviços.

Basicamente, cheguei à conclusão de que eu só não tenho que pagar tributação sobre meu PAU DE ÓCULOS pro governo. O resto tudo vai para os cofres públicos. Aí de dois em dois anos a gente renova nossos representantes no município, no Estado e no país. Que irão receber grana dos cofres públicos. Pense por este lado. Você está PAGANDO alguém pra sentar numa cadeira e decidir por algum projeto que vai empacar por anos ou provavelmente nunca dar em nada.

Depois do Flávio Vaz Neto e de receber uma porrada tributária que vai fazer provavelmente com que eu me arrepie de tantos trâmites, tanta burocracia e tanto imposto, o Jornal Nacional mostra que 49 morreram de dengue. Quer dizer, a minha grana não ajudou nenhuma daquelas crianças que morreram de dengue. Não foi investido na saúde pública ou no saneamento básico, duas coisas fundamentais para que um simples mosquito que tu mata com um tapa não se prolifere. Dengue na era da internet é um absurdo. No Rio não. Não na tua Zona Sul. Na Baixada, do lado do valão, o mosquito pica e mata.

O mais triste é pensar que na Zona Sul um deputado desfila um carro com vidro à prova de balas dos traficantes comprado com o MEU DINHEIRO, o DINHEIRO DA MINHA TRIBUTAÇÃO. Lá em cima, o barraco de madeira não é à prova de balas. E meu dinheiro nunca vai ajudar a diminuir as favelas.

Continuo no noticiário e vejo que uma PUTA que veio dos Estados Unidos e fazia esquemão com o governador de Nova York teve proteção especial no aeroporto e saiu por onde provavelmente eu nunca saia, a saída ESPECIAL. Aí eu larguei de mão.

Se um LADRÃO tem regalia, se uma PUTA tem regalia, se 49 pessoas morrem por falta de SAÚDE PÚBLICA, se eu tenho uma lista infinita de IMPOSTOS como “MICRO-EMPRESÁRIO”, se deputados que faltam a sessões recebem grana de CONTRIBUINTE, estou aqui oficializando e publicando uma decisão tomada nas eleições de 2004: EU VOTO NO NÚMERO 07 PARA TUDO. PONTA DIREITA. VOTO NULO.

É isso aí. Até deve ter algum honesto. Mas o sistema é uma bosta pra quem não USA CINTO POR TRÊS MINUTOS e é multado. E aí tua grana vai pro bolso do FLÁVIO VAZ NETO. E teu carro guinchado, pra tu pagar mais e entrar na conta do FLÁVIO VAZ NETO. Esperança? Nenhuma. Meu único prazer no dia da votação é rever a Zona Norte e o colégio Dom Diogo. Só.

July 21, 2007

LULA E A TAM

Filed under: política - Carlos @ 7:04 pm

Não há muito mais a acrescentar a respeito do acidente da TAM. Mas quero colocar em pauta aqui duas coisas: o aeroporto de Congonhas e o governo brasileiro.

Congonhas é uma grande rodoviária. É um absurdo que em pleno ano 2007 exista um aeroporto nestas condições. E mais: o aeroporto de MAIOR circulação no país. Pra quem conhece Congonhas, é uma instalação velha, com um chão quadriculado, pequena, extensa no sentido horizontal, com corredores lotados de pessoas o tempo todo (pelo menos sempre quando estive lá estava LOTADO O TEMPO TODO), banheiros péssimos, desinformação e desorientação. Na chegada, antes de aterrisar, o que se vê são prédios e outros aviões. Uma roleta russa aérea, como se fosse uma BR 116 congestionada no meio de uma cidade onde só se vê concreto. É de assustar, realmente.

A saída é interditar para sempre Congonhas. Construir um outro aeroporto na cidade mais central do país (a mais movimentada e mais importante também). Nem que por alguns instantes superlote Guarulhos. Seria uma saída emergencial. Na real, o governo não sabe o que fazer com este caos generalizado que virou a aviação brasileira. Uns mandam tomar no cu, outros “relaxar e gozar”.

Acho engraçado ainda quem ouse defender este governo. Bom, Lula foi reeleito. Um absurdo completo. Este governo só não é pior (dos que eu vivi) do que o de Sarney e de Collor. A era FHC foi melhor. Aqui fala um ex-petista, absolutamente revoltado com todos os membros desse partido, que se revelaram autoritários, arrogantes, corruptos e cheios de conchavo. E que ficará marcado para sempre como presente nas duas maiores tragédias da aviação brasileira.

Quanto aos esquerdistas convictos, aqueles que não desistem de forma alguma de defender as atitudes do nosso presidente e combater qualquer tipo de oposição, ou até mesmo JULGAR quem pertence a PSDB ou Democratas, atribuindo deficiências no caráter somente por pertencer a alguma ideologia, rotulando de “canalha”, “safado” ou fazendo trocadilhos ridículos com alguns BONS políticos que existem na casa (como existem BONS do PT também), eu não tenho muito a dizer. É só olhar para os três casos de corrupção por mês existentes e destrancar os preconceitos a respeito da “esquerda no poder” contra a “elite reacionária”. No final das contas, põe críticos, esquerdistas no poder, reacionários e revolucionários num mesmo saco e credita tudo isso a um fraco da carne. Já desisti do pensamento coletivo. Desisti de pensar o melhor para o ser humano. Cada um pensa em si. Até quem critica, e só critica e/ou denuncia porque nunca teve a chance da “tentação”. Se tivesse, aposto que faria o mesmo.

Quem critica, tem o mesmo tipo de ambição que quem é corruptível. É sério. Cheguei à conclusão que os menos ambiciosos não estão nem aí. Desapegaram de tudo, relaxaram, pagaram um foda-se e se alienaram. Sobre estes aí, talvez não haveria corrupção. Não aceitariam uma maleta cheia de dólares em nome de algo que pudesse lhes tirar a tranqüilidade. Quanto aos outros? Ah, aí ataca o ponto fraco. Antes dormir de consciência pesada numa cama king size com ar condicionado e calmantes do que com a consciência limpa num colchão velho passando frio.

Olhar pra mim? Se eu faria? Não sei, não tenho tanta ambição assim. Nem tanto interesse em arcar com tanta responsabilidade. Nem tendência para justiceiro sócio-moral. Os dias passam, eu toco meu caminho e fico de fora, criticando, votando em branco nas eleições para que eu não participe dessa palhaçada toda que virou o país. “Mas eu posso mudar o que está aí com meu voto”. Amigo, aprende uma coisa: é tudo igual! Quem se candidata, quer é PODER. Quem quer PODER é AMBICIOSO. E quando se está no poder, e os anos me levam a crer isto, não boto a mão no fogo por ninguém.

October 3, 2006

SAÍDA PELA DIREITA

Filed under: política - Carlos @ 5:13 am

Ele era poeta. Mas não vou desmoralizar esse cara, em hipótese alguma. Mas ele escreveu isso nos anos 20 e nunca me pareceu tão atual, oitenta anos depois:

“O Brasil é uma República Federativa cheia de árvores e de gente dizendo adeus.”

Oswald de Andrade tinha a manha, até dando uma de Nostradamus na parada.

Aí vieram as eleições. Fernando Collor retorna a Brasília. Um terço dos denunciados nos escândalos do mensalão e dos sanguessugas renunciaram aos cargos e são eleitos novamente. Paulo Maluf, o velho cacique, é o deputado federal mais votado em São Paulo. Lula aceita o apoio de Collor. Clodovil Hernandes, do PTC, tem votação expressiva. O cantor de forró Frank Aguiar tá na Câmara Federal. Uma pessoa bem humilde que eu conheço votou na Manuela só porque ela é bonita.

Pensando bem: quantos pesquisaram realmente o que cada deputado fez nas eleições pra votar corretamente? Foram as eleições que trouxeram uma desesperança e um sentimento de “nada muda” impressionantes. Inércia.

E por incrível que pareça, estou aqui para absolver todos os políticos. A repetição dos erros anula qualquer culpa. Eles fizeram, foi comprovado, mas foram inocentados pelo povo, no grande processo democrático.

Hoje, eu conheço mais gente que mora no exterior do que pessoas que vivem em outros estados da nação, por exemplo. Obviamente, não sou ingênuo de pensar que essa debandada seja por culpa da corrupção e da impunidade. É uma matemática simples: é MELHOR morar fora daqui. Se GANHA mais, se tem mais oportunidades, e em último caso, é mais divertido. O Brasil virou uma Pátria onde, infelizmente, não se tem prazer em viver. O nosso sonho de consumo é somente dar o fora daqui.

Junte-se a isso o fato de que pertencemos à geração mais covarde de todos os tempos. Votar é obrigação, não prazer. Militância virou fanatismo. E os não militantes simplesmente não confiam em absolutamente ninguém. Com razão.

Agora, há um fenômeno que me preocupa. Com toda essa lambança deste pleito, o brasileiro está passando a não confiar no próprio povo. Somos uma nação sem dono aprendendo a se guiar pelas próprias pernas. Individualmente falando, claro. Quando se olha pro lado, não se tem um braço pra se puxar, vai dizer.

Pela política, pela diversão ou pelo medo. Estamos dizendo ADEUS a nós mesmos, para quem sabe, podermos nos encontrar em algum lugar na Europa. Mas o pior de tudo é o nosso próprio desencontro. Nossa vontade foi completamente usurpada pela descrença. Acreditar é preciso. Mas em quem? Nos nossos semelhantes? Quem nos lidera? A quem devemos prestar hierarquia? Quem a gente precisa do nosso lado?

E o mais gritante: a gente não luta mais. A luta, de fato, não é lá uma grande virtude desta nossa geração. Somos a geração da fuga. Ou da falta de comprometimento. Lavamos as mãos e não encaramos o que a gente tem convicção. Se é que a gente tem convicção, pois a falta dela se refletiu nessas eleições. Acabou a ideologia, acabou o ideal. Sobrou um sentimento xoxo de incapacidade de alterar qualquer coisa.

No final das contas, só sobra a fuga. Pra fora, pra escapar de responsabilidade, pra sair desse cenário molenga que a gente vive no país. É tudo uma questão de medo da decepção futura. Vamos fugir, pra outro lugar, baby, sem banda de maçã, por favor.

E, por entre as árvores da nossa República Federativa, cada vez mais a gente vai dando ADEUS. Porque se der merda, a culpa não vai ser nossa mesmo. A gente vai estar bem longe daqui, longe dessa responsabilidade e lavando as mãos, nos inocentando. Infelizmente, ao contrário da ditadura, ao contrário das primeiras eleições diretas, atualmente a felicidade consiste em não se incomodar.

Assim chegamos à conclusão da palavra mágica para ter a consciência limpa: FUGA.
É muito melhor quando a gente não tem nada a ver com isso, não?

February 23, 2006

CADA UM TEM SEU TRABALHO

Filed under: relações sociais, música, política - Carlos @ 4:42 pm

Todo mundo teve opinião própria sobre o show do U2. Desde os “LINDO”(com vinte e cinco “o” depois do último “o”), até os que chinelearam a postura do Bono, os que falaram da mina que deu o beijo, os que xingaram, os que elogiaram, enfim.

O que eu tenho a dizer? Ah, deixa os caras. Fizeram um show, ganharam uma grana, é o trabalho deles. Azar do que o Bono fez, da visita ao Lula, do selinho na guria, ou o caralho a quatro. Deixa. É só um show, se for pensar.

É muito mais proveitoso xingar ou elogiar quem está do nosso lado. Vai ali, dá um beijo no vizinho e depois chama o outro de filho da puta! Dá muito mais repercussão, podem apostar. E, acreditem, falar sobre o show do U2, sobre o Lula, sobre o Fome Zero, politicagem, etc, não vai te tornar reconhecidamente mais inteligente que os outros.

Afinal, é pra isso que você tem um blog: pra que os outros pensem que você é inteligente, correto?

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