Volto de férias leve, apesar do post abaixo. Então, um post leve. Originalmente publicado em abril de 2006, num lapso de criatividade. Aí vai:
Geralmente, há passos durante o consumo de cerveja, desde o primeiro gole até o estado de embriaguez total. Cada cerveja representa uma alteração considerável no cérebro.
Por isso, aqui estamos com este dossiê.
1) REGRAS
1.1 - Pessoa de 25 anos, sem problemas de saúde, com 1,80 de altura e peso ideal.
1.2- Inicia-se o consumo a partir da noite, ou seja: todas as refeições do dia foram realizadas, sem excesso e sem carências.
1.3- Estado físico ideal: sem cansaço, sem compromissos e com a mente absolutamente liberada de qualquer preocupação.
1.4- Sem pressa: aqui o que vale é quantidade, sem que se determine um tempo hábil para isso.
1.5- Costume: a pessoa já bebe há pelo menos 10 anos socialmente, e com um hábito de beber uma vez por semana.
1.6- Passado: esta pessoa já tomou pelo menos 20 porres grotescos, o que faz dela um exemplo típico exemplar para a experiência.
1.7- Situação em que será bebida a cerveja: não é numa festa(onde movimentos e gasto de calorias maiores). É num bar, sentado.
1.8- Não há interesse algum em beber a cerveja(como por exemplo, uma pessoa na qual você está interessado). Aqui, a concentração é na bebida, única e exclusivamente.
1.9- Dinheiro não é problema. É um experimento e vamos fingir que é por conta da casa.
1.10- Tomaremos como padrão a POLAR. Porque é mais popular, não é maravilhosa nem péssima.
1.11- As doses são de 350 ml(uma lata, uma long neck ou meia garrafa).
1.12- Para o experimento, recomendamos que um parceiro teu das antigas te acompanhe. Que a cobaia seja divertida. Mas atenção: deve ser um PARCEIRO, no qual você confia, para conversar, arranjar distração durante o consumo. Não pode ser mulher, não pode ser alguém que não beba. Isso desvia o caráter experimental.
1.13- Sem petiscos durante a bebedeira. Sem outros líquidos. Nem água. Só cerveja. Cigarro pode. Nenhuma outra droga.
1.14- Banheiro à disposição sempre. Perto, de preferência.
1.15- Escolha qualquer bar, desde que seja movimentado.
2) PRIMEIRA CERVEJA
Neste caso, a primeira impressão é sempre a que fica. Estando legal de saúde e tendo feito refeições decentes, sem exageros, o primeiro gole dita o que será a noite de mamação. Se ele vier com o “gostinho de quero mais”, é bucha: tu vai ficar mamado. O primeiro gole é o boi da boiada. Passando por ele como ele deve ser, ou seja, tenro, macio, cremoso, saboroso e provocante, a boiada passa sem problemas(até certo ponto). A primeira cerveja nunca te deixa mamado, deixa apenas com vontade. E ninguém toma UMA cerveja apenas, correto?
3) A SEGUNDA CERVEJA
É o termômetro do primeiro brilho. Após a ingestão da segunda cerveja, você poderá dirigir corretamente, ainda articula frases com precisão, mas um leve desvio nos lábios começará a aparecer. Ainda longe da euforia, apenas uma descontração gostosa.
4) A TERCEIRA CERVEJA
Tem como importância manter o estado da segunda, com um leve atenuante. Ela não é decisiva nas alterações mentais. É a ceva da transição: do “quero mais” para o “brilho perfeito”. Ainda não é hora de ir no banheiro e estamos plenamente convictos de nossos pensamentos.
5) A QUARTA CERVEJA
De acordo com os experimentos, esta é a dose mais importante. Com ela, vem o chamado “brilho”. Ela também vai te proporcionar a primeira ida ao banheiro. A partir daí, o fato mais importante: todas tuas convicções serão mudadas. Elas passam a se transformar, tua credibilidade começa a morrer e, com um orgulho extremo, olhe para o espelho do banheiro e diga: “TÔ MAMADO”. Aí, se ri de qualquer bobagem e se pensa em realizar confissões que jamais poderíamos enquanto sóbrios. Se fôssemos entregar um troféu para “A CEVA DA MAMAÇÃO”, certamente iria para a quarta.
6) A QUINTA CERVEJA
Entramos aí no brilho profundo. A quinta cerveja é a transição para a seguinte, que não é ainda a que vai acabar. No entanto, com a bebedeira se tornando costumeira, ela já não desce tão rápido assim. Começam idéias mirabolantes, pensamentos utópicos e risadas ridículas. Uma ida ao banheiro. Uma olhada no espelho. A pessoa começa a falar com ela mesma.
7) A SEXTA CERVEJA
Brilho intenso. Você já poderia cantar alto músicas do Bon Jovi, dançar pagode com estranhos e abraçar um conhecido dando-lhe um beijo no rosto que nada seria mal interpretado. É decisiva, pois é a linha tênue do brilho para o fiasco. Duas idas ao banheiro. O garçom é teu bruxo. Convicção? Já era. Mas importante: você ainda sabe de tudo o que está fazendo. Toda essa lembrança, a da sexta cerveja, não apagará. Ainda é pouco para se ter ressaca no dia seguinte. Importante: a partir daí, mantenha-se longe de um telefone celular. Ligações sempre acontecem neste período e elas nem sempre terão uma boa receptividade(principalmente por quem é sóbrio).
8) A SÉTIMA CERVEJA
Entramos aí em outra fase de transição: do mamado para o bêbado. É mais uma cerveja que te mantém com brilho, mas um passo pequeno para cometer cagadas históricas.
9) A OITAVA CERVEJA
Parabéns, você está bêbado! Você pode até achar que não, mas lhe dou todos os sintomas para provar que isso é verdade. Não pára de rir? Fala sem parar? Consegue ficar sério, comprimindo os lábios, sem evitar que uma gargalhada exploda? Já pensa em fazer cagada? Faria cagada? Isso aí, compadre, tá bêbado. Claro, você ainda consegue andar em linha reta, mas já canta Bon Jovi alto demais. É a fase da parceria geral: o garçom já é teu IRMÃO, as pessoas do bar são teus amigos e o brilho está passando para se tornar algo perigoso. Dá pra dirigir, mas não pra fazer longa viagem. Umas quatro idas ao banheiro.
10) A NONA CERVEJA
É quando você se dá conta de que precisa se fazer algo além de ficar ali bebendo com teu amigo. Você está completamente mamado e o brilho já passou. É outra ceva de transição: já foi o brilho, já veio a euforia, agora vem a depressão. Depois dessa.
11) A DÉCIMA CERVEJA
Depois da quarta, é a mais importante. Cientificamente, chamamos ela de “A CEVA QUE MATA”. É esta aí que vai te derrubar. O gosto já não passa a ser tão bom assim. Ela já desce lentamente, como se o organismo pedisse alguma outra coisa pra balancear. Você se torna o bêbado chato, enrola a língua, vê tudo embaçado e não consegue mais formular teorias. As cagadas prometidas só serão realizadas se tu realmente conseguir se levantar do bar. A vontade já não é tanta. Mas a insistência do experimento ainda te mantém vivo.
12) A DÉCIMA PRIMEIRA CERVEJA
Pura insistência. Já não vale mais a pena. Porque passou toda a parte boa e agora vem lamentações. Sobre passado, sobre o que você não fez, sobre aquela mulher que está longe. Depressão graúda iniciando. Língua torpe.
13) A DÉCIMA SEGUNDA CERVEJA
Ou você arranja uma coisa pra fazer ou está se encaminhando para a falência total de sanidade. Ainda há uns 10% de movimento e articulação. Já está morto, a ressaca já é inevitável e o gosto já tá uma merda. Todos já são teus amigos e agora tu não quer nem olhar mais pra cara deles. Pensa na tua cama e ela parece aconchegante. Resumindo: você não agüenta mais beber, de forma alguma. Ah, e nem adianta tentar se recuperar na noite: já era.
14) A DÉCIMA TERCEIRA CERVEJA
Nestas condições apresentadas, raramente o cidadão chega à décima terceira cerveja(estabelecendo 350 ml por dose). Mas se chegar, passa pelo penúltimo estágio: de deprimido a digno de pena.
15) A DÉCIMA QUARTA CERVEJA
Não dirija. Não fale com estranhos. Não conte segredos a ninguém. Aliás, você mal consegue falar. Só está ali, olhando ao teu redor, esperando que uma alma caridosa te diga: PARE! Se encontrar conhecidos, pelo amor de deus, finja que não os conheça. A memória fica extremamente comprometida e não há qualquer movimento que denote coordenação motora.
16) A DÉCIMA QUINTA CERVEJA
Você está chegando a SEIS LITROS de cerveja no organismo. É um estado que desperta atenção e gravidade. Já é o se acabar por se acabar. Por favor, desista. Este é o estado em que seus amigos começam a pensar em te carregar. O vômito já é uma realidade, ou ao menos a ânsia.
17) A DÉCIMA SEXTA CERVEJA
Você já vomitou três vezes, não consegue mais caminhar sem ajuda, impossível dirigir, e só há um movimento possível nesta hora: pegar a cabeça, jogar sobre a mesa, tapar com os braços, mentalizar para não enjoar, e apagar.
18) A DÉCIMA SÉTIMA CERVEJA
Nas condições expostas acima, de acordo com peso, idade e situação, não é verificado que alguém consiga beber DEZESSETE CERVEJAS. Mas, se houver, chama a ambulância que tu tá indo pro coma.
19) A DÉCIMA OITAVA CERVEJA
Coma.
20) CONCLUSÃO
Seis long necks nesta situação é um número ideal. Numa festa, esse índice aumenta, pela variação de ambientes e de possibilidades. Se for ocasião especial, também muda a história.
Eu duvido que alguém consiga desmentir estes índices. Aceito cobaias. Eu já fui. Várias vezes(mesmo sem pensar que poderia ser um experimento).
Obrigado.