Verborragia sem concessões

October 31, 2008

TIME

Filed under: fuçando pra aprender, repercutindo notícia - Carlos @ 3:12 am

É impossível manter este blog pela falta de tempo e pelo excesso de obrigações. Estou trabalhando em 500 mil coisas ao mesmo tempo, tornando impossível que este projeto aqui continue.

Tentei voltar à ativa, mas o tempo virou escasso demais.

… (to be continued?)

February 22, 2008

VIDA É DA VIDA A RAZÃO

Foi quase uma década de convivência diária com escadas, portas, janelas, banheiros, carpetes, paredes, cadeiras e pisos. Eu sabia de cor como seria o sabor de cada alimento comprado. Pela luminosidade que entrava numa fresta da janela, poderia dizer que horas eram. Pela sombra que corria ao longo do corredor, tinha condição de adivinhar exatamente o horário. Mesmo trancafiado, tinha plena convicção de como estava a temperatura na rua só de olhar para o teto. Vivi praticamente todo o período dos meus vinte e poucos lá dentro, desfrutando da companhia das mais diversas pessoas. De todo o tipo.

Sabe, no fundo eu acho que as coisas sempre foram fáceis pra mim. Acho que é porque eu nunca passei pela sensação de queda. Nunca tinha caído, estatelado com meu beiço no chão. É a velha história das necessidades e possibilidades. Fazendo um balanço do que eu sou nestes 28 anos, chego à conclusão de que sempre fui estável. Mesmo colégio no primeiro grau, mesmos colegas no segundo grau. Passei de primeira no vestibular e nunca troquei de faculdade. Estágio, contratado no primeiro emprego. Quase uma década neste emprego e aí…boom. A porrada. A primeira. Até então minhas decepções eram poucas. E todas as decepções foram com pessoas. Nunca uma instituição havia me dispensado por opção. Só pessoas. E prefiro acreditar que foram pessoas que dispensaram minha colaboração.

Nutro ainda um profundo respeito por este grupo que me formou para o mundo. Guardarei para sempre mágoas das pessoas que, de certa forma, fazem parte das decisões deste grupo. Uma incompreensão crônica, que vai tomar conta de mim cada dia da minha vida, num revés irreparável que o destino traçou para mim. E é impossível não ter a nostalgia de que por um longo tempo da minha vida eu dediquei tempo, saúde, vontade e orgulho por ter feito tudo que eu fiz. Se houver algum arrependimento, é de ter confiado em gente que não deveria.

Depois da queda, a gente refaz todo um percurso que chega a machucar. A oportunidade, a ascensão, a confirmação, a contestação, a dúvida, o descarte. E por fim, a incompreensão e vinte e um mil questionamentos. Somos apenas um número de matrícula? Sou incompetente? Irresponsável? Instransigente? Inconstante? Desobediente? Inconseqüente? FOLCLÓRICO? Sou tudo isso? Eu errei? Eles erraram? Tem um culpado?

Engraçado como se cresce rapidinho. Em uma semana, parece que eu me tornei uns vinte anos mais sábio. E mais humilde também. E é com profundo orgulho que defenderei a camisa de onde estou agora. Porque é meu jeito. Vou teimar, teimar, teimar em não aceitar isso, não aceitar que eu sou só um número de matrícula que não existe mais. Por mais que tenham esfaqueado minha auto-estima. Por mais que, pela primeira vez na vida, eu tivesse que olhar para o espelho e pensar: “Eu sou ruim no que eu faço?”. Não há sensação pior no mundo do que duvidar da própria capacidade, do próprio potencial.

O que me conforta um pouco é que não vesti branco no final do ano e nem dei tapinha nas costas de chefe. E também não cantei que a vida é mentira, é verdade. Mas concordo com o lema. Vida também é uma cadeira vazia.

February 12, 2008

O DIA EM QUE O GÊNIO CAIU

Um dos meus jogos preferidos de computador é o grande CHAMPIONSHIP MANAGER. Gosto da versão da temporada 2003/2004, antes que houvesse uma briga na corporação que desmembrou a franquia em CM e FOOTBALL MANAGER.

Neste jogo, você acumula as funções de técnico, vice de futebol e presidente de qualquer clube do mundo. Desde o RS Futebol até o Real Madrid. Começa com um certo dinheiro em caixa, recebe mais grana da bilheteria dos jogos, bônus com títulos, além do grande barato: poder dispensar, contratar e promover jogadores. Mexendo os pauzinhos no simulador, você pode, daqui a pouco, promover um garoto de 16 anos sem muita certeza de que ele será um craque. Ou dispensar um veterano de 36 anos, porque não está “rendendo mais”.

O poder virtual de ser o presidente de um clube de futebol, que nada mais é hoje em dia, do que uma grande empresa, mexe com o cara, que acaba se viciando nisso. Você faz o papel dos chamados MANAGERS. Lembro que ali por 2004 eu jogava todas as tardes esse jogo, por uns dois meses, até que meu time conquistasse o título mundial. E óbvio, contratando MUITOS jogadores e DIPENSANDO vários. Prazer danado esse. Coisa boa ter PODER, o sonho do ser humano. MANDAR. Melhor ainda quando se mexe com vidas. Decidir os planos, o futuro, agregar novidades, comprar, vender, descartar. Pessoas. No videogame eu gostava, um monte de gente gosta.

Os managers odeiam os gênios. Causam problemas demais. A obsessão dos managers é pela perfeição de suas próprias idéias aplicadas. Dispensar, contratar, trocar de posição, botar no banco, escalar. E depois o técnico dedica a vitória aos seus jogadores de função tática. Afinal, foi sua organização que venceu, com os seus aplicados comandados fazendo exatamente o que ele pediu. Os chamados cumpridores de função tática são aqueles que não comprometem, os que fazem direitinho suas funções sem reclamar, sem cometer atos de indisciplina, fazendo um feijão com arroz bem feitinho, com a receita do chefe e nenhuma pitadinha de sal a mais do que diz na receita. Enquanto isso, o “gênio” entrou na lista de dispensados, sai do clube e vai jogar em outro lugar. Mesmo que durante sete anos ele tenha resolvido as coisas dentro de campo.

Gênio é o considerado extra-classe. Aquele que acredita que alguma coisa não usual faz a diferença. Uma novidade, um momento de criatividade. Um pouco de filé pra juntar ao arroz com feijão. O problema é que os “gênios”, os “diferenciados” são complicados. Eles não seguem um padrão pré-estabelecido de conduta porque simplesmente acreditam que a sua própria conduta é a mais efetiva. E no final das contas, aqueles que indicam este padrão só querem enquadrar o cara. Entrar na linha. Mesmo sabendo que dentro de campo ele resolve, ele mete gol, ele faz a alegria da galera.

Com relação aos “gênios”, a gente nunca sabe o que pode acontecer. Em dia de inspiração, ele sozinho vale por todo um time. Em dia de repé, briga com todo o grupo e não desempenha bem seu papel em campo. Mas quando exigido, resolve. Em grandes momentos, cresce. Joga fora de posição. Joga em TODAS as posições. Joga BEM em todas as posições. Nunca quis ser um burocrata. Sempre amou o clube e já atuou machucado, só por amor à camiseta. Mas ele é rebelde, ele não assume, ele nunca se compromete. E ele não manda.

Os que mandam são os managers. Eles têm o poder e a curtição é mexer no time, trazendo cara nova, dispensando outros e regendo as leis internas a seu bel prazer. Enquadrando todo mundo e depois se olhando no espelho numa masturbação para as próprias decisões. Os managers contratam os fiéis escudeiros, que jamais vão contrariar uma decisão sequer. Cumprem direitinho a função e voltam pra casa ou continuam na empresa, produzindo mais e melhor e mais barato. Custo-benefício atendido. Mais grana no cofre do clube e no bolso do manager.

Os managers mandam com um falso ar democrático. Na verdade, democracia só serve para quem está no poder. No fundo, bem no fundinho, se trabalha ainda com o modelo da ditadura militar. Nomenclaturas, cargos, hierarquias, disciplina, enquadramento. Esconder a podridão e jogar versões oficiais como se fossem as definitivas. Os subversivos, os talentosos, os extra-classe, estes estarão sempre à mercê de uma porrada. O modelo militar é o ideal! Ordem e progresso. Ame-o ou deixe-o. Ou eles te deixarão.

Cansei de jogar o Championship Manager. Uma vez eu dispensei um cara do meu time e ele desandou a marcar gol pelo adversário. Me arrependi tanto que desisti do jogo. Ele era do time dos “gênios”. Ele nunca cumpriu bem a função tática. Tá na seleção brasileira.

April 4, 2007

DEU ALEMÃO

Filed under: repercutindo notícia, brasil - Carlos @ 5:09 pm

Bom, o resultado era mais que o esperado. Deu a lógica, o participante que soube ler o jogo de dentro da casa, o mais inteligente e carismático. Diego Alemão que viveu a história de amor impossível e perseguida pelos oponentes liderados por Alberto Caubói triunfou e se tornou o maior vencedor da história do Big Brother Brasil.

Já apresentei aqui os méritos do Alemão, que nada mais é do que um cara como qualquer outro com a qualidade que hoje o povo brasileiro busca enxergar em alguém: a HONESTIDADE. A capacidade de alguém em dizer a verdade, nua e crua, é aplaudida por nossa população. Quando isso deveria ser obrigação, agora é um plus no caráter. Foi aí que ele venceu o jogo. Descobriu que falar para as câmeras o que tinha vontade, dava na telha, com um pouco de marketing pessoal, vá lá, funciona. Gosto desse tipo de gente, desse tipo de atitude. Dizer na lata o que está pensando naquele momento não é pra qualquer um. Não pode ter rabo preso e deve ter um certo grau de integridade e leveza na consciência para que aquilo soe verdadeiro.

É nisso que o “Brasil” (como eles dizem) se espelhou para eleger Diego já na quarta semana de programa como o grande vencedor do programa. Honestidade e transparência. Justamente o que falta na maioria das pessoas, às vezes por medo, outras por ausência de caráter e uma grande maioria (de ótima índole) por pura “elegância”. Acho engraçado se alguém fosse sincero o tempo todo, num cagar-e-andar pra tudo permanente. Imagina você respondendo que o dia tá horrível a um desconhecido ou que a sua namorada está feia na hora de sair ou qualquer resposta desagradável, mas profundamente sincera. Seria bem engraçado e eu seria um que não iria me ofender se adotássemos essa prática.

No mais, o BBB deve ser só no verão mesmo. Porque o verão é tudo aquilo que já escrevi. Só que agora a TV volta a não fazer sentido algum. Pelo menos depois de domingo, quando tem a lavação de roupa suja. Depois, volto a utilizar o aparelho apenas para o DVD. Afinal, que bom que a única coisa realmente boa da TV MUNDIAL só passe uma vez por ano. Aí não enjoa. E dá saudade.

March 14, 2007

BBB 7

Filed under: repercutindo notícia, brasil - Carlos @ 5:30 pm

Já afirmei aqui que eu sou fã do Big Brother. Eu acho o programa bem feito, com uma idéia original e extremamente agradável de se olhar. Sou contra as teses da “grande inteligência jovem” de que o programa é alienado, é um freak show, não proporciona cultura, etc. Eu sou brasileiro e me criei vendo novelas, indo a jogo de futebol, aprendi a beber tomando cerveja quente e quando tinha vontade de mijar na praia, eu desafogava no mar mesmo. Portanto, me apresento como um membro sem frescura da mais genuína cultura popular brasileira.

Considero o BBB uma amostra simples de como pessoas viveriam confinadas em um lugar. À parte toda a estrutura que eles têm na casa, é inegável que são doze pessoas distintas que vão brincar um pouco de eliminar os outros na busca por um milhão. Claro, é uma barbada ficar ali tomando banho de piscina e deixando as contas rolarem pra quando sair dali pagá-las com uma facilidade bem maior. Não é a VIDA REAL, e eu jamais seria tolo para analisar desta forma o programa. É uma novela com pessoas de verdade. E isto ninguém pode desmentir: são sim pessoas de verdade, que tinham, bem ou mal, uma vida fora dali. Independente de serem sarados, bonitos e jovens, Diego, Alberto, Fani, Carol, Bruna e companhia eram anônimos completos antes de entrarem no BBB. Portanto, são anônimos em busca da fama confinados num lugar sem fazer nada e suscetíveis à nossa interpretação de suas personalidades.

O povo gosta e julga. E vota. Nas outras edições, a vitória foi dos chamados excluídos sociais. Eram burros (Kléber Bambam), puros (Rodrigo caubói), pobres (Cida e Mara), carismáticos ingênuos (Dhomini) e um excluído social (Jean, no caso homossexual). Cada um representava um papel. Cida e Mara eram as pobres no meio dos sarados, sem corpo e roupa de grife. Era a camada baixa conseguindo a glória sem saber exatamente porque adquiriam a popularidade. Talvez tivessem sido escolhidas muito mais por pena do que por identificação. As pobres mereciam uma chance de conquistar alguma coisa.

Rodrigo e Dhomini pertencem a outro caso. O caubói não foi o mais famoso do BBB2 (Thyrso e Manuela, o casal fofo, ficaram com este mérito). Mas sem dúvida, a sinceridade e pureza do cara que só queria cantar e comprar umas terras sensibilizou o povo, que o escolheu por ser o mais gente boa daquela edição. Dhomini era um espertinho, meio vigarista, mas aí veio uma história de amor, do super apaixonado por Sabrina que nunca conseguia nada. Aí venceu o gosto por folhetim do povo brasileiro. Nas novelas, sempre o rejeitado por amor ganha. Dhomini ganhou.

Kléber Bambam era o idiota, o pateta, o burro. Venceu bonito o BBB1, quando ainda não se sabia como funcionava o jogo. Já Jean era o bonzinho que apanhava. Uma representação da bondade em pessoa, apenas um cara incapaz de fazer mal a alguém, ainda por cima homossexual, que foi massacrado pelo “grupo do mal”, representado pelo maquiavélico Rogério. Destruído na casa, foi para os braços da galera. A ajuda da escudeira Grazi, a mais simpática de todos os BBBs, foi muito útil.

O Alemão vai ganhar a edição de 2007. E vai se tornar o mais carismático personagem que já participou do reality show. Alemão não é pobre, não é feio, não é gay e muito menos burro. É um cara de classe média extremamente inteligente, que soube ler o jogo de uma forma impressionante. O Diego soube quem não prestava, não admitiu votos por afinidade e ganhou o jogo quando tirou Felipe, o Cobra, da parada. De longe o cara mais antipático que eu já vi no Big Brother, Felipe estava começando a armar o jogo de uma forma que não se gosta muito: complôs e agressividade; antipatia e brincadeiras fora de hora. Ninguém mais suporta esse tipo de gente. Diego viu isso e se uniu à Íris, um estereótipo de vencedora do BBB. E mais: ainda teve romance com ela e a protegeu.

Diego foi o protetor de Íris, o que para nós pode significar que um defensor das causas humanas. Um cara forte, o defensor dos fracos e oprimidos. Diego vai vencer o BBB por sua vocação para super herói dentro da casa. É forte o suficiente para saber armar complôs; no entanto, preferiu se unir aos mais sinceros e tecnicamente mais fracos para construir sua trajetória na casa e levar facilmente o prêmio de um milhão. Também, Diego me parece o mais sincero. Ele não mente. Ele encara todo mundo e não se arrepende. Não muda de idéia.

Justamente por isso, torço pelo Alemão. Me agrada a idéia de premiar, nessa pequena amostra de diversidades culturais, sociais e financeiras (onde tem sacoleira, “dançarina”, caipira, DJ, estudante do interior, paulistano típico acostumado com poluição, aspirante a atriz, carioca do subúrbio…) alguém que representa a normalidade. Sem as afetações e inferioridades das edições anteriores. E que ele pegue a liderança, pois vou estar conferindo de perto até o final.

E não venham me dizer que é edição da globo que eu vejo na internet os vídeos na globo ponto com. Se ele estiver mentindo o tempo todo, oh, é um grande ator.

December 5, 2006

A ROLETA RUSSA DO ISMAEL

Filed under: comportamento, repercutindo notícia - Carlos @ 6:29 am

Tinha um cara que jogava bola comigo na COHAB, pelos idos de noventa e dois, noventa e três que se chamava ISMAEL. Pode ser ISRAEL, mas era um alemãozinho meio marginal que andava com um pessoal suspeito ali do Barão do Caí-COHAB-Passo Da Mangueira. Onde desfilei a arte na lateral direita em manhãs frias de sábado, pegando o COSTA E SILVA ou o VILA LEÃO, posteriormente descendo pela Zeferino Dias, até o Tumelero, ou SE PÁ subindo até a Baltazar pra pegar qualquer um que passava por ali.

Quando eu tinha 13 ou 14, o Ismael morreu. Fez uma roleta russa com amigos e deu azar. No seis contra um, deu o um, e os aproximadamente 18% de chances que ele tinha de uma bala furar sua boca acabaram acontecendo. Nunca me esqueci disso. Afinal, foi a primeira pessoa da minha idade que, de fato, foi vítima de uma fatalidade. Ou de uma estupidez, uma burrice fenomenal.

No Salvador, tinha um cara chamado Caloy, que era um alemão bem gente boa. Era um ano mais velho. Fiquei sabendo que ele foi vítima de um acidente de moto há algum tempo atrás. Fatal.

Trabalhei com um outro cara, também gente boa, que foi vítima de leucemia. Durante esse tempo todo, convivi com a morte de familiares próximos. Meu avô, que era a pessoa que eu mais admirava nesse mundo, e que me ensinou basicamente tudo o que eu sei, por exemplo, sobre futebol, e mais uns outros segredos que ajudaram a formar muito do meu caráter e personalidade, faleceu em 95. Eu tinha 16 anos e abruptamente fui oficializado como homem. Não tinha pai, por motivos que eu não gosto de falar. Era eu o mais velho da casa e de certa forma, de um dia pro outro, passei ao menos a tomar as rédeas masculinas do lar, por mais que minha mãe tenha um talento extraordinário para aglutinar essas funções (e MUITO BEM, diga-se de passagem).

Talvez eu rejeite por isso o rótulo de “guri de apartamento”. Não fui exatamente criado assim. Tive algumas dificuldades e diversos medos numa idade em que o certo era pensar em sair, tomar uns tragos e dar uns beijos. Minha família é pequena e essas perdas me fortaleceram consideravelmente. Descobri que precisava de um rumo aos dezesseis, quando tudo poderia se perder, vivendo sem uma figura paterna forte e cercado por uma vizinhança nem sempre recomendável. Mas não. A morte de meu avô me deu estímulo para seguir numa carreira e de certa forma vencer nela. Eu teria de ser a prova de orgulho, já que era o mais velho homem da família. Não tenho primos, tinha uma tia direta que morreu e não me dou com a família do lado de lá, no caso os Guimarães (apesar de usar o nome, mas só porque é mais sonoro do que Soeiro).

O que ninguém sabe é que, por mais que minha mãe seja uma supermãe, a melhor do mundo, ela tem um braço direito que faz das suas, mas é confiável. Um bom auxiliar, uma segunda voz na hora de decidir, às vezes uma primeira voz. E não é de agora. É desde a adolescência.

A minha irresponsabilidade é mais uma de minhas fraudes. Mais uma das minhas lendas. Eu sou muito responsável. Por mais que eu já tenha batido meu carro bêbado num reveillón ou que eu tenha estourado minha cabeça num poste, ou ter ficado mamado umas 300 vezes e feito fiascos, eu cumpro direitinho minhas obrigações. E não deixo o cu na reta.

Volta e meia, é preciso de um baque. E nesse baque, eu me questiono a respeito das minhas responsabilidades. Estarei eu seguro? Eu sou realmente responsável? Eu corro o risco? Há algum tempo não pensava na morte. O acidente com o Gabriel me fez pensar isso. Me lembrou o Ismael. E me fez perceber que eu carrego uma carga muito maior do que possam imaginar. A carga de não decepcionar mais. De vacilar menos. De me concentrar para que os dependem de mim (e isso eu falo no sentido AFETIVO da situação) não sofram mais.

De alguma maneira, esse grande choque que foi saber de um guri legal, com sonhos, com um futuro brilhante, cheio de amigos e muito querido teve um reflexo enorme sobre mim. Passei o dia todo mal, mas mais do que isso, eu pensei bastante. E todo aquele sentimento de solidão e vazio dá lugar a uma overdose de responsabilidade e medo. O tempo passa e o medo cresce. Deve ser a percepção definitiva de que eu não sou eterno. Nem os que me amam são eternos.

Hoje, eu queria abraçar todo mundo que eu gosto. Mesmo. E, por mais que eu pensasse no Gabriel e em tudo o que a família dele deve estar sofrendo, eu lembrei muito mais do meu avô. E de como seria legal saber dele a seleção do brasileiro, coisa que a gente fazia quando eu era pequeno. E da opinião dele sobre o Fernandão, de como ele teria visto a Copa. Se seria que nem em 94, quando ele viu todos os jogos comigo e deu um salto na cadeira de balanço quando o Branco deu aquela paulada contra a Holanda. Pensei nele e se desse, voltaria no tempo só pra perguntar um monte de coisa e aprender mais ainda.

Podem ter certeza, o aprendizado aqui foi muito grande. O dia 4 de dezembro marca uma evolução na minha maturidade. A consciência de que não há eternidade. De que a inconseqüência só vale a pena mesmo quando se tem um backup violento nos dando proteção. E, amigos, tenham certeza de que, quanto mais o tempo passa, mais desprotegidos ficamos. E aí, pessoal, não tem mais espaço algum para a inconseqüência. E mais dá vontade de estar com quem a gente gosta.

August 8, 2006

AGRADECIMENTO

Filed under: repercutindo notícia - Carlos @ 5:25 pm

Existem leitores que freqüentam este espaço. São muitos, eu vejo ali no medidor. Não sei quem são, porque pouca gente comenta. Então, não sei bem quem vai ler isso.

A vida é feita de prioridades, mas também de gestos de carinho. Aos que estabeleceram como prioridade me dar um abraço pessoalmente dia 5 de agosto, meu muito obrigado. Obrigado àqueles que me escreveram, me cumprimentaram depois, me abraçaram posteriormente. Aos que escreveram, aos que mandaram mensagem, a todos que entenderam que foi um dia especial para mim e manifestaram algum tipo de afeto. Obrigado mesmo, foi bem mais importante que meu aniversário, por exemplo. Obrigado até aos que lá foram só pra encher a cara e me parabenizaram.

A tristeza fica por conta das pessoas que tiveram preguiça de escrever somente PARABÉNS no meu scrapbook do orkut, por exemplo. É quase infantil separar quem gosta de ti por ir/não ir na formatura ou por dar parabéns/não dar parabéns. Mas é um indício.

Como eu deixo a hipocrisia tomar no cu aqui no blog, devo admitir que ultimamente não venho precisando dos meus amigos. Não significa que eu não goste deles. Somente tenho conseguido resolver meus problemas sozinho. Foram meses difíceis, de crise de relacionamento, de Copa do Mundo, que tomou muito tempo da minha vida, de finalização de monografia, que nunca é fácil. De novas amizades e de desfazer amizades que não serviam mais. Passei por tudo sozinho, basicamente. Houve algum apoio, mas nada fundamental para que tudo fosse superado. Resolvo por mim, aconteceu isso.

Então, não pedi ajuda. Deixei a prova cabal da amizade para a formatura. Algumas decepções gritantes. Não quis ser a prioridade, mas gostaria de ter sido lembrado. Não fui. Paciência. Não me serve, é ponto final. Quer saber? Não precisei, nem vou.

E aos que lembraram, mais uma vez, muito obrigado.

April 26, 2006

NÃO É QUE O IVO PITANGUY TEM UMA ILHA?

Filed under: comportamento, repercutindo notícia - Carlos @ 3:35 pm

Então parece que a Angélica tem um programa onde invade a intimidade de ESTRELAS. No último sábado, eis que a sra. Luciano Huck visitou o cirurgião plástico Ivo Pitanguy. A visita não foi simplesmente à casa de campo, de praia, ao apartamento, à superfazenda, às terras vastas de Ivo Pitanguy. O cara simplesmente tem uma ILHA. É, uma ilha, porção de terra cercada de água, uma ilha, no litoral fluminense, só pra ele. Ele é dono de uma ilha, como a CARAS é, como tantos outros empresários são.
Eu não tenho nada contra o Ivo Pitanguy. Aliás, parece que tudo que ele obteve até agora foi graças à sua competência profissional. É o melhor cirurgião plástico do país, merece todos os méritos, batalhou, suou, estudou, pesquisou e hoje merece este patamar.
O que me chama a atenção é o fato dele ter uma ilha. Ele tem barcos pra chegar até à ilha, mas isso é demais, uma ILHA. E o pior, não pensaram ainda: IVO PITANGUY tem uma ILHA graças à VAIDADE HUMANA.

O maior medo do ser humano é o de ficar feio. Não fosse assim, academia de ginástica não seria um grande negócio, certo? E não me venha falar em saúde, porque 90% dos que freqüentam querem simplesmente ficar mais bonitos que são. Os produtos light não existiriam, porque todos sabemos que seus similares engordantes são bem melhores. Não gastaríamos vinte contos num simples corte de cabelo, e tem gente que gasta mais.

É absolutamente normal estes gastos com a aparência. Até é normal, também, quando alguém mais velho quer parecer jovem e apela para o sr. Pitanguy. Mas olha o ponto em que chegamos: dar uma ILHA para um cara graças à nossa própria vaidade!

O ser humano é tão vaidoso que não consegue medir esforços para corrigir as próprias imperfeições. É a corrida em busca do “eu” perfeito. Se tem gordurinha, taca lipo. Se tem raiz aparecendo, taca tinta. Se tá muito sem sal, taca tatuagem. Se tá na moda, taca piercing. E assim vamos, escravos do style, ao enriquecimento deliberado de gente que nos corrige. Sem contar o lado “interno” da situação: se tá com problemas, taca fluoxetina.

Gosto do Daniel Galera. Na resenha de ZH sobre seu novo livro, ele diz que “personalidade é uma ilusão”. Eu concordo com ele. O objetivo de vida do ser humano passou a ser a “busca pelo novo eu” diário. Ninguém mais gosta inteiramente de si mesmo. Sempre tem um porém, que se resolve no cabelereiro, no psiquiatra ou no cirurgião plástico. Nada está no lugar, tudo precisa ter uma alteração. Estamos vivendo a geração das metamorfoses ambulantes, camaleões constantes em busca de um objetivo próximo: mudar, mudar as estações, sair daqui, tirar o que é errado. Queremos e precisamos do complexo de deus grego: necessitamos da perfeição, da melhoria diária, e não mais nos conscientizamos de limites e do contentar-se com o pouco. A ambição virou megalomania, e realmente acreditamos que sempre precisamos melhorar. Melhorar no quê, cara pálida? Por acaso, é uma competição com todos os bilhões de habitantes do planeta? Temos que ser melhores do que eles?

É a cultura do mais: o mais bonito, o mais inteligente, o mais capacitado, o mais alto cargo, o que manda mais, o que evolui mais, o que tem mais talento, o que pega mais mulher, o que joga mais bola, o melhor do mundo em todos os tempos, o melhor amigo, o mais confiável, o mais, o mais, o melhor. O teu blog é melhor que o meu. Tu escreve mais. Eu sou mais viajado. Eu quero o mundo. Porto Alegre é um cu. É pequena demais pra mim. Eu quero mais, mais, mais, mais, consumo, chegar ao limite. Ninguém mais se contenta em simplesmente fazer o seu e voltar pra casa com o dever cumprido. É uma imposição generalizada de que isso é pouco demais.

A nossa geração chegou a um vazio tão grande, tão grande, que não se prende mais a nenhum objetivo considerado, ao meu ver nobre: a constituição de uma família, à solidificação de amizades, ao esforço diário de ser reconhecido, trabalhar, ser valorizado e subir ali por méritos, tendo posteriormente uma lembrança maravilhosa de como foi a tua evolução, sem que houvesse atropelamentos. O pra hoje é pra ontem e o que é de ontem, não existe mais. E o que é pra amanhã, tem que ser pra agora.

Que vazio desesperador, meu deus do céu. O que falta? Hein? E quanto sobra? Sobra? Falta? O nosso objetivo passou a não gostar da gente e mirabolar alterações nos nossos próprios rumos, tentando criar a fórmula perfeita da felicidade a cada minuto do dia. E esta fórmula perfeita nunca é “manter o que temos”. Sempre é “mais que isso”. Sempre tem uma correção a fazer e é tão triste conviver com imperfeições, que às vezes, são proporcionadas pela própria natureza, não?

O verdadeiro estado de espírito da felicidade humana não é abrir mão da ambição e aceitar o desapego completo como forma de camuflar tuas frustrações. Não há o perfeito. Há o imperfeito, e aí está a essência humana. Gostar da gente, com imperfeições e agir honestamente com os nossos próprios sentimentos, é o segredo. E aí, o objetivo vem bem mais fácil.

Na verdade, eu escrevi que Pitanguy tem uma ilha graças à nossa vaidade. Eu errei. Ele tem uma ilha graças ao nosso vazio. O vazio cotidiano que nos consome, não nos norteia e nos estabelece um objetivo por hora, depois alterado pra outro, é claro. O vazio tá dando ilha pro Pitanguy. Daqui a pouco, algum psiquiatra vai ter a sua. E a Angélica vai mostrar tudo no programa dela. Eu não vou perder esta.

February 21, 2006

O SELINHO DO BONO

Filed under: música, repercutindo notícia - Carlos @ 8:33 pm

Este rapaz é o namorado da moça que subiu no palco e deu um selinho no Bono.
O cara, depois daquilo, recebeu quinhentos mil scraps. Claro, a galera chamando ele de corno.
Sou solidário a este cidadão. A sacanagem é válida, mas porra, o Bono é foda, convenhamos.
Mas o cara tem motivos para tamanha angústia. São os dois lados da moeda.

LADO POSITIVO: levando um selinho do Bono, diminuiria a chance dela o trair algum dia com um outro cara. Afinal, o que de melhor teria pra vir pela frente?
LADO NEGATIVO: com o beijo no Bono, ela veria que o cara é muito pouco pra ela, chutando-o solenemente.

Apesar do meu machismo incondicional, deixaria minha namorada dar um selinho no Bono.

Na briga dos megashows, ponto pro U2. Mesmo com a Globo passando o show GRAVADO e cheio de comerciais, gostei mais que o dos Stones. Gosto de U2.
Mas no meu caso, sem selinho, por favor.

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