Verborragia sem concessões

August 14, 2008

PLANTÃO SEM IR AO AR

Filed under: jornalismo, saudosismo - Carlos @ 8:48 am

Quando eu resolvi fazer jornalismo, eu queria escrever. Jamais me via como um jornalista do rádio. Para mim, o rádio ainda era um mercado exclusivo para aqueles vozeirões absurdos, com anos de treinamento, até chegar ao microfone. Também não queria fazer televisão. Confesso que quando entrei na faculdade, ainda nos anos noventa, repórter televisivo para mim tinha que ser um pouco artista. Tem gente que confunde o cara que aparece na TV com um ator da Globo. Aposto que o Caco Barcelos dá mais autógrafo que o Márcio Kieling. E ele, em tese, tem a mesma profissão que eu, guardando as devidas proporções. É óbvio que ele tem muito mais talento que eu.

Eu ouvia esses caras há muito tempo. Hoje, eu brigo com eles, tomo cerveja com eles, e até mando em alguns. Jamais pensei que seria assim. E jamais pensei que eu teria este dom de empresário/empreendedor/gestor. Mas eu comecei a juntar as peças e acho que minha trajetória não poderia ser outra a não ser esta.

Dias desses olhei pastas antigas. Campeonato Brasileiro de 1993. Ninguém sabe, mas eu anotava tudo sobre os jogos. Com listas dos melhores. Por puro prazer pessoal. Aos 13 anos, eu já era plantão esportivo sem ir ao ar. E pasmem: meu método de organização não mudou em nada desde então. É a mesma coisa, as estatísticas, a organização funcional, as anotações. E tudo isso numa era em que não havia internet. Descobri que inconscientemente atuo profissionalmente numa metodologia empregada quando era ainda amador.

E de repente, eu senti que minha profissão foi definida aos 13 anos. Aquilo que eu fazia como hobby seria meu ganha-pão quinze anos depois. O engraçado é que aquela brincadeira nunca chegou a ser cogitada como profissão. Na minha cabeça, seria um repórter musical, alguma coisa do tipo. Eu nem sei se eu seria bom nisso porque eu jamais tentei, de fato.

É engraçado como as coisas acontecem quando a gente nem percebe. E como os sonhos, as brincadeiras, as diversões, te dão uma base para direcionar tua trajetória. Engraçado mesmo.

Ah, eu volto a ter vida social dia 24/08. Até lá, esse horário.

July 26, 2008

A GRANA, A FAMA, O QUINTAL E O RELÓGIO

Filed under: saudosismo - Carlos @ 4:13 am

Dizem que quanto mais velho a gente fica, mais a gente se apega em qualquer coisa que não seja o que a gente pensava antes.

Cheguei a pensar que um dia eu pudesse viver de renda. Hoje a minha renda norteia a minha vida de uma maneira que não era exatamente aquela que eu imaginava.

Cheguei a pensar que um dia eu seria famoso. Hoje, sei que fama não bota gasolina no posto.

Cheguei a pensar que aqueles amigos seriam meus amigos pra sempre, que quando eu tivesse 30 anos, eu estaria com eles, as esposas, os filhos, num quintal esplendoroso, fazendo churrasco ao ar livre e tomando cerveja num domingo de tarde. Bom, eu já não falo com nenhum destes amigos. Alguns deles estão solteiros. Nenhum tem quintal. E eu também não tive por muito tempo domingos à tarde.

Cheguei a pensar que eu ganharia aquele relógio de dez anos de serviços prestados. Hoje, eu até posso contratar alguém pra prestar serviços pra mim. E meu relógio eu comprei.

É, acho que eu esqueci de planejar as reviravoltas desse mundo. As minhas e as deles.

Entendo certamente que todas estes desvios de percurso são naturais. Toda aquela magia, aquela ilusão sonhadora da renda, da fama, do quintal e do relógio, esbarram em obstáculos bem mais fortes, que a gente com 15 anos, nem pensa. Para ter renda, é preciso negociar. Para ter fama, é preciso puxar (o saco ou o tapete). Para ter um quintal, é preciso fugir. Para ganhar o relógio, é preciso apanhar. Eu não negocio, não puxo nem fumo, moro em apartamento e resolvi revidar. É, fiquei sem grana, sem fama, sem quintal e sem relógio.

E se eu quisesse tudo isso? Se eu quisesse a concretização daquele meu sonho de menino? E o meu sonho de pré-adolescente? E meu sonho de adolescente? E meu sonho adulto? Seria somente voltar a alguma data antes dos acontecimentos se dispersarem?

Aí entra o tal do Efeito Borboleta, cpmo naquele filme. Para cada mudança de rumo significativa, há uma data que marca este feito. O início aparente das coisas não é o começo de tudo. É só o lançamento do foguete. A decisão dele ter sido lançado vem muito antes.

Há uns dias, foi 13 de julho. No dia 13 de julho de 2007, ninguém imagina, mas foi quando tudo começou. E pior: não tive culpa. Mas aquele ato, aparentemente impensado, gerou uma série de conseqüências morais e (sim) profissionais. Eu tenho certeza absoluta que eu não estaria aqui se não fosse pelo dia 13 de julho. Nem aqueles dois estariam onde estão. Nem os outros que nem estavam ali. Minha vida mudou pela última vez no dia 13 de julho. E não no dia 11 de fevereiro, como a maioria pensa que foi.

Não tenho nenhuma vontade em voltar no tempo pra mudar o dia 13 de julho. A data tratou de romper com absolutamente tudo que me envolvia. Eu deixo a minha parte como está, até porque, mesmo sem tudo isso, sem a grana, sem a fama, sem o quintal e sem o relógio, a gente dá um jeito e encontra a felicidade em coisas que eu nem teria se não fosse o 13 de julho. Palavra.

Fora que eu já não tinha a grana, a fama e o quintal. Eu ainda poderia ter o relógio. Mas quer saber? O que eu comprei é muito melhor que o deles.

February 22, 2008

VIDA É DA VIDA A RAZÃO

Foi quase uma década de convivência diária com escadas, portas, janelas, banheiros, carpetes, paredes, cadeiras e pisos. Eu sabia de cor como seria o sabor de cada alimento comprado. Pela luminosidade que entrava numa fresta da janela, poderia dizer que horas eram. Pela sombra que corria ao longo do corredor, tinha condição de adivinhar exatamente o horário. Mesmo trancafiado, tinha plena convicção de como estava a temperatura na rua só de olhar para o teto. Vivi praticamente todo o período dos meus vinte e poucos lá dentro, desfrutando da companhia das mais diversas pessoas. De todo o tipo.

Sabe, no fundo eu acho que as coisas sempre foram fáceis pra mim. Acho que é porque eu nunca passei pela sensação de queda. Nunca tinha caído, estatelado com meu beiço no chão. É a velha história das necessidades e possibilidades. Fazendo um balanço do que eu sou nestes 28 anos, chego à conclusão de que sempre fui estável. Mesmo colégio no primeiro grau, mesmos colegas no segundo grau. Passei de primeira no vestibular e nunca troquei de faculdade. Estágio, contratado no primeiro emprego. Quase uma década neste emprego e aí…boom. A porrada. A primeira. Até então minhas decepções eram poucas. E todas as decepções foram com pessoas. Nunca uma instituição havia me dispensado por opção. Só pessoas. E prefiro acreditar que foram pessoas que dispensaram minha colaboração.

Nutro ainda um profundo respeito por este grupo que me formou para o mundo. Guardarei para sempre mágoas das pessoas que, de certa forma, fazem parte das decisões deste grupo. Uma incompreensão crônica, que vai tomar conta de mim cada dia da minha vida, num revés irreparável que o destino traçou para mim. E é impossível não ter a nostalgia de que por um longo tempo da minha vida eu dediquei tempo, saúde, vontade e orgulho por ter feito tudo que eu fiz. Se houver algum arrependimento, é de ter confiado em gente que não deveria.

Depois da queda, a gente refaz todo um percurso que chega a machucar. A oportunidade, a ascensão, a confirmação, a contestação, a dúvida, o descarte. E por fim, a incompreensão e vinte e um mil questionamentos. Somos apenas um número de matrícula? Sou incompetente? Irresponsável? Instransigente? Inconstante? Desobediente? Inconseqüente? FOLCLÓRICO? Sou tudo isso? Eu errei? Eles erraram? Tem um culpado?

Engraçado como se cresce rapidinho. Em uma semana, parece que eu me tornei uns vinte anos mais sábio. E mais humilde também. E é com profundo orgulho que defenderei a camisa de onde estou agora. Porque é meu jeito. Vou teimar, teimar, teimar em não aceitar isso, não aceitar que eu sou só um número de matrícula que não existe mais. Por mais que tenham esfaqueado minha auto-estima. Por mais que, pela primeira vez na vida, eu tivesse que olhar para o espelho e pensar: “Eu sou ruim no que eu faço?”. Não há sensação pior no mundo do que duvidar da própria capacidade, do próprio potencial.

O que me conforta um pouco é que não vesti branco no final do ano e nem dei tapinha nas costas de chefe. E também não cantei que a vida é mentira, é verdade. Mas concordo com o lema. Vida também é uma cadeira vazia.

February 12, 2008

O DIA EM QUE O GÊNIO CAIU

Um dos meus jogos preferidos de computador é o grande CHAMPIONSHIP MANAGER. Gosto da versão da temporada 2003/2004, antes que houvesse uma briga na corporação que desmembrou a franquia em CM e FOOTBALL MANAGER.

Neste jogo, você acumula as funções de técnico, vice de futebol e presidente de qualquer clube do mundo. Desde o RS Futebol até o Real Madrid. Começa com um certo dinheiro em caixa, recebe mais grana da bilheteria dos jogos, bônus com títulos, além do grande barato: poder dispensar, contratar e promover jogadores. Mexendo os pauzinhos no simulador, você pode, daqui a pouco, promover um garoto de 16 anos sem muita certeza de que ele será um craque. Ou dispensar um veterano de 36 anos, porque não está “rendendo mais”.

O poder virtual de ser o presidente de um clube de futebol, que nada mais é hoje em dia, do que uma grande empresa, mexe com o cara, que acaba se viciando nisso. Você faz o papel dos chamados MANAGERS. Lembro que ali por 2004 eu jogava todas as tardes esse jogo, por uns dois meses, até que meu time conquistasse o título mundial. E óbvio, contratando MUITOS jogadores e DIPENSANDO vários. Prazer danado esse. Coisa boa ter PODER, o sonho do ser humano. MANDAR. Melhor ainda quando se mexe com vidas. Decidir os planos, o futuro, agregar novidades, comprar, vender, descartar. Pessoas. No videogame eu gostava, um monte de gente gosta.

Os managers odeiam os gênios. Causam problemas demais. A obsessão dos managers é pela perfeição de suas próprias idéias aplicadas. Dispensar, contratar, trocar de posição, botar no banco, escalar. E depois o técnico dedica a vitória aos seus jogadores de função tática. Afinal, foi sua organização que venceu, com os seus aplicados comandados fazendo exatamente o que ele pediu. Os chamados cumpridores de função tática são aqueles que não comprometem, os que fazem direitinho suas funções sem reclamar, sem cometer atos de indisciplina, fazendo um feijão com arroz bem feitinho, com a receita do chefe e nenhuma pitadinha de sal a mais do que diz na receita. Enquanto isso, o “gênio” entrou na lista de dispensados, sai do clube e vai jogar em outro lugar. Mesmo que durante sete anos ele tenha resolvido as coisas dentro de campo.

Gênio é o considerado extra-classe. Aquele que acredita que alguma coisa não usual faz a diferença. Uma novidade, um momento de criatividade. Um pouco de filé pra juntar ao arroz com feijão. O problema é que os “gênios”, os “diferenciados” são complicados. Eles não seguem um padrão pré-estabelecido de conduta porque simplesmente acreditam que a sua própria conduta é a mais efetiva. E no final das contas, aqueles que indicam este padrão só querem enquadrar o cara. Entrar na linha. Mesmo sabendo que dentro de campo ele resolve, ele mete gol, ele faz a alegria da galera.

Com relação aos “gênios”, a gente nunca sabe o que pode acontecer. Em dia de inspiração, ele sozinho vale por todo um time. Em dia de repé, briga com todo o grupo e não desempenha bem seu papel em campo. Mas quando exigido, resolve. Em grandes momentos, cresce. Joga fora de posição. Joga em TODAS as posições. Joga BEM em todas as posições. Nunca quis ser um burocrata. Sempre amou o clube e já atuou machucado, só por amor à camiseta. Mas ele é rebelde, ele não assume, ele nunca se compromete. E ele não manda.

Os que mandam são os managers. Eles têm o poder e a curtição é mexer no time, trazendo cara nova, dispensando outros e regendo as leis internas a seu bel prazer. Enquadrando todo mundo e depois se olhando no espelho numa masturbação para as próprias decisões. Os managers contratam os fiéis escudeiros, que jamais vão contrariar uma decisão sequer. Cumprem direitinho a função e voltam pra casa ou continuam na empresa, produzindo mais e melhor e mais barato. Custo-benefício atendido. Mais grana no cofre do clube e no bolso do manager.

Os managers mandam com um falso ar democrático. Na verdade, democracia só serve para quem está no poder. No fundo, bem no fundinho, se trabalha ainda com o modelo da ditadura militar. Nomenclaturas, cargos, hierarquias, disciplina, enquadramento. Esconder a podridão e jogar versões oficiais como se fossem as definitivas. Os subversivos, os talentosos, os extra-classe, estes estarão sempre à mercê de uma porrada. O modelo militar é o ideal! Ordem e progresso. Ame-o ou deixe-o. Ou eles te deixarão.

Cansei de jogar o Championship Manager. Uma vez eu dispensei um cara do meu time e ele desandou a marcar gol pelo adversário. Me arrependi tanto que desisti do jogo. Ele era do time dos “gênios”. Ele nunca cumpriu bem a função tática. Tá na seleção brasileira.

February 7, 2008

DOSSIÊ CERVEJA NO CÉREBRO

Filed under: cachaça, saudosismo - Carlos @ 5:59 pm

Volto de férias leve, apesar do post abaixo. Então, um post leve. Originalmente publicado em abril de 2006, num lapso de criatividade. Aí vai:

Geralmente, há passos durante o consumo de cerveja, desde o primeiro gole até o estado de embriaguez total. Cada cerveja representa uma alteração considerável no cérebro.
Por isso, aqui estamos com este dossiê.

1) REGRAS
1.1 - Pessoa de 25 anos, sem problemas de saúde, com 1,80 de altura e peso ideal.
1.2- Inicia-se o consumo a partir da noite, ou seja: todas as refeições do dia foram realizadas, sem excesso e sem carências.
1.3- Estado físico ideal: sem cansaço, sem compromissos e com a mente absolutamente liberada de qualquer preocupação.
1.4- Sem pressa: aqui o que vale é quantidade, sem que se determine um tempo hábil para isso.
1.5- Costume: a pessoa já bebe há pelo menos 10 anos socialmente, e com um hábito de beber uma vez por semana.
1.6- Passado: esta pessoa já tomou pelo menos 20 porres grotescos, o que faz dela um exemplo típico exemplar para a experiência.
1.7- Situação em que será bebida a cerveja: não é numa festa(onde movimentos e gasto de calorias maiores). É num bar, sentado.
1.8- Não há interesse algum em beber a cerveja(como por exemplo, uma pessoa na qual você está interessado). Aqui, a concentração é na bebida, única e exclusivamente.
1.9- Dinheiro não é problema. É um experimento e vamos fingir que é por conta da casa.
1.10- Tomaremos como padrão a POLAR. Porque é mais popular, não é maravilhosa nem péssima.
1.11- As doses são de 350 ml(uma lata, uma long neck ou meia garrafa).
1.12- Para o experimento, recomendamos que um parceiro teu das antigas te acompanhe. Que a cobaia seja divertida. Mas atenção: deve ser um PARCEIRO, no qual você confia, para conversar, arranjar distração durante o consumo. Não pode ser mulher, não pode ser alguém que não beba. Isso desvia o caráter experimental.
1.13- Sem petiscos durante a bebedeira. Sem outros líquidos. Nem água. Só cerveja. Cigarro pode. Nenhuma outra droga.
1.14- Banheiro à disposição sempre. Perto, de preferência.
1.15- Escolha qualquer bar, desde que seja movimentado.

2) PRIMEIRA CERVEJA
Neste caso, a primeira impressão é sempre a que fica. Estando legal de saúde e tendo feito refeições decentes, sem exageros, o primeiro gole dita o que será a noite de mamação. Se ele vier com o “gostinho de quero mais”, é bucha: tu vai ficar mamado. O primeiro gole é o boi da boiada. Passando por ele como ele deve ser, ou seja, tenro, macio, cremoso, saboroso e provocante, a boiada passa sem problemas(até certo ponto). A primeira cerveja nunca te deixa mamado, deixa apenas com vontade. E ninguém toma UMA cerveja apenas, correto?

3) A SEGUNDA CERVEJA
É o termômetro do primeiro brilho. Após a ingestão da segunda cerveja, você poderá dirigir corretamente, ainda articula frases com precisão, mas um leve desvio nos lábios começará a aparecer. Ainda longe da euforia, apenas uma descontração gostosa.

4) A TERCEIRA CERVEJA
Tem como importância manter o estado da segunda, com um leve atenuante. Ela não é decisiva nas alterações mentais. É a ceva da transição: do “quero mais” para o “brilho perfeito”. Ainda não é hora de ir no banheiro e estamos plenamente convictos de nossos pensamentos.

5) A QUARTA CERVEJA
De acordo com os experimentos, esta é a dose mais importante. Com ela, vem o chamado “brilho”. Ela também vai te proporcionar a primeira ida ao banheiro. A partir daí, o fato mais importante: todas tuas convicções serão mudadas. Elas passam a se transformar, tua credibilidade começa a morrer e, com um orgulho extremo, olhe para o espelho do banheiro e diga: “TÔ MAMADO”. Aí, se ri de qualquer bobagem e se pensa em realizar confissões que jamais poderíamos enquanto sóbrios. Se fôssemos entregar um troféu para “A CEVA DA MAMAÇÃO”, certamente iria para a quarta.

6) A QUINTA CERVEJA
Entramos aí no brilho profundo. A quinta cerveja é a transição para a seguinte, que não é ainda a que vai acabar. No entanto, com a bebedeira se tornando costumeira, ela já não desce tão rápido assim. Começam idéias mirabolantes, pensamentos utópicos e risadas ridículas. Uma ida ao banheiro. Uma olhada no espelho. A pessoa começa a falar com ela mesma.

7) A SEXTA CERVEJA
Brilho intenso. Você já poderia cantar alto músicas do Bon Jovi, dançar pagode com estranhos e abraçar um conhecido dando-lhe um beijo no rosto que nada seria mal interpretado. É decisiva, pois é a linha tênue do brilho para o fiasco. Duas idas ao banheiro. O garçom é teu bruxo. Convicção? Já era. Mas importante: você ainda sabe de tudo o que está fazendo. Toda essa lembrança, a da sexta cerveja, não apagará. Ainda é pouco para se ter ressaca no dia seguinte. Importante: a partir daí, mantenha-se longe de um telefone celular. Ligações sempre acontecem neste período e elas nem sempre terão uma boa receptividade(principalmente por quem é sóbrio).

8) A SÉTIMA CERVEJA
Entramos aí em outra fase de transição: do mamado para o bêbado. É mais uma cerveja que te mantém com brilho, mas um passo pequeno para cometer cagadas históricas.

9) A OITAVA CERVEJA
Parabéns, você está bêbado! Você pode até achar que não, mas lhe dou todos os sintomas para provar que isso é verdade. Não pára de rir? Fala sem parar? Consegue ficar sério, comprimindo os lábios, sem evitar que uma gargalhada exploda? Já pensa em fazer cagada? Faria cagada? Isso aí, compadre, tá bêbado. Claro, você ainda consegue andar em linha reta, mas já canta Bon Jovi alto demais. É a fase da parceria geral: o garçom já é teu IRMÃO, as pessoas do bar são teus amigos e o brilho está passando para se tornar algo perigoso. Dá pra dirigir, mas não pra fazer longa viagem. Umas quatro idas ao banheiro.

10) A NONA CERVEJA
É quando você se dá conta de que precisa se fazer algo além de ficar ali bebendo com teu amigo. Você está completamente mamado e o brilho já passou. É outra ceva de transição: já foi o brilho, já veio a euforia, agora vem a depressão. Depois dessa.

11) A DÉCIMA CERVEJA
Depois da quarta, é a mais importante. Cientificamente, chamamos ela de “A CEVA QUE MATA”. É esta aí que vai te derrubar. O gosto já não passa a ser tão bom assim. Ela já desce lentamente, como se o organismo pedisse alguma outra coisa pra balancear. Você se torna o bêbado chato, enrola a língua, vê tudo embaçado e não consegue mais formular teorias. As cagadas prometidas só serão realizadas se tu realmente conseguir se levantar do bar. A vontade já não é tanta. Mas a insistência do experimento ainda te mantém vivo.

12) A DÉCIMA PRIMEIRA CERVEJA
Pura insistência. Já não vale mais a pena. Porque passou toda a parte boa e agora vem lamentações. Sobre passado, sobre o que você não fez, sobre aquela mulher que está longe. Depressão graúda iniciando. Língua torpe.

13) A DÉCIMA SEGUNDA CERVEJA
Ou você arranja uma coisa pra fazer ou está se encaminhando para a falência total de sanidade. Ainda há uns 10% de movimento e articulação. Já está morto, a ressaca já é inevitável e o gosto já tá uma merda. Todos já são teus amigos e agora tu não quer nem olhar mais pra cara deles. Pensa na tua cama e ela parece aconchegante. Resumindo: você não agüenta mais beber, de forma alguma. Ah, e nem adianta tentar se recuperar na noite: já era.

14) A DÉCIMA TERCEIRA CERVEJA
Nestas condições apresentadas, raramente o cidadão chega à décima terceira cerveja(estabelecendo 350 ml por dose). Mas se chegar, passa pelo penúltimo estágio: de deprimido a digno de pena.

15) A DÉCIMA QUARTA CERVEJA
Não dirija. Não fale com estranhos. Não conte segredos a ninguém. Aliás, você mal consegue falar. Só está ali, olhando ao teu redor, esperando que uma alma caridosa te diga: PARE! Se encontrar conhecidos, pelo amor de deus, finja que não os conheça. A memória fica extremamente comprometida e não há qualquer movimento que denote coordenação motora.

16) A DÉCIMA QUINTA CERVEJA
Você está chegando a SEIS LITROS de cerveja no organismo. É um estado que desperta atenção e gravidade. Já é o se acabar por se acabar. Por favor, desista. Este é o estado em que seus amigos começam a pensar em te carregar. O vômito já é uma realidade, ou ao menos a ânsia.

17) A DÉCIMA SEXTA CERVEJA
Você já vomitou três vezes, não consegue mais caminhar sem ajuda, impossível dirigir, e só há um movimento possível nesta hora: pegar a cabeça, jogar sobre a mesa, tapar com os braços, mentalizar para não enjoar, e apagar.

18) A DÉCIMA SÉTIMA CERVEJA
Nas condições expostas acima, de acordo com peso, idade e situação, não é verificado que alguém consiga beber DEZESSETE CERVEJAS. Mas, se houver, chama a ambulância que tu tá indo pro coma.

19) A DÉCIMA OITAVA CERVEJA
Coma.

20) CONCLUSÃO
Seis long necks nesta situação é um número ideal. Numa festa, esse índice aumenta, pela variação de ambientes e de possibilidades. Se for ocasião especial, também muda a história.
Eu duvido que alguém consiga desmentir estes índices. Aceito cobaias. Eu já fui. Várias vezes(mesmo sem pensar que poderia ser um experimento).
Obrigado.

December 17, 2007

NOSTALGIA EM VHS. DEZEMBRO DE 1993.

Filed under: saudosismo - Carlos @ 4:17 am

O Bial deu a dica pro futuro: usem filtro solar. Eu dou a minha então: não joguem fora seus videocassetes. Por mais que o formato da fita esteja ultrapassado, mantenham seus videocassetes, ainda que velhos, em pleno funcionamento. A dica se estende para toca-fitas e logicamente, toca-discos. Por mais que a internet nos coloque todas as músicas do mundo à disposição, saber que aquela fitinha que eu gravei em 1992 do Temple of The Dog ainda está aqui e toca é uma terapia nostálgica inigualável. Sem falar no Facelift, do Alice In Chains, vinil, comprado em 1991. Ou os clipes do Pixies no especial do Lado B em 1995, todos gravados em fita, com apresentação e comentários do Fábio Massari, uma relíquia pessoal que eu nunca achei no youtube (não com os comentários do Massari, não naquele programa, aquela madrugada, com o REC funcionando sem parar, com intervalos da época e com o meu acompanhamento pessoal).

Eu pensei que meu videocassete não funcionava mais. Mas meu irmão, que é bem mais genial que eu, conseguiu fazer a trolha tocar. Era tudo uma questão de IN/OUT, entradas e saídas, limpar cabeçote, paninho na poeira e tentar. Pois o videocassete estava funcionando perfeitamente e eu precisava ver uma FITA, das minhas.

Fui até meu armário e peguei uma fita vermelha, sem rótulo, mas que eu sabia o conteúdo. Algo que eu não via há mais de uma década, com certeza absoluta. Era o VHS de despedida da oitava série.

Poderia estar escrevendo aqui sobre as minhas impressões de um ano atrás, o título histórico do Internacional e de como eu vivi os dias 16 e 17 de dezembro intensamente, talvez um dos dez dias inesquecíveis da minha vida. Como profissional, a maior cobertura que já participei, e olha que eu já trabalhei em duas Copas. Resolvi reviver um dezembro mais antigo ainda. Voltei 14 anos no tempo.

14 anos. Idade de um adolescente. Há 14 anos não tinha internet, ninguém sabia o que era um blog, a Madonna nem quarentona era, o técnico do Grêmio era um tal de Felipão, que não era penta nem campeão da América. Romário era o cara, hoje é técnico. Edmundo era meu ídolo, hoje tá centrado. Jeff Buckley ainda não havia lançado Grace, meu álbum preferido de todos os tempos. Jeff Buckley estava vivo. Eu era virgem. Hoje, minha namorada de quatro anos já está casada. Eu ouvia os meus atuais colegas como apreciador de futebol, numa distância que eu jamais poderia imaginar que fosse tão curta, ao ponto de ir à casa deles, ao casamento deles, a conhecer a família deles. Eu era magro. Eu era cabeludo. E eu era trinta vezes mais tímido. Eu escrevia melhor do que meus colegas da época, mas bem pior do que eu escrevo hoje. E eu vivi, naquele final de 1993, os melhores dias da minha vida. Talvez os finais de 1998 e de 2003 tenham chegado perto, o que indica que o ciclo de cinco em cinco anos me dará um 2008 promissor.

Voltei a 1993 para analisar a fita de final de ano da oitava. Ela tem onze minutos e eu perdi uma hora e meia assistindo. Resolvi rever cada traço que me envolvia nas paredes da Escola do Salvador. Cada buraco na vidraça, cada sorriso de ex-colega, cada detalhe na classe, a localização da sala de aula, a secretaria, a escada antes de passar pela reforma que eu nunca vi. Um colégio pequeno que hoje já tem segundo grau e que certamente não tem mais o mesmo charme de antigamente. E que pra mim era o mundo. Um mundo pequeno e eu não tinha nenhuma vontade de sair dele. Ali todas as minhas ambições da época estavam presentes.

Pra quê ganhar o mundo? Pra quê trocar de turma se tudo o que eu quero são aqueles amigos? Pra quê sair numa festa com gente diferente, se tudo o que eu queria era uma simples reunião dançante na garagem de alguém pra ver as mesmas pessoas que eu via de segunda à sexta? Pra quê uma guria nova se minha paixão platônica estava ali, do meu lado? Pra quê ir pra Porto Seguro, se uma viagem pra SANTA TEREZINHA era o suficiente pra se tornar tão inesquecível quanto as piscinas naturais de Porto de Galinhas? Não precisavas disso. Éramos jovens. E ingênuos. E homogêneos. Não era como uma turma de oitava série do Rosário, por exemplo, bem mais globalizada.

A fita é extremamente amadora e só alguém que lida com o negócio pode saber disso. Certamente se fosse eu o responsável por fazer um “filme” de despedida, seria tudo diferente. A começar pela edição, de corte seco, brusco e com erros seríssimos de continuidade. Um operador de câmera péssimo, esbanjando de zoom na hora errada. Um editor que hoje deve estar em outra atividade, porque pra cortar as “TOMADAS” daquele jeito não pode seguir na profissão. Uma locução antiga, com um texto fraquíssimo, que não aproveitou o potencial da turma mais extraordinária que eu já estudei. E uma trilha sonora que não faz sentido algum, abrindo com “VALE TUDO”, do Tim Maia, talvez uma mensagem subliminar de quem montou o vídeo, realçando a parte do “SÓ NÃO VALE DANÇAR HOMEM COM HOMEM E NEM MULHER COM MULHER”. Bom, em 1993 eu jogava botão e sapatão eu só tinha ouvido na música “Maria Sapatão”, em algum baile infantil de carnaval. Hoje, gurias de 14 anos passeiam de mãos dadas no Parque Germânia sábado à tarde. E pra finalizar o quadro do horror, os “apresentadores” em questão eram dois colegas meus, um bem mais desenvolvido que a gente, o Tiago, e um que tava ali porque tinha contratado o cara, o Leandro. Nenhum roteiro específico e o resultado foi sofrível. Ou “nas coxas”.

Mas sabe, a gente não sabia o que se passava na época. E, confesso, com todos estes defeitos técnicos, eu me apavorei com a minha reação. O vídeo é lindo. A nossa turma da oitava funcionava da seguinte forma: de um lado, os guris. Do outro, as gurias. No meio, um vazio enorme. Uma sala razoavelmente grande, com uma turma pequena. Não existia guri e guria juntos. Era uma separação brutal, um hiato aparente de afinidades e amizades. Que se desfazia quando tinha uma festa ou uma viagem. No fundo, éramos 25 pessoas que simplesmente achavam que aquilo ali era pra sempre. Não havia nem um tipo de preocupação com o futuro. Os nossos pais se preocupavam com o nosso futuro. A gente não. A gente tinha muito mais o que fazer. A gente tinha que se divertir.

Eu não lembro de ter estudado em casa na época do Salvador. Era só o primeiro grau e era quase uma aberração rodar naquele colégio. Minhas notas eram boas. Então, tudo que eu queria era fazer o que o vídeo mostra. Tocar papelzinho no outro, encher de porrada quem tava de aniversário, correr pro recreio pra jogar bola na sexta-feira, jogar bola numa quarta pela manhã de graça em alguma praça do Lindóia ou da COHAB, que na real era só o Jardim Barão do Caí. Colar numa prova. Xingar as gurias. E, nessa época, ou um pouco antes, comprar estoques de bixiguinha pra tacar na cabeça da gurizada. Uma sensação incrível de não ter um amanhã.

Passados 14 anos, eu analiso tecnicamente a fita, eu planejo uma corrida na redenção pra baixar o final de semana, eu planejo o financiamento do carro novo, minhas férias, leio os resumos dos programas feitos no final de semana, vibro com a produção do especial de um ano do Inter campeão do mundo que ficou muito bom e, por lazer, preparo a retrospectiva musical do ano. Dos 28, eu falo volta e meia com dois. Falo bem pouco com mais três. Sei que quatro das gurias já tem filhos. Talvez cinco. Meu melhor amigo da época se casou. Outros planejam casamento. Uns três já têm filhos. O paradeiro de outros é completamente desconhecido.

Se eu forçar a memória, eu lembro da lista de chamada inteira daquela turma. Aline, Ana Lúcia, Andréia, Bibiana, Camila, Carlos, Clarissa, Cristian, Christiane, Daniel, Eduardo B., Eduardo M., Eduardo T., Fabiano, Fabrício, Julio, Karina, Leandro, Leonardo, Marcelo, Marco, Morgana, Tatiana, Tiago, Wagner. Acho que não esqueci de ninguém. Eram 25, somente 25 alunos na 8ªB do Salvador de 1993.

Adoraria ligar para qualquer um daqueles meus colegas de oitava série pra fazer uma sessão fechada, só nossa, desse vídeo. Mas eu prefiro escrever. Talvez um dia este texto chegue até um deles. Talvez o texto esteja longo demais. Por enquanto, eu fico com a imagem da Tatiana dando “tchau” para a câmera e para o corte no cartaz de “Boas Férias” que estava estampado na entrada do colégio. Eu disse que éramos ingênuos. Mal a gente sabia que as nossas férias seriam eternas. E que o aceno da Tatiana, acho que nem ela sabe, foi um definitivo e doloroso “adeus”. Nos restam as memórias e as fitas VHS pra resgatar essa nostalgia que, tenho certeza, martelou em algum momento da vida a cabeça daqueles guris. Por via das dúvidas, resolvi digitalizar essa fita. Para que aquele final de 1993 fique para sempre comigo, esteja eu onde estiver.

TRILHA DO POST:
4 Non Blondes - What’s Up
Sublimes - Boneca de Fogo
Pearl Jam - Black
Culture Beat - Mr Vain
Ace of Base - All That She Wants
Guns N’Roses - Patience
Skid Row - In a Darkened Room
Roxette - Fading Like a Flower
Titãs - Será que é isso que eu necessito?
Blind Mellon - No Rain

December 7, 2007

ALMA

Filed under: música, saudosismo - Carlos @ 6:48 am

É coisa de mulher o que eu vou escrever, mas foda-se. Como disse uma amiga minha esses tempos: “Tem que ser muito macho pra dançar uma coreografia da Spice Girls em público. E ainda por cima ficar macho fazendo as coreografias”. Gostei disso, de qualquer maneira.

Pequenas coisas mudam a nossa vida. A gente nem percebe e um momento, um instante, um lampejo e pah! Muda tudo, as percepções se alteram e algum horizonte se abre. Ninguém nota, né? Geralmente dão valor ao emprego novo, ao carro novo, ao relacionamento novo, às conquistas novas. Mas ninguém dá bola para os pequenos momentos. Tu e tua alma.

Praia de Oásis, 2003. Depois do fim de um relacionamento de um ano em pleno carnaval daquele ano, procurei um amigo meu do colégio, meu melhor amigo do colégio. O cara se casou recentemente, fui no casamento e fui obrigado a dizer que ele era foda pra caralho. Um dos melhores amigos que eu já tive na minha vida. Em 2003, ele namorava uma menina que tinha uma casa em Oásis, litoral gaúcho, que pra mim, àquela altura, tinha sido apenas um antro de bebedeira no verão de 1999. Se Atlântida Sul é a minha residência oficial dos grandes momentos da minha vida, coloco em segundo lugar Oásis. Na frente de Atlântida e Capão da Canoa, que eu jamais subestimo, colocando estas praias num inestimável valor sentimental de crescimento, aprendizado e mil e vinte e cinco experiências inesquecíveis e antológicas (quem vai pra rua do Ibiza sabe do que eu estou falando).

Assim que estacionei o recém comprado Palio em Oásis algum aparelho de som do centrinho daquela praia tocava a música “Alma”, da Zélia Duncan. Eu nunca gostei da Zélia Duncan, nem tive um período de redescoberta súbita após o boom da Ana Carolina, que eu acho talentosa, mas sapatona demais pro meu gosto. De som sapatão prefiro KD Lang ou Melissa Etheridge. Entretanto “Alma” estava tocando. Acho que em 2003 eu nunca tinha ouvido a música. Parei, numa noite quente, estrelada e absurdamente linda. Talvez fosse o efeito das três cervejas compradas no caminho de Atlântida Sul até Oásis. Se eu me lembro, foram no BECKER (Atlântida Sul), algum posto em Imbé e num bar no centro de Nova Tramandaí.

“Alma”. Zélia Duncan. Olhei pro céu e ao invés de pedir um Jesus and Mary Chain eu comprei outra cerveja pra prestar atenção na letra. Nunca as coisas foram tão claras. Aquele momento, da “alma”, eu e a”alma”, o céu, as pessoas comendo crepe, as crianças no parque de diversões, os adultos discutindo o futuro da dupla Grenal no bar, uma caminhada breve até a casa do meu amigo. Acho que pela primeira vez eu soube o significado de alma. Acho que ali talvez tenha sido um dos momentos mais marcantes da minha vida. O momento em que eu soube o real significado da ALMA. De como as coisas às vezes, do nada, fazem bem mais sentido do que uma conquista nova.

Às vezes o que você planeja é muito menor do que a força do acaso. Eu juro que se essa música não tivesse tocado naquele momento, se o céu não brilhasse tanto como naquele dia, se o trajeto até Oásis não fosse tão esclarecedor quanto naquela noite, se as pessoas não parecessem tão radiantes quanto naquele instante, eu não estaria escrevendo sobre isso agora. Acreditem, estes cinco minutos e meio de estacionar o carro e ir até a casa do meu amigo mudaram a minha vida. Pela primeira vez eu acreditei na minha alma. É nela que eu me baseio até hoje e é nessa força que eu passei a crer irremediavelmente desde a segunda-feira de carnaval de 2003.

O que é melhor? Não se trata de ninguém. Sou eu. O buraco é mais embaixo. Uma conjunção de fatores que mudam para sempre uma filosofia de vida. Uma confluência de fatos que modificam a personalidade de uma pessoa. Noite, movimento, calor, felicidade, uma música. Acho que estes são os verdadeiros meios que te fazem enxergar o fim. As conquistas? São o fim.

Zélia Duncan, quem diria. Depois eu devo ter ouvido uma overdose de axé, funk ruim e marchinha de carnaval. Eu fico com a “Alma”. A minha alma.

August 14, 2007

O MAIOR NOME DA TV BRASILEIRA

Filed under: saudosismo - Carlos @ 4:43 am

Uma homenagem a Décio Piccinini. O homem, a lenda.


Que bom que eu sou da geração televisiva. Que não sou da geração da internet. Que beleza.

June 28, 2007

MINHA COPA INESQUECÍVEL

Filed under: futebol, saudosismo - Carlos @ 3:02 am

Talvez não seja a sua, mas a minha Copa do Mundo de futebol inesquecível não terminou com vitória brasileira. Pelo contrário, fechou com aquele vexame em Saint-Dennis, quando o Brasil de Ronaldo tomou três da França do Zidane.

Depois de uns sete anos eu voltei a assistir a um jogo da seleção brasileira em casa, sem estar trabalhando. Vale lembrar que eu fui, por exemplo, plantão em todos os jogos do Brasil na Era Dunga (exceto este, contra o México). Nos últimos dois mundiais, eu trabalhei incessantemente (2002 e 2006), ao passo que também jamais vou deixar de lembrar aquelas coberturas inesquecíveis de seleção brasileira. Principalmente a de 2002, com 45 dias virando a madrugada, com minha vida transformada no fuso horário japonês, mas vivendo no Brasil. É claro, eu também volto a 1994, quando o Brasil foi tetra e eu quebrei a parede do meu apartamento com uma voadora, na comemoração.

Mas 98 tem alguns aspectos singulares. Foi a minha primeira e única Copa do Mundo acompanhada em idade “adulta”, com uma certa “independência” e sem encargos de ser um “profissional da área”. Ainda não trabalhava em 98. Estudava apenas, somente no turno da manhã, o que me deixava o resto do dia livre simplesmente para esquecer do mundo e assistir aos jogos. Em 2002, eu assisti a TODOS os jogos da Copa. TODOS, não só do Brasil. Mas eu também trabalhei em TODOS. Em 98, eu vi vários, mas deixei de acompanhar alguns.

Talvez a lembrança desta Copa seja bem mais particular do que o Mundial em si. Durante Espanha x Nigéria, pela primeira vez eu conectei meu PC à internet, com conexão discada do provedor hotnet. Em Brasil x Dinamarca, eu, com carteira recém tirada, atrasado para a partida, peguei uma “carona” na ambulância do Hospital Cristo Redentor para poder me livrar do trânsito. Em Holanda x Argentina, de tardezinha, deixei a sacada do meu prédio aberta com uma bola à disposição só pra chutar enquanto o jogo estava no intervalo. Em França x Paraguai, eu me atrasei para uma festa que eu tinha só para ver a decisão do jogo. Em Brasil x Marrocos, eu recebi uma ligação.

Principalmente, quem sabe a Copa de 98 seja um pequeno rasgo no tempo. Como em 1993, quando eu cresci repentinamente, em 1998, eu passava a ser de fato mais adolescente do que eu era, aproximando uma vida aparentemente sem limites de uma inexperiência gritante. Um marco da liberdade que se tem aos 19 anos, de ter a sensação de que algo importante pode acontecer e você também pode fazer parte disso.

Por isso que toda vez que vejo a seleção, eu lembro da Copa de 98. Rito de passagem, grito de felicidade. Uma linha dividindo o que eu era e o que eu passei a ser a partir daquele ano. Ninguém vai entender nada, mas um pouquinho dessa minha personalidade passou por aqueles gramados franceses. E o pior é que eu nem lembro direito dos gols do Brasil.

June 10, 2007

CINCO BOAS NOTÍCIAS NO VAZIO

Filed under: alegria, saudosismo - Carlos @ 5:47 am

Neste período de vazio absoluto (ver post abaixo), algumas boas novidades:

1- ZODÍACO
O novo filme do meu diretor preferido contemporâneo, David Fincher, é um documento histórico apurado eletrizante. Com uma edição parecida com os filmes anteriores, é a grande novidade do ano. Fincher é um monstro. A história de um assassino comum que se denominou Zodíaco e ACABOU com a vida de três homens é contada com uma precisão e um cuidado histórico que impressionam. Achei um filmaço. Claro, ainda longe de 7even e da obra-prima do cinema mundial em todos os tempos Clube da Luta.

2- GTA SAN ANDREAS
Já tinha jogado de brincadeira este jogo quando ele cai nas minhas mãos no Play2 recém adquirido. GTA é o melhor jogo de todos os tempos. Incomparável, perfeito, espetacular. Dica: não jogue por DEZ HORAS na seqüência e depois saia na rua. A chance de ver o sol nascer quadrado ou a boca cheia de formiga é muito grande.

3- VH1 CLASSICS
Só tinha visto este programa que rola nas madrugadas do canal 89 de passagem. Mas assistí-lo na íntegra é uma viagem que te leva direto à melhor década de todos os tempos: os anos 90. Afinal, em qual programa dá pra ver ao mesmo tempo 10000 Maniacs, Bon Jovi, Janet Jackson, Van Halen (com o Eddie de cabelo curto) e Duran Duran ao mesmo tempo?

4- MR BRIGHTSIDE NA PISTA
É certamente uma experiência impressionante o poder da velocidade e combustão orgânica que esta canção causa no teu organismo. Numa pista de dança, tu sente uma intensidade como DJ, mas experimente dançá-la bêbado no meio de uma multidão. O transe só volta daqui a uns 30 anos, acho.

5) THE BREEDERS - LAST SPLASH
Não escutava esse disco há uns 10 anos, sem brincadeira. Ele é (adivinhe) de 1993, na melhor década musical da história. Divine Hammer me levou a uma histeria pulando em cima da cama. Fantástico, fantástico.

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